Governo do Estado pode ter suspiro de R$ 400 milhões, espera Luciano Pimentel
Blogs e Colunas | Joedson Telles 15/09/2019 09:50 - Atualizado em 15/09/2019 10:18

"O Governo do Estado tem buscado ter um controle mais efetivo sobre os gastos, para que, realmente, se gaste naquilo que seja essencial e importante para a sociedade. Entretanto, sabemos que a crise é muito grande. Poderá ter um suspiro com os leilões das bacias da Petrobras, que poderão gerar algo em torno de R$ 400 milhões para o Governo do Estado. Eu vejo com grande perspectiva. Essa questão do gás em Sergipe, que talvez vamos sentir esse reflexo daqui a três ou quaro anos. Vai ser fundamental. Com a facilidade, com o barateamento do custo do gás, Sergipe vai atrair muitas empresas que têm o gás como insumo importante nos seus custos de produção. Isso vai ajudar muito a alavancar a economia do estado", avalia o deputado estadual Luciano Pimentel (PSB), ao ser provocado sobre a situação financeira do Estado. 

O senhor foi um dos deputados que usou a tribuna da Assembleia Legislativa, na semana passada, para lamentar a postura do senador Alessandro Vieira. Por quê?

O deputado Francisco Gualberto tinha feito um pronunciamento, eu estava no momento presidindo a Mesa, e o deputado Zezinho Guimarães também se pronunciou. Depois eu passei a condução da Mesa para a deputada Maísa Mitidieri e desci para o plenário para que pudesse expressar minha opinião. Eu acho que, independentemente do presidente da Casa, do presidente do Tribunal de Justiça e do governador do Estado já terem sido saudados por outro orador, cabia também a saudação por parte do senador. Eu acho que foi uma postura deselegante e caberia esse registro por parte de nós deputados para que fatos como esse não ocorram. A simbologia existente dos Poderes constituídos. A gente tinha na Mesa o presidente do Tribunal de Justiça, o governador do Estado e o presidente da Assembleia Legislativa. Se não quisesse saudar individualmente os deputados e as outras autoridades, tudo bem. Mas, os três Poderes precisavam e deveriam ter sido citados. Era um dia de festa, de homenagem, um dia que esperamos que tenha sido de alegria para ele. Era o momento do reconhecimento - e esse reconhecimento caberia um tratamento mais cordial com a Casa e com os Poderes.

O que o senhor tratou com o secretário de turismo, Sales Neto, na visita que fez a ele, na semana passada?

O vereador Lucas Aribé está promovendo a 7ª Semana Aracaju Acessível e está trazendo um palestrante. Esse palestrante é um consultor na área do turismo acessível, inclusive um cadeirante. Ele vai fazer um diagnóstico do turismo acessível em Aracaju, e pediu apoio do nosso gabinete, da Secretaria de Turismo, da Prefeitura de Aracaju, do IFS, e fomos falar com o secretário de turismo, Sales Neto, que também vai apoiar vinda desse consultor.

Como avalia a importância do turismo para a economia?

O turismo é a "indústria sem chaminé". Onde o turismo é forte, a economia é muito forte. Temos visto o crescimento do turismo no mundo e uma das ações do governo Bolsonaro que eu defendo é quando ele fala que o turismo no Brasil é vexatório. Realmente é verdade. Temos uma capacidade enorme instalada e uma potencialidade turística fantástica no Brasil, em toda sua dimensão territorial, mas recebemos apenas 6,6 milhões de turistas, no ano passado. A Embratur está fazendo um trabalho para ao menos duplicar a quantidade de turistas no próximo ano. O Ministério do Turismo está estimulando o turismo interno, que é muito importante porque movimenta muito a economia do nosso país. Essa é uma linha de atuação que eu acho muito importante, e a grande maioria dos estados já têm toda infraestrutura para receber o turista. É só mobilizar e motivar. O secretário Sales Neto falou de algumas ações que o Estado está fazendo no sentido de divulgar Sergipe para que possa ter uma atração maior e, assim, aumentar o volume de turistas que frequentam nosso estado. Isso é muito importante e foi um assunto que tratamos também. Eu tive uma reunião com o secretário de Turismo da Prefeitura de Aracaju e o secretário de Turismo da Barra dos Coqueiros, que estão fazendo uma ação bastante importante para levar vários municípios para a Abav (Associação Brasileira das Agências de Viagens), que vai acontecer, no próximo mês, em São Paulo, de forma que Sergipe possa estar lá para vender suas potencialidades aos agentes de turismo que lá estarão. A Abav é o maior evento da área, talvez da América Latina. É importante que Sergipe esteja presente de forma bastante significativa para que possamos mostrar as potencialidades do estado.

Sergipe acaba de ganhar uma nova ferramenta para alavancar o turismo que é o acesso do Confiança à série B do Campeonato Brasileiro de Futebol...

O acesso do Confiança vai divulgar mais o estado porque, ao estar jogando, sempre os comentaristas esportivos da TV e quem vai aos estádios vão falar que é o time de Sergipe. Isso é muito importante. Eu acho que ajuda muito a levar o nome de Sergipe. Agora, precisamos ter outras ações que mostrem o que tem o estado de Sergipe. Quais são as potencialidades turísticas que temos para que crie na pessoa o desejo de visitar Sergipe e conhecer nosso estado. Hoje em dia, tem muito turismo religioso, o turismo de negócio, que estamos com dificuldades pela ausência do término da obra do CIC, o que tem comprometido um pouco. Tem o turismo de praia. Em Itaporanga D’Ajuda tem um espaço que pouca gente conhece chamado Coqueirinho, que são piscinas naturais. Mas, até o acesso hoje é um pouco difícil. Eu estou dando esse exemplo de Itaporanga, mas existem vários pontos que precisam se desenvolver tanto na capital quanto no interior. A Serra de Itabaiana é belíssima. É muito importante trabalhar essa questão. Na UNALE me elegeram recentemente como secretário Nacional de Turismo e Desenvolvimento Social. Vamos ter a primeira reunião, no Rio de Janeiro, no próximo dia 19, quando vamos tratar do turismo com todos os deputados do Brasil. Vai ser formada uma comissão porque essa secretaria não exista na UNALE. Vamos monstra essa comissão para atuar junto ao Ministério do Turismo, junto a Embratur, no sentido de buscar oferecer sugestões e trabalhar uma pauta para que possa fomentar o turismo no Brasil. Temos alguns colegas que já me ligaram interessados em trabalhar comigo nessa comissão, e espero que a gente possa também, através dessa comissão, ajudar o turismo em Sergipe.

A experiência na UNALE tem sido boa?

No meu primeiro mandato, eu participei de algumas reuniões, mas não fui com tanta frequência. A partir deste ano, passei a participar mais. Lá são discussões de alto nível, inclusive fui surpreendido, em Santa Catarina, há 15 dias, quando teve uma reunião com os países do Mercosul para falar sobre turismo, e não fazia parte da reunião que eu iria participar - que era de segurança púbica. Com eu tinha um tempo livre a tarde, participei desse evento. Tinha lá consultores representantes do Senado, deputados do Mercosul tratando do turismo naquela região. Veja que o turismo é tão forte que, hoje, Santa Catarina é o segundo maior pólo de turismo no Brasil. Eles estão muito avançados lá. Eu tive a grata surpresa: me chamaram para falar. Mas eu tenho estudado muito turismo no Brasil, tenho lido muitas informações exatamente para me preparar para este desafio na UNALE.

Dá para cobrar do governo uma política de turismo eficiente num momento de crise?

Num momento de crise é sempre mais difícil, mas tem que se aproveitar o recurso que tem de forma potencializada e usar de forma mais criativa. Eu tenho visto, agora, a Secretaria de Turismo, com Sales Neto, tendo outra formatação, buscando fazer acontecer. O secretário de Turismo de Aracaju me surpreendeu bastante. Logicamente, precisa do apoio do prefeito, mas ele tem as ideias e está buscando desenvolver. Quanto mais se aborda um assunto mais pessoas começam a se envolver naquilo. Hoje, eu tenho informações que as Secretarias de Turismo de Prefeituras do interior já estão se unindo para fazer um roteiro e divulgar. Para você ter uma ideia, nesse evento da Abav, que está sendo proposto pelo secretário de Turismo de Aracaju, já vai ter lá stand no mesmo ambiente, inclusive um projeto que eu achei muito bonito que me foi apresentado com vários municípios do interior participando. Eu sempre digo que estamos perdendo muito com Canindé. O turismo passa por lá e vai para Piranhas. Mas, quem fomentou o turismo de Canindé foi a Prefeitura de Canindé, na época de Orlandinho Andrade e a saudosa Silvinha, que era uma técnica da Emsetur, e era uma entusiasta do turismo. Canindé participava de todas as feiras de turismo. Hoje, vai muito turista para Canindé, mas, infelizmente, se hospeda e vai gastar seus recursos em Piranhas. Está faltando Canindé trabalhar isso. É um equívoco a gente achar que toda política de turismo tem que partir do Governo do Estado. O governo tem que investir e apoiar, sim, mas as prefeituras têm que fazer o seu papel. Em Florianópolis, por exemplo, o perfeito faz um papel belíssimo na área do turismo. Não é o estado de Santa Catarina. Ele também atua, mas todas as experiências que eu vi foram da prefeitura. Na Bahia, a Prefeitura de Salvador trabalha fortemente. A Prefeitura do Rio de Janeiro também. Lógico que o Estado é o guarda-chuva maior, mas as prefeituras têm que inserir. Essa discussão em Sergipe está muito positiva porque as prefeituras estão vendo a necessidade de investir, de levar o turista ao seu município. Isso é importantíssimo com a coordenação do Governo do Estado, com a participação ativa, mas não pode ser só o Governo do Estado.

Na Assembleia Legislativa, fala-se muito em CPI d Pedofilia. Qual sua opinião?

Eu não vejo a questão da CPI da Pedofilia de forma que só ela possa ajudar. Eu acho que outras ações podem ajudar, mas, se for instaurar a CPI, tem o meu apoio. Hoje, há essa preocupação, mas a CPI, por si só, não muda a situação. Eu acho que a situação é o convencimento, o monitoramento, a ação direta junto com a sociedade, a criação de mecanismo de denúncia. Na semana passada, assistimos a uma palestra da ministra Damares que dói o coração. Hoje, existem pessoas abusando de crianças com seis meses de idade. Isso dói o coração. É uma coisa fora da realidade. A ministra terminou a palestra chorando. É preciso o esclarecimento a toda sociedade, é preciso o monitoramento e uma punição rigorosa a uma pessoa que pratica um ato como esse. Concordo inteiramente com a implantação da CPI, mas não acho que será ela que vai resolver essa questão. A CPI vai apurar algumas informações. Eu acho que tem que estruturar os órgãos de controle, a própria facilidade no acesso às denúncias, já que muitas pessoas têm medo de se expor. É preciso aperfeiçoar os mecanismos que já existem para que a pessoa possa denunciar e que de imediato haja apuração desses fatos. Em havendo a CPI, conta com meu total apoio.

O delegado Paulo Márcio escreveu um artigo para o site Universo Político assegurando que a polícia já faz esse trabalho de investigação, de combate à pedofilia e que uma CPI só se justificaria se alguém tivesse dúvida de prevaricação da polícia. É nessa linha o seu raciocínio?

Eu concordo porque o que podemos fazer, na linha do delegado Paulo Márcio, é talvez criar uma estrutura melhor para a polícia atuar neste segmento. Mas, não necessariamente há necessidade de uma CPI. A CPI apura desvios de conduta de quem vai fazer a apuração. A CPI não vai apurar quem pratica. Quem tem poder para isso é a polícia. Nessa linha do delegado, eu acha que é preciso se estruturar mais. Tem a Delegacia de Vulneráveis e é preciso mecanismos que deem segurança que aqueles fatos serão levados a cabo.

O senhor já está pensando nas eleições 2020?

No interior, eu estarei ao lado daqueles amigos que me ajudaram. Em vários municípios do inteiro eu estarei. Em Aracaju, eu não tenho uma definição. Realmente não tenho definido que candidato apoiarei. Vou deixar essa decisão mais para frente, analisar o perfil dos candidatos e ver que caminho e vou tomar no que se refere a Aracaju. No interior, aqueles que me apoiaram terão meu apoio.

O PSB tem convocado os filiados para discutir o assunto?

Eu não sei. Pode ser que esteja havendo reunião, mas não fui convidado para nenhuma. Mas pode estar havendo discussões internas.

Como o senhor avalia, hoje, a situação financeira do Estado? 

O que nós pudemos compreender é que o Governo do Estado tem buscado ter um controle mais efetivo sobre os gastos, para que, realmente, se gaste naquilo que seja essencial e importante para a sociedade. Entretanto, sabemos que a crise é muito grande. Poderá ter um suspiro com os leilões das bacias da Petrobras, que poderão gerar algo em torno de R$ 400 milhões para o Governo do Estado. Eu vejo com grande perspectiva. Essa questão do gás em Sergipe, que talvez vamos sentir esse reflexo daqui a três ou quaro anos. Vai ser fundamental. Com a facilidade, com o barateamento do custo do gás, Sergipe vai atrair muitas empresas que têm o gás como insumo importante nos seus custos de produção. Isso vai ajudar muito a alavancar a economia do estado. Tem uma perspectiva de uma refinaria que um grupo divulgou em um jornal que pretende implantar para importar óleo diesel de uma característica melhor, que agora é uma exigência nos Estados Unidos e na Europa. Agora em outubro, deve ter um leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica. Tem uma empresa que já tem a licença prévia na Adema para construção de uma usina solar fotovoltaica na região de Canindé, que vai gerar algo em torno de 1200 Kw/h de energia. Ninguém constrói uma usina para gerar energia solar e depois vai procurar quem quer energia. Primeiro tem que participar do leilão, conseguir vender sua energia e aí, sim, passa sua potencialidade. Essa seria a segunda maior usina do mundo em números de placas e de capacidade instalada. São perspectivas para Sergipe. O governo está buscando atrair empresas. Tem uma perspectiva com o gás. O governo está buscando atrair uma empresa de produção de caminhões a gás. Eu vi recentemente, através da própria imprensa, que os governadores de alguns estados vão passar por alguns países da Europa buscando investimento. É importante porque se ficar esperando o Governo Federal, ele pode ter uma prioridade diferente. Buscar levar a empresa para outro estado, inclusive se o ministro de Estado for de estado A, quando for negociar a vinda de uma grande empresa, mesmo coma responsabilidade que tem de ministro de um país, vai buscar levar também investimentos para seu estado. É muito importante essa ida dos governadores para que possa atrair. O governo da Bahia faz isso há muito tempo. Busca parceria público privada, vai buscar investimentos fora do Brasil e tem surtido efeito. É preciso que a gente também vá. Eu vi na imprensa que o governador de Sergipe também irá participar dessas visitas de negócios a grande empresas em alguns países. Estamos vendo a vinda do próprio prefeito de Miami à Celse. Aquilo é emblemático. No meu ponto de vista, ele não veio aqui pra conhecer só o funcionamento de uma usina. Eu vejo aquilo como uma potencialidade que ele veio para investimentos no estado. Eu não vejo que ele saiu dos Estados Unidos para visitar uma usina em Aracaju. Eu vejo de uma forma mais abrangente. Eu acho que a visão do prefeito de Miami deve ser de investidor, de pessoa que veio ver a potencialidade do que pode ser feito aqui. Como também essa empresa americana que deu entrevista, ou foi na Folha de S. Paulo ou foi no Estadão, e disse que analisaram onde tinha a melhor localização para fazerem essa refinaria, e foi Aracaju. Sergipe está se abrindo para essa potencialidade do gás e do petróleo. Aí é onde nós temos que ganhar oportunidade porque com certeza a competição vai ser grande.

 

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Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo
Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: joedsontelles@gmail.com


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