Prisão põe carreira política de Valmir em xeque. Ou crescerá como Sukita?
Blogs e Colunas | Joedson Telles 07/11/2018 21:13 - Atualizado em 07/11/2018 21:21

Ao comentar as prisões, nesta quarta-feira 7, do prefeito Valmir de Francisquiho, e de um auxiliar seu, acusados de desviarem, anualmente, cerca de R$ 2 milhões da Prefeitura de Itabaiana, a delegada da Polícia Civil, Katarina Feitoza, assegurou: “irão responder por cobrança indevida de tributos, lavagem de dinheiro, associação criminosa e crime de licitação. Tudo comprovado e com provas robustas”.

Como o internauta já deve ter lido neste espaço em situações parecidas, qualquer pessoa sobre a qual repouse quaisquer tipos de acusações lembro de pronto: é inocente até que provas irrefutáveis sejam apresentadas e aceitas pelo Poder Judiciário. Por enquanto, apenas a polícia apresentou suas cartas. A defesa de Valmir, óbvio, ainda entrará em campo para tentar derrubar as acusações.

Entretanto, num país cuja população, em sua maioria, se permite ao engano de acreditar que, uma vez a polícia diz na imprensa que Fulano de Tal cometeu crimes e “há provas robustas provando”, acabou a imagem de político sério de Fulano. São tantos casos de corrupção expostos pela mídia, envolvendo políticos e o dinheiro público, sobretudo nos últimos anos, que basta ao político ser apenas acusado para o estrago já estar feito. Se for algemado e preso então...

Não podemos desprezar o fato que em situação bem pior, o ex-prefeito de Capela, Manoel Sukita, esticou sua densidade eleitoral. Ator de primeira, se fez de vítima com aquela história batida de “um pobre filho de vaqueiro” e fatia considerável do eleitor ainda hoje vai na onda. Entretanto, Valmir pode não ter a mesma sorte. Aliás, não demonstra ter a mesma vocação artística.

Creio que, ainda que prove inocência, o prefeito de Itabaiana jamais será o mesmo político. Sempre ficará a desconfiança. Em uns por pura ignorância. Mas há, evidente, adversários maldosos, que se aproveitarão do episódio para tentar jogá-lo em vala comum.

E quer ver coisa é se as graves acusações feitas pela polícia não forem derrubadas pela defesa do prefeito. Se tudo dê errado, a fama de corrupto grudará. A cadeia será mais longa. E some-se a isso a inelegibilidade, que pode jogar a pá de cal numa carreira política que soou vitoriosa.

Aliás, em se confirmando os crimes, Valmir será uma das surpresas tristes da política de Sergipe. O político amealhou louvores de todos os lados por administrar bem o município de Itabaiana numa época em que a maioria dos gestores se agarra à crise econômica, fazendo-a maior que a realidade, para tentar justificar a frustração dos eleitores diante da incoerência: então candidato x atual prefeito.

Na gaiola, e precisando, urgentemente, derrubar as tais provas que a polícia usa para lhe colocar como mais um político sujo neste meio em xeque por ações nefastas dos seus próprios atores, Valmir vive o momento mais difícil não apenas de uma carreira política que pode está com os dias contados, mas, certamente, da sua própria vida. Torço para que prove inocência. Não vejo sentido em querer o mal ao próximo. Todavia, em sendo culpado, que a impunidade não impere.

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Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo
Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: jornalismo@universopolitico.com.br


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