Valadares Filho anuncia pré-candidatura e projeta enfrentamento com Edvaldo
Blogs e Colunas | Joedson Telles 18/08/2019 09:12

O ex-deputado federal Valadares Filho, presidente do PSB de Sergipe, se coloca, nesta entrevista, como pré-candidato a prefeito de Aracaju, nas eleições 2020. Ele afirma que está preparado para mais uma disputa e assegura que não foge de desafios. "Se eu procurasse o fácil, eu teria sido candidato a deputado federal. Sei onde quero chegar e conheço profundamente as necessidades dos aracajuanos em todas as regiões. Sinto-me no momento mais maduro da minha vida e muito animado na construção desse novo projeto", diz o pré-candidato, projetando uma possível disputa contra o prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B). "Não tenha dúvida que chegaremos em relação a essa estratégia desse enfrentamento, que estruturalmente é desigual, sabendo como colocar que as mentiras que são ditas são puramente eleitorais", diz.

O PSB está de casa nova, mas o foco continua sendo o melhor para Sergipe...

Sem dúvida. Estamos em novas instalações (na rua José de Faro Menezes). Reiniciamos os trabalhos, na nova sede semana passada, e num ritmo de muito trabalho, de organização, de oxigenação do partido, de aprimorarmos ainda mais o fortalecimento dos diretórios municipais. Temos feito isso muito na sede, recebendo lideranças do interior e da capital, como também presencialmente. Tenho viajado muito aos quatro cantos de Sergipe, visando essa organização do partido para as eleições 2020, aproveitando para agradecer àqueles que estiveram ao nosso lado nas eleições para o Governo do Estado, no ano passado. Estamos muito felizes com esse novo momento de sede nova, mas também de grandes perspectivas para o futuro.

Como é coordenar um projeto visando uma eleição majoritária num momento em que o PSB não está no poder?

O PSB não foi aliado do governo durante toda sua história em Sergipe e no Brasil. Eu posso dizer que tivemos muitos anos na oposição em Sergipe. Não é nada novo. Eu sei que enfrentar uma organização partidária, um sistema de poder muito bem organizado em Sergipe - e, infelizmente, esse sistema não é bem organizado para trazer beneficio à população, mas, sim, para se organizar na manutenção do poder - não é fácil. Temos feito isso com muita estratégia e, algumas vezes, com muita descrição para que justamente essa sistemática não venha nos atrapalhar. Posso dizer, de forma muito categórica, que o partido tem crescido. O PSB é a maior referência de oposição no estado não só porque eu cheguei no segundo turno das eleições passadas, mas também porque temos um partido que se posiciona permanentemente nessa linha de oposição ao Governo de Sergipe e à Prefeitura de Aracaju. Por mais que seja difícil, o partido tem avançado muito em todos os municípios sergipanos.

O senhor vê, então, um PSB forte para disputar as eleições de 2020, principalmente na Grande Aracaju?

Pela breve organização e visão que temos em relação à nossa participação nas eleições de 2020, eu tenho certeza absoluta que chegaremos lá com o partido ainda mais sólido do que em 2016. Teremos um partido ainda mais orgânico, ainda mais leal aos projetos futuros e preparado para ajudar, dentro de conteúdos programáticos, várias cidades que tivermos candidatos a prefeito. Nas cidades que não tivermos candidatos, em muitas delas, participaremos da chapa majoritária, indicando o vice - e teremos chapa de candidatos a vereador em todos os municípios sergipanos. E claro que também, em Aracaju, o PSB é a maior referência de oposição e vai assumir essa responsabilidade e protagonismo.

Ou seja, candidatura própria...

Sim. Nós nos preparamos, mais uma vez, para a disputa da Prefeitura de Aracaju. Eu já provei que não fujo de desafios e não procuro o fácil até porque, se eu procurasse o fácil eu teria sido candidato a deputado federal, ano passado, e hoje estaria com mandato. Mas procurei ajudar Sergipe numa linha de mudança e renovação, de novos conceitos administrativos, de termos uma política que vise à gestão, e não uma mera política do toma lá da cá. Eu representei aquele sentimento forte do coração dos sergipanos, ano passado, e nosso partido sabe que não pode abrir mão dessas convicções. Eu sei que não posso deixar o povo de Aracaju sem uma opção nessa linha, mas é claro que ninguém é candidato de si próprio. Apesar de estar extremamente animado com a possibilidade de uma nova disputa, de o partido já ter decidido ter candidatura própria em Aracaju, eu escolhi essa nova candidatura com muito diálogo e respeito aos nomes que já estão colocados - e vamos conversar com aqueles que possamos ter convergências sobre o que pensamos para o futuro de Aracaju. No momento adequado, esses diálogos vão avançar. Nosso partido, neste momento, está preocupado em montar um programa de governo, assim como fizemos em 2016, sintonizado com a realidade atual, verificando quais os problemas corriqueiros que nunca foram resolvidos na nossa capital, focando diversas questões que serão discutidas, como o transporte público, que não houve a licitação ainda e tem prejudicado a qualidade do transporte. O estelionato eleitoral que foi prometido a revogação imediata do IPTU e isso não aconteceu. A gente verifica uma crise permanente na saúde com as unidades básicas abandonadas, faltando medicamentos, sem nenhuma otimização nessa logística de distribuição dos medicamentos, profissionais de saúde maltratados. Uma cidade que não gera emprego, que escanteou o turismo, que é um setor tão importante que poderia ser o braço direito da recuperação econômica não só de Aracaju, mas de Sergipe. Aracaju poderia ser a cidade que deveria tomar a iniciativa de tornar Sergipe um ponto turístico. São muitos debates, a responsabilidade é imensa e esse debate vamos ter com o povo aracajuano. Vamos conversar com as entidades organizadas, assim como sempre fizemos. O setor produtivo é fundamental também para que possamos construir um programa de governo economicamente forte que gere emprego e renda para nossa gente. É dessa forma que o PSB prioriza os projetos de ter o interior do estado bem posicionado e ser protagonista na capital.

O que levará de experiência para essa nova candidatura majoritária, já que nas outras, mesmo não se eleito, o senhor teve votações expressivas?

Eu levo muitos aprendizados. Cada vez que você tem uma nova oportunidade de debater profundamente os problemas da capital, assim como eu fiz, você, sem dúvida, ganha uma visão administrativa ainda mais apurada. Essa bagagem de 12 anos como deputado federal, acolhendo sugestões durante a campanha, nos debates verificando aquilo que a gente poderia acolher de adversários que achamos que tinham ideias convergentes e naquele momento colocou algo que verificamos que poderia ser incorporado no programa de governo, o diálogo permanente com o povo é fundamental, e o mais importante é que a gente possa sentir de perto a necessidade da sociedade. É um acúmulo de boas experiências, que muitas vezes não foram vitoriosas, que faz com que eu me sinta no momento mais maduro da minha vida. Eu me sinto preparado. Sei onde quero chegar e conheço profundamente as necessidades dos aracajuanos em todas as regiões. Conheço profundamente cada bairro da cidade justamente por essa oportunidade que o partido, que aliados, que o povo me deu de ir às ruas tentar construir um futuro melhor para nossa gente. Sinto-me no momento mais maduro da minha vida e muito animado na construção desse novo projeto.

O senhor está sem mandato, mas tem uma missão no PSB Nacional. Está reservando um tempo para continuar caminhado em Aracaju?

Com certeza. Nós estamos em Brasília, de 15 em 15 dias, fazendo com que as nossas atribuições sejam bem feitas, mas isso não impede que eu esteja aqui nos finais de semana e durante algumas semanas para fortalecer o partido. E tenho feito muito isso com a responsabilidade que tenho de presidente estadual do PSB, de andar muito no interior do estado. Eu tenho andado de cinco a sete municípios por semana conversando, agradecendo aos que eu não tive oportunidade de ver ainda após a eleição. A minha atividade política no estado, minha presença em Aracaju, continua muito permanente.

O senador Valadares é um entusiasta de sua pré-candidatura?

Eu diria que a decisão que eu tomar ele será extremamente solidário, mas sinto nas nossas conversas informais que ele é um grande entusiasta.

O senhor é daqueles que acreditam que para construir uma candidatura majoritária é imprescindível um grupo político forte dando sustentação?

Não necessariamente. Mas eu creio que na construção da candidatura majoritária é importante ter diálogos, ter conversas, buscar aliados que tenham convergências de pensamentos, de gestão. É lógico que existem pessoas com pensamentos completamente diferentes. Apenas jogo de interesses. Assim como sempre busquei construir nossas candidaturas majoritárias com diálogos, busquei aliados, em algumas eleições, tivemos uma quantidade razoável de aliados, em outras tivemos uma quantidade menor devido à conjuntura. Eu vou dialogar, sim, com aqueles partidos políticos que a gente veja que possam contribuir na elaboração conceitual daquilo que a gente imagina como a boa gestão que Aracaju tanto precisa. Vamos buscar ampliar esse arco de ideias.

O PT seria um bom partido para dialogar com o PSB?

No momento, não estamos preocupados em avançar nesses entendimentos. Eu não posso deixar de reconhecer que tenho amigos no Partido dos Trabalhadores, que já tivemos em alguns momentos da vida pública juntos sob a liderança do saudoso Marcelo Déda muitas convergências em defesa do povo de Aracaju, de Sergipe e do Brasil, mas, neste momento, o foco do PSB não é ampliar e construir aliança, mas avançar na a elaboração do nosso projeto para cidade. Vamos começar, agora em setembro, junto com a Fundação João Mangabeira, que é o braço intelectual do nosso partido, a promover seminários em diversas regiões da nossa capital, justamente para que a gente possa ouvir as pessoas e convidar as entidades organizadas da nossa capital para contribuir com ideias, debates, com conceitos do que podemos avançar para nossa capital em todas as áreas. E vamos até março ter esse projeto concluído, para que a gente apresente à sociedade aracajuana. A partir daí, verificamos dentro das pré-candidaturas aqueles partidos que podem se somar ao nosso projeto - e faremos isso com muito respeito e diálogo.

Voltaria a conversar com o ex-deputado federal André Moura?

Eu tenho uma relação pessoal muito boa com André. Fomos adversários políticos, mas relações pessoais, se de repente a convergência pelo futuro de Aracaju falar mais alto, eu não vejo problema. Eu não tenho inimigo. Se o pensamento da forma de conduzir a cidade for compatível, não vejo problema em relação a isso. O que temos que fazer agora é tirar essa questão de ficar preocupado apenas com as questões ideológicas. Temos que pensar na cidade. É claro que eu tenho minhas convicções ideológicas, o meu partido da mesma forma e colocamos isso publicamente. A sociedade sabe o que pensamos sobre o futuro do Brasil, de Sergipe e de Aracaju, mas temos que detalhar os problemas de Aracaju. Nada impede que eu possa pensar ideologicamente diferente de algum partido político, mas termos convergências na forma de gerir a cidade - e podermos avançar em Aracaju nos vários aspectos que precisamos. Se isso acontecer, não vejo problema em termos diálogo.

O senhor deve ter feito uma reflexão das duas últimas eleições. O que fez e não faria mais e o que faltou fazer?

Eu acho que você não pode menosprezar a força do sistema. Tem que buscar disputar com o sistema tão bem organizado que é o poder. Tanto é que eles venceram duas vezes seguidas e estão muitos anos à frente da administração. Temos que ter uma estratégia mais apurada nesse enfrentamento. Aprendi muito isso nessas duas últimas eleições. Não tenha dúvida que chegaremos em relação a essa estratégia desse enfrentamento, que estruturalmente é desigual, sabendo como colocar que as mentiras que são ditas são puramente eleitorais, que o marketing do mal também é mentira, que tentam enganar a população, que usam a máquina que esta à disposição deles para conseguir que vira o quadro eleitoral como aconteceu em 2016. Está na hora do povo denunciar. Não vamos aceitar mais esse marketing mentiroso que levou o sistema em Aracaju e Sergipe a permanecer no poder. Vamos denunciar também o uso da máquina administrativa que não é deles. A máquina administrativa é do povo de Aracaju e de Sergipe que não será utilizada como massa de manobra.

 

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Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo
Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: joedsontelles@gmail.com


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