Afastada, diretoria do Hospital Cirurgia é investigada por lavagem de dinheiro
Promotores dizem que “o caos estava instalado na unidade do terceiro setor”
Cotidiano| Por Will Rodriguez 07/11/2018 10:34 - Atualizado em 07/11/2018 11:14

Afastada por determinação da 7º Vara Cível, a diretoria do Hospital Cirurgia, em Aracaju, continua sendo investigada pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. Os procedimentos são conduzidos pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Sergipe (MPE).

A liminar que autorizou uma intervenção na gestão da Fundação Beneficente por tempo indeterminado é um dos cinco desdobramentos da operação Metástase, que apura práticas ilícitas em face do patrimônio da instituição hospitalar no serviço de oncologia.

Segundo os promotores, a partir de relatórios com dados referentes à gestão desde o ano de 2015, foi possível constatar irregularidades que incluem nepotismo, pagamento de contas pessoais, contratação de empresas em nome de laranjas, até a desassistência da população.

“Chegou ao ponto tão grave que o Estado nomeou pessoas para fazer a gestão, mas elas não estavam conseguindo ter acesso às contas do Hospital, o que demonstrou que a diretoria estava no controle da situação ilícita, praticando os mesmo tipos de fraude mesmo após os mandados de busca e apreensão que realizamos”, disse a promotora Luciana Sobral, em entrevista coletiva nesta quarta-feira (7). “O caos estava instalado no Hospital Cirurgia, uma afronta ao interesse público”, completou.

Na Ação Civil, o Ministério Público aponta a subutilização da capacidade de atendimento do Hospital. Porém, de acordo com o promotor Bruno Melo, coordenador do Gaeco, ainda não é possível estimar a dimensão do impacto das falhas encontradas e nem o prejuízo financeiro aos cofres da Unidade, financiada com recursos públicos do Município, do Estado e da União.

Com o afastamento da diretoria, a servidora da Secretaria de Estado da Saúde (SES) Márcia Guimarães, que há dois meses já tinha sido nomeada pela SES para atuar na cogestão do Cirurgia, vai assumir o cargo. Ela terá, conforme destacou a promotora Ana Paula Machado, “amplos poderes” para fazer as adequações na administração da Fundação Beneficente, cuja natureza é de entidade privada do terceiro setor.

“Percebemos que havia um endividamento do Hospital, além de irregularidades em dois convênios com construtoras. A interventora terá 120 dias para apresentar uma auditoria preliminar porque só assim será possível viabilizar o controle social”, disse a promotora Ana Paula Machado.

Como existem outros procedimentos de investigação criminal em curso, os promotores não descartam o ajuizamento de novos pedidos liminares de medidas cautelares e até prisões preventivas.

Os investigados já começaram a ser notificados pelo Ministério Público e devem começar a ser ouvidos na próxima semana. A diretoria do Hospital não foi notificada até a publicação desta notícia e, por enquanto, não deve se pronunciar sobre o assunto.

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