Consumo consciente é o mínimo que podemos fazer
Blogs e Colunas | Consciência Limpa 19/09/2020 11h25 - Atualizado em 19/09/2020 12h23

Nós nascemos, crescemos e vivemos sob uma lógica de capitalismo que nos impulsiona ao consumo desenfreado. Aprendemos que quando algo quebra, deve ir para o lixo e ser substituído por outro. Que nunca podemos repetir roupa. Que não podemos criar nada com as nossas próprias mãos. E que é melhor utilizar descartáveis, ao invés de lavar. Mais prático, né? Na internet, nem se fala. Estão o tempo inteiro de olho no nosso comportamento. A sensação é de que eles decifram os nossos pensamentos e vontades, ou se apropriam das nossas informações pessoais para saber exatamente em que momento e de que forma vão nos fisgar para nos levar ao consumo.   

Isso é tão latente na nossa realidade, que mesmo com as pessoas dentro casa, por conta da pandemia do coronavírus, lojas de roupas continuaram vendendo - lógico que em menor escala diante da crise. Mas, a pergunta é: as pessoas estavam comprando roupa nova pra ficar em casa?  E para piorar, isso só cresce. A todo instante criam-se novas necessidades que talvez nem nós mesmos sabíamos.  

22 de agosto foi o Dia da Sobrecarga da Terra em 2020. Sabe o que isso significa? O nosso sistema de produção e consumo absorveu todos os recursos naturais renováveis do planeta previstos para 12 meses. Ou seja, nós estamos agora demandando mais recursos naturais e serviços ecossistêmicos do que a Terra é capaz de regenerar. Esse cálculo é feito pela Global FootPrint Network desde 1961. Segundo a pesquisa, agora nós precisamos de 1,6 planeta para suprir toda a nossa demanda de consumo. 

Há muitos anos esse dia tem chegado cada vez mais cedo. Para se ter noção, em 2000, o dia da sobrecarga da Terra ocorreu em 05 de outubro. Cinco anos depois a data ocorreu um mês antes, em 06 de setembro. Em 2019, foi ainda mais cedo, em 29 de julho. E isso é o reflexo dos nossos hábitos de consumo. Estamos prejudicando a nós mesmos e às próximas gerações, que deverão sofrer consequências graves de sobrevivência, por falta de condições climáticas favoráveis. É para isso que estamos caminhando. 

A maneira como consumimos comida, moradia, lazer, roupa, tudo, precisa ser urgentemente repensada. Afinal, não temos mais tempo. É preciso pressa nas discussões sobre consumo consciente se ainda quisermos ter a chance de reverter a situação dramática em que se encontra o planeta. Ah, e claro, não só fomentar discussões, nós precisamos, sobretudo, pôr em prática a mudança. Eu vejo muita gente com discursos bonitos sobre o Meio Ambiente, postando em rede social que “precisamos fazer nossa parte”, mas, na prática, não vejo esse esforço pela mudança. Portanto, eu reforço, se ficarmos só na teoria, não vai funcionar. 

Tá, mas, o que de fato é o consumo consciente? 

Tudo o que consumimos tem um efeito e gera impactos ao meio ambiente, que muitas vezes pode ser negativo. Quando falamos de consumo consciente, não estamos querendo dizer que você deve parar de consumir, porque essa possibilidade não existe dentro do sistema político e econômico em que vivemos. 

Porém, é possível consumir de maneira menos excessiva, menos impulsiva, pensando nas consequências que poderá trazer ao nosso meio, olhando para as nossas reais necessidades e optando por produtos sustentáveis, inclusive. 

Mas, como consumir de maneira mais consciente? 

É preciso, cada vez mais, que antes de efetuar uma compra, você questione se, de fato, precisa daquilo. As armadilhas e gatilhos estão por todos os lados. Sempre seremos impulsionados à compra. Portanto, não haja por impulso. Se pergunte: eu preciso mesmo disso? Qual a necessidade disso na minha vida? 

Eu vejo blogueiras locais o tempo inteiro incentivando as pessoas para a compra, porque elas ganham com isso. Mesmo com todo esse cenário de pandemia, onde fomos forçados a refletir melhor sobre a vida, sobre como nos comportamos diante da sociedade e do meio ambiente, ainda assim, alguns influencers estão focados no consumo. Então, mais uma dica que eu sinto a necessidade de dar é: pare de seguir blogueiros e blogueiras que te influenciam para o consumo, e compre somente o que for necessário. 

Existem vários itens que quando quebra a gente já pensa em substituir, não é? Até o mesmo uma bolsa, quando o zíper arrebenta. Nem passa pela nossa cabeça que tem um profissional que conserta isso. Portanto, se mantenha atento. Quando algo quebrar, avalie se não tem conserto. Ou até mesmo, se não possa ser transformado em outra coisa. Use a sua criatividade. Isso será bom para você duas vezes. 

Cartão de crédito pode ser vilão, heim? Tira ele da bolsa. Deixa em casa. Use somente para uma grande necessidade. 

Além disso, busque conhecer as práticas de responsabilidade social das empresas das quais você consome. O mercado da moda, infelizmente, é marcado por exploração profissional, sobretudo grandes marcas, lojas de departamento. Portanto, pesquise, conheça. Busque saber como aquela empresa se relaciona e trata os próprios funcionários. Opte, sempre que puder, pelo comércio local, aqueles liderados por mulheres, de preferência. 

Hoje em dia é possível encontrarmos diversos produtos que já existem na versão sustentável e que podem ser substituídos. Escova de dente de plástico pode ser substituída pela de bambu, que é ecologicamente menos impactante. Shampoos podem ser substituídos por aqueles mais naturais, feitos à mão; produtos de limpeza podem ser feitos por você, em casa, muitas vezes utilizando cerca de três ingredientes apenas. Enfim, há uma gama grande de produtos atualmente, que aos poucos você pode ir substituindo. 

Eu te convido, inclusive, a assistir o vídeo que acompanha esse texto, para conhecer alguns produtos legais, que já existem na melhor versão, a sustentável. Aproveita, e caso você tenha dicas para me dar, por favor, é só enviar!!  

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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Lais Oliveira de Melo, jornalista diplomada, pós-graduanda de MBA em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, atualmente repórter do Jornal da Cidade e blogueira em Consciência Limpa. Premiada em 2018 no Prêmio Setransp com a terceira melhor reportagem de veículo impresso. Trabalhou por cinco anos no marketing digital de uma empresa de turismo e participou de um programa de estágio no F5 News.

E-mail: demelo.lais@gmail.com

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