Por que eu falo tanto em alimentação?
Entenda como a alimentação pode impactar positiva ou negativamente no meio ambiente
Blogs e Colunas | Consciência Limpa 13/01/2021 15h39 - Atualizado em 13/01/2021 16h18

Primeiro que meu ascendente em touro grita e eu sou uma verdadeira comilona. Mas, astrologia à parte e ideologias também, quero falar sobre como a forma que a gente se alimenta pode ser um ato revolucionário impactando positivamente no meio ambiente e ao mesmo tempo nos mantendo nutridos, saudáveis e felizes.

Nesta última segunda-feira, 11 de janeiro, foi o Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos. Uma data de verdadeiro alerta, levando em consideração que o Brasil é o país número 1 em consumo de agrotóxicos, desde 2008. Em 2019, com a liberação para utilização nacional de mais de 900 novos agrotóxicos, dos quais 311 têm componentes banidos na União Europeia devido ao alto grau de toxidade, isso só intensificou ainda mais a necessidade do alerta.

É, pessoal, nossos pratos estão, cada vez mais, cheios de veneno.  

Agrotóxicos surgiram durante a 2ª Guerra Mundial, quando eram lançados em determinadas regiões a fim de intoxicar plantações e população. Daí, logo após a guerra, em meados de 1950, eles passaram a ser utilizados na produção de alimentos em todo o mundo. O objetivo era evitar que as plantações sofressem com as pragas ou ações climáticas, para que as famílias não ficassem sem alimentos. Eram conhecidos como defensivos agrícolas na época, até que a verdade veio à tona e hoje eles são conhecidos como pesticidas, praguicidas ou agroquímicos. 

Eles estão no ar, no solo, na água, contaminando tudo e trazendo cada vez mais doenças para o nosso corpo. E, além disso, são extremamente nocivos ao meio ambiente, pois atingem outros animais, como as minhocas, as abelhas, as plantas etc, ou seja, contaminam toda uma cadeia alimentar, podendo atingir lençóis freáticos, e chega até nós, diariamente.  Para se ter noção, apenas um tipo de produto pode estar embutido com mais de 200 tipos de agrotóxicos que são proibidos na Europa, a exemplo de feijão ou soja. 

E se você estiver pensando que isso é culpa do pequeno agricultor, não se iluda.  A isenção de impostos chega a ser zerada em alguns estados, e isso beneficia principalmente as commodities, que são os grandes produtores. 

Hoje em dia já existem diversas tecnologias com métodos de produções agrícolas com base orgânica ou agroecológica, inclusive aplicada por pequenos produtos em diversas partes do Brasil, incluindo Sergipe. O que falta mesmo para consolidarmos uma política sustentável na produção de alimentos no país é o interesse político. 

“Esse processo de transição precisa contar com investimentos governamentais para agricultura familiar, responsável pela produção de mais de 70% dos alimentos vendidos no mercado interno, devendo ser garantido ainda assistência técnica nas unidades produtivas de forma proporcionar o desenvolvimento de alternativas à expansão da produção de alimentos saudáveis, inclusive, como estratégia social de garantia de uma alimentação saudável aos grupos sociais mais vulnerabilizados nesse direito”, lembra a secretária de Meio Ambiente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultores Familiares, Rosmarí Malheiros.

Ou seja, ainda temos muito para reivindicar. 

Eu, particularmente, ao tomar conhecimento disso tudo, passei a me preocupar bastante com o tipo de alimento que vinha consumindo. Em 2019, a liberação em massa de novos tipos de agrotóxicos no país foi o pontapé que me fez buscar mudança de hábitos alimentares. Acompanhado disso, também teve um processo de despertar espiritual, que me fez entender como o corpo físico e alma estão atrelados e como tudo o que consumimos têm influência em nosso campo energético. Mas, não vou nem me aprofundar nisso.

Passei então a procurar feiras orgânicas em Sergipe, e mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus em 2020, me surpreendi com duas grandes opções de feiras orgânicas. Uma delas é a Coopersus, uma das maiores cooperativas de produtos orgânicos do Estado. Por ter uma extensa lista de cooperados, a variedade de produtos que esta feira oferece é incrível. Lógico que nem sempre vamos encontrar tudo o que queremos consumir, mas isso tem uma explicação básica: alimentos que estão fora de época não serão produzidos. Esse é um dos pilares da produção orgânica, o respeito aos ciclos. É possível encontrar a Coopesus na feira do Augusto Franco a partir das terças-feiras, das 07h da manhã às 12h. Antes da pandemia eles também tinham pontos em outros locais da cidade, que deve retornar muito em breve. E, além disso, também fazem entregas. Acessem o perfil deles no Instagram @coopersussergipe. Na descrição está disponível o link para contato. 

Outra feirinha que ganhou meu coração é o Orgânico na Mesa, da qual sou cliente fiel. Amo a organização deles, o cuidado em tentar ao máximo reduzir lixo plástico, com a utilização de sacolas retornáveis. Além de que são muito atenciosos com os clientes, têm um sistema prático e rápido para a realização de pedidos, online, e com isso fazem parte da minha vida. Todo mês eu peço, e não consigo ficar sem, esta é a verdade. O instagram deles é o @organicos_namesa , é só acessar para conhecer. 

Quando eu passei a consumir mais produtos orgânicos do que os da feira comum, pude notar o quanto os alimentos livres de veneno são mais saborosos, nutritivos. Hoje sim eu sei o que é um mamão de verdade. Também tenho a oportunidade de provar novos sabores de legumes, verduras, frutas, folhas. 

Se a sua dúvida for quanto ao preço, sim, teoricamente, são produtos mais caros. Mas, quando colocar na balança que a sua saúde será altamente beneficiada, essa conta fica diferente. 

Por fim, eu me aprofundei bastante nos produtos orgânicos, mas, existem também outras formas de alinharmos nossa alimentação mais saudável com a sustentabilidade. Como, por exemplo, reduzindo o consumo de carnes de origem animal, leites e derivados. Você pode também optar por diminuir o consumo de produtos embutidos e enlatados, e tudo aquilo que vier embalado em plástico. 

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Lais Oliveira de Melo, jornalista diplomada, pós-graduanda de MBA em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, atualmente repórter do Jornal da Cidade e blogueira em Consciência Limpa. Premiada em 2018 no Prêmio Setransp com a terceira melhor reportagem de veículo impresso. Trabalhou por cinco anos no marketing digital de uma empresa de turismo e participou de um programa de estágio no F5 News.

E-mail: demelo.lais@gmail.com

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