Atenção, caros ouvintes!
Como a comunicação por meio do rádio tornou-se uma ferramenta poderosa para as organizações
Blogs e Colunas | Diego da Costa 11/11/2019 10h57

Diego da Costa*

Quem diria que a união de três tecnologias – telegrafia, telefone sem fio e as ondas de transmissão – dariam origem ao rádio. Sim, esse veículo de comunicação foi o grande responsável por massificar informações no Brasil e no mundo. O seu desenvolvimento começou em 1860 e ainda não há um consenso sobre o “pai” desta criação, mas é fato que James Maxwell, Gulgielmo Marconi e Nikola Tesla contribuíram de forma significativa para que o rádio, da forma como conhecemos hoje, se tornasse um importante meio de disseminação de conteúdo.

No Brasil, no Rio de Janeiro, em 1922, aconteceu a primeira transmissão radiofônica oficial, com o presidente Epitácio Pessoa. No ano seguinte, o carioca Edgard Roquette Pinto fundou a primeira emissora de rádio do país. Em 1930, ele tornou-se o principal veículo de comunicação. Foi a época chamada de “Era de Ouro do Rádio”. Os ouvintes consumiam os mais variados conteúdos: notícias, músicas e as famosas radionovelas que dariam origem, posteriormente, às telenovelas.

As ondas radiofônicas têm quase cem anos de história no Brasil. Depois do rádio, vieram outros meios de comunicação. Entretanto, em muitos locais, principalmente no interior do país, os sinais de telefonia móvel e o acesso à internet ainda são um desafio. Sem mencionar que a TV digital ainda não chegou em algumas cidades, mesmo o sinal analógico já tendo sido encerrado por diversas emissoras.

Por isso, em pleno século XXI, as ondas do rádio ainda são as responsáveis por levar informação aos rincões mais afastados no Brasil. É por meio de um pequeno aparelho que o seu Zé e a dona Maria ficam por dentro das notícias mais recentes de seu município, de seu estado e do seu país.

Apesar de toda tecnologia que veio após o surgimento do rádio, pesquisas apontam que a audiência nesse meio de comunicação está longe de acabar. No início deste ano, a Deloitte Global, empresa de auditoria e consultoria, fez várias previsões. Segundo o estudo, a receita global de rádio chegará, em 2019, a US$ 40 bilhões, e o alcance continuará quase que onipresente: 85% da população adulta sintonizada nas ondas radiofônicas. Em todo o mundo, são quase três bilhões de pessoas ouvindo rádio.

E por que esse veículo ainda é um dos mais queridos da população? Talvez porque ele é, ainda, um dos mais democráticos e consegue alcançar boa parte do público. A TV exige que o indivíduo esteja à frente da televisão para ver o conteúdo. Já no rádio, o ouvinte acessa as notícias enquanto dirige ou realiza uma tarefa doméstica, por exemplo. O engajamento, neste último caso, é muito maior porque o ouvinte tem sua imaginação estimulada e isso tem o poder de criar vínculos sensoriais interessantes.

Com o advento da internet, esse veículo de comunicação ganhou força, pois permitiu que novas emissoras fossem criadas sem a necessidade de uma concessão do poder executivo. E muitas rádios, além de estarem nas ondas AM e/ou FM, amplificam seus conteúdos por meio da internet.

Por isso, o rádio continua sendo uma importante ferramenta de comunicação. As organizações públicas e privadas, inclusive, passaram a incluir esse veículo em seus planejamentos estratégicos de comunicação. Ele veio, portanto, para facilitar o diálogo com os mais diferentes stakeholders. Quem despreza a pujança desse modelo de comunicação tende, na pior das hipóteses, ao fracasso.

Quem apostou na comunicação por meio da rádio, celebra os resultados positivos do investimento. A Rádio ADM, por exemplo, produz conteúdo direcionado para profissionais de administração, mas ela consegue alcançar muito mais do que isso. Em parceria com a Agência Rádio Web, a rádio on-line do Conselho Federal de Administração (CFA) já emplacou reportagens em milhares de rádios de todo o país. Entre agosto e setembro de 2019, 17 matérias tiveram 5.711 de aproveitamento em 1.259 rádios localizadas em 963 municípios brasileiros e os números crescem a cada período.

 

E se o problema é a indisponibilidade de estar on-line fulltime, as emissoras começam a investir em podcasts. Para se ter ideia da força do segmento, de acordo com pesquisa da PodcastStatsSoundbites, o Brasil é o segundo maior mercado de downloads de podcasts do mundo. Em 2018, foram mais de 100 milhões de downloads, um crescimento de 33% no ano passado. De olho nesse filão da comunicação, a Rádio ADM também aderiu a essa tendência e passa a disponibilizar seu conteúdo em nas plataformas globais de streaming de áudio.

 

Não restam dúvidas, portanto, de que o rádio continua a ser um dos veículos mais populares do mundo. Em meio as crises vividas por diversas mídias, esse meio de comunicação centenário permanece vivo e atrativo no mercado editorial e publicitário.

 

A pujança do rádio vai além e se molda as novidades, sobretudo tecnológicas. Um gestor da área de comunicação que não inseriu, ainda, essa mídia no seu planejamento, precisa repensar suas estratégias de comunicação. Como dizia Chacrinha, “Quem não se comunica, se trumbica” e o rádio está aí para sintonizar a sua comunicação de forma eficiente e abrangente com seu público.

 

 

*Diretor Técnico do Sergipe Parque Tecnológico e diretor de Desenvolvimento Institucional do Conselho Federal de Administração

 

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Diego da Costa é Administrador, CRA-SE 203501, Especialista em Marketing, Líder Coach Psicopositivo, Coach ISOR, Conselheiro Federal de Administração representando Sergipe, Associado fundador do Rotary Club de Aracaju Nova Geração, fundador do Conselho de Jovens Empreendedores de Sergipe, Consultor e Mentor.

E-mail: diego.costa@crase.org.br

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