A vilanização do agronegócio brasileiro | Haroldo Araújo Filho | F5 News - Sergipe Atualizado

A vilanização do agronegócio brasileiro
A necessidade de conhecer a realidade e separar o joio do trigo
Blogs e Colunas | Haroldo Araújo Filho 09/05/2022 07h00 - Atualizado em 09/05/2022 09h09

Atualmente, está em curso um processo de vilanizar o produtor rural brasileiro, consequência direta das desinformações propagadas por algumas celebridades no afã de defender o meio ambiente. Fato esse percebido em embates nas redes sociais, como também, no conflito geracional entre pai e filho, personagens protagonistas da novela Pantanal.

As propagadas desinformações, muitas delas carecendo de respaldo científico e, pasmem, de verdades, têm encontrado terreno fértil em uma sociedade urbana desvinculada da realidade do rural brasileiro e preocupada apenas em engrossar as hordas da “lacração”.

Como bem disse a produtora rural Camila Telles: “Eu aposto que a maioria das pessoas que falam que o agro acaba com a Amazônia não sabem a diferença entre Amazônia (Bioma), Amazônia Legal e Estado do Amazonas”.

Óbvio que o problema não está em denunciar ou criticar as coisas erradas feitas por alguns produtores rurais. A meu ver, o equívoco está em generalizar a atividade rural como vilã ambiental e social, por causa dos erros de alguns.

Ora, comparemos, seria justo com a maioria dos valorosos servidores públicos se generalizassem que todos são indolentes por causa da desídia de alguns? Ou criminalizar a advocacia porque alguns advogados agem inescrupulosamente? Isto é, não é justo estereotipar qualquer atividade legal por causa das ações indevidas de poucos.

Aqui por si só bastaria para confrontar à vilanização do produtor rural, mas não só a generalização tem sido utilizada como ferramenta para tal objetivo, a desinformação tem sido sobejamente usada para criar “verdades paralelas”. Vejamos, por exemplo, o clichê propagado entre os “lacradores” que a agropecuária brasileira está tomando conta de todo território nacional e, por consequência, dizimando as florestas. Porém, segundo o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), a Embrapa, o IBGE, o Ministério do Meio Ambiente e outros órgãos oficiais, o uso agropecuário perfaz somente 22,2 % do território nacional, já as áreas destinadas à proteção e preservação da vegetação nativa ocupam 74,3% (Figura 01).

Já nos EUA, esses percentuais são invertidos (Figura 02). Será que para alguns “ecomilitantes” estrangeiros, vale a máxima: “Farms here, forests there” (Fazendas aqui, florestas lá)? Ou o discurso em defesa do meio ambiente é apenas pano de fundo para combater o real interesse, a eficiência e a competência da agropecuária brasileira? Reflitamos.

Claro que qualquer cidadão sensato, urbano ou rural, conclui que a inquestionável importância da agropecuária para o Brasil, não é, e nem deve ser, credencial ou justificativa para degradação do meio ambiente, via desmatamento ilegal e uso indiscriminado de agroquímicos, por exemplo. Como também, criar a falsa percepção que não existem graves problemas sociais no meio rural e que, por consequência, não há nada por fazer.

Sobre isso, veja mais no artigo deste colunista: “Acesso à terra. Menos ideologia, mais desenvolvimento”.

Assim, as atitudes dos maus produtores rurais não devem ser negligenciadas, devem ser combatidas, não só pelo Estado brasileiro, mas também, pelos bons produtores que cumprem fidedignamente suas obrigações legais e que prezam pela sustentabilidade ambiental, pois é de lá que vem sua atividade e a intrínseca ligação com sua sobrevivência e das gerações futuras.

Por fim, em igual medida, vilanizar a atividade rural não ajuda em nada no enfrentamento dos grandes desafios do mundo moderno, quais sejam: a segurança alimentar e a conservação do meio ambiente, afinal, o Brasil é um dos únicos países com capacidade de enfrentá-los.

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Engenheiro Agrônomo do Incra/Ministério da Agricultura, formado pela Universidade Federal de Sergipe, pós-graduado em Irrigação (UFS). Secretário de agricultura de Riachão do Dantas (2005-2007); Superintendente regional do Incra em Sergipe ( 2016-2017); Delegado da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário em Sergipe (2017). Antes de ingressar no serviço público atuou em empresas comerciais do ramo agropecuário.

E-mail: hafaraujo@yahoo.com.br

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