“Não estou doente, nem sou incapaz. Isso fica para Gilmar Carvalho, que já se aposentou”, diz Almeida
Blogs e Colunas | Joedson Telles 05/01/2020 09h07 - Atualizado em 05/01/2020 11h49

Nesta entrevista, o ex-senador José Almeida Lima (PV), afirma que sua pré-candidatura a prefeito de Aracaju, este ano, é irreversível e não depende de grupo político. Ao seu estilo, ele dispara a metralhadora contra adversários, diz que fez aliança com o ex-governador Jackson Barreto, mas não reconhece os demais políticos do agrupamento como aliados e usa o nome deputado estadual Gilmar Carvalho (PSC) para explicar o que justifica não se aposentar, contribuindo para que novos políticos tenham mais espaços. “Eu tenho 66 anos de idade e com muita aptidão para o trabalho, como faço desde os seis anos de idade. Graças a Deus não estou doente, nem sou incapaz. Isso fica para quem, até com menos idade que eu, a exemplo de Gilmar Carvalho, já se aposentou. Eu não me aposentei e nem requeri aposentadoria”, provocou.

A sua pré-candidatura à Prefeitura de Aracaju é irreversível?

Sim, é irreversível. A decisão foi tomada e serei candidato, se assim Deus permitir - e tenho pedido a ele, diariamente, que permita, por se tratar de um ideal político, cujo objetivo é construir as condições materiais necessárias para o ser humano ser feliz, a exemplo de geração de empregos, de moradia, de saúde e educação de qualidade, segurança, lazer. Esse é o dever do poder público e, por isso, serei candidato. É verdade que eu passei um período afastado de disputas eleitorais e isso se deu pelo fato da grande decepção que tive com a classe política, cuja grande maioria é composta por salafrários, daí o sentimento popular que não lhe dá crédito. Todos os sergipanos e brasileiros sabem do que estou falando. Acontece que, em dado momento, passei a entender que a minha decisão deveria ser diferente, pois me afastar das disputas eleitorais não era solução para nada, ao contrário, iria dar era mais espaços para a velha política corrupta avançar, nadar a braços largos. Então, eu decidi que tenho mais é que colocar à disposição da sociedade a experiência que tenho de 33 anos de vida pública aprovada, não apenas do ponto de vista da ética e da moral públicas, mas, também, como gestor, como o próprio povo reconhece.

Já discutiu o projeto e tem o apoio interno necessário?

Eu me filiei ao Partido Verde com o Reynaldo Nunes, presidente estadual e dirigente nacional da sigla. Sinto-me confortável no partido, não somente pelas pessoas, mas, também, pelo ideário partidário. O PV é um partido moderno, o partido da contemporaneidade, é o partido do século XXI, que se preocupa com a atual e as futuras gerações, que trabalha a sustentabilidade e a vida digna das pessoas. Filiei-me ao PV pela afinidade com o seu ideário, – lembro que fui presidente da Administração Estadual do Meio Ambiente, ADEMA – mas também por se tratar de um partido, enquanto instituição e enquanto pessoas, que não esteve envolvido em nenhuma corrupção, que não tem ligação nem com o PT – essa laia que roubou o país – nem com os governos atuais. Quanto ao projeto é uma construção em andamento, a exemplo de um estudo e planejamento que já faço para a geração de milhares e milhares de empregos em Aracaju, transformando a nossa capital num polo calçadista, de confecções e de fabricação de alimentos, por serem segmentos de manufaturados com capacidade de geração de muitos empregos.

O senhor acredita que pode reunir um grupo forte em torno da sua pré-candidatura, ou pode ter êxito sem essa necessidade?

Se o que se chama de grupo forte for essa velhacaria política viciada e já enojada pelo povo, bem assim os setores empresariais ligadíssimos ao poder, eu afirmo de imediato e sem pestanejar que eu quero é distância de todos eles. Aliás, eles sabem que as suas práticas não combinam com as minhas. Eu quero é me comunicar bem com a sociedade, dizer ao povo o que eu irei fazer de bom. Isso será suficiente, embora não quero dizer com isso que não estamos abertos para conversar com quem não nos envergonha, nem envergonha a sociedade. Por exemplo, essas forças políticas e empresariais que me afastaram da Secretaria de Estado da Saúde o fizeram porque eu não atendi aos seus interesses pessoais e contrários aos interesses públicos. Eu trabalhava atendendo às demandas do povo, mas o então candidato a governador Belivaldo Chagas e seus aliados pediram-me uma política para ganhar eleição, pois foi isso que ele disse a mim, presentes Luís Eduardo e o governador Jackson Barreto. Por isso, quando assumi a Secretaria de Saúde, o HUSE gastava quase R$ 40 milhões por mês, e nós reduzimos para 27 milhões, prestando um melhor serviço em todos os setores, embora agora o próprio Belivaldo afirmou que eles cresceram o custo para 50 milhões, prestando um serviço pior. Por isso, como se diz no popular: antes só do que mal acompanhado. Não queremos a companhia de nenhum deles.

O que Aracaju pode esperar do seu projeto?

Além da prática da moralidade e da eficiência, o aracajuano vai sentir a felicidade de uma boa política de Bem-Estar Social com a criação de milhares e milhares de empregos, saúde e educação de qualidade, transporte coletivo com tarifa justa, uma boa política de meio ambiente que acabe a poluição e a fedentina dos rios, canais e esgotos que cortam a cidade, e muita modernidade, repaginando a cidade com muito verde e um novo upgrade no seu visual a fim de servir para uma política de turismo, sobretudo de negócios e eventos, coadjuvando no desenvolvimento econômico para geração de mais empregos. A gestão pública de Aracaju sairá do feijão com arroz, dessa coisa atabalhoada que se verifica, e dará um salto de qualidade.

Sua gestão à frente da Prefeitura de Aracaju foi reconhecida como positiva até por adversários. O que o senhor acredita que pesou mais para o eleitor não ter apostado em Almeida Lima quando tentou ser prefeito outra vez?

Ora, cada eleição tem as suas circunstâncias e, por isso, tem histórias diferentes. Ganhar e perder faz parte do jogo político. João Alves perdeu para prefeito uma vez e para governador ele perdeu duas vezes; Déda já perdeu duas vezes para deputado estadual e para prefeito; Jackson já perdeu para senador duas vezes e governador uma; Albano já perdeu para senador; Maria já perdeu para prefeita; Valadares pai já perdeu para prefeito, para senador e para governador, citando apenas estes. Logo, tal fato não ocorreu apenas comigo, embora já tenha sido deputado estadual duas vezes, vice-prefeito, prefeito, deputado federal e senador. O que eu lamento constatar é que, embora eu tenha perdido a eleição de prefeito, que mais perdeu foi a cidade e o nosso povo diante das péssimas gestões feitas pelos meus adversários.

O senhor pregou uma nova política e depois voltou a ser aliado dos que criticou. Isso pode pesar negativamente nesta eleição?

Não, esse fato não aconteceu. Da nova política para cá, apenas estive com Jackson Barreto, e mais ninguém. E como você percebe, a defesa de uma nova ordem política sempre foi bandeira de luta que levantei, por ser contrário às práticas dessa política velhaca que ainda hoje se pratica sem qualquer respeito ao povo.

Apenas criticar adversários, às vezes com ódio, tem sido uma estratégia política cada vez mais descartada pelo eleitor, que com as redes sociais passou ele mesmo a fazer a crítica. Como avalia este comportamento do político e do eleitor?

Apenas criticar adversários, não! Fazer a crítica pela crítica, também não, pois assim não se estará contribuindo, integralmente, para o processo político-eleitoral. Ou seja, fazer a crítica, sim, ela pode e deve ser feita, mas, passar toda a campanha apenas criticando sem oferecer alternativas, não. Explique-se novamente: criticar pode, sim, mas se deve apresentar alternativa, afinal, eleição é um processo de escolha do melhor para governar, e como fazer a escolha de forma correta se não puder mostrar ao eleitor, através da crítica, as mazelas do adversário? Propor o contrário disso é ser antidemocrático e desejar mal à sociedade, pois significa blindar, proteger o político salafrário da crítica para que não seja desnudado diante do eleitor e da sociedade, dando a ele a possibilidade de ser eleito e continuar a praticar as suas patifarias. Paremos com esse comportamento infantil, angelical de que fazer a crítica seja baixar o nível da campanha. O que não pode existir é o fake News, a mentira, o crime de difamação, calúnia e injúria. No entanto, mostrar que o prefeito Edvaldo Nogueira, por exemplo, se comprometeu a revogar a lei de aumento do IPTU e não o fez, é uma crítica legítima e oportuna, para retirar dele a credibilidade enquanto candidato à reeleição. Da mesma forma, mostrar que Edvaldo Nogueira faz a limpeza da cidade pagando às empresas privadas o preço mais caro do mundo, também é legítimo, ao tempo em que eu afirmo, como alternativa que, eleito prefeito, eu vou rescindir os contratos com as empresas do lixo, acabar a terceirização, e levar os serviços de limpeza para serem feitos diretamente pela EMSURB, contratando os mesmos trabalhadores, fazendo uma limpeza melhor e mais ampla por toda a cidade, e por um valor igual a 40% do que Edvaldo Nogueira gasta hoje com as empresas. Farei economias para gastar no social.

Quando descartou o ex-senador Valadares e o ex-governador Jackson Barreto, numa só tacada, o eleitor não disse claramente que esse comportamento de ficar agredindo o adversário está reprovado? O senhor não acha?

Não. Não acho. Pela minha ótica, as derrotas de Jackson e de Valadares para o Senado, na última eleição, tiveram outras razões. A meu ver, as causas não passaram por essa simplificação de agressão recíproca. É claro que as agressões gratuitas são estéreis, nada produzem nem constroem, mas, mesmo assim, elas não foram nenhuma novidade da última eleição, elas existem, ciclicamente, há 32 anos. Tudo bem, eu sou contra a esse estilo de fazer política, mas se o eleitor não gostasse, eles estariam afastados há mais tempo.

Como você avalia o juízo que Almeida Lima já deu a sua contribuição e deveria incentivar novos políticos a fazer o mesmo?

Avalio mal. Eu tenho 66 anos de idade e com muita aptidão para o trabalho, como faço desde os seis anos de idade, quando minha mãe me orientava a vender cocadas e bolinhos de ovos nas manufaturas de calçados próximas à minha residência, em Dores. Graças a Deus não estou doente, nem sou incapaz. Isso fica para quem, até com menos idade que eu, a exemplo de Gilmar Carvalho, que já se aposentou. Eu não me aposentei e nem requeri aposentadoria, embora tivesse direito como todo trabalhador tem à aposentadoria geral da previdência, não essa especial de sua excelência. Sinto-me jovem, com todo o vigor físico e, mentalmente, com idade de 30 anos. Tenho o mesmo ideário que comecei a construir a partir dos 15 anos de idade. Continuo trabalhando e atualmente escrevendo um livro que pretendo publicar em março vindouro. Portanto, a minha experiência e vitalidade eu ponho a serviço da sociedade, por muito que tenho a contribuir. Quanto a quem deseja entrar na política para dar a sua contribuição, só posso dizer que se sinta à vontade, as portas estão abertas.

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Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: joedsontelles@gmail.com

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