Todo mundo sabe que a gente tem diálogo com Danielle Garcia , diz Eduardo
Blogs e Colunas | Joedson Telles 29/06/2020 07h29 - Atualizado em 29/06/2020 07h38

O ex-senador Eduardo Amorim, presidente do PSDB em Sergipe, não bateu o martelo sobre o caminho a ser tomado pela legenda, nas eleições de Aracaju, mas deixou evidente que a tendência é consolidar uma aliança com o Cidadania, liderado em Sergipe pelo senador Alessandro Vieira. "Nada decidido. Todo mundo sabe que a gente tem uma construção de diálogo com Danielle Garcia, desde ano passado, mas também não é algo ainda concreto. Todo mundo que nos procura sabe que a gente tem esse diálogo", diz o senador, que conversa também com a DC, do pré-candidato Paulo Márcio, e com o PSB, do pré-candidato Valadares Filho. 

Na semana passada, o PSDB recebeu a visita do pré-candidato a prefeito de Aracaju pelo PSB, Valadares Filho. Mas também conversou com a DC e o Cidadania. Está próxima a definição do palanque do PSDB?

A gente tem recebido inúmeros pré-candidatos. Sempre procuro ser uma pessoa educada e só não recebo quem eu acho que não tem nada a ver. Conversar, mesmo em tempo de covid-19, com os devidos cuidados, nada demais. Mas nada que leve a uma decisão. Talvez esteja cedo por conta do covid-19, mas, em tempos normais, não estaria cedo. As coisas vão ficar muito pra frente para decisão do momento final. A gente já se conhece em momentos de concordâncias e de discordâncias. Há o respeito das duas partes. Nada decidido. Todo mundo sabe que a gente tem uma construção de diálogo com Danielle Garcia (Cidadania), desde ano passado, mas também não é algo ainda concreto. Todo mundo que nos procura sabe que a gente tem esse diálogo. Temos um grupo de pré-candidatos a vereador em nosso partido animados, motivados. Ninguém com mandato porque não adianta ter um com mandato e desanimar os outros. Todo mundo está em tempos iguais se preparando. Todo mundo sabe que vai disputar com condições iguais.

Essa base de pré-candidatos a vereadores está inclinada ao Cidadania?

Existe, mas ainda não é algo consolidado. O certo é que somos oposição a tudo isso aí. Somos alguém que resistiu às tentações do poder. Não é agora que a gente, mesmo sem mandato, vai abrir mão disso. Sempre fomos contra tudo que está aí no plano estadual e municipal. Sempre de forma muito coerente.

Mas o senhor fez uma visita ao governador Belivaldo Chagas, recentemente, e foi bem recebido, não?

Eu fiz uma visita ao governador como médico e cidadão para pedirmos o dinheiro das emendas. Eu fui bem recebido. No outro dia, voltei lá com o diretor do São Lucas, que queria saber dados do covid-19 nos principais hospitais particulares de Sergipe. O São Lucas está lotado. A sala de recuperação de anestesia foi transformada em uma UTI. O São Lucas é um hospital que tem dado sua contribuição forte. O São Lucas vai investir nos próximos anos uma previsão de R$ 300 milhões. Conversei com o governador sobre tudo isso independente da cor partidária. Ano passado fomos bater nas portas dos deputados como Laércio Oliveira, Bosco Costa, Fábio Mitidieri, João Daniel e que os outros façam isso também. Se alguém precisar de uma cirurgia cardíaca não opera em nenhum lugar pelo SUS se não for no Cirurgia, que está tendo um protagonismo da década de 80 quando foi feito lá o primeiro transplante de coração do Norte-Nordeste. Eu olho o que falta de equipamento porque se eu tivesse sendo operado eu queria os equipamentos. Ficou o pedido ao governador. Agora vem o Hospital de Barretos, em Lagarto, que foi a gente que trouxe Henrique Prata pela primeira vez em Sergipe. Torço para que a bancada, que hoje tem um recurso extra, possa ajudar nossa rede hospitalar. Quando eu estava lá, a gente colocava emenda para o Cirurgia e não consegui liberar. Mas hoje tem o caminho via Governo do Estado que a gente não tinha na época. A gente aprendeu isso com a Catedral, depois de muito estudo. A Catedral não é tombada nacionalmente. É tombada estadualmente. Esse caminho a gente está seguindo para o Hospital de Cirurgia. Se a Catedral concluir a reforma teve as mãos diretas não só minhas, mas do gabinete que estudou na época.

Voltando às eleições de Aracaju, uma candidatura majoritária do PSDB já está, então, descartada?

O PSDB, em Aracaju, com quase toda certeza não terá candidato próprio. Poderemos participar como vice ou alguma coisa assim. Temos nomes para compor a vice. Meu título não está em Aracaju. Está em Itabaiana.

Arrepende-se de não ter transferido o domicilio eleitoral?

Não. Eu não sou um cara apegado ao poder. Sempre vi isso como um instrumento. Num país como esse é mais fácil ser um médico, mesmo em tempos de covid-19, do que ser um político. Nem todos adotam os mesmos princípios e valores. Eu exerci meu mandato de forma muito missionária, e esse legado a gente deixou. Praticamente em todos os municípios temos participação de ajuda. Foram mais de 100 projetos apresentados e alguns transformados em lei. Mas o povo brasileiro precisa aprender a valorizar mais a política e colocar na política missionários e não na apegados ao poder. Colocar na política aqueles que não olham para o próprio umbigo. No dia que soubermos fazer cada vez mais e melhor essa escolha, eu creio que esse país vai chegar ao caminho dignidade.

O senhor se prepara para as eleições 2022? Estará na disputa diretamente?

Eu sou um sujeito político. Não tenho DNA político, mas temos o genótipo do que a gente herda. O dia a dia me mostrou a importância da política. Eu penso, sim, em 2022. Em não estar fora porque a política é um instrumento precioso. Eu procuro viver isso permanentemente, e me credencia a colocar meu nome em 2022. Só não sei a quê. Estou pronto mais do que nunca. Vivi tempos de mandatos, outros tempos sem mandato como estou agora e a gente só tem a aprender a conviver com tudo isso, mas sem largar cada vez mais a experiência, acúmulo de conhecimento para que a gente possa superar tudo isso. É triste ver o país como está, sem uma condução adequada e uma divisão entre brasileiros. Entre priorizar saúde ou economia, eu diria que os dois. Ser houvesse o distanciamento, não o isolamento social, daria para manter a saúde digna desde que houvesse a distância adequada para que ninguém contaminasse o outro. Mas isso é cultural - e cultura é uma coisa criada por nós e é suscetível às mudanças. A gente vê nas ruas 90% das pessoas com máscaras. Antes era uma coisa só de chinês e a gente muitas vezes não entendia porque isso aconteceu. Hábitos estão sendo mudados. Os shows, por exemplo, estão sendo feitos através das lives. Muitas formas de trabalhar, hoje, é através do virtual e isso, com certeza, ficará mais do que nunca. Mudanças de hábitos estão acontecendo e eu creio que essas mudanças atinjam até a política. Tomara que isso aconteça.

O fato de ter começado a carreira política como deputado federal e ter chegado ao Senado "o obriga" a  disputar um cargo majoritário ou Eduardo Amorim pode disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, em 2022? 

Não penso nisso. Política não se faz só. É a arte de dialoga, mas sem abrir mão dos princípios. No Senado em convivia com gente que defendia os valores como eu defendia e gente extremamente contrária. Que olhava pra si e conseguia, muitas vezes, reeleições. Quem defende princípios e valores muitas vezes paga caro. É muito cedo para tomar decisão. Só digo que nunca estive tão pronto, tão amadurecido, tão vivido para contribuir mais e melhor. Se já foi possível fazer muito, eu diria que agora vivo meu melhor momento de maturidade, de percepção, de compreensão, de conhecimento.

Mas o senhor descarta disputar a eleição proporcional?

Não descarto. Quero servir e onde servir farei muito melhor pela maturidade adquirida ao longo desses meses e pelo acúmulo que já tinha. Quando eu caminhei com a diretora do Cirurgia nos corredores é porque já tinha experiência pra isso. Quero ajudar e não faço isso por política. Faço de forma muito missionária. Não sou um sujeito rico, economicamente falando. A riqueza que tenho está dentro de mim. O meu conhecimento. Eu sou um cara de ajudar. Talvez por isso que eu tenha escolhido fazer tratamento de dor. Eu tenho prazer em ajudar.

Se a opção for a Assembleia, o senhor não pisará um terreno muito concorrido, já que Itabaiana, sua base eleitoral, tem hoje três deputados estaduais?

Não penso nisso. Eu aprendi a deixar as coisas acontecerem. Mas não estou pensando na Assembleia. É uma experiência que eu não tive. Seria prazeroso ter, mas é muito cedo pra isso. Vamos primeiro ajudar os proporcionais e os prefeitos. Prefeito é um gestor de um ente federado. É o que está mais próximo de qualquer munícipe. Agora é o momento de contribuir com isso.

Mais Notícias de Joedson Telles
05/07/2020  18h38 "Nada de toma lá, dá cá", avisa Danielle Garcia sobre alianças
“Vamos ter que recomeçar praticamente do zero”, diz Sales Neto
22/06/2020  08h18 “Vamos ter que recomeçar praticamente do zero”, diz Sales Neto
PSD está pronto para ocupar a vaga de vice na chapa de Edvaldo
07/06/2020  08h45 PSD está pronto para ocupar a vaga de vice na chapa de Edvaldo
Médico sergipano fala da experiência de atuar em SP durante a pandemia
31/05/2020  09h15 Médico sergipano fala da experiência de atuar em SP durante a pandemia
Ações de Bolsonaro são desastrosas, avalia cientista político
17/05/2020  07h26 Ações de Bolsonaro são desastrosas, avalia cientista político

Blogs e Colunas
Joedson Telles
Joedson Telles

Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: joedsontelles@gmail.com

O conteúdo e opiniões expressas neste espaço são de responsabilidade exclusiva do seu autor e não representam a opinião deste site.
Dark Room recebe Dj Pipo
Dark RoomDark Room recebe Dj Pipo
Dark Room recebe a radialista Magna Santana
Dark RoomDark Room recebe a radialista Magna Santana