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Confira algumas pérolas na HBOMax, streaming recém-chegado ao Brasil
Preço pela metade até o próximo dia 31 mostra empenho em cativar o mercado local
Blogs e Colunas | Levando a Série 16/07/2021 16h00

Quando esta coluna recomendou Friends, em setembro do ano passado, a icônica série estava disponível na Netflix e não havia nenhum indício ou aviso de que seria retirada de seu catálogo em breve período. Mas foi isso que aconteceu pouco depois, em dezembro, já que não frutificou a negociação entre a plataforma e a WarnerMedia, detentora dos direitos sobre a obra. Também saíram da Netflix sucessos como “Um maluco no pedaço” e “Gossip Girl”, dando início à enxurrada de baixas das produções dos estúdios Warner disponíveis em serviços de streaming que não o HBOMax, recém-chegado ao Brasil. A WarnerMedia, que já comprara o leque de canais por assinatura da HBO, é uma empresa da AT&T, gigante mundial das telecomunicações.

Resumo da ópera: tal e qual a Disney cuidou de retirar o que lhe pertencia legalmente das demais plataformas, quando se preparava para lançar seu streaming, o Disney Plus, a WarnerMedia percorre o mesmo caminho, porém com efeito ainda mais devastador sobre a concorrência, em especial para a Netflix, cujo acervo de opções em filmes e séries traz, em significativa parcela, a marca daquele estúdio americano. Mas a líder em número de assinantes investe pesado em produções originais e muitas delas despertaram o amor eterno dos fãs, como The Crown, O Gambito da Rainha, Sense8, Stranger Things, Bojack Horseman e Orange is the new black, entre outras. Não vai ser fácil abalar a supremacia da Netflix. E tampouco a ascensão contínua da Amazon Prime Video, cujas séries originais primam pela qualidade, sendo Good Omens minha preferida, porém páreo duro com The Marvelous Mrs. Maisel e com Modern Love. Além disso, o preço da assinatura Amazon é de apenas R$ 9,90 mensais. 

Nessa guerrilha sem tiros, a HBOMax chega com carga total no propósito de abrir seu espaço num mercado que, aparentemente, já beirava a saturação. Para o streaming, ainda amealhou os acervos da Cartoon Network e as produções do universo DC Comics, privando os concorrentes de sucessos como os filmes do Batman e da Mulher Maravilha, para citar dois exemplos. As sagas de Harry Potter e de O Senhor dos Anéis, além da trilogia Matrix, também passam a ser exclusividade da recém-chegada plataforma.

Outro aspecto que atesta a disposição do novo streaming em disputar o público local é o custo. Até o próximo dia 31, quem assinar a HBOMax no Brasil paga a metade do preço original, enquanto durar a assinatura: “50% para sempre, desde que mantenha seu plano mensal”, diz a promoção. Assim, os valores se tornam mais adequados à realidade nacional:  R$ 9,95 por mês no plano Mobile, para smartphones e tablets, com uma tela em uso de cada vez; e R$ 13,95 no plano Multitelas, para todos os dispositivos e com até três telas simultâneas. 

Eu nem estava propensa a embarcar, diante da constatação de que precisaria de mais algumas vidas para assistir a tudo que tenho vontade, mas coincidiu de, num espaço de minutos, minhas duas filhas mais novas me dizerem, com pouca variação de palavras: “Mãe, você precisa assinar a HBOMax”. Detalhe: elas moram em diferentes estados e ambas me informaram a promoção do preço pela metade. Não resisti. Confira a seguir algumas observações sobre as experiências iniciais na plataforma.  

1) A primeira coisa que assisti foi ao filme “Wonder Woman 1984”. Sou fã da Mulher Maravilha desde garota, repetindo o que já expressei em outra coluna, sobre duas ótimas séries adaptadas dos quadrinhos – Lucifer e The Preacher.  

2) Em 2019, foi anunciado que a Warner ia desenvolver um reencontro do sexteto de Friends, exatamente para marcar o lançamento da HBOMax – a segunda atração que conferi na plataforma. Batizado de Friends – The Reunion (Amigos – A Reunião), o evento cumpriu o prometido: após 17 anos do encerramento da série, juntou pela primeira vez todo o elenco protagonista - Jennifer Aniston (Rachel Green), Courteney Cox (Monica Geller), Lisa Kudrow (Phoebe Buffay), Matt LeBlanc (Joey Tribbiani), Matthew Perry (Chandler Bing) e David Schwimmer (Ross Geller). A produção executiva ficou a cargo dos criadores do seriado, Kevin S. Bright, Marta Kauffman e David Crane, trio que, na prática, conferiu maior vivacidade à reunião, cujo início me soou um tanto enfadonho. 

Do meio para o fim, porém, o especial ganha ritmo e o sexteto parece ficar realmente à vontade.  A gente volta aos estúdios onde a série foi gravada, em Los Angeles, e o reencontro inclui a presença de outros personagens marcantes, como Gunther (James Michael Tyler), Janice e sua risada (Maggie Wheeler), Richard (Tom Selleck), e Jill, interpretada pela depois ganhadora do Oscar de melhor atriz Reese Witherspoon, cuja atuação confere ainda mais brilho à ótima série Little Fires Everywhere, já recomendada aqui, esta da Amazon Prime Video.  

O especial conta ainda com a participação de personalidades como o cantor Justin Bieber; a incrível Malala Yousafzai, ganhadora do Nobel da Paz; a camaleoa Lady Gaga; o jogador de futebol/idolo/gato David Beckham e o ator Kit Harington. Este último é o intérprete de Jon Snow, personagem muito apreciado em "Game of Thrones". Aliás, tem GoT inteirinha na HBOMax e já foi anunciada para o ano que vem uma série derivada da original, um spin-off no jargão do setor: “House of the Dragon” (Casa do Dragão). 

Voltando a Friends – The Reunion, a gente descobre que os 236 episódios da série – todos disponíveis na HBOMax -  foram exibidos em 18 idiomas e assistidos bilhões de vezes. O mais comovente, porém, são os relatos de pessoas de vários países comentando o quanto a história do sexteto funcionou para elas como um antídoto à solidão: aqueles amigos na tela de certa forma substituíram os que não tinham na vida real.  O especial teve suas gravações adiadas por duas vezes, em função da covid-19, e quando enfim filmado, contou com uma plateia ao vivo formada em maioria por figurantes do Sindicato dos Atores, testados para a doença de modo a reduzir os potenciais riscos. Friends – The Reunion foi indicado ao Emmy 2021, cuja cerimônia acontece em setembro, na categoria “Melhor Especial de Variedades”. Quem comemorou bastante foi a atriz Courteney Cox, de 57 anos, que é produtora executiva do especial e, com isso, tem a chance de realizar um sonho. Nos dez anos de exibição da série, membros do elenco e da produção somaram mais de 60 indicações ao prêmio, porém a intérprete da organizadíssima Monica nunca teve esse gostinho. Até agora. 

3) A HBOMax traz de volta, também completa, outra série de estrondoso sucesso, “Sex in the city” (Sexo na cidade), que igualmente tinha sumido dos demais streamings. E a plataforma já confirmou que vai lançar uma nova temporada, com dez episódios – a última foi em 2004, supostamente dando o ponto final na história das quatro amigas moradoras de Nova York. Só que posteriormente foram lançados dois filmes continuando as aventuras delas, um em 2008 e o outro em 2010, dos quais participaram todas as protagonistas. Esse revival da série, porém, ao que tudo indica, será desfalcado de uma delas, diante da recusa da atriz Kim Catrall em encarnar novamente a fogosa relações-públicas Samantha Jones. Deu o maior rebu entre os fãs, mas a decisão de Kim parece irreversível. Suas ex-colegas de trabalho - Sarah Jessica Parker, Cynthia Nixon e Kristin Davis – já confirmaram que voltarão às peles de Carrie, Miranda e Charlotte, respectivamente.

4) A HBOMax traz no catálogo algumas séries nacionais exibidas pelo canal HBO, entre elas uma história a se cravar na minha lembrança e no meu coração: “Preamar”, de 2012. No enredo, o milionário João Ricardo Velasco (Leonardo Franco) simplesmente quebra, fica duro da noite para o dia. Morador de uma cobertura na avenida Vieira Souto, na orla da praia de Ipanema e entre os metros quadrados mais caros do planeta, ele resolve trabalhar com o variado comércio que se opera defronte, na areia. Só que o esquema para ter acesso a tal pujante mercado requer a aprovação de Xerife, ótimo papel do ator Roberto Bonfim. 

A plataforma tem também a primeira temporada de “Psi”, que acompanha as peripécias do psiquiatra e psicanalista Carlo Antonini (Emilio de Mello), inclusive na investigação de crimes. Gostei muito do primeiro episódio e pretendo continuar, torcendo para que cheguem logo as outras três temporadas que a HBO já exibiu. Estou apreciando igualmente outra série nacional – Galera FC –, esta ainda em curso e original da TNT, canal a cabo também do grupo WarnerMedia. Nela, Elton Jr. (Maicon Rodrigues) é um jogador de futebol nível Neymar. No auge da carreira, com contrato na Inglaterra, ele decide pendurar as chuteiras, nesse caso literalmente. O atleta está obstinado em voltar ao Brasil, para desespero de sua mãe, Idalice (Dadá Coelho), que já foi pobre e não tem saudades; de seu agente, Julio Lobo (Flavio Pardal); e de seus grandes amigos, Pança (Leo Bahia) e Truco (Bernardo Marinho), que desfrutam alegremente a vida sem limitações financeiras do craque. 

5) Minha filha Mariana Lua estava me perturbando o juízo para assistir a uma animação da HBOMax e encomendei a ela uma análise sucinta, que reproduzo a seguir: 
“Como uma amante da DC Comics e da personagem em si, o seriado Harley Quinn, nome da cada vez mais conhecida vilã do “universo Batman”, me foi uma agradável surpresa. Trata-se da tentativa da personagem de se desvencilhar do seu agora ex-namorado abusivo, o famoso Coringa, que se gaba de ser o responsável por toda a criação da vilã, sem permitir que ela colha os louros pela própria história de vida.

Mas, atenção, engana-se quem pensa que é um desenho para crianças. Harley Quinn é recheado de palavrões, violência gratuita e referências sexuais, além de trazer ácidas críticas aos fãs de quadrinhos mais misóginos, incapazes de aceitar um protagonismo feminino de vez em quando. É uma receita impossível de dar errado: altas doses de comédia intercaladas com o universo cruel de Gotham, onde Harley Quinn e sua parceira Hera Venenosa criam vários problemas a vilões renomados como Pinguim, Charada, Espantalho e o completamente-avacalhado-porém-coração-doce, Bane. Batman e Robin também aparecem diversas vezes, bem como Jim Gordon, que na série vive maus momentos em seu relacionamento com a esposa, mas é ajudado por sua filha, que tem uma importância que os fãs devem conhecer.”

Vale citar ainda que a animação já teve a terceira temporada confirmada e que a dublagem de Harley Quinn está a cargo da atriz Kaley Cuoco, intérprete da personagem Penny na fantástica The Big Bang Theory, já recomendada aqui, e cujas 12 temporadas também estão disponíveis na HBOMax. 

6) Saindo do território das séries, uma das maiores seduções da nova plataforma de streaming reside nos clássicos do cinema. Já tenho uma lista das pérolas que encontrei, feliz da vida, e pretendo rever todas na medida do possível, começando por “Cidadão Kane”, “E o vento levou”, “Casablanca” e “Doutor Jivago”. 

Por fim, deixo claro que esta coluna não ganhou um centavo para divulgar a HBOMax. Trata-se tão somente de um serviço aos(às) leitores(as).  

Despeço-me com uma frase do genial escritor Marcel Proust: “A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos”.

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