Confira mais quatro reality shows que garantem divertimento e algum aprendizado | Levando a Série | F5 News - Sergipe Atualizado

Confira mais quatro reality shows que garantem divertimento e algum aprendizado
‘Flinch’, ‘Bake Squad’, ‘Craftopia’ e ‘Shark Tank’ são opções para todos os gostos
Blogs e Colunas | Levando a Série 27/08/2021 16h00 - Atualizado em 27/08/2021 16h15

Os reality shows são uma boa alternativa de entretenimento e os há com variedade tamanha, nas plataformas de streaming, que fica difícil não encontrar algum ao gosto de cada perfil de audiência. Nesses tempos de pandemia, particularmente, venho me divertindo um bocado com esse gênero, pelo qual também aprendo dicas valiosas sobre assuntos do meu interesse.  Já fiz duas colunas com sugestões de reality shows (confira a primeira e a segunda). Agora, atualizo o leitor com três novidades no streaming, ao menos no Brasil, e relembro um clássico.

Comecemos pelas estreias na Netflix: o louquíssimo Flinch (Piscou, Dançou, na versão brasileira), e o mesmerizante Bake Squad (Esquadrão de Confeiteiros). Flinch tem como cenário uma fazenda na Irlanda. A cada prova três pessoas do grupo de oito inscritos são sorteadas pelos três anfitriões, de modo a que cada um seja representado pelo respectivo incauto competidor.  Digo incauto porque nenhum participante sabe a que provas será submetido e todas elas incluem suportar sacrifícios e/ou vencer os próprios medos sem vacilar (to flinch, em inglês) – daí o nome do programa.  Imagine ficar deitado num cocho enquanto um cavalo come literalmente em cima de você ou encarar uma máquina de lavar roupa vindo em movimento pendular na sua direção.

Cada episódio é antecedido do aviso de que aqueles desafios torturantes são seguros e verificados por especialistas, fora a advertência: “Por favor, não tente fazer isso em casa”. Justifica-se a cautela dos produtores do original Netflix, inclusive e sobretudo quanto a eventuais demandas jurídicas, já que todo mundo assina um contrato topando as provas elaboradas com o objetivo de levar os oponentes ao vacilo – no caso,  qualquer reação de defesa, medo ou seu extremo, o pânico.

Eu dei muita risada e tive crise de gargalhadas numa prova em especial, envolvendo porcos e uma bota que chutava o traseiro dos participantes a vacilarem. Sim, sadismo é ingrediente básico da brincadeira e eu ri mesmo porque, como dita a sabedoria popular, "quem está na chuva é para se molhar". Cada vacilo é punido com desconforto ou dor, incluindo choques elétricos, o que explica a faixa etária dos participantes, homens e mulheres jovens em maioria. Admirei bastante a diversidade étnica e a alegria reinantes. E a turma sequer concorre a uma premiação em dinheiro; encara tudo por divertimento ou para garantir seus 15 minutos de fama, pela via da vergonha ou do orgulho.

Flinch é uma esculhambação geral, a começar do trio de anfitriões, que também se sujeita a um desafio nada agradável, imposto ao perdedor de cada episódio, conforme a classificação de seus respectivos representantes entre os competidores – as “vítimas”, numa leitura divertida embora inadequada, já que ali foram pelas próprias pernas.

Passando à segunda novidade em reality show da Netflix – Bake Squad –, preciso dizer que não dou a mínima para doces, meu negócio é um belo prato de comida. Porém, me encanta a maestria com que os profissionais top na seara do açúcar conseguem chegar a resultados incríveis, ao menos esteticamente. Nesse caso, a competição difere do panorama usual no gênero, já que também inexiste prêmio em dinheiro ou sequer troféu. A anfitriã é a empresária Christina Tosi, fundadora da confeitaria Milk Bar, com várias lojas nos Estados Unidos. Ela formou um "esquadrão" com quatro experts do ramo, que disputam a cada episódio a escolha de suas obras por parte de um convidado ao programa, alguém que está incumbido da organização de um evento – de casamento e aniversário à comemoração familiar por um ente que se livrou de um câncer.

Os quatro confeiteiros do esquadrão são bastante conhecidos em suas áreas de atuação e Bake Squad seguramente contribuiu para aumentar o cacife do quarteto. Como o único doce que realmente me tira do sério é chocolate, fiquei especialmente interessada no chocolatier Gonzo Jimenez, argentino que logo no primeiro episódio faz um ovo de dragão gigantesco para o aniversário conjunto de dois irmãos.  Participam também a charmosa Ashley Holt, especialista em bolos, e os chefs Christophe Rull e Maya-Camille Broussard.

Provavelmente porque não há eliminados ou prêmio – fora uma foto na parede –, o esquadrão só quer mesmo é mostrar a que veio. E sai cada coisa linda, não raro com um ajudando o outro circunstancialmente, enquanto todos contam com o auxílio da anfitriã Christina Tosi na obtenção de itens e utensílios essenciais a seus projetos, cuja execução tem prazo de sete horas.  As provas são muito bacanas, o ambiente idem e os resultados nem se fala. Assisti tudo em uma sentada – duas, para ser exata.

A terceira novidade encontrei na HBOMax, original da plataforma: Craftopia (junção de craft, artesanato, com utopia). Esse é o nome do espaço do reality, uma loja equivalente ao paraíso para quem, como eu, se mete a construir ou decorar coisas. Cada episódio inicia com três competidores, crianças/pré-adolescentes, mas não se iludam: o que eles fazem bota muito adulto no chinelo.

O prêmio final é de U$ 5 mil – uma baba, ainda mais se a gente converte para Real – e o troféu bem chamativo. Quem o segura na foto é a apresentadora do reality, Lauren Riihimaki, conhecida como LauraDIY em sua página no YouTube, onde angariou quase dez milhões de seguidores. DIY, para quem não sabe, é “do it yourself”, faça você mesmo, sigla muito usada nos vídeos e páginas sobre artesanato.

Além da rapidez, a qualidade dos trabalhos produzidos, e as dicas que a gente vai aprendendo, a garotada aumentou minha esperança nas ilhas em meio ao mar de mediocridade que aparentemente vai banhando as sociedades. Logo no primeiro episódio, um garoto dá um show no crochê, o que me diz muito bem de seus pais, despreocupados que isso ponha em risco a masculinidade do filho. Quanto às meninas, igualmente talentosas no uso dos materiais disponíveis, achei engraçado como a maioria se mostrou radiante ao conferir a variedade de cores em glitter – me identifiquei. É uma turma cheia de foco e criatividade, sendo ela mesma, aprendendo a seguir o próprio caminho sem dar bola para julgamentos de gente tola.  

Os episódios são curtos e cada um tem duas provas, a primeira com prazo de apenas 45 minutos, no máximo uma hora. Nesse ponto, um concorrente é eliminado e os outros dois passam à prova seguinte, esta com tempo de duas horas para entrega das peças. Dois episódios no período natalino – que eu amo – me tocaram especialmente. No segundo, os concorrentes – um garoto e uma garota super feras – tinham que compor uma decoração pensando em vitrine de loja. Eu colocaria felicíssima qualquer um dos resultados na minha, se a tivesse.

Aliás, aprimorar a administração de um negócio ou simplesmente tirá-lo do papel é a perspectiva do já consagrado reality show Shark Tank, com franquia em pelo menos quatro países, entre os quais o Brasil, onde está disponível no Amazon Prime Video. Interessados em garantir uma injeção de recursos para seus negócios, em geral incipientes, entram no “tanque dos tubarões” – apelido dos bem sucedidos empresários que os candidatos tentam seduzir com seus números e argumentos, de modo a que invistam na alavancagem de uma ideia ou no aprimoramento de processos já em curso. Só que não é fácil convencer os tubarões, que também são livres para achar o negócio uma roubada e pular fora, o que ocorre com frequência.

O time de “tubarões” tem categoria inquestionável. Acontece de haver convidados, mas ao menos nas primeiras temporadas, contava com o fundador da Chilli Beans, Caito Maia; com a empresária Cristiana Arcangeli, atuante nos segmentos de  moda, beleza e bem-estar; o fundador da Polishop, João Appolinário; o fundador e presidente da China in Box, Robinson Shiba, e Camila Farani, tida como uma das maiores investidoras-anjos do país – ou seja, a cara do Shark Tank, pois tal denominação se refere justamente a quem coloca dinheiro e expertise num negócio em troca de um percentual de participação nele. A megaempresária Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, com mais de 900 lojas, é uma convidada que já marcou presença reiteradas vezes.

No decorrer dos episódios, a gente vai de quebra aprendendo alguns termos muito utilizados no meio empresarial, quase todos mantidos em inglês - devem achar mais chique, sei lá. E os candidatos a parcerias precisam conhecê-los porque são frequentes perguntas dos tubarões utilizando-os, como “Qual o seu markup?”. Traduzindo: a diferença entre o custo do produto e o respectivo preço de venda.

Um dos exemplos mais divertidos de proposta levada aos “tubarões” foi o adubo orgânico “Bosta em Lata”, mistura de esterco bovino, turfa e terra. O argumento do negociador é que a lata do fertilizante, bem bonitinha, depois vira vaso. Só que aquele pessoal potencialmente investidor sabe onde todas as cobras dormem e dá um show de pragmatismo. Assim, ponderaram que o “Bosta em Lata” era no máximo um presente divertido e que tenderia a não haver continuidade em sua compra.

Por fim, deixo à reflexão frase do autor australiano Markus Zusak no best-seller “A menina que roubava livros”: “O único dom que me salva é a distração. Ela preserva minha sanidade”. A minha também.

Para maratonar:

Flinch – Uma temporada com dez episódios, disponível na Netflix;

Bake Squad – Uma temporada com oito episódios, disponível na Netflix;

Craftopia – Uma temporada com doze episódios, disponível na HBOMax;

Shark Tank Brasil – Três temporadas, total de 49 episódios, disponível na Amazon Prime Video.

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