Confira três reality shows que nos brindam com beleza, versatilidade e arte | Levando a Série | F5 News - Sergipe Atualizado

Confira três reality shows que nos brindam com beleza, versatilidade e arte
‘Mestres do Ferro’, ‘Tattoo Fail’ e ‘Full Bloom’ expõem obras fascinantes de talentos nas respectivas áreas
Blogs e Colunas | Levando a Série 23/10/2021 14h00 - Atualizado em 23/10/2021 15h44

O que salva a espécie humana da barbárie é sua capacidade de criar a beleza, em suas mais variadas manifestações. Os três reality shows recomendados hoje mostram essa versatilidade por intermédio de aplicações artísticas bem diversas. Os dois primeiros estão disponíveis na Netflix – Mestres de Ferro (no original, Metal Shop Masters) e Tattoo Fail (Falha na Tatuagem). O terceiro é uma reverência à natureza, uma explosão de cores e texturas em Full Bloom (Plena Floração), este na HBOMax, bem no estilo do Batalha das Flores, da Netflix, também um colírio para os olhos já recomendado aqui.

Mestres de Ferro começa com sete artistas mostrando seu talento para a metalurgia. Embora eu seja fã do reúso e as provas não incluam tanto material reciclado como eu gostaria, o que os competidores produzem é fascinante, à custa de muito, muito trabalho.   

O anfitrião do programa é o comediante Jo Koy, fazendo a ponte com os juízes, Stephanie Hoffman e David Madero, dois artistas do ramo com obras expostas em locais públicos de destaque. O vencedor ganha o título de “Metal Shop Master” e uma soma considerável, ainda mais para os padrões brasileiros: 50 mil dólares.

Logo na abertura, Jo Koy dá o tom do que virá a seguir: “Quando você aplica uma corrente elétrica que cria centenas de graus de calor em um simples pedaço de metal, você pode fazer o material mais resistente do mundo derreter e dobrar-se à sua vontade, e criar obras de arte de aço endurecido”. O ambiente cheio de calor e fagulhas, com gente se submetendo a um suadouro, me evocou outro espetáculo de beleza e transformação já sugerido aqui, o Vidrados, também na Netflix.

A primeira prova começa com os competidores ainda em casa, onde tiveram tempo para conceber um projeto e levar ao programa peças que viabilizassem um respectivo avatar. Valia um autorretrato ou algo que resumisse as próprias personalidades. Outra exigência é que a escultura apresentasse ao menos uma parte móvel. Isso foi um problema para a competidora Rae Ripple, que soldou as asas de sua borboleta em casa, e mais não posso dizer. Ela é uma das participantes cuja caminhada como escultura soldadora começou movida pela transcendência de situações difíceis – no caso, o vício em drogas e uma gravidez na adolescência. Frank, o competidor mais velho, se embrenhou na arte soldadora depois de perder seu filho adolescente.

Embora Mestres de Ferro não chegue a apresentar um formato inovador – ao fim de cada episódio, uma pessoa é convidada a se retirar, como é usual –, o que se vê é a junção de esforço e foco resultando em gloriosa beleza. E há ainda espaço para a solidariedade. Diferentemente de outros programas do gênero, os competidores parecem não ter tempo nem disposição para prejudicar uns aos outros; ao contrário. Muito bacana.

A segunda sugestão usa a pele humana como tela – Tattoo Fail (Falha na Tatuagem). O programa me fez lembrar uma cena da divertida The Big Bang Theory, recomendada aqui, em que o gênio da Física Sheldon Cooper pergunta à amiga e vizinha Penny por que ela tem uma tatuagem com a palavra “sopa” escrita em mandarim, num daqueles charmosos ideogramas. A moça, entre surpresa e irritada, afirma que a imagem gravada em sua pele significa “coragem”. Esse é um exemplo trazido da ficção, mas ilustrativo da realidade. Circulam rotineiramente pelas redes sociais catástrofes no ramo, por desenhos cuja execução chega ao ápice da incompetência, ou ainda por palavras e frases com algum erro ortográfico. Um investimento literalmente cravado no corpo se torna, assim, alvo de piadas e, não raro, vergonha.

No início do programa, a apresentadora Jessimae Peluso diz: “O que acontece quando a pessoa que você ama tem uma tatuagem que você odeia? Você os traz aqui e nós as cobrimos”. Cinco tatuadores renomados fazem o trabalho de corrigir as tragédias produzidas, sendo que todos têm estilos bem diversos, mostrando em comum a competência e a singular qualidade do detalhamento.

Existem outros programas do gênero, inclusive em canais por assinatura, mas Tattoo Fail traz uma diferença bastante arriscada. A pessoa que leva o ente querido para corrigir sua tatuagem é quem escolhe a imagem que vai cobri-la. A “vítima” não pode conferir o trabalho até que ele esteja concluído. Outra peculiaridade é que a turma que manda muito bem na pistola de tatuagem não compete entre si. A ideia é dar visibilidade aos respectivos estilos e talentos e, claro, resolver o problema estético dos participantes.

Chamou minha atenção a amiga de uma moça escolher um buquê de lírios para corrigir a tatuagem dela, isso depois da apresentadora Jessimae Peluso dar um jeito de advertir que flores eram o único tema descartado pela outra amiga. O que rolou não posso antecipar, mas confesso que cheguei a ficar em suspenso pela reação, quando, enfim, a tatuada pode se olhar no espelho.

Concordo plenamente com uma crítica que classifica Tattoo Fail como muito divertido pela “variedade de tatuagens horríveis que as pessoas fazem quando são jovens, burras e bêbadas”. Não por acaso fiz minha orquídea completamente sã e já com 33 anos.

Acho interessante que os episódios são independentes e podem ser assistidos em qualquer ordem, já que não existe eliminação dos tatuadores. Uma boa para quem está com o tempo escasso.

Uma perfeita associação entre a beleza natural e a capacidade técnica humana compõe o show visual de Full Bloom (Plena Floração) agora um reality show daqueles de competição, disponível na HBO Max. Competem artistas do ramo da alta floricultura – se é que existe isso. O ponto é que os trabalhos transcendem buquês e/ou lindos arranjos, o que se vê são verdadeiras obras de arte, algumas em grande escala e usando uma cornucópia de criatividade.

Nesse reality show não há exatamente um apresentador, a função é intercalada entre os jurados, um time de primeiríssima linha no ramo.  Elizabeth Cronin é fundadora da loja Asrai Garden, conhecida por seus impressionantes arranjos florais e já estabelecida em dois locais nos Estados Unidos, onde contam ainda com seções de joias e roupas. Ou seja, uma talentosa florista/empresária. Simon Lycett, um britânico de renome mundial, é conhecido como “florista da rainha”, já que fornece decorações para a família real. Por fim, temos Maurice Harris, dono de um estúdio de design floral a atender clientes como Louis Vuitton, Dior, Gucci, Valentino e Dolce & Gabbana. Como se vê, a beleza natural das flores e plantas gera trabalhos rentáveis – isso para quem se destaca na paisagem, sem trocadilho.

Uma das provas de Full Bloom se cravou no meu coração. O desafio era uma homenagem a Van Gogh. Duas equipes se formaram, cada uma tendo que reproduzir, em telas gigantescas, com flores e plantas, um de dois quadros do gênio holandês: “Sunflowers” (Girassóis) e “Vase with Daisies and Poppies” (Vaso com Margaridas e Papoulas). Quanto ao resultado, achei a coisa mais linda, como você confere abaixo. Este é apenas um dos muitos deleites para os olhos proporcionados pelo programa.

Por fim, deixo à reflexão um pensamento do escritor, filósofo e poeta norte-americano Ralph Waldo Emerson: “Podemos viajar por todo o mundo em busca do que é belo, mas se já não o trouxermos conosco, nunca o encontraremos”. É só trocar o “viajar por todo o mundo” por “assistir TV”.

Para maratonar:

Mestres de Ferro – Uma temporada com seis episódios, disponível na Netflix;

Tattoo Fail - Uma temporada com seis episódios, disponível na Netflix;

Full Bloom – Duas temporadas, total de 14 episódios, disponível na HBOMax.

 

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