TEXTOS ANTIVIRAIS (76) | Luiz Eduardo Costa | F5 News - Sergipe Atualizado

TEXTOS ANTIVIRAIS (76)
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 14/10/2021 08h35 - Atualizado em 14/10/2021 08h39

DO “DREADNOUGHT" DE PAULO GUEDES À  QUASE GUERRA BRASIL  x  ARGENTINA

(A Dreadnougth, empresa de Paulo Guedes num paraíso fiscal faz lembrar dos navios dreadnougths comprados pelo Brasilque quase nos levam a uma guerra com a Argentina)

Hoje em dia a maior parte da população brasileira lida cotidianamente com a  língua  inglesa. Quando o “sol  nunca desaparecia sobre a extensão do   império britânico", vários povos colonizados da África e Ásia aprenderam a falar o inglês, e   alguns países o  colocaram ao lado dos seus idiomas originais. Na Índia que tem quase um bilhão e quatrocentos mil habitantes, cerca  de cem milhões falam o inglês.
O judeu-polonês Ludwik Zamenhof criou,  no fim do século dezenove o Esperanto,  língua que ele ambicionava fazê-la universal. Não conseguiu alcançar o seu intento, o Esperanto  é hoje apenas uma excentricidade,  enquanto  o inglês  tornou-se    idioma global.
Finda a Segunda Grande Guerra, em 1945, o Império britânico começou a encolher, enquanto a sua ex- colônia no novo mundo  assumia uma posição hegemônica como potência militar e econômica ,e, a partir de então , o seu predomínio tecnológico e cultural quase nos obriga a utilizar, frequentemente, os termos ingleses. Quando se pergunta a alguém de uma família brasileira pobre e  destituída de conhecimento como  a meninada conseguiu estudar durante a pandemia, se ouvirá a resposta : “tava tudo onlane". No caso, a fonética sofre  curiosas variações.
Com frequência, surgem  termos novos que acabam incorporados à nossa “última flor do Lácio”, ou, aparecem outras estranhas, com assiduidade, frequentando de forma incômoda os nossos noticiários. É o caso agora da palavra “dreadnought”. Pronuncia-se “dreednot”, com o t final aspirado.
Dreadnought, entrou em destaque por ser o nome da  polêmica empresa que administra a fortuna, em dólares, de Paulo Guedes no paraíso fiscal das Ilhas Virgens.
Significa: encouraçado. Não esquecer que Paulo Guedes é o nosso ministro da economia, e que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o imita,  refugiando-se nesses redutos, sempre preferidos por mafiosos, traficantes e espertalhões de variadas cepas.
Paulo Dantas Brandão, jornalista que faz primorosas e consistentes análises,   abordando  temas da realidade brasileira, já explicou o significado da palavra, e a importância bélica e estratégica dos dreadnoughts, os poderosos navios  que a Inglaterra começou a construir no começo do século passado. Paulo,  também vergastou e leniência apática do nosso  país, onde os que comandam a economia preferem ter seu capital protegido num sistema bancário pirata, isento de impostos, e com sigilo absoluto. Assim, demostram, explicitamente, que não confiam na eficácia da própria politica econômica que traçam.
Paulo Guedes, ou “Posto Ipiranga”, oráculo do político deslustrado que chegou à presidência, além de falastrão e grosseiro, limita-se a responder sem substancia às perguntas banais que recebe, e vai tocando,  com improvisações  e superficialidades,  uma politica econômica dando sinais de esgotamento. Mas é esperto e ousado na proteção aos seus interesses e aos daqueles encapuzados operadores  financeiros, entre os quais ele mesmo se inclui.
O próprio nome escolhido para a sua empresa off-shore, é significativo: dreadnought,  um encouraçado de aço, incólume a qualquer investida, capaz de resistir a todas as tormentas, guardando, nas suas entranhas, inatingíveis fortunas garantidas com a estabilidade do dólar, uma moeda universal, nada parecida com o real instável, duvidoso, decadente, que ,nos últimos três anos teve um desastroso histórico. Em 2020, o Real perdeu  quase 30% do seu valor  face à moeda americana, hoje,  está entre as quatro moedas de países emergentes com maior desvalorização.
Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, artífices da façanha, estão absolutamente tranquilos. Enquanto os brasileiros, talvez incautos, acreditando no que eles e o chefe supremo prometiam, viram o Real deteriorar-se sem remédio, enquanto os  espertalhões estavam bem protegidos à “ bordo” dos seus dreadnougts.
Mas, afinal, o que tem a ver a Argentina,  por aqui nossa  desventurada  vizinha com os dreadnoughts?
Expliquemos então.
O país portenho  é participe de uma curiosidade histórica. No episódio,  argentinos e brasileiros foram envolvidos e chegaram à beira de uma guerra. Treze anos decorridos após a instalação da República, o Barão do Rio Branco assumia a chefia do Itamaraty, ou seja,  o comando das relações exteriores do Brasil. Rio Branco era um atento observador do equilíbrio militar entre o Brasil e a Argentina. Tinha uma visão estratégica, voltada principalmente para o poder naval, e cresciam as suas preocupações com  a situação de fragilidade da nossa esquadra, que não se renovara desde a guerra do Paraguai. Recebeu o apoio do Ministro da Marinha e foram ao presidente Afonso Penna para expor a nossa vulnerabilidade diante de um possível ataque da marinha argentina, cujos navios poderiam bombardear o Rio de Janeiro, de uma distancia onde não seriam alcançados pelos tiros dos canhões, nos fortes que protegiam a cidade, e neutralizariam, também, contra-ataques efetuados pelas sucateadas belonaves brasileiras. Pouco tempo depois, o governo brasileiro assinava um contrato com estaleiros ingleses para a construção de dois moderníssimos encouraçados (dreadnoughts) de vinte mil toneladas, armados com poderosos canhões. A classe dreadnought era o que havia de mais avançado em navios de guerra, e  desequilibraria totalmente a balança do poder naval entre o Brasil e Argentina, invertendo a nossa situação, e deixando Buenos Aires vulnerável a um ataque, e ao bloqueio do estuário do rio da Prata.  Na época, só a Inglaterra possuía na sua esquadra aqueles colossos. O Brasil se tornaria então uma potencia naval na América do Sul, e isso alarmou os argentinos.
O chanceler argentino Estanislao Severo Zaballos e o brasileiro Rio Branco tinham uma aversão antiga e recíproca, e isso dificultava qualquer entendimento.  Sabendo que os dreadnoughts encomendados pelo Brasil ainda demorariam uns quatro anos até ficarem prontos, Zaballo convenceu o presidente argentino Figueroa Alcorta, a convocar o ministério, e durante a reunião, leu a minuta de um ultimato ao Brasil, dando um prazo de oito dias para que a encomenda aos ingleses fosse cancelada, findo o qual a marinha argentina bombardearia o Rio de Janeiro, e o  exército  atravessaria as nossas fronteiras.  O ultimato foi aprovado, mas o ministro da marinha argentina discordava do ataque, por entender que uma guerra com o Brasil seria desastrosa. Além do mais, tivera certeza de que não passava de  fake news a noticia que se tornara o “caso de guerra”, espalhada  pelo belicoso Zaballos . Tratava-se de um telegrama cifrado dirigido por Rio Branco ao embaixador brasileiro em Buenos Aires, decifrado propositalmente de forma errônea, pelos agentes de Zaballos.
Rio Branco levou então a nossa diplomacia às alcovas. Seduziu a atriz francesa Marguerite, (que era amante de Zaballos) usando o seu charme pessoal e o fascínio irresistível de reluzentes pedras brasileiras, e assim, obteve a cópia exata do telegrama, e  do outro, com o texto falsificado; em seguida, divulgou  matéria paga nos três maiores jornais argentinos, comprovando a fraude. Zaballos, corneado e desmoralizado pela mentira não teve outra alternativa a não ser a renúncia.
E as belonaves  do país amigo apagaram os seus fogos.
A diplomacia brasileira já viveu tempos em que esbanjava inteligência, habilidade,  e cultivava sutilezas.

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OS CANDIDATOS E O TEMPO PARA BELIVALDO DECIDIR

(Até agora só Rogério se declarou candidato, os outros esperam o sinal verde, mas já estão em campo tratando de consolidar seus nomes)

“Tudo que é do presente, tem sua raiz no passado". A frase é do escritor francês Alexandre Dumas, na apresentação da sua edulcorada  biografia de Giuseppe Garibaldi, italiano, marido de Anita, brasileira , que se tornaram heróis de dois mundos.
Dumas, um cultor da história, queria ressaltar, com isso, a necessidade de conhecê-la, para evitar erros futuros.
A história, em certos casos, pode ser até o dia de ontem, para quem deseja avaliar e assimilar os fatos como se fossem importantes lições.
Fazer política é um constante aprendizado dos fatos de hoje e de ontem, lastreando, sempre, um projeto de futuro.
Chegamos, neste ano que quase sem pandemia se encerrará, ao momento nevrálgico, quando o processo de escolha dos candidatos especificamente ao Executivo e ao Senado se vai afunilando, e urge, então, que os nomes surjam, sejam definidos, se tornem apresentados, e se envolvam diretamente no debate político, com as suas posições já definidas.
Em setembro, quase já se admitia que os candidatos tanto do governo como do PT,  este, de ultima hora burilando um discurso de oposição, já estariam  terçando suas armas retóricas, apenas, aguardando o instante do anuncio. Rogério, que dá as cartas no seu grupo, acreditando que a sua imagem cresceu em face da atuação que vem tendo na CPI da pandemia,  saiu na frente, alegando não ter convencido Belivaldo a trabalhar o seu nome para formarem um grupo. Ou seja, esperava que pelos seus “olhos azuis" todos os demais fossem seduzidos, e o carregassem num festivo andor,  escalando as vetustas escadas do Olímpio Campos, aliás, hoje apenas um Museu, ofertando-lhe um mandato de governador. Isso obviamente não aconteceria.
O grupo hoje no poder executivo, tal como agora é composto na sua heterogeneidade compactuada, sempre considerou, desde o desaparecimento de Marcelo Déda, que o PT nunca passaria mesmo de  um “companheiro de viagem”, em um trem do tempo, do qual, tanto um como outro desembarcariam, a depender das circunstancias. Não houve, portanto,  surpresas maiores.
Mas ai veio o contratempo, comparável a um abalo sísmico imprevisível, ou, pelo menos, visto como improvável. O STF condenou André Moura.  Ele se move em defesa de direitos que entende violados, numa rara somação de fatos que apontam para falhas nas sentenças, até ainda não inteiramente publicadas, existe a esperança alimentada  pelos seus advogados de que ele venha a poder ser candidato, seguramente, não  a Senador, mas, à Câmara Federal, se não prevalecer, tempestivamente,  o impedimento da inelegibilidade. Tudo é ainda complexo e um tanto nebuloso.
Nesse cenário, o governador Belivaldo a quem cabe a coordenação , a paciente oitiva de todos os aliados, e interessados, e a descoberta de um caminho para o consenso, entendeu,  por uma questão ética, e de consideração a André Moura,  que não deveria avançar nos entendimentos, esperando do  aliado atingido pelo imprevisto a palavra final. Isso, aliás, não altera o cronometro dele, que o teria regulado para dar o sinal de partida, assim que cessem os estrídulos  da folia de um fevereiro pós pandemia.
E ai entram  as avaliações feitas a partir de semelhanças com eventos sucessórios do passado recente.
Belivaldo  terá analisado minuciosamente esses fatos, e com o seu faro político, já imaginado qual a composição que melhor poderia traduzir o êxito eleitoral, objetivo de toda a ação politica.
Nas entrevistas recentes, Belivaldo tem destacado que respeita todos os que  se lançam como candidatos, inclusive ao Senado, entendido como uma vaga a ser preenchida pela impossibilidade que teria agora André de preenchê-la, observando apenas que, no caso, deveria haver mais comedimento, visando evitar que sejam criadas possíveis mágoas dentro do próprio grupo.
Entre os governistas o quadro está formado, sem possibilidade de ampliação, a ser filtrado entre os possíveis candidatos: Ulices Andrade, Fábio Mitidieri, Laércio Oliveira e Edvaldo Nogueira.
Tudo a depender da soma de apoios e das avaliações últimas,  neste caso, através de pesquisas sobre as chances eleitorais de cada um. Pouco vale um candidato saído dos bolsos, até mesmo com a unanimidade de apoios, se ele não for competitivo, bem avaliado por quem em ultima analise define: o eleitor.
No PT anda acontecendo uma busca por alianças, Rogério, saído faz poucos dias do governo, se classifica como oposicionista e crítico, e  aproxima-se dos  Valadares,  pai e filho, ainda não recuperados de sucessivas derrotas, mas, que se mantiveram de fato na oposição, desde que houve o rompimento com Jackson Barreto. Tendo Valadares pai, nesse ínterim,  perdido o Senado, e Valadares Filho, disputando cargos diferentes de governador a vice-prefeito, acumulado derrotas e interrompendo uma carreira de sucessos, quando candidatava-se a deputado federal.
O senador Alessandro Vieira, avaliando uma possível projeção nacional, pelo seu ótimo desempenho na CPI, tenta um voo mais alto pleiteando o Planalto. Não se trata de um projeto absurdo, ou sonho irrealizável, mas, sem duvidas, uma difícil jornada a percorrer. Ele tem qualidades pessoais para disputar o mais ambicionado e difícil cargo da República. 
A Delegada Daniele, depois de revelar consistência eleitoral na disputa pela Prefeitura de Aracaju, transita entre as possibilidades de concorrer tanto ao governo, como ao Senado ou à Câmara Federal. Os resultados das pesquisas, lhe deixam sorrindo.
Para o Senado há uma escassez de nomes viáveis. No PT, animam-se tanto Eliane Aquino como Márcio Macêdo.
No campo agora deserto com a improbabilidade de André Moura, animam-se Jackson Barreto e Laércio Oliveira, restando convencerem de que trocariam quase a certeza   da eleição de ambos à Câmara Federal, pela duvidosa disputa ao Senado.
Na área do chamado “ bolsonarismo de raiz" agitam-se diversos e quase desconhecidos nomes, que acreditam acender nas multidões a mesma chama crepitante dos cercadinhos, enquanto as pesquisas  em Sergipe revelam números elevados para Lula, e algo abaixo de vinte por cento para Bolsonaro, e cifras irrisórias para os seus seguidores, possíveis candidatos.
Mas, estamos há um  ano da eleição. Se, na economia acontecer uma reversão de expectativas, provocando crescimento, geração de empregos, controle da inflação, e consequente melhoria de vida no enorme contingente de brasileiros que passam fome, e menos sacrifícios para a classe média, então, um novo cenário será uma espécie de Red bull para o bolsonarismo: lhes dará asas.
O improvável por vezes acontece. Tanto assim que Bolsonaro  findou eleito, ou findou-se eleito.

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O ENGENHEIRO E PENSADOR

(Luiz Eduardo Magalhães, uma vida a servir de exemplo)

Se foi o engenheiro e empresário Luiz Eduardo Magalhães. Carentes que somos de quem é capaz de pensar e agir, a perda ainda mais para Sergipe se acentua. Luiz Eduardo, figura doce, sensível, cidadão harmonizador, conversa inteligente e sempre construtiva, era homem de muitas amizades e afetos virtuosamente construídos, assim, sua morte foi sentida e chorada, não só entre os familiares,  também,  por toda a sociedade sergipana.  Homem envolvido em atividades diversas, da engenharia ao meio acadêmico e empresarial,  fundador do Rotary Club sergipano, ele cuidava de disseminar ideias e desenvolver projetos inovadores. Pessoa assim merece todas as homenagens, principalmente por ter em vida se descuidado das honrarias, trocando a vaidade pela satisfação de fazer. 
O escrevinhador, que comentava com o homônimo a coincidência ainda maior de terem irmãs  que se chamam Marta Suzana, e tentávamos, juntos, descobrir se o fato resultava de mera coincidência,  ou se os seus pais o Juiz Luiz Magalhães e o promotor público Paulo Costa, que eram amigos, teriam  “combinado a coincidência".
O xará que não conseguiu despedir-se do outro Luiz Eduardo, deixa, aqui, registrado o seu pezar à viúva Maria de Fátima, aos filhos,  João Ricardo,  Paulo Renato, Carlos Henrique, e Jorge Maia, que têm a característica comum de serem navegadores;  e aos irmãos, a professora Marta Suzana, e o engenheiro Ruperto.

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