O PIB, O PIB, O PIB É A ÚNICA SALVAÇÃO
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 17/05/2019 13:51 - Atualizado em 17/05/2019 14:41

Mais uma vez, vai nos frustrar o PIB. Nos tempos murchos de Dilma, anunciou-se um “pibinho”, assim, tão murchinho quanto a inteligência dela mesma, e até festejou-se, porque, afinal de contas,  um “ pibinho” por miudinho que fosse, seria melhor do que um PIB zero, ou negativo, a pior desgraça que hoje pode acontecer a um país.

Depois, chegou aquele rapace sangue- suga  das hemácias nacionais. Escorado na capacidade inegável do Meireles,        que ele teve a sabedoria de convocar, até  anunciou uma reversão de expectativas, desenhando o retorno de um PIB expressivo, quase um “pibão” robusto, esse adjetivo tão em moda que usamos,  lembrando dos tão badalados concursos dos “bebês Johnson”, aqueles, sempre branquinhos, gordinhos, olhinhos azuis, que se alimentavam bem, usavam os produtos da Johnson & Johnson, e venciam os concursos de robustez infantil.    

Naquele tempo nem se falava em PIB, por isso ninguém dizia que ele apareceria robusto.

No governo do sangue-suga que hoje transita de uma cadeia para outra, num entra e sai que diz mal da Justiça, principalmente, daquela, acostumando-se a prender antes de condenar, se fez uma reforma trabalhista, garantindo que ali estava a chave para a economia ganhar outro ritmo. Como as contratações de trabalhadores ficariam descomplicadas, o empresário sentir-se-ia mais seguro, e então voltariam a investir e gerar emprego. Mas o PIB que começara a reagir, deu uma volta para baixo. Aquela conversa de mafiosos que Temer teve com Joeslei Batista, num porão do palácio do Jaburu, altas horas da noite, que resultaram nas gravações  indecentes, em todos os sentidos, levaram de roldão a confiança que estaria retornando, com Meireles comandando a economia.

Presidente que não acerta, desacerta o PIB.

O PIB está sempre no centro de todas as narrativas. E não poderia ser diferente, afinal, PIB é produto interno bruto, tudo o que aqui dentro do país conseguimos gerar em todos os setores da economia.

O erro, ou a farsa, estão exatamente nessa exaltação exagerada, ou exclusiva, de um fator único que seria o “abre-te Sésamo”, a operar o milagre de acelerar a roda emperrada de uma economia que agora chega à beira da recessão.

Não é preciso relembrar o que não foi feito nos governos anteriores, principalmente nesse que seria o segundo de Dilma, e foi forçadamente repartido em dois, ficando a segunda metade, com o astuto malandro que nos apareceu como salvador da pátria.

Destravar a economia é coisa bem mais complexa do que reformar a previdência. Já vimos que as promessas contidas na reforma trabalhista não deram em nada, e o desemprego só aumentou.

A reforma da previdência é importante, é urgente, mas pode ser feita parceladamente, ao longo de mais de um governo, desde que se passe a imagem, no caso, tanto para o mercado como para a sociedade em geral de que a ideia de equilíbrio das contas públicas é uma diretriz permanente do Estado brasileiro, não apenas de um governo.

O clã, ou família Bolsonaro, herdou, admite-se, um país quase destroçado.

E o conserto exige algo muito maior, algo que não está escrito nas doutrinas específicas, encontráveis na vastíssima biblioteca de temas econômicos.

Faz quase um século, um espanhol, Ortega y Gasset escreveu um livro chamado, La Rebelion de las Massas, que é, na verdade, a psicologia das multidões. Trata daquela maré, o vai e vem de sentimentos populares, sejam de ódio, de simpatia, de entusiasmo, de decepção, de esperança, ou de desalento.

O que acontece no povão ocorre também de forma muito mais sofisticada nos entes mais sensíveis até, que constituem o mercado.

Havia uma enorme expectativa sobre o retorno esperado do otimismo em relação à economia, em relação ao país.

O clã Bolsonaro, (e nisso pai e filhos efetivamente se deram às mãos) inspirado pelo soturno, trágico e louco Olavo de Carvalho, tentou construir um governo” à moda da casa.”

E surgiram os desencontros, os erros e os remendos, as bobagens, e a mais pura estupidez. E a economia não encontrou um caminho tranquilo a percorrer, permaneceu afetada pelos sacolejos vindos de um Palácio do Planalto onde a sensatez só não some por completo, por causa do esforço pessoal de alguns diligentes e responsáveis ministros, militares e civis, e do vice-presidente.

Onde não se desperta a confiança interna, hoje mais ainda externa, é evidente que os investimentos se retraem, ou ganham tempo para decidir.

Uma simples derrapagem do presidente, causa quedas na bolsa de muito bilhões de reais, ou fazem engrossar nas ruas o número dos que protestam.

Um contingenciamento orçamentário, que é pratica corriqueira e às vezes inevitável, gera explicável e justa comoção nas Universidades e em todo o sistema público da Educação, porque foi anunciado como uma represália, dentro daquela intenção de fazer um governo “à moda da casa,”, ou seja, adequado  à visão pré-renascentista do clã, que se imagina, talvez, senhores de um feudo povoado por gente submissa.

Esses comportamentos bizarros, evidentemente, afetam a coisa imaterial, identificada por uma sigla quase mágica: o PIB. As duas últimas aferições mensais, (abril e março) revelaram cifras negativas.  Estamos outra vez às portas de nova recessão. Nesse caso o PIB desaba.

Se o clima não fosse de tanta belicosidade inútil e houvesse um norte  seguro para a trajetória do país, antes mesmo da reforma da previdência e da tributária, esta, aliás,  mais importante, o PIB começaria a mover-se para cima.

E quando o PIB cresce, o desemprego diminui, os empresários confiam, as reformas indispensáveis ficam mais fáceis de alcançar.

Só a título de um pontual exemplo: O vice-presidente Hamilton Mourão, faz agora uma viagem à China. Vai, sobretudo, para evitar o esgarçamento das relações com o nosso maior parceiro comercial. Mourão não despertará polemicas, não falará o que não deve, não estará preso aos limites de ideias estreitas, ou inabilitado pela ausência delas.

Ele, com absoluta certeza, não anunciará em Pequim que “enxergou no semblante de alguma alta autoridade chinesa, uma preocupação com a eleição de Cristina Kirchner na Argentina”.

Ao retornar, poderá ter criado melhores condições, exatamente para que o PIB deixe de encolher. Uma boa parceria com a China é o que de melhor poderemos fazer, no momento e nas atuais circunstancias, diante da guerra comercial deflagrada por Trump, e cujas consequências são difíceis de prever.

SERGIPE, UMA BOLÍVIA?

(Ministro Bento)

(Governador Belivaldo) - (Entre Sergipe e Bolívia, o gás como tema nacional)

Para tratar de assuntos sergipanos que, a essa altura, se transformam em assuntos nacionais, o governador Belivaldo foi recebido pelo presidente Bolsonaro. O presidente conferiu muita importância ao encontro, para o qual convocou dirigentes da Petrobras e o ministro das Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque.

Bolsonaro fez uma expressão de surpresa quando o ministro Bento disse: “Presidente, Sergipe vai ser uma Bolívia”. E foi explicando: “pois é, o Sergipe aqui do governador Belivaldo, vai produzir, em breve, tanto ou até mais gás do que a Bolívia.

Não é exagero dizer que o tema Sergipe, insere-se, hoje, na pauta dos grandes temas nacionais.

Mas o importante em tudo isso é que a comparação com a Bolívia, fique somente na capacidade de produzir o gás e o petróleo.

A Bolívia é um exemplo desastroso da exploração mineral feita de forma predatória, que exaure recursos,  empobrece regiões e países.

As reservas minerais bolivianas são gigantes, mas o país é pobre e seu povo sofrido. Tudo começou com o Estanho, cujas jazidas agora estão quase extintas, e imensas áreas desertificadas, ampliando as agruras de uma terra de muitas montanhas e pedregosa, inapropriada em imensas extensões para a agricultura.

Empresas estrangeiras ganharam centenas de bilhões de dólares, e um boliviano, Antenor Patiño, cognominado “Rei do Estanho” tornou-se um dos homens mais ricos do mundo. No seu país 80% da população viviam abaixo da linha de pobreza, e ele percorria o jet-set europeu torrando fortunas nas mesas de cassinos famosos. Era figura obrigatória nas colunas sociais.  Aqui no Brasil o colunista Ibrahim Sued era seu permanente convidado para as esbórnias milionárias pelos points dos bilionários globais.

Patiño faturava por ano uma soma  superior ao  PIB boliviano.

Na Bolívia, não se repete o desastre venezuelano, o presidente Evo Morales, apesar do absurdo de um quarto mandato sucessivo, está muito distante das práticas desastrosas de Maduro, e a economia vem crescendo a taxas superiores a 5%.

Mas o país exportador de tantos minérios, ainda não conseguiu erradicar as cifras deprimentes que quantificam as carências do seu povo.

Sergipe poderá até ultrapassar a Bolívia na produção de gás e petróleo, mas é preciso adotar politicas para que não venhamos a seguir o mesmo caminho boliviano.

Um dos objetivos da ida de Belivaldo ao Planalto, foi exatamente para mostrar ao presidente e seus ministros os projetos que aqui já estão em andamento, objetivando a industrialização local do gás e do petróleo.

O Ministro Bento está entusiasmado com o potencial de Sergipe, e apoiando o evento que aqui está sendo organizado, para o segundo semestre deste ano, devendo reunir em Aracaju executivos de vários grupos empresariais, brasileiros e estrangeiros. Belivaldo quer dar ao encontro projeção internacional.

É importante que cheguemos perto, ou até ultrapassemos a Bolívia na produção de gás, mas, é mais importante ainda que estejamos alertas, para que  não se repita a mesma trajetória que aqui teve a Vale depois de privatizada, sempre tratando Sergipe como território inimigo, do qual ela se apropriou de uma parte.

A VALE OS SEUS CRIMES E O PREFEITO MARCOS SANTANA

Em Minas Gerais, por esses dias mais uma barragem da Vale poderá romper. Na sucessão de desastres agora programados, este já anunciado será apenas mais um. No rastro da sua desumana indiferença a VALE nos locais onde desenvolveu suas atividades, até a tragédia de Mariana, montou várias bombas de efeito retardado que agora começaram a explodir.

A VALE nem completou ainda as medidas que foi obrigada pela Justiça a tomar, nas áreas atingidas pela calamidade que matou a vida em quase toda a extensão do Rio Doce, além de causar mortes e outros estragos, e  está  as voltas com sua eficaz equipe de advogados para repetir o mesmo procedimento na segunda tragédia, a de Brumadinho,  com numero muito maior de mortes.

A VALE é uma empresa criminosa, e Sergipe é um dos estados vítimas da devastadora empresa. Aqui, depois de explorar por mais de 35 anos a mina de potássio de Taquarí-Vassouras, e recebendo os benefícios de generosas isenções de impostos, a empresa vendeu  a mina e os equipamentos industriais à Mosaic, felizmente uma empresa responsável, que  investiu em novas tecnologias para prolongar a vida útil da Mina, e tem um projeto pronto para uma nova forma de produção através da carnalita, que se fará por meio de poços diversos. Aguarda, certamente, a clarificação do ambiente político-econômico do país, a garantia do fornecimento de gás a preços viáveis para iniciar a projeto. Durante todo esse tempo de permanência em Sergipe, a VALE se manteve ausente, sem nenhuma participação social na vida do estado. Deixou um passivo ambiental que deverá ser objeto de ações indenizatórias. Nem sequer disse adeus.

Mas não parou por aí. Na onda das privatizações do governo FHC a VALE criou uma subsidiária e arrematou em leilão por preço simbólico a ferrovia Leste Brasileiro. Cortava Sergipe de norte a sul e fazia ligações interestaduais. Circulavam trens ainda, pela antiga ferrovia, e a Ferrovia Atlântica, a subsidiária, garantiu que faria investimentos para modernizar a Leste privatizada. Promessas não faltaram, mas, foram todas caprichosamente arquivadas. A ferrovia está abandonada, as instalações, entre elas a estação central de Aracaju também. A VALE nunca deu qualquer explicação ao governo e ao povo sergipano, pelo desrespeitoso desleixo. Mas não lhe falta hipocrisia. A subsidiária está agora processando o prefeito de São Cristóvão, Marcos Santana, acusando-o de omissão, ao permitir que trechos da rodovia fossem invadidos por pessoas que sobre elas fizeram casas. O prefeito vem fazendo uma administração segura e criativa, e terá de ocupar-se em cuidar da sua defesa, mas, ele irá por sua vez, processar a VALE por desídia e  irresponsabilidade social.

Mas não é tudo ainda. A VALE deixou Sergipe, mas permanece operando o Terminal Marítimo Inácio Barbosa, na Barra dos Coqueiros. Cobra preços extorsivos, afugenta clientes e mantem a politica absurda de preços, porque há barcos que ali são obrigados a operar. As petroleiras operando em Sergipe, entre elas a Exxon, que, por isso, poderá transferir para Maceió as suas operações logísticas, embora arcando com custos maiores, mas, livrando-se da extorsão da VALE. Da mesma forma, a CELSE, a GE, a Golan, e outras empresas ligadas à construção da termoelétrica da Barra estão sendo prejudicadas. A VALE se recusa a fazer parcerias para ampliar a capacidade de atracação e operacional do porto. E isso mais uma vez se traduz em prejuízos para Sergipe.

O governo de Sergipe deverá imitar o que fez o prefeito Marcos Santana de São Cristóvão, e entrar com ações na Justiça contra a despudorada VALE.

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Luiz Eduardo Costa
É jornalista, escritor e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Ambientalista, fundou o Instituto Vida Ativa que, dentre outras atividades, viabilizou em 18 anos o plantio de mais de um milhão de mudas da Caatinga e Mata Atlântica.

E-mail: lecjornalista@hotmail.com


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