TEXTOS ANIVIRAIS (36)
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 15/11/2020 08h11 - Atualizado em 15/11/2020 08h19

SEGUNDO TURNO PANDEMIA E A SOLUÇÃO MAIS RÁPIDA (36)

(Resolver logo agora ou prorrogar a disputa Edvaldo-Daniele para o final do mês. Tudo por um punhado de votos)

Os eleitores de Aracaju poderão assumir nesta eleição uma atitude bem pragmática. Decidiriam evitar um estafante e improdutivo segundo turno. Há uma ameaçadora suspeita de que poderá ocorrer uma segunda onda da pandemia do covid-19, coisa que já sucede em países europeus, e também apavora os Estados Unidos. A fatura poderá ser liquidada já neste domingo. Os eleitores indecisos, mas, conhecendo a realidade, se convencem de que perderão o voto, caso mantenham a decisão de sufragar candidatos que as pesquisas já revelam inviáveis. Esses eleitores, poderiam ser atraídos pela ideia do voto útil. Aqueles que estão fazendo parte das cifras decimais que castigam candidatos sufocados, seriam os mais tentados a mudar de ideia, e dar utilidade ao voto. Todos, somados, poderiam chegar a cinco dígitos. Imaginem só o ex-senador, ex-prefeito de Aracaju, ex-vereador de Aracaju, ex-deputado estadual, ex-Secretário de Estado da Saúde, Almeida Lima, fazendo parte daquele grupo de candidatos, agora desalentados em relação aos caminhos da politica que imaginaram trilhar. O fenômeno da portentosa rejeição que acompanha Almeida Lima, é algo que poderia inspirar algum sociólogo, ou cientista político a pesquisar melhor, para entender, e até formular uma tese para tal tipo de carraspana.

Se os votos assim, envolvidos nessas circunstancias nada estimulantes, forem direcionados ao Prefeito Edvaldo, o quadro se definiria com mais rapidez e precisão.

Com mais cinco a sete mil votos, Edvaldo vence no primeiro turno.

A cidade ganhará com isso, e Edvaldo terá mais tempo para cuidar dela neste período de fim de ano, onde, apesar da tragédia, é preciso não renunciar ao apelo das luzes que iluminam o Natal. O segundo turno, impropriamente invadiria novembro, até o seu ultimo domingo, e isso poderia até afetar o ritmo das compras. É uma avaliação que fazem agora os empresários do comércio, esperando neste fim de ano recuperar, em parte, as perdas que sofreram.

O eleitorado mostrou na pesquisa que não se contaminou pelos radicalismos em voga, por isso, leve, livre e solto, poderá fazer um remanejamento de voto.

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GO HOME DONALD TRUMP OU O REFLUXO DO EXTREMISMO

(Nos Estados Unidos travou-se a batalha democrática ela civilização. Biden e Kamala venceram)

Donald Trump foi o gangster que maior sucesso alcançou nos Estados Unidos , e, por via de consequência, em todo o mundo.

A história dos Estados Unidos está permeada pela ousadia de famosos gangsters, tanto daqueles da Camorra napolitana, como da máfia siciliana. As máfias expandiram-se durante os anos da desastrada “Lei Seca", que proibia bebidas alcoólicas, e os mafiosos ganharam milhões de dólares vendendo uísque clandestino e falsificado.

Trump herdou do pai uma fortuna, lesou os demais herdeiros. Este, mais um fato desprimoroso, surgindo nas recentes e explosivas biografias publicadas, inclusive, por parentes dele. Uma vida empresarial pontilhada de estripulias financeiras, negócios internacionais envolvendo chefes de Estado, corrupção, sonegação de impostos, tráfico de influencia, prostituição.

Trump, inegavelmente, tem todas as características de um mafioso, mas nenhum dos seus assemelhados, tais como, Lucky Luciano, ou Al Capone, este, preso sob acusação de sonegar impostos, sequer sonharia aproximar-se da posição que alcançou o bem sucedido canastrão, tornando-se o homem mais poderoso do mundo. Nenhum desses mafiosos imaginou utilizar-se dos meios de comunicação, aliás muito restritos no tempo deles, para criar uma imagem político-ideológica que os catapultassem para os embates da vida pública. No caso de Trump, uma espécie de “vida fácil", aquela que, ofensivamente , atribuem às prostitutas.

Donald Trump tornou-se âncora de um programa televisivo, The Apprentice, (O Aprendiz). Juntando mau gosto com opinião política, começou a divisar oportunidades para chegar ao poder, estimulando o radicalismo de extrema direita. Surgiria o ídolo, ou mito, para uma grande parte da população americana intelectualmente atrasada, carente de valores reais, e afetada por temores desconexos, assim, refugiando-se no preconceito e no ódio, sentindo -se envolvida no delírio de um permanente conflito. Por isso, cada vez mais necessita de armas, para que possa fingir um sentimento de segurança , quando a insegurança resulta, unicamente, da forma deturpada como enxerga o mundo.

Para eles o inimigo está em cada esquina, quase dentro do seu jardim. Esses inimigos são os negros, os imigrantes, os judeus, os intelectuais, os meios de comunicação, os costumes que se estariam depravando, e, por trás de tudo, insidiosamente, a conspiração dos difusos inimigos de Deus e da América, “os assassinos da liberdade.”

Essa “liberdade”, que Trump e seus seguidores tanto alardeiam, se resume à possibilidade de comprar uma metralhadora no armazém da esquina, ou de carregar cruzes ardendo como tochas. Ao invés de clarearem o denso obscurantismo, traduzem o ódio a exigir fogueiras humanas para ser aplacado. É o modelo redivivo da sociedade medieval, no que ela tinha de mais fanatismo , e desumanidade.

A eleição de Biden e Kamala Harris, em nada afeta o establishment americano, mas, reabre espaços para o pluralismo, homenageia a liberdade de pensar, avança rumo à permanência intocada dos valores democráticos, e do humanismo ; valoriza a cultura, reaproxima-se do conhecimento cientifico e do bom senso, e restabelece o diálogo entre as nações. Ou seja: devolve aos americanos o seu tradicional e civilizado “ way of life.”

E isso, já significaria uma grande reconquista civilizatória.

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ENTRE O JET SKY LIVRE E A PROPRIEDADE SAGRADA

(Projeto de Bolsonaro para o Brasil: Tratar o Jet-Sky que mata como um inofensivo velocípede)

Sobre Bolsonaro, disse Mourão, o sempre sensato general vice presidente : “ Ele fez curta carreira no exército. Por isso, muito jovem, dedicou-se ao cultivo do corpo, e, não progredindo na carreira, perdeu a oportunidade de cultivar o espírito.”

Em resumo: é um tosco.

Mas, apesar dessa debilidade intelectual , aquela carência de conhecimentos gerais, imprescindíveis para qualquer homem publico, seja ele vereador em Burkina – Fasso, ou presidente do Brasil, a verdade é que o nosso presidente não demonstra nenhum acanhamento em invadir diversos temas, e sobre eles emitir opiniões, invariavelmente conflitantes, e tantas vezes bizarras.

E sempre surpreende. Não exatamente pela concisão, pela coerência, ou pelo bom senso.

Num encontro sobre a “indústria sem chaminés", ele levantou a tese da importância do Jet-Sky para atrair cada vez mais turistas. Revelou sua fascinação pelo aparato aquático, só acessível, todavia, a uma parte minimamente restrita dos 210 milhões de brasileiros.

O presidente foi simplesmente genial, ao oferecer a grande dica para destravar o turismo , e atrair estrangeiros. Tudo muito simples: apenas desburocratizar o Jet – Sky.

É, incrível, ninguém atentou antes para a importância fundamental daquela máquina recreativa dos endinheirados?

O que pretenderia o presidente Bolsonaro? Simples, permitir que todos possam pilotar as motos aquáticas sem nenhuma exigência legal; de habilitação, por exemplo, e sem o perigo de receberem multas.

As praias se encheriam de locadoras de Jet – Sky, e quem quisesse navegar bastaria alugar um, declarando ser responsável e considerar-se habilitado. Isso seria o bastante. Basta, segundo o presidente, acreditar na palavra das pessoas. Ele prometeu falar com o comandante da Marinha para “aliviar a barra,” e acabar com tantos regulamentos.

Faz parte daquele consistente arsenal de ideias inovadoras que tem o presidente, a necessidade de suprimir regras e regulamentos, se possível leis, até mesmo aquelas clausulas pétreas que existem na nossa Constituição.

Essas questões legais, relacionadas ao meio ambiente, seriam tão somente penduricalhos inúteis, invenções de gente contaminada por ideias comunistas ou socialistas, e é preciso mesmo “ passar a boiada “, como apregoa de forma tão lúcida o ministro do meio ambiente.

Essa verdadeira explosão de criatividade, a começar pelo Jet- Sky, seria o prenúncio de um novo tempo. O presidente alega que se perdeu a grande oportunidade de transformar Angra dos Reis na Cancún brasileira. Seria preciso acabar, aqui no Brasil, aquela história caduca de preservação, e avançar sobre os santuários dos biomas marinhos, todos aliás protegidos pela nossa Força Naval, a Marinha Brasileira. Mais importante ainda, seria riscar dos procedimentos, todos aqueles excessivos cuidados , aquela “ ditadura “ do governo de Pernambuco em Fernando de Noronha, e lotar a ilha de turistas, sem esses entraves de regras impostas pelo IBAMA ou o ICM Bio, aliás, órgãos do governo vistos como absolutamente deletérios, mas, “infelizmente”, ainda não totalmente desativados.

Em Noronha esteve recentemente o filho senador. Os ministros do meio ambiente e turismo o acompanharam. Talvez estejam imaginando instalar, ali, empreendimentos tocados com dinheiro em espécie. Coisas parecidas com lojas de chocolate.

O presidente referiu-se à necessidade de ocupar a praia do Sancho com muitos Jet-Skys. Existe uma com esse nome em Noronha .

Estão mesmo dispostos a tomar a ilha que pertence a Pernambuco, desde que foi promulgada a Constituição de 1988. Mas, o que se poderá fazer num país de “maricas”, que fogem covardemente de uma gripezinha ? Teriam esses “maricas” coragem para cruzar o oceano, rumo à reconquista de Fernando de Noronha, ou de “queimar pólvora,” caso apareçam na Amazônia as tropas invasoras de John Biden?

No dia seguinte daquele instante memorável, em que se definiu um atualizado modelo de desenvolvimento turístico para o Brasil, o presidente fez ameaças dirigidas a integrantes do seu próprio governo. Referiu-se, quase pejorativamente ao Conselho da Amazônia, que é presidido pelo vice -presidente Hamilton Mourão, e onde se analisa a possibilidade de reprimir mais duramente, grileiros, desmatadores, garimpeiros, as quadrilhas que agem na imensa área verde.

Debateu-se a possibilidade da expropriação das terras ilegalmente desmatadas por seus proprietários, ou servindo como base para a rapinagem de garimpeiros, que envenenam os rios.

Bolsonaro soube daquela ” ousadia inominável,” enraiveceu, e logo disse que demitiria todos, menos quem fosse indemissível, no caso, o para ele incômodo vice, general Mourão, e afirmou pondo fim ao assunto: “ Para mim a propriedade é sagrada “.

O direito natural aproxima-se dessa tese de sacralização da propriedade, a declaração dos direitos em 1798, acolhe a ideia, mas, o próprio código civil de Napoleão, logo depois, define o direito à propriedade como “o uso amplo das coisas, desde que não se faça delas o uso contrário às leis “.

A Constituição brasileira clarifica as possíveis duvidas ao vincular a propriedade ao interesse social.

Os gigantescos crimes ambientais cometidos na Amazônia estão a exigir que se dê aos criminosos um tratamento idêntico aquele que recebem os traficantes, cujos bens são quase imediatamente confiscados.

O vice–presidente Mourão procura dar uma resposta às ansiedades do Brasil e do mundo, contendo a devastação, pondo fim às queimadas, e assim restabelecendo o nosso crédito ambiental junto a países desenvolvidos e sociais democratas, o Fundo Europeu para a Amazônia, desprezado por Bolsonaro, agora está nos fazendo muita falta.

Coisas assim, que exigem reflexão, comedimento, análise, estudo, interpretação política, não cabem na cabeça do presidente.

Aliás, dentro daquela cabeça , rodopiam os Jet -Skys.

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Luiz Eduardo Costa
Luiz Eduardo Costa

É jornalista, escritor e membro da Academia Sergipana de Letras e da Academia Maçônica de Letras e Ciências. Ambientalista, fundou o Instituto Vida Ativa que, dentre outras atividades, viabilizou em 18 anos o plantio de mais de um milhão de mudas da Caatinga e Mata Atlântica.

E-mail: lecjornalista@hotmail.com

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