TEXTOS ANTIVIRAIS (54) | Luiz Eduardo Costa | F5 News - Sergipe Atualizado

TEXTOS ANTIVIRAIS (54)
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 29/03/2021 19h28 - Atualizado em 29/03/2021 19h38

O CHÊ GUEVARA DE SIMÃO DIAS

(Hay que endurecerse pero sin perder la ternuna)

Faz mais de quarenta anos, “um galeguinho de olho azul” andava percorrendo os cafundós do seu município. Gostava de caminhadas, passando pela Feira da Rola, o Brinquinho, o Cipó de Leite, os povoados e as ruas da sua cidade, olhava aquelas casas antigas que pertenceram às famílias de barões; as propriedades vastas dos tradicionais pecuaristas, e tinha um olhar mais feroz sobre a herdade do Mercador, que pertencia então ao ex-governador Celso de Carvalho, um homem afável e de fino trato cavalheiro.

E dizia para si mesmo o Galeguinho: um dia, tudo isso será confiscado e pertencerá ao Estado.

A cidade era Simão Dias, o menino, este, adulto, que hoje governa Sergipe, Belivaldo Chagas, sempre chamado de Galeguinho. Ninguém, aquele tempo, suspeitava que a quase ainda criança, aparentemente inofensiva, guardava, por dentro, um sentimento intensamente subversivo de revolta e ódio à propriedade privada.

Já taludo, alisando os bancos de uma faculdade de direito, passou a concordar, inteiramente, com o filósofo Pierre Joseph Proudhon, aquele anarquista que cunhou a frase: “Toda Propriedade é um Roubo”.

Assim, tendo adquirido a fundamental e sintética base teórica, começou a organizar a práxis das suas ações revolucionárias.

Desprezava aqueles que preconizavam a mobilização das massas, ou a luta armada. Algo assim como o slogan de Regis Debray: “É preciso criar um dois, cem Vietnans”, absolutamente, não lhe entusiasmava. Tornou-se uma espécie de Chê Guevara às avessas, sem fuzil, e não acreditando no radicalismo daquela receita de encostar as pessoas ao paredão, fuzilá-las, e depois fazer o Estado apossar-se dos seus espólios. Ele engendrava uma estratégia mais sutil, essencialmente burocrática. Coisa aparentemente simples, mas, que Marx e Engels, ou mesmo Lênin, que iniciou a coletivização da Rússia, (para logo depois duvidar dela) nunca teriam imaginado.

O “Galeguinho de olho azul”, traçava seu rumo. Seria político, um dia, chegaria ao governo do estado, e, avaliando as circunstancias da época, detonaria o instrumento incrivelmente poderoso, algo que minaria, em definitivo, as bases da propriedade privada.

Dessa vez, acrescentaria ao seu ato uma sutileza que Fernando Collor não teve, quando, de uma só penada, confiscou todos os ativos financeiros de todos os brasileiros, desde o assalariado ao dono do Bradesco. Foi algo nunca visto no mundo, nem mesmo as revoluções comunistas vitoriosas, conseguiram, em tão curto tempo, expropriar o meio circulante.

O “galeguinho”, solerte inimigo da propriedade privada, traçava seus planos, teria ao seu lado um Procurador do Estado, alguém que poderia ser chamado Vinícius Thiago Soares de Oliveira, para dar respaldo de legalidade e eficácia, e não correr o risco de vir a cometer o mesmo erro de Collor, que confiou na capacidade da Ministra Zélia Cardoso de Melo, e ela depois nem sabia explicar o que fora feito.

As mesmas circunstancias político-sociais dificilmente se repetem, mas, podem ser resilientemente assemelhadas.

Hoje, há um clima de tumulto no Brasil, absurdos são tidos como coisas verdadeiras, asneiras são repetidas como mantras salvadores, muitos adoram um mito.

Nesse cenário, o Galeguinho, subversivo desde criancinha, e agora instalado no poder, teria imaginado: Chegou a minha hora, finalmente vou realizar o sonho, e o farei através de uma conspiração burocrática, emitindo um decreto onde será posto em recesso o direito à propriedade privada, e nesse ínterim, aquilo que é um roubo será devolvido ao Estado.

Vivêssemos em tempos normais, este texto aqui, tão irreal, tão fantasioso tão bizarro e ficcional, logo teria sido identificado como tal, todavia, hoje, corremos o risco de alguns ativistas cultores do absurdo e propagadores do caos, e até uma deputada irresponsável como é a Carla Zambeli, poderem concluir: Tá vendo o que nós dissemos? Alguém de Sergipe que conhece de perto do governador, escreveu um texto dizendo que ele é o Chê Guevara de Simão Dias, subversivo desde criança, comunista, e inimigo da propriedade privada, da religião e da família. E muitos outros, inúmeros até, iriam acreditar.

Mas os tempos são tão bizarros, tão desconexos, tão desbragadamente absurdos, que as vezes imaginamos não serem reais os dias que atravessamos.

Mas, desgraçadamente, esses são os tempos em que vivemos, ou lutamos para sobreviver, essas, são as nossas calamitosas circunstancias.

Quem se der ao trabalho de ler o decreto apontado como ameaça à propriedade, e cotejar com anteriores sobre o reconhecimento de calamidade pública, verificará que são idênticos, da mesma forma, também, decretos de outros estados, ou do governo federal que foram editados.

Então, fica a pergunta talvez ingênua: poderia, um humilde integrante da Federação como Sergipe, atrever-se a ultrapassar a Constituição Brasileira, e demolir um dos alicerces básicos da nossa estrutura econômica capitalista, que é a propriedade, e a própria iniciativa privada?

Mas o clima do bolsonarismo tumultuário favorece, ou mesmo fabrica invencionices. Aliás, o bolsonarismo se alimenta hoje, apenas, das inverdades que produz. Causam incalculáveis prejuízos ao país. E agem de forma absolutamente irresponsável.

Imaginem a sandice de uma acusação idiota ser acolhida por uma deputada federal, a indigitada Carla Zambelli, e espalhada como intenção terrorista pelo país? Qual a repercussão entre pessoas, empresários, turistas, que desconhecem as coisas de Sergipe?

Seria exatamente essa: Vamos nos afastar de Sergipe, por lá anda um governador amalucado.

Enquanto isso, os amalucados mesmo, estão devastando o país, haja à vista o agora defenestrado Ernesto Araújo. Graças à atuação vigorosa do Senado, da Câmara e dos próprios diplomatas.

Estranho que isso tenha acontecido exatamente com Belivaldo, um governante que tem procurado equidistância nesse entrevero ideológico, mantido relações normais e até amistosas com a Presidência da República, buscado cooperação, agido sempre em sintonia com o empresariado local.

Ou seja: agora, a insensatez será acolhida e a sensatez castigada.

O governador Belivaldo Chagas informou que vai processar a deputada Carla Zambeli.

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O NAVIO ENCALHADO NO SUEZ E O NOSSO ATOLEIRO HÁ DOIS ANOS

(O enorme navio encalhado no Suez desencalhou em seis dias, o Ernesto encalhou no Ministério e atolou o Brasil por dois  anos)

Roubaram muito na PETROBRAS, não há dúvidas. Quando começou a Lava Jato foi constatada a dimensão do assalto evidente, e que se chegaria logo ao ex-presidente Lula, pela sua responsabilidade direta na nomeação de tantos gestores gatunos, passando pela petroleira estatal. Seria, contudo, um processo mais longo, e sem a característica pesada de identificar peculato, diretamente praticado por Lula. Não conseguiram encontrar contas no estrangeiro do ex-presidente; não conseguiram encontrar as extensas fazendas; os aviões que apontaram como pertencentes aos seus filhos. E assim, a Lava Jato tomando um rumo evidentemente político, partiu com mais rapidez para prender o ex-presidente e torná-lo inelegível.

A Lava-Jato teve, inegavelmente, o mérito de ter enfiado a mão no buraco de tatú, antes inacessível, onde eram cevadas as grandes ratazanas da República.

Mas poderia ter punido os responsáveis, e preservado as empresas. Isso não foi feito, e muito mais, dezenas e dezenas de vezes mais, foi o prejuízo ao conjunto do país, do que os quatro bilhões de reais que a Lava-Jato diz terem retornado aos cofres públicos.

Assim, até hoje, pagamos o preço do assalto à PETROBRAS e das ações judiciais que inviabilizaram empresas como a Odebrecht, que tinha algo em torno de 250 mil trabalhadores. A crise econômica agravou-se, consequentemente, o emprego foi sumindo. Quem perdeu? Os trabalhadores, o povo.

As consequências estão sendo vividas duramente, até hoje.

Agora, vamos começar a fazer a avaliação de um outro desastre, o que há dois anos e três meses têm sido causado ao país pela atuação criminosa do ex-Chanceler Ernesto Araújo. O Wall-Street Journal, acaba de publicar em primeira página, uma matéria onde é afirmado que o Brasil é, hoje, um pária entre as nações. Ou seja: somos o lixo do mundo.

Claro, isso tem consequências, uma delas a dificuldade que encontramos para adquirir vacinas, a ausência de ações de solidariedade por parte de outros países.

O chanceler Ernesto Araújo, serviçal ao presidente, participava, risonho e alegre daquelas lives, ao lado do gargalhante ex-capitão, onde eram atacadas a China, onde se ofendia a mulher do presidente francês, Emanuel Macron, e eram agredidos outros chefes de Estado, e instituições internacionais; isso culminou, por fim, com a posição ridícula que o governo brasileiro assumiu em relação à eleição nos Estados Unidos, quando o “inimigo” Joe Biden venceu, e é hoje presidente do país mais poderoso do mundo. Com a China a coisa foi até pior, isso, sem falar na ausência de falta de respeito a chefes de estado, aqui, nossos vizinhos.

O resultado disso tudo é a situação crítica que estamos atravessando, quando o país perdeu completamente qualquer conexão com o resto do mundo.

Se forem somados os prejuízos econômico-financeiros e os outros impagáveis, porque são vidas humanas, a soma será astronômica.

Quem seria responsável por tudo isso? Só o chanceler? E quem o mandou fazer ficaria incólume, apesar do crime de responsabilidade, que é evidente, e muito maior do que aquele que poderia ser imputado ao ex-presidente Lula?

Os fatos vindouros irão dizer, e que aliás ficam mais imprevisíveis ainda, após a exoneração pelo presidente Bolsonaro do Ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo Silva, punido, talvez, pela sua integridade pessoal e profissional, ao tentar preservar as Forças Armadas da deletéria contaminação política.

Em tudo isso surge uma imagem emblemática, e muito sugestiva: a daquele navio enorme que levou apenas seis dias para ser desencalhado no canal de Suez, e a incerteza sobre a duração desse atoleiro em que nos metemos há mais de dois anos.

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