TEXTOS ANTIVIRAIS (58) | Luiz Eduardo Costa | F5 News - Sergipe Atualizado

TEXTOS ANTIVIRAIS (58)
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 21/04/2021 20h49 - Atualizado em 21/04/2021 21h24

DO ECONOMISTA SUECO À HUMORISTA CEARENSE

(A humorista cearense dá uma lição sobre como vencer a crise)

Myrdal foi um economista sueco e famoso em todo mundo. Ele começou a tratar com amplitude científica a questão da pobreza existente na maior parte do planeta. Surgiu, na época, década dos cinquenta, a definição que passaria a abranger todos os países não participantes do festim da riqueza, naquele tempo, concentrada quase exclusivamente na Europa e Estados Unidos. O Japão ainda se reconstruía, curava as feridas da guerra, entre eles as mais terríveis causadas por duas bombas, uma lançada em Hiroshima outra em Nagasaki; foi a hecatombe japonesa, e sobre as dezenas de milhares de mortos, os americanos anunciavam ao mundo que já tinham um arsenal capaz de riscar do mapa cidades inteiras em questão de segundos.

O quase arrasado Japão já entrava, sem convite, no mundo dos mais ricos. Do outro lado do mundo a arrasada Alemanha fazia o mesmo. Além da qualificação do seu povo, os japoneses receberam portentosas injeções de dólares, e vieram indústrias estrangeiras, e se recuperaram as indústrias japonesas. Na Alemanha, e França principalmente, o Plano Marshall fez ressurgir uma nova Europa, e nisso tudo os Estados Unidos surgiam como uma incontestável hegemonia econômica e militar.

Contrastando os fenômenos japonês e alemão, sem a ele se referir, com os países já classificados como subdesenvolvidos, Myrdal consolidou a sua teorização da pobreza planetária, dando ênfase ao capital humano como fator de transformação. No Terceiro Mundo, o subdesenvolvido, este capital não existia, daí a sua incapacidade de transformar estruturas, de livrar-se das heranças colonialistas, de sepultar privilégios e energizar o salto além do gap desprimoroso da pobreza aviltante, e, sobretudo, de várias formas esquecida ou ocultada.

O pensador sueco, tal e qual já fazia no Brasil um outro pensador com mais acuidade social, Celso Furtado, determinou as causas do subdesenvolvimento, e em torno disso criou toda uma teoria que passou a gerar polos antagônicos no pensamento econômico. O mundo vivia uma fase de polarização entre comunismo e capitalismo, e ideias não ortodoxas geravam incômodos, tanto de um lado como do outro.

Em síntese, a superação do subdesenvolvimento, segundo Myrdal e com a concordância de Celso Furtado, consistia na ruptura do círculo fechado e vicioso da pobreza. Enquanto o lado rico acumulava capital, a parte subdesenvolvida acumulava obstáculos, que eternizavam a fatalidade da miséria.

Lógico, como não poderia deixar de ser, o tema foi rapidamente envolvido no turbilhão da batalha ideológica dominante.

Mas, enquanto isso, os países que superavam o subdesenvolvimento, mesmo inseridos no bloco capitalista, demonstravam que houve a necessidade de romper paradigmas esclerosados.

O modelo melhor sucedido na área da livre iniciativa, foi exatamente aquele onde o Estado, sem tendência autoritária, nem intervencionista ou excessivamente estatizante, aportou recursos, humanos, com a Educação, e financeiros ou fiscais como aportes para o crescimento e multiplicação de empresas, além de cuidar da indispensável infraestrutura.

Era a ruptura do círculo vicioso do subdesenvolvimento, a imagem gráfica que Myrdal fizera da roda da pobreza girando no mesmo e único eixo de necessidades coletivas.

Não há outra saída para crises sem a presença do Estado. Isso aconteceu em todas as grandes economias do mundo, a começar pelos Estados Unidos, com o New Deal que Roosevelt colocou em prática, mirando-se na eficaz receita do inglês Lord Keynes. O austero aristocrata até exagerou: “Nas crises, cavar buracos para depois tapá-los pode ser eficaz, desde que gere empregos.”

Então, aqui entra a outra receita desta humorista, cuja foto e áudio juntamos a este texto. De forma jocosa e ao mesmo tempo simploriamente convincente, Rosiclea demonstra como fazer a moeda girar. Em torno disso seria possível elucubrar teorias, mas, deixemos de lado essas tentações, apenas, para constatar o óbvio: Ao invés de distribuir recursos de um orçamento mambembe com os parlamentares, e que serão espalhados de forma capilarizada pelo país, isso, na melhor das hipóteses, o governo federal poderia construir com o Congresso, com os governadores e prefeitos um pacto, para somar a estes recursos das emendas, outros, que o Executivo, Estados e Municípios alocariam a um Plano Nacional de Desenvolvimento, priorizando setores para investir na infraestrutura, e salvando da falência empresas que foram abandonadas, depois de um apoio intermitente. Isso feito, e é possível fazer, desde que haja liderança, articulação internacional, limpeza asséptica da nossa imagem deteriorada, e, sobretudo, vontade politica e capacidade para exercê-la, teríamos, então, uma imediata geração de empregos e o alívio desse clima de tensão permanente em que vive o país.

Isso não foi nem jamais será feito pelo atual governo.

Assim, só nos resta ouvir as risíveis estórias da humorista cearense Rosiclea, e lamentar porque, tanto a ela, a quem não se dá maior importância, como a Myrdal, Furtado ou Keynes, da mesma forma, tudo isso, talvez, pelo nosso subdesenvolvimento político e civilizacional, que não revela capacidade para enxergar o que é quase óbvio.

Enfim, estamos a espera de um Estadista. Quanto mais cedo ele chegar, menores serão as nossas agonias.

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A PANDEMIA E AS BOAS AÇÕES

(As boas ações, as iniciativas e a generosidadesurgidas na sociedade, darão a nota exemplar a este nada exemplar período de pandemia e turbulência política pré-fabricada)

Felizmente, são poucos os brasileiros que fazem pouco caso da pandemia, ou nela não acreditam. Menos ainda, aquele naipe perverso dos que riem e até fazem bizarras imitações de um doente, sofrendo intubado num hospital, ou tentam desqualificar as vacinas, advertindo, estupidamente, que os vacinados podem virar jacarés. Esses, se nem param um instante para reverenciar os 375 mil mortos, cifra que cresce a cada dia, não demonstram, também, qualquer forma de solidariedade aos que agora estão cada vez em maior número passando fome.

Deploravelmente, existem brasileiros que se incluem nesse grupo feroz e turbulento, formado por pessoas que não são intrinsecamente más, todavia, perderam por algum tempo a sintonia com a sensatez e o sentimento humano. Mas, em breve, recuperarão a sensibilidade humana.

A grande maioria dos brasileiros se dedicou a adotar, individual e coletivamente as regras estabelecidas pela ciência, para não acabar sendo mais uma cifra na trágica relação das vítimas fatais do covid.

Paralelamente ao sofrimento, há uma corrente de solidariedade que se amplia, uma seleção de bons exemplos deixados por pessoas e instituições, dedicadas a criar, a propagar exemplos, a fortalecer o sentimento de solidariedade.

Cresceram as iniciativas, partidas dos diversos setores da sociedade, para incentivar as doações e transportar alimentos até os locais onde mais se pode encontrar famílias sem alimento nas suas casas.

Nos vários pontos de arrecadação se pode constatar que o brasileiro é generoso, e não se deixa enclausurar no egoísmo indiferente, ou na despreocupação suicida como sugerem alguns.

Quem percorrer durante as madrugadas, ou talvez apenas chegar à sua janela, nos bairros de Aracaju, os mais ricos preferencialmente, notará que há muita gente buscando as sobras daquelas casas, prédios, comércios, onde é farto o alimento, onde há coisas que se tornam úteis para quem nada tem, e estes desprovidos de tudo estão a catar restos nas latas de lixo, inclusive. Outros, se equiparam melhor, conduzindo carrinhos, ou carroças puxadas a burro, vão apanhando os objetos maiores, e com o que conseguem amealhar nas jornadas madrugada à dentro, juntam os parcos reais e não deixam os filhos morrerem de fome. Tudo piorou nesse interregno insensível de quatro meses, quando do governo federal nada saiu para amenizar a fome. Foi a sociedade que se mobilizou, foram assalariados, empresários, muitos até bastante generosos, que evitaram mais mortes por fome se acrescentando aos que são levados pela pandemia.

Mas, não só na área social se notam esses bons exemplos, nas universidades, nos centros de pesquisas, brasileiros estão criando, inventando coisas, contribuindo, com o conhecimento, para amenizar a dor dos que sofrem.

O setor cultural e artístico não se rendeu ao medo e ao completo isolamento. Há gente escrevendo, pintando, criando, ousando, fazendo arte, compondo músicas, e escrevendo livros, poemas, teses, dissertações, revelando a vida que existe, e resiste. Nas Academias a produção tem sido vistosa, e na Academia Sergipana de Letras, comandada com entusiasmo permanente pelo professor Anderson Nascimento; na Academia de Medicina, na Academia da Educação, surgem iniciativas, surgem os produtos da inteligência que não se deixa contaminar pela pandemia, e pelo clima politico assustador. São livros, artigos, lives produzidas por acadêmicos e médicos como o Dr. Souza, que contribuiu para reduzir o obscurantismo cercando a pandemia; o professor escritor e padre José Lima, que cultiva as almas e também suculentas jaboticabas; o ex-governador e senador Albano Franco, com suas lições sobre negócios e administração pública; o médico e político em tudo exemplar Chico Rolemberg; o conselheiro e escritor Carlos Pinna, o politico e advogado que já ocupou quase todos os cargos possíveis, eletivos, ou não, Gilton Garcia, o memorialista e doutrinador Murilo Mellins, o polígrafo Antônio Porfírio, um outro polígrafo, Claudefranklin Monteiro; os médicos professores, e artistas também, Lúcio Prado Dias e Paulo Amado, Domingos Pascoal de Melo, escritor, semeador de livros e de Academias, o economista, escritor e músico Marcos Melo, o romancista Antônio Saracura, o heráldico professor Luiz Ribeiro Soutelo, a jurista, e desembargadora Clara Leite Rezende, as escritoras Luzia Nascimento, Jane Nascimento e Marlene Calumby, o estreante Guilherme Nascimento, e tantos outros, que contribuem para que a pandemia não se transforme mais ainda numa pasmaceira aterrorizante.

E, vez por outra, nos surgem excelentes surpresas, como a descoberta de um grande personagem sergipano que tem sido há muito tempo posto em esquecimento. Trata-se de Manoel Luiz de Azevedo, Este cidadão fez, no século 19, coisas incomuns e meritórias no terreno da educação pública. Era lembrado apenas pelo modesto colégio publico no bairro Cirurgia. Agora, depois que numa live da Academia Sergipana de Educação, o ex-Reitor, este, que, com toda a magnificência poderá ser chamado de Magnifico, o professor e cientista José Lima, fez uma palestra onde revelou a vida e a obra de Manoel Luiz Azevedo D`Araujo.

Jorge Carvalho do Nascimento, o professor e militante permanente da cultura e da educação, criador da Academia, completou a exposição de José Lima, junto com as interferências do professor e escritor que se fixou em Sergipe para reforçar o trabalho de clarificação do sistema educacional publico de ensino, o francês Bernard Charlot; o professor e Juiz Anselmo Oliveira, o Conselheiro Carlos Pinna de Assis, Anderson Nascimento, presidente da ASL; e as professoras Yara Campelo, Jane Guimarães, Cecília Tavares, secretaria de educação de Aracaju. Estes, fizeram uma espécie de chave de ouro.

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