TEXTOS ANTIVIRAIS (64) | Luiz Eduardo Costa | F5 News - Sergipe Atualizado

TEXTOS ANTIVIRAIS (64)
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 03/06/2021 21h13 - Atualizado em 03/06/2021 21h16

QUANDO AS COISAS ACONTECEM

(Ao encerrar suas atividades em Sergipe a Petrobras nos  causou um enorme prejuízo. A reabertura da FAFEN, agora UNIGEL é um recomeço, mas estamos entendendo que é preciso descobrir outros caminhos)

As coisas acontecem a partir de estímulos. Tanto as ciências da natureza como as humanas, tratam de conhecer definir e sistematizar a relação de causa e efeito na origem dos fenômenos naturais, ou sociais e humanos.

Observa-se, a partir dos fenômenos tanto da natureza como aqueles no cenário humano que existe um processo permanente de movimento, ou evolução transformadora.

Em tempos assim, quando controvérsias que teriam sido esgotadas na Idade Média ressurgem como temas atuais, o essencial é não se deixar infectar pelo vírus da insensatez, ou o desafio cotidiano à lógica, que deforma a convivência humana.

O capitalismo é, em si mesmo, um motor permanente de mudanças, renovação, e processos de ajustes. Isso, não se faz com as camisas de força da rigidez ideológica. Se faz, apenas e tão somente com pragmatismo, a aceitação do útil, conveniente e oportuno, numa linha paralela às circunstancias sociais, e diálogo sem preconceitos.

Então, é essencial que a sociedade, as instituições, busquem encontrar-se com aqueles estímulos necessários para que a economia se mova.

No caso de Sergipe, por exemplo, questiona-se o que seria possível fazer diante desse solavanco inesperado que nos causou a perda de todo o sistema industrial da Petrobras, operando aqui há mais de 60 anos.

Em artigo escrito na edição do JORNAL DA CIDADE de domingo, dia 30, Marcos Melo, fazendo uma análise do livro recentemente lançado sobre o governo de Luiz Garcia, lembrou, como economista, e tendo nos governos de Augusto Franco e Albano comandado o planejamento do estado, que, no ano de 1963 quando o petróleo foi descoberto, a participação da indústria no PIB sergipano andava em torno de 14 %; trinta anos depois essa inserção chegava a 40%. Marcos atribui o fato aos efeitos diretos e indiretos da atividade petroleira.

Quais então os estímulos que deveriam surgir, tanto para retomar as cifras anteriores da industrialização, como para expandir os demais setores, sem ficar esperando apenas, pela anunciada era sergipana do petróleo e gás ?

É bom constatar: faz algum tempo, esses estímulos aliás muito consistentes já estariam surgindo.

Um dos fatores básicos para que esse clima favorável, apesar do desalento da pandemia tenha surgido, foi, entre outras coisas o diálogo permanente do governo de Belivaldo com o setor empresarial, e nisso o acompanha tanto a Prefeito de Aracaju, como os de muitos municípios, e toda a base política que mobilizou-se, principalmente a partir das desastradas ações de fechamento da FAFEN, com efeitos devastadores sobre o polo de fertilizantes.

O surgimento do NDS, um núcleo de pensamento e ação que mobiliza o empresariado, tem sido fundamental para estimular e formatar iniciativas privadas, e sugerir políticas públicas.

Agora, a UNIGEL ocupa o espaço deixado pela FAFEN, amplia a produção e gera os insumos que começam a energizar o polo, onde uma das principais fábricas, a da Hering, anuncia o retorno às atividades.

Os estímulos se fazem sentir em vários setores. No caso do turismo por exemplo, surgiram ações concretas resultantes do profissionalismo reinstalado na secretaria de estado, onde Sales Neto fez a diferença.

A Sergipe chegou um professor, criador de uma Universidade no semiárido baiano, a AGES, que em Paripiranga, onde tudo começou com uma escolinha, tem muito mais alunos do que a população da sede municipal. Ele assemelha a um outro professor, Jouberto Uchoa, menino pobre, que criou um complexo de educação superior a UNIT, em pé de igualdade com as maiores e melhores universidades do país e hoje chegando ao exterior. José Wilson, o pedagogo que se fez Reitor da sua Universidade, como empresário queria mais horizontes. Vendeu a AGES e veio morar em Aracaju, onde estudou, e agora faz uma quase revolução no turismo, com empreendimentos que desafiaram a pandemia, e já estão prontos a funcionar. Zé Wilson “descobriu” o estuário alargado do Vaza Barris, da mesma forma como Manuel Foguete há quase trinta anos foi “desbravando” o recém criado lago de Xingó, e fez nascer o segundo polo turístico de Sergipe, concorrendo com Aracaju. Por sinal, para abreviar o trajeto de 200 quilômetros desde Aracaju a Canindé, que se faz penoso por causa dos 112 quebra-molas, desde o entroncamento em Itabaiana até a chegada ao Karrancas, Belivaldo, quando fizer a readequação da Rota, após as chuvas, terá de imaginar o que fazer, ou seja, pelo menos reduzir pela metade os obstáculos, uma reclamação permanente dos turistas submetidos ao acelera – desacelera. No caso dos ônibus, isso retarda a viagem em mais 30 minutos. Sem falar no combustível que se queima.

Surge mais um roteiro: a Rota da Farinha, exatamente pelo entorno da Grande Itabaiana, onde existem algo em torno de mil fabriquetas, as “casas de farinha”, produzindo a de melhor qualidade no país, e há serras, cachoeiras, natureza exuberante; ao lado disso, os estímulos ao empreendedorismo, ao fortalecimento do pequeno, do microempresário. E sobre isso Itabaiana não para de transmitir boas lições.

A inauguração da primeira etapa da Orla Sarney readequada e ampliada, deu, de imediato, um efeito salutar, com as pessoas ali se movimentando, aproveitando a ciclovia, o calçadão, os equipamentos, e a amplidão do mar e da praia. Passada a pandemia aquilo vai encher-se de turistas e é preciso lembrar também que a Orla encompridando-se ao sul, dará uma nova e atraente visão ao turista que vem ao longo da Linha Verde, desde Salvador, até onde já se anuncia pretende-se criar uma extensa ciclovia que será a mais longa do país e, por isso se tornará uma referência para um esporte que cada dia mais se expande: o ecológico ciclismo, também transporte individual adequado aos anseios ambientalistas.

Ao lado da Rota da Farinha, em pequenos municípios como Santa Luzia do Itanhy, estão surgindo experiências inovadoras. Certamente, a inspiração de coisas assim partiu, também, dos estímulos nascidos no NDS. E isso demonstra que a sociedade mobilizando-se, o governo sintonizado com o empreendedorismo a roda dos negócios rodará.

Há também aquelas iniciativas pontuais, como a corrente de solidariedade para providenciar alimentos, juntando no mesmo caminho tanto o pobre remediado, como o rico abastado.

Outras ações solidárias, como o exemplo do empresário Juliano do Grupo Fassouto, dando prazo aos seus clientes de menor porte, como pequenos bares e restaurantes, e a eles mantendo o crédito, são, aparentemente, uma agulha no palheiro mas, na realidade importam, e muito.

Aproveitando o ressurgir da economia planetária, será plenamente possível que o Brasil ao longo dos próximos cinco anos recupere pontos perdidos no ranking das maiores economias. Mas isso apenas será factível se houver crescimento e inclusão social.

 

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