TEXTOS ANTIVIRAIS (66) | Luiz Eduardo Costa | F5 News - Sergipe Atualizado

TEXTOS ANTIVIRAIS (66)
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 04/07/2021 21h50 - Atualizado em 04/07/2021 21h53

ENTRE SUJOS E MAL-LAVADOS

(O Zé Dirceu de Bolsonaro)

Mito é substantivo traiçoeiro. Pode significar maravilha, deslumbramento, virtuoses, e também falsidade, farsa, mentira e engano. Assim, é preciso muita sensibilidade para conviver com palavra tão escorregadia. Não basta saber lidar criteriosamente com a semântica, aquela parte da gramática que cuida do significado do termo, isoladamente, ou no contexto da frase.

É preciso ter muita cautela em relação às mensagens, à carga de emoções, aos sentimentos que as palavras potencializam. Tanto as religiões como as ciências ocultas têm as suas palavras-chave, suas expressões cabalísticas, que se fazem enigmas, ou ocultam mistérios.

E fazem mover as multidões.

Quando se desenha a imagem, ou se faz a escultura de algo a que se define como um mito, a intenção é criar na sociedade um largo espaço para a “mitolatria”, ou seja: a reverência e adoração ao mito. O culto à personalidade pela mais degradante forma de associação com uma “força divina”, ou uma “predestinação” traçada do alto pelas mãos de um deus, ou de potestades equivalentes.

Transforma-se o mito no instrumento usado por um ser supremo para, em nome dele, agir e comandar os povos.

Os povos selvagens criaram os seus mitos a partir da visão primitiva que tinham da terra, do firmamento, e dos fenômenos que se registravam ao seu redor.

As sociedades contemporâneas também, desgraçadamente, os erigiram. Hitler foi um mito, Stalin da mesma forma. Hitler, teria sido “o destino da Alemanha” segundo um dos seus generais depondo no Tribunal de Nuremberg. Stalin, segundo os seus fascinados seguidores, no momento em que o renegaram, teria sido a “consequência de um equivocado e maléfico culto à personalidade, levado ao paroxismo dos extremos”.

Os mitos e a “mitolatria“ não se desfazem facilmente, mesmo quando se constata por todas as evidências que o mito não passa de uma imagem equivocada, de uma suposta virtude, ou vontade criadora; ambas inexistentes. Pior ainda, quando se descobre que o mito, sendo imagem ou escultura, em ambos os casos não tem, no seu arcabouço humano, nenhuma das qualidades ou conteúdo ético, imaginando-se que nunca seriam, sequer tisnados, pela lama malcheirosa das tenebrosas transações, teórica e mentirosamente expurgadas definitivamente pelo mito, limpo, soberbo, incorruptível.

Mais uma vez comprova-se que a tentativa de erigir ou pintar mitos, é tarefa tão inútil, quanto decepcionante.

Vem de longe, da sabedoria de séculos, que construir mitos, é perder tempo e lançar ao lixo as mais nobres esperanças. Na Bíblia, mais precisamente no Velho Testamento, há uma sonora advertência dirigida à falsidade dos mitos construídos sobre pés de barro.

No nosso caso brasileiro, os pés de barro do mito duraram pouco tempo, sustentando o peso enorme do engodo.

No meio da malcheirosa peleja de sujos e mal-lavados, descobre-se que a lama corrosiva do peculato subiu à rampa do Planalto, às escadas do Alvorada, ao Ministério da Saúde, colada, na sola dos sapatos, dos que por ela sempre chafurdam, e se aproximam ou comandam, portentosos negócios da República.

Na Bíblia, conta-se a história do ídolo, ou mito que construíram, para torná-lo objeto de idolatria, e aos seus pés se ajoelharam, e a ele renderam homenagens e levaram tributos. O ídolo enorme tinha cabeça de ouro refulgente, peito de prata brilhante, e pernas de ferro. Era soberbo e impressionante, mas nem se notava que os seus pés era de barro. Então, do alto de uma montanha rolou uma pedrinha, foi ganhando velocidade, causou uma pequena avalanche que atingiu os pés de barro e o ídolo desmoronou.

No nosso caso brasileiro, é a lama dos piores e mais resilientes vícios, ou crimes da “pátria amada Brasil”, que sobem aos Palácios, por onde transita o mito, e os seus pés estão manchados, e a lama que vai sendo revelada.

Um cabo da Polícia Mineira que representa uma empresa fictícia, quer vender 400 milhões de vacinas, e coronéis acólitos de Pazzuelo, o “puta de um gestor”, segundo o mito, se apressam a fazer empresas, para, ao lado de uma ONG desconhecida de um pastor malandro, fazerem as triangulações exigidas pela negociata. Enquanto se aproximava o número de 400 mil mortos pela pandemia, essa corja de malfeitores, que se tornaram gestores da coisa pública, tramava comprar 400 milhões de doses, e pagando um sobrepreço, dele retirariam um dólar de cada imunizante vendido pela Astrazeneca, Ou seja, embolsariam com o dólar ao preço de cinco reais, só para efeito de cálculo, nada menos do que DOIS BILHÕES DE REAIS.

Desde quando negócios deste porte, são feitos por cabos, coronéis e pastores representantes de empresas apenas de fachada, debaixo das barbas de um Ministro que o mito nomeou e exaltava a sua competência?

Desde quando um presidente, tomando conhecimento de fatos dessa natureza, passa três meses até mandar demitir os homens de pés na lama, e não toma, de imediato, rigorosas providências, acionado por ofício a Polícia Federal, a Controladoria Geral da República, e não leva o fato ao conhecimento do Ministério Público, e, ao fato, dando transparência através da publicidade, e a eles dando acesso à imprensa?

O que se pode imaginar é que os pés do mito deslizam sobre a lama.

Por coisas assim, dessa incrível dimensão, por ilícitos assim, tão gigantescos, é que a revista ISSO É, desta semana, exibe a capa emblemática, e que ilustra estes comentários constrangidos, pois, afinal, a “pátria amada Brasil” não é um feudo do mito, e dos seus adoradores, mas, a pátria espezinhada e traída, de duzentos e doze milhões de brasileiros.

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