TEXTOS ANTIVIRAIS (68) | Luiz Eduardo Costa | F5 News - Sergipe Atualizado

TEXTOS ANTIVIRAIS (68)
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 19/07/2021 21h02 - Atualizado em 19/07/2021 21h09
 

CUBA SÍ, YANKEES NO”

(Sob o peso da implacável repressão o povo cubano aprende o caminho das ruas)

Barbudos e esmolambados, amontoados em caminhões e exibindo fuzis, entraram aclamados pelas ruas de Havana. Emblematicamente, era dia primeiro de janeiro de 1959. Havia sensação de ano novo misturada com aquela outra mais concretamente sentida ou sonhada: a de uma vida nova.

Do aeroporto, no outro lado da cidade, decolavam às pressas alguns aviões. Os passageiros apareceram como ratos que fugiam. Levavam amontoados pertences, entre eles os sacos com o dinheiro surrupiado dos cofres da República cubana.

Muitos estavam bêbados, e entre eles um gorducho e seboso sargento do exército, ou milícia cubana, que há algum tempo era o ditador todo poderoso: o execrado assassino e assaltante Fulgêncio Batista.

Batista começou a surgir na tumultuada cena politica de Cuba em 1933, quando assumiu o poder liderando uma “revolta dos sargentos”. Saiu do poder e retornou, outra vez foi deposto, em 1952 liderou um golpe, e a partir de 1957 começou a enfrentar a guerrilha liderada por Fidel Castro, iniciada com menos de cem combatentes vindos do México no iate Granma, e quase exterminados logo ao desembarque. Os restantes refugiaram-se na Sierra Maestra, desceram à planície, foram encontrando apoio e adesões, e tomaram o poder dois anos depois.

A revolução vitoriosa, começou apenas com uma tendência reformista e moralizadora, mas, promoveu um banho de sangue. Semanas a fio a população de Havana acostumou-se com o som dos tiros abafados pelas paredes grossas da fortaleza de La Cabana.

Só o jovem médico argentino Ernesto Che Guevara comandou, pessoalmente, mais de mil e quinhentos fuzilamentos, após julgamentos sumários, públicos e tumultuários.

Apresentava-se ao mundo um herói revolucionário, justiceiro para uns, carniceiro cruel para outros.

Diante de uma América Latina avassalada pela miséria, e submissa à prepotência do “irmão do norte”, Guevara, com o corpo destroçado pela asma e o enfisema pulmonar, encarnou a ideia de uma libertação pela força das armas. E o “paredón” o muro onde encostavam os que seriam executados, transformou-se no arquétipo a ser imitado pelas revoluções sociais vitoriosas.

Havia muito sonho, ilusões, e imperdoáveis equívocos, ou crimes.

Numa conversa que Guevara manteve no Cairo com Gamal Abdel Nasser, ele perguntou ao líder de uma revolução que percorria o mundo árabe, por que os “inimigos do povo”, no Egito, não eram exterminados como se fazia em Cuba, e ouviu a resposta que o deixou mudo: “Eu quero exterminar os privilégios de uma classe, não os seus integrantes”.

Cuba, uma quase possessão americana (a emenda Platt inserida na sua Constituição em 1902, admitia intervenção dos Estados Unidos em caso de necessidade) apresentava, contudo, cifras de desenvolvimento social só superadas na América Latina pela Argentina, Uruguai e Costa Rica. A ilha fascinante do Caribe, recebia um crescente fluxo de turistas, 80 % de americanos, e era, nas palavras mais incisivas de Eduardo Galeano, um enorme lupanar lucrativo, onde se misturavam, tráfico, jogatina, contrabando, prostituição e lavagem de dinheiro. Ao lado disso, a economia cubana sustentava-se nas 57 grandes usinas açucareiras, cuja produtividade decrescia, mas, havia a garantia de uma quota permanente de exportação para os Estados Unidos.

Nos meses iniciais da Revolução, Ramos Latour-Daniel - combatente e teórico de um modelo de economia capitalista com independência externa entre os dois colossos que polarizavam o mundo, definiu Fidel Castro como um “burguês comunista”, e censurou o Che por ter dito que a solução para tudo estava por trás da “Cortina de Ferro”. As hesitações do líder maior se diluíram uma vez por todas, quando Kennedy autorizou a aventura desastrada da invasão de Cuba por uma tropa de 1500 cubanos refugiados em Miami, com apoio da CIA. Desembarcaram na Playa Giron, e foram rapidamente destroçados pelo que restara do exército cubano, e os milhares de milicianos armados com fuzis HK, soviéticos, a eles entregues por Raul Castro.

Pouco depois, Fidel, ao cabo de longas conversas em Moscou com o Primeiro Ministro Kruchev, e o chanceler Mikoyan, retornou a Cuba e declarou-se marxista-leninista.

Guevara então proclamou: “Nossa ilha socialista está poderosamente protegida pelos misseis da União Soviética, a maior potência militar do mundo”.

Surgiu, então, a consigna logo espalhada pelo planeta: “Cuba si Yankees no”.

A frustrada invasão aconteceu em abril de 1961. Quatro meses depois, em agosto, Che Guevara descia no aeroporto de Montevideu a caminho do balneário de Punta del Leste, onde se realizaria uma conferência interamericana. Os que foram recebê-lo já portavam os cartazes: “Cuba sí Yankees no”. Mais de 62 anos depois eles permanecem nos protestos antiamericanos, hoje, menos intensos, mas, em Cuba, esmagada pelo absurdo bloqueio que a potência vizinha lhe impõe como castigo, a frase nunca desapareceu, e está em cartazes ao longo das estradas, e em todos os edifícios de Havana; e a cada dificuldade que o regime enfrenta ela ressurge, numa tentativa de manter, três gerações depois, o mesmo clima de furor revolucionário dos dias iniciais. Nenhum fervor de consciência revolucionaria ou simples ódio, poderá resistir ao ferrugem dos 62 anos.

Menos ainda, quando se constata, tanto tempo depois, inteiramente irrealizadas aquelas fulgurantes promessas que a retórica engalanada do Che, em Punta del Leste, fez surgir, diante de uma plateia onde estavam todos os Chefes de Estado da América Latina, e o verdadeiro dono da festa, o embaixador americano Douglas Dillon, nada crédulo.

Guevara vislumbrava maravilhas, como um crescimento da economia cubana a índices impensáveis de dez por cento ao ano, o que contrastava com a crise que o país atravessava, por absoluta ineficácia das medidas revolucionarias adotadas, entre elas a coletivização das terras, e o confisco de empresas estrangeiras, que, na falta dos técnicos abandonando o país não funcionavam, enquanto começava a surgir, com toda a imponência exigida pelo Estado totalitário a burocracia desproporcional, cujos tentáculos agigantados e intrometidos, vão, desde a banca de jornal até os cabarés.

Guevara, o planejador, queria exportar açúcar e charutos para o mundo, mas não permitia que entrassem em Cuba os cigarros estrangeiros, os tênis, e a Coca-Cola.

O regime cubano sobrevive até hoje, pelo funcionamento, este sim, eficaz, da sua rede de inteligência ao extremo bisbilhoteira, da qual não escapam um só cubano ou estrangeiro, mesmo os inofensivos turistas, mais atentos aos requebros sensuais das cubanas do que aos cartazes assustadores: “Sean los ojos y los oídos de la revolucion”. Um convite para que todos os cubanos sejam desconfiados um dos outros, e se espionem mutuamente. Em suma: uma sociedade subjugada e destituída de caráter.

Nesses 62 anos de ausência de cidadania e liberdade, todas as conquistas na área da educação, da ciência e do esporte, representam muito pouco, diante dos sacrifícios impostos à população.

Costa Rica, pequeno e exemplar país da América Central, com democracia plena, sem forças armadas, um gasto desnecessário (no caso de países miúdos e sem inimigos rondando suas fronteiras) apresenta invejáveis índices de qualidade de vida, de zelo ao meio ambiente, de respeito aos direitos humanos.

Enquanto na Costa Rica um movimento anarquista liderado por um médico, publicava na cidade de Alajuela um jornal onde defendia suas ideias, sem nunca ter sido reprimido, na mesma época, virada dos anos cinquenta para os sessenta, a revolução cubana criava o “Campo de Trabalho”, versão aliviada, todavia indecente, dos campos de extermínio nazistas. Era o Guanahacabibes para aonde foram mandados dissidentes, intelectuais, empresários, homossexuais, e nos anos oitenta, os aidéticos também lá eram confinados.

Há, infelizmente ainda, no Brasil, setores da esquerda que perdem a autoridade para criticar as investidas autoritárias de Bolsonaro, a nos ameaçar, todo dia, com suas falas fascistoides. Essa esquerda, visceralmente incoerente, mantêm o discurso enferrujado e obscuro, defendendo a repressão do governo cubano contra o seu povo, que volta a externar sua imensa insatisfação.

O ex-presidente Lula disse que em Cuba não se sabe de nenhum policial branco esmagando o pescoço e matando um homem negro.

Uma alusão comparativa absolutamente idiota ao que aconteceu nos Estados Unidos, porque em Cuba não existe imprensa livre, nem direito de reunião e de protesto. E ninguém sabe, exatamente, o que está acontecendo agora com os blogueiros, com os lideres do movimento de protesto.

Já nos Estados Unidos o povo encheu as ruas, o assassino está condenado, e surgiu o “Black lives mater”, que ajudou a derrubar o energúmeno Donald Trump.

Democracia, este, o ponto fulcral a ser defendido pela esquerda, centro e direita, exatamente para que façam um contraponto civilizado contra todos os extremos.

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O ASFALTO E A POLÍTICA

(Belivaldo anuncia que não será candidato e vai comandar sucessão)

Disse, o acomodatício ou preguiçoso presidente Washington Luiz, último exemplar da Velha República, que morreria com ele: “Governar é abrir estradas”. E ele próprio abriu algumas poucas.

Sem sintetizar as ações do governo, pelo contrário ampliando-as até “quanto permitia a força humana”, como disse Luiz Vaz de Camões em relação às navegações portuguesas, Juscelino Kubitscheck, o presidente brasileiro desbravador de horizontes no século vinte, fazendo, literalmente, o que permitia a força humana, rasgou milhares de quilômetros de novas estradas, pela mata virgem, caso da ciclópica Belém-Brasília, e do asfalto, que levou a tantas outras empiçarradas, como era então, a grande maioria das precárias rodovias brasileiras.

A politica deve ser mesmo a arte do possível e do impossível também.

E Juscelino não fez só estradas, quase construiu ou fez nascer um novo Brasil.

Há três anos, era difícil acreditar que Sergipe pudesse voltar a ter capacidade de investimento, quando não havia caixa, sequer, para cumprir a obrigação básica de cobrir as despesas com a folha de pessoal. Uma sucessão de fatos adversos, entre eles a Petrobras, que desativava seu polo industrial em Sergipe; a quase paralisação do polo de fertilizantes, somado aos desencontros entre o governador Jackson Barreto e o presidente Temer, que assumia, enquanto ele o classificava como golpista, e isso resultou na mesquinharia do bloqueio até de empréstimos já negociados com a Caixa Econômica. Todavia, de certa forma, Temer compensou em parte as perdas de Sergipe. Ele fez do seu habilidoso líder no Congresso o deputado federal André Moura o canal para encaminhar recursos às prefeituras, isolando Jackson. Isso evitou um colapso maior, mas os cofres do Estado foram levados a uma situação de penúria. De um Ministro Jackson ouviu que o aporte de recursos para Sergipe, além das obrigatórias transferências constitucionais, dependeria do número de deputados que ele levasse para a base de apoio do presidente Temer.

Belivaldo ao assumir fez uma espartana jornada de economia, com cortes extensos em tudo onde era possível restringir, reduzir, eliminar, desativar.

O Secretário da Fazenda Marco Antônio Queiroz e sua sintonizada equipe, foram fundamentais nesse trabalho.

Sexta-feira, dia 14, Belivaldo, que usou na campanha a frase “chegou pra resolver”, assertiva sem dúvidas de alto risco, estava no marco inicial da obra já em andamento da nova orla, com dezesseis quilômetros, e deu a ordem de serviço para o asfaltamento da primeira etapa. Então, no estilo coloquial e descontraído que sempre adota, fez definições políticas bem claras, e enumerou as metas já cumpridas das suas promessas de campanha.

A partir de agora, para a sucessão no próximo ano já se tem um quadro nitidamente desenhado: Belivaldo permanece no governo até o último dia do mandato. Não será candidato, mas deixou claro que participará ativamente da escolha do sucessor, e estará na campanha. Depois, segundo afirmou, sua carreira política estará encerrada. Vai dedicar-se mais aos netos, à sua fazenda em Simão Dias, que abrange uma área pequena, mas em terra boa e clima razoável, para transformá-la num negócio que gere lucro, e pensa aprimorar um rebanho leiteiro, e adaptar-se ao que for exigido pelas técnicas mais atualizadas.

Entende, que terá consistência para seu discurso eleitoral, porque cumpriu a primeira das promessas: há mais de um ano o governo do estado voltou a pagar a folha de pessoal dentro do mês, recuperou a capacidade de investimento e alcançou a letra B, na classificação de saúde financeira, mas, vai perseguir a melhor nota: a letra A, o que poucos estados conseguem.

Detalhou ações na saúde, educação, o início do Hospital do Câncer, a conclusão do Infantil, e o número surpreendente que está prestes a alcançar: mil quilômetros de estradas recuperadas, asfaltadas ou construídas, concluindo a Itabaiana – Itaporanga e a costeira Pirambu - Brejo Grande, e inaugurando, em agosto, o novo Centro de Convenções, a obra mais desejada pelo setor do turismo. Com o retorno à atividade de empresas do setor de fertilizantes, e as perspectivas na produção de óleo e gás, o empresariado sergipano poderá, mais confiantemente, projetar seus investimentos.

Ao lado de Belivaldo estava o prefeito Edvaldo Nogueira, satisfeitíssimo, porque o governo assumiu o total asfaltamento da Avenida Melício Machado, a outra via para as praias do sul, aproveitou então o sentimento de euforia, para anunciar que a prefeitura de Aracaju fará a ligação do final da nova Orla no Farol da praia dos Náufragos, com a Orla do Por do Sol, no Mosqueiro.

Abre-se uma área imensa para a construção de mais hotéis e equipamentos turísticos.

No próximo ano, o atual grupo politico no poder, ampliado agora com a chegada de André Moura, desde que tudo seja bem costurado e não haja novas defecções, além daquela esperada do PT, que tem o senador Rogério Carvalho como candidato inafastável ao governo, estando Belivaldo com a administração bem avaliada, o mesmo acontecendo com Edvaldo em Aracaju, salvo o imprevisível, que não é impossível de acontecer, para o grupo que completará dezesseis anos no governo estadual as perspectivas são animadoras.

João Alves completou em mandatos alternados, 12 anos no governo, mais 8 na Prefeitura de Aracaju, e mais oito anos, elegendo Valadares, depois Albano como sucessores; e esteve quatro anos à frente do Ministério do Interior. Ou seja, João Alves esteve como ator importante, ou mesmo decisivo, no palco da política sergipana por mais de trinta anos.

João Alves soube, como nenhum outro, misturar a atividade política com o asfalto e o cimento – armado.

Sua boa receita para vencer eleições sempre foi somar apoios e mostrar resultados práticos.

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UM PRÉDIO E A SUA HISTÓRIA

(Prédio onde se instalou primeiro Centro de Ciência em Sergipe poderá desabar, enquanto obras esperam licença do Ipham)

O agora ameaçado prédio onde funcionou o Instituto Parreiras Horta, diferencia-se de todas as outras edificações públicas de Sergipe. Nele, funcionou um laboratório de pesquisa que, durante muito tempo, foi o único em Aracaju, e era o braço utilizado pelos médicos para melhor aplicarem seus conhecimentos. O Parreiras Hortas foi, na verdade, o primeiro núcleo de ciência a funcionar em Sergipe.

Surgiu da vocação privilegiada de um governante, para enxergar o futuro e vencer os obstáculos do atraso, tão evidentes em Sergipe, e arrastando-se pelo começo do século vinte. Este governante foi Graccho (pronuncia-se grako) Cardoso. Em 4 anos ele avançou uns trinta, ou mais.

Nos anos quarenta houve o empenho de um cientista inconformado com o pouco que avançávamos em ciência, Antônio Bragança. Ele insistiu, bateu em várias portas, e o governador Jose Rollemberg Leite criou o Instituto de Tecnologia, embrião da Escola Superior de Química Industrial também no governo de José Leite, e vieram para Sergipe cientistas europeus que escaparam do nazismo, e depois escaparam da “cortina de ferro”, o império da União Soviética.

A Escola de Química de Sergipe, em pouco tempo tornou-se uma instituição respeitada no país.

O prédio do Parreiras Hortas não mais abriga os laboratórios, transferidos todos para um edifício mais amplo e adequado, antes, nele funcionou a recém instalada Faculdade de Medicina de Sergipe, isso no governo de Luiz Garcia, e se concretizou o sonho dos médicos e dos que em Sergipe desejavam ser médicos. Foram tantos os médicos que se juntaram nessa luta, Augusto Leite, Antônio Garcia, na época Secretário da Educação e Saúde, Lauro Porto, Jose Machado, Juliano Simões, Fernando Sampaio, e outros. O prédio que tem arquitetura incomum, (estilo mourisco) deteriora-se rapidamente.

Nele, deverá funcionar o Memorial da Medicina Sergipana, abrigando, ainda, a Sociedade Médica, a Academia de Medicina, e o Museu Augusto Cézar Leite.

O prédio foi cedido à Sociedade Médica em 2014 pelo governador Jackson Barreto. O projeto de recuperação e readequação está pronto, elaborado pelos arquitetos Ézio Déda e Rui Almeida. Já existe verba destinada às obras, mas o IPHAN, não se sabe porquê, insiste em retardar a autorização final para que a construção comece.

Lembra o médico Lúcio Prado Dias, que a Defesa Civil interditou a edificação, e há o risco de que tudo desmorone, antes que sejam percorridos os labirintos, ou vencida a pachorra do IPHAN, que pronuncia-se ifam.

Daria até para que se fizesse um infame trocadilho.

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PROJETOS FESTEJADOS E UMA RUA DA DISCÓRDIA

(Centro Naútico e um santuário ecológico no Poxim)

Desde a sua administração passada Edvaldo Nogueira não parou de fazer obras em Aracaju. Durante a campanha em que foi reeleito, um seu adversário chegou a dizer que ele fez de Aracaju um canteiro de obras, mas, precisava por mais ordem no canteiro.

Agora, ele está anunciando projetos que recebem o inteiro apoio da sociedade, desde os moradores dos bairros chamados periféricos até aqueles das orlas e dos jardins. Assim, consegue a rara proeza de ser bem avaliado em todas as classes.

Aqui, abordaremos dois desses projetos, um deles aliás que não mereceria ser de fato um projeto, mas um “anti-projeto”, classificado assim mesmo, para não ser confundido com anteprojeto.

O projeto é a dragagem do rio Poxim e a sua despoluição, Isso, além de tornar possível o transporte fluvial, algo no imaginário dos aracajuanos, cercados pelas águas, cientes de que o seu município é uma mesopotâmia, sem que essa condição privilegiada facilite, de alguma forma, a mobilidade urbana. O transporte fluvial já existiu e precisa ser revivido. Mas há um outro aspecto: no Poxim, pratica-se o remo, há quem também veleje, e a ideia do prefeito Edvaldo é criar ali um Centro Náutico, com o intuito maior de democratizar esportes, dos quais a grande maioria dos jovens não se sente próxima. Com o rio limpo, e mais profundo, além do remo se poderia praticar a natação, e outras modalidades que exigem água, o que não nos falta, apenas, nunca soubemos tratá-la com se faz necessário.

Um dos entusiasmados com o projeto de despoluição dragagem e adequação do Poxim para esportes e lazer, é o biólogo e ambientalista Genival Nunes, que foi Secretário de Estado do Meio Ambiente, e andou avaliando a possibilidade de um projeto idêntico.

E há ainda algo mais que o prefeito Edvaldo poderia fazer, atendendo à sua visão cuidadosa com o meio ambiente. O Poxim, tem um braço que se estende correndo paralelo dentro de mangues, àquela avenida da Coroa do Meio. Não é visível, porque, como dissemos suas margens são recobertas de manguezais. Esse braço do Poxim chegava antes até aquela enseada em frente à Igreja Católica da Atalaia. Hoje, está quase assoreada, e uma Associação de pescadores que lá existia, tem uma sede agora inservível. Com a dragagem, se fará a junção com outra área anterior, onde as águas se espraiam e protegidas das pessoas e dos ruídos da cidade, ali, nidificam espécies variadas de aves marinhas. Ao amanhecer, quem por ali atravessa remando, tem, diante dos olhos, um espetáculo de vida, difícil de ocorrer em áreas urbanas. Naquela área poderia ser criado um santuário, onde fosse proibida a pesca e também o trânsito de barcos a motor, especialmente de Jet-Skys.

O “anti-projeto” seria nada mais nada menos do que aquela insistência da EMURB em mudar a direção do tráfego na rua Nestor Sampaio, a partir do entroncamento com as ampliadas e modernizadas avenidas Hermes Fontes e Adélia Franco. Talvez mais urgente do que aquela alteração que vem criando polêmicas e insatisfações, fosse a entrada em operação da faixa exclusiva para o transporte coletivo, depois, avaliando –se o resultado, se adotaria a providência apontada como ideal.

Por outro lado, na ânsia de promover a mudança, que se transforma em desassossego, não se levou em conta que existe uma ação civil-pública movida pelo zeloso Procurador de Justiça Eduardo Matos, então, mandaria o bom senso que se a aguardasse a decisão final da Justiça, para fazer em caráter definitivo a mudança, ou, deixar as coisas como estão há tanto tempo, e que, dessa forma, parecem contentar a “gregos e baianos”. Essa ação talvez açodada, seria por outro lado uma deselegância com o Procurador Eduardo Matos, que vem tentando conduzir a questão da melhor forma possível.

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