TEXTOS ANTIVIRAIS (70) | Luiz Eduardo Costa | F5 News - Sergipe Atualizado

TEXTOS ANTIVIRAIS (70)
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 12/08/2021 21h46 - Atualizado em 12/08/2021 21h49

SERGIPE DO ENGENHO AO AGRONEGÓCIO (2)

(Do carro de bois à modernidade, o trajeto não tem sido fácil)

A criação extensiva do gado exigindo intensa plantação do capim, sempre entrou em choque com outras lavouras. Criadores entendiam que Sergipe todo teria de ser um extenso pasto, e nisso foram favorecidos tanto pela decadência dos engenhos como pelo colapso da lavoura algodoeira, que sumiu completamente do agreste e do semiárido, onde conseguira prosperar numa época onde as secas eram menos intensas . Vencidos pela devastação provocada pelo bicudo, um besouro-praga na época incontrolável, os plantadores de algodão também se transformaram em pecuaristas. Além das máquinas amontoadas pelo interior, restou, abandonado, o Entreposto do Algodão, que ficava em Aracaju num imenso galpão vizinho à antiga Faculdade de Direito na avenida Ivo do Prado, antiga Rua da Frente.

A falta do queque, uma massa restante do caroço de algodão prensado para fazer escorrer o óleo, gerou problemas para a pecuária leiteira, que tinha, naquele produto, sua mais eficiente ração.

Por aquela época que percorre dos anos trinta aos sessenta, destacavam-se os extensos coqueirais vizinhos ao mar. Melício Machado, um grande produtor de coco, figurou na capa da revista brasileira com maior circulação: O Cruzeiro, o mais importante dos veículos impressos do Grupo Diários Associados, citado entre os maiores conglomerados de comunicação do mundo.

Melício era apresentado como “Rei do Coco”, maior produtor de coco da praia do Brasil. E na capa da revista aparecia sentado sobre um monte de cocos, um privilégio que poucos sergipanos tiveram, talvez, ele tenha sido o único. A esposa de um sergipano, o industrial Eurico Amado, a bela socialite Helô Amado, foi uma vez capa de O Cruzeiro, mas ela era carioca.

Os coqueirais de Melício estendiam-se do entorno do aeroporto de Aracaju até o Mosqueiro, quase trinta quilômetros de extensão, além de plantios em outras partes do litoral sergipano. A produtividade era irrisória, mas Melício criara uma fábrica de óleo, e investiu, sem muito sucesso, na água de coco engarrafada.

Os fertilizantes eram ainda pouco usados.

Ronaldo Calumby Barreto iniciou nos coqueirais da Barra dos Coqueiros que pertenciam ao seu pai, Jose Calumby Barreto, banqueiro, comerciante e produtor rural, um sistema que nitrogenava o solo. Plantava melancia nas linhas entre os coqueiros, depois, sobre a ramagem e os frutos passava a grade, misturando tudo com a terra.

Todavia, os velhos coqueirais ainda sem a qualidade que a EMBRAPA alcançaria nas mudas colocadas à disposição dos produtores, não davam muito espaço para a inovação. Sergipe industrializava o coco, havia três fábricas, e consumiam quase toda a produção local. Uma outra utilizava o bagaço do coco para fazer fibra, e a produção era toda adquirida pela Wolkswagen do Brasil, que a utilizava no alcochoamento dos bancos dos seus carros. Todas essas indústrias fecharam as portas.

Hoje, o coco é um ramo destacado do agronegócio sergipano, predomina a comercialização do fruto verde, principalmente em Aracaju, onde no verão a Prefeitura retira das ruas uma média diária de 15 toneladas de cascas, que já estão sendo processadas para se transformarem em ração e adubo.

No Platô de Neópolis, uma das “loucuras” de João Alves, a produção quase supera tudo o que é alcançado nas plantações não irrigadas em todo o estado. Dois produtores de coco se destacam no Platô: Henrique Menezes, que comanda um grupo com variadas atividades e Ezequiel Ferreira, ex-prefeito de Capela e empresário da agro-indústria canavieira.

Sobre as considerações que aqui fizemos no blog anterior sobre a evolução da pecuária sergipana, o engenheiro agrônomo e selecionador da raça Guzerá, Sérgio Santana, ressalta a importância do uso de tecnologias na implantação de novas pastagens e na reprodução, encurtando o período de engorda para algo entre 24 e 30 meses, e melhorando a qualidade da carcaça. Segundo Sérgio, o que mais anima o setor são os preços compensadores, e a perspectiva de manutenção desse clima a longo prazo, o que fortalece a tendência de melhoria e ampliação dos rebanhos. Por outro lado, há uma busca pelo campo, e nessa rota vão profissionais liberais, comerciantes, investidores diversos em outras áreas, que se sentem atraídos pela pecuária de corte, seleção e leiteira. Isso resulta em empreendimentos inovadores, ampliando-se o confinamento e o semiconfinamento, em integração com o milho, do qual Sergipe se torna importante produtor. Para Sérgio, a retomada das Exposições, (o que já foi definido entre o governador Belivaldo e o próximo Secretário da Agricultura Zeca Silva) contribuirá para a ampliação dos negócios e a reinserção de Sergipe no plano nacional como avançado centro de criação das raças zebuínas. As Exposições, retornarão, principalmente as de Aracaju, Lagarto, Frei Paulo, e, brevemente a de Santa Rosa do Ermírio, Poço Redondo, já em novo parque. Esses eventos, sempre foram as vitrines onde se exibia tudo o que de melhor e mais moderno o campo sergipano produz, e um excelente ambiente de negócios, juntando em perfeita e benéfica simbiose o agronegócio e a agricultura familiar.

A entrada em operação nos próximos meses do Centro de Convenções de Aracaju, já concluído, será um outro fator a dinamizar o agronegócio, a agricultura familiar, desde que ali se programem eventos, tais como congressos seminários, palestras, a respeito dos mais variados temas relacionados à nossa economia rural. Tanto quanto o turismo, o setor primário, quando estimulados produzem respostas quase imediatas.

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VELHOS TANQUES, VELHOS DIAS

(Não sendo em Sete de Setembro tanques nas ruas assustam e produzem suspeitas)

Quando Juscelino transferiu a capital para Brasília, dizia-se, em tom de chacota, que ali, ele e os futuros presidentes ficariam a salvo dos tanques da Vila Militar. Os nossos velhos blindados fumarentos, as obsoletas sucatas que nos eram liberadas pelo humilhante acordo militar com os Estados Unidos, revogado pela visão de estadista do presidente general Ernesto Geisel.

Quando, no século dezoito, o general prussiano Gerhard Scharnhost, fez nascer a ideia da criação do Estado Maior, e à sua frente colocou oficiais altamente capacitados, a Prússia pais que não era dono de um exército, mas o exército é que era seu dono, ele abriu caminho para que, depois, Frederico o Grande fizesse do seu país agrário dominado pela casta latifundiária dos Junkers, cercado de inimigos, com uma geografia que o tornava vulnerável e escassa população, se transformasse numa potência europeia.

O conceito de Estado Maior evoluiu, a partir de teorizações formuladas por grandes estrategistas, e modernizou-se, com o aperfeiçoamento da democracia, principalmente nas grandes potências do ocidente.

A ideia militarista absorvida pela Prússia, onde o Estado Maior desempenhava quase o mesmo papel de partido único nas ditaduras, foi substituída, dando lugar ao Estado Maior concentrado na meta de potencializar a capacidade de defesa do país, e, para isso, traçando a estratégia mais ampla do preparo e equipamento da tropa e sintonia entre as forças, também interagindo com as instituições politicas e a estrutura econômica, e ainda mais: analisando, permanentemente, o clima psico-social tendo em vista evitar a desagregação, e cenários tanto internos como externos negativos, afetando a imagem do país, e causando insatisfação social.

Com esse peso de responsabilidade institucional, seguindo a melhor doutrina que embasa os Estados Maiores em países democráticos, as forças armadas não podem ter compromissos com um governo, não podem envolver-se em querelas partidárias ou ideológicas, muito menos emitir opiniões sobre como deve ou não deve ser o sistema de votação.

Uma instituição de Estado que é, indubitavelmente um poder armado, terá de transitar íntegra entre governos, traçar as diretrizes da defesa nacional, seja em governos de centro, de esquerda ou de direita, sem preferências por nenhum deles. E assim devem permanecer, a não ser que se configure um caso extremo do conluio de um governo com potência estrangeira, e pondo por traição em risco a integridade e a soberania do país. Mas isso, mesmo que ocorra, teria de seguir os cânones constitucionais, não cabendo apenas à instituição armada decidir qual o momento e como deveria agir. Mas, para ele terá de estar pronta.

Quando se pensava que a fumaça dos velhos tanques da Vila Militar, não mais seria sentida nas ruas das cidades do país, a não ser no Sete de Setembro, quando os blindados são calorosamente aplaudidos, mesmo fumegando, eis que surge um bizarro acontecimento, em que esses tanques, ao lado de viaturas outras, atravessam em hora e momentos impróprios a Praça dos Três Poderes, para que, de um deles, desça um militar e suba a rampa do Planalto, onde, sobranceiro estava o Chefe Supremo das Forças Armadas, rodeado por ministros e chefes militares, alguns deles constrangidos, e dirija-se ao presidente para entregar-lhe, o que? Nada mais do que um simples convite.

A cena foi devastadora para a imagem do Brasil no exterior, fomos reduzidos à condição de “república de bananas”, e contribuiu apenas para acirrar ainda mais essa guerrilha político-ideológica que divide desgraçadamente os brasileiros, agora separados por uma cortina de odiosidades.

Ainda não saímos da pandemia, que foi, aliás, muito além da “gripezinha”, e mostrou-se imune aos apregoados milagres de remédios estranhos, prescritos pelo presidente, encarnando, talvez, o espírito de algum curandeiro, ou charlatão maligno.

O desejável equilíbrio fiscal está sendo demolido, para assegurar a gastança com finalidades meramente eleitoreira, a inflação emite perigosos sinais de que após vinte e sete anos desaparecida poderá estar retornando. Depois dos tanques fumarentos em Brasília, fica difícil imaginar que algum investidor estrangeiro queira aplicar seus recursos no Brasil, isso, apesar de ser este nosso prodigioso país, aquele que poderia ser o mais atrativo roteiro para os dólares em profusão que circulam pelo mundo globalizado.

Poderemos outra vez perder o bonde da economia mundial, no momento exato em que o governo Biden vai injetar no país a fabulosa soma de um trilhão e quinhentos bilhões de dólares. Haverá um salto na economia americana, um ainda maior na chinesa, outro na Europa, e o Brasil, coitado, condenando a ficar apenas como desalentado espectador.

Este é o quadro real que deveria preocupar o nosso Estado Maior das Forças Armadas, inclusive, porque, a continuar o que agora ocorre, a sempre sonhada e imprescindível modernização das nossas forças, estará sendo adiada, e iremos continuar com os tanques fumarentos, que podem fechar um Parlamento ou até mesmo o STF, mas, não estão a altura do que deveria ter um país, que, menos pelos dirigentes, e muito mais pela sua potencialidade, já deveria estar, há algum tempo, entre as cinco maiores economias do mundo, com instituições democráticas estáveis e seguras, e tendo um aparato de defesa compatível com o tamanho do território, e da pujança econômica.

O cenário agora que vivemos, é aquele dos velhos tanques fumacentos, dos velhos dias de intolerância e obscurantismo.

Que possamos, com sabedoria e equilíbrio, nos livrar do que seria pior: a fumaça da pólvora.

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BELIVALDO CAPITALIZA O BANESE E QUER A RASPINHA DOS DIVIDENDOS

(Ações do Banese na bolsa fortalecem o banco agradam aos acionistas e mais ainda a Belivaldo, gestor do acionista maior que é o Estado e imaginando novos projetos com dinheiro em caixa)

O BANESE vai emitir a e vender ações. Provavelmente, o nosso “tamboretezinho” muito bem avaliado, o que é fruto de sucessivas administrações competentes, se mostrará atrativo para investidores bem impressionados com os seus índices de lucratividade. Os Fundos de Investimentos rapidamente absorverão os papéis.

Não se avaliou ainda, exatamente, o resultado da venda das ações, mas os cálculos iniciais, apontam para uma vistosa soma, que servirá para capitalizar o BANESE, agora em processo de transformações sob o comando de um jovem até pouco tempo desconhecido, Helom Oliveira da Silva, que se vem revelando gestor moderno e atualizado com as transformações que ocorrem no sistema bancário brasileiro, em sintonia com o mundo globalizado.

O governador Belivaldo já tomou a decisão e está ultimando providências, planejando para ainda este ano aplicar o quinhão que caberá ao estado como maior acionista, em projetos que já saíram da sua cabeça e estão definidos. De olho no que acontecerá na Bolsa.

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O SUCESSO DO MILHO E O BNB

(César, superintendente do BNB em Sergipe e entusiasta do desenvolvimento sergipano comemora aumento exponencial nas operações do banco com os produtores de milho)

Apesar do “veranico” de maio, que foi além das previsões e castigou o milharal recém plantado, a safra sergipana este ano deverá, mais uma vez, aproximar-se de um milhão de toneladas. O que se perdeu com a estiagem foi compensado pelo aumento da área plantada, e o aprimoramento das tecnologias aplicadas.

O Superintendente do BNB em Sergipe, o sergipano Antônio César de Santana, anda entusiasmado com a posição que o estado ocupa no nordeste como quarto produtor de milho, apesar da sua escassez insuperável de território César vê com muito otimismo a expansão do cultivo do milho que aqui bate recordes de produtividade.

E o otimismo se sustenta, mais ainda, no fato de que as operações de custeio efetuadas pelo Banco do Nordeste tiveram, este ano, um acréscimo de 59%, totalizando 231 milhões de reais aplicados em mais de duas mil operações, que abrangem uma área de 77 mil hectares, localizados na sua maior parte no semiárido. Se for considerada a vistosa quantia da venda de tratores, e maquinário diverso, além de adubos, defensivos e salários pagos, se poderá ter uma ideia do que representa hoje para Sergipe a cultura do milho.

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