TEXTOS ANTIVIRAIS (74) | Luiz Eduardo Costa | F5 News - Sergipe Atualizado

TEXTOS ANTIVIRAIS (74)
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 20/09/2021 16h28 - Atualizado em 20/09/2021 16h29

MITIDIERI AGUARDANDO UM ESPERADO DIA DO FICO

(Mitidieri esperando de Edvaldo o seu Dia do Fico)

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, já tem na história um lugar reservado como um dos três melhores administradores da nossa capital. Conseguiu a proeza rara de ser eleito para um quarto mandato. Isso se deve às suas qualidades como administrador, político, e também à unidade do grupo formado por vários partidos e lideranças do qual ele parte.

Edvaldo e sua esposa a engenheira e empresária Danuza, são maratonistas, participam de competições de triatlo, fazem trilhas no grupo da Expedições Serigy, que anda e mais ainda dialoga pelos caminhos sobre tudo o que se puder imaginar, inclusive política, arte, cultura, e até mexericos. Edvaldo tem tudo para se considerar um vencedor polivalente.

Ele acumula experiência política aliada a uma sábia dose de comedimento e sensatez, por isso, ainda nos quadros do PC do B, envolveu-se com as áreas conservadoras, foi recebido até efusivamente pelo ex-ministro de Bolsonaro o general Santos Cruz, que encaminhou os seus pleitos, e assim, manteve sempre contato com Brasília. Antes, no governo Temer, quando iniciou-se a retaliação contra o governo de Jackson Barreto, que não cessou suas imprecações sobre o “golpe contra Dilma”, liderado por Michel Temer, seu correligionário e amigo, desde os primórdios do partido oposicionista tolerado pelo regime militar. Temer não o perdoou, e Sergipe pagou o preço, apesar das posteriores e reiteradas tentativas de superar o problema em nome do interesse público, feitas por Jackson e seu Secretário Benedito Figueiredo, amigo e ex-colega de Temer na bancada emedebista da Câmara Federal.

Edvaldo, nesse interregno complicado, aproximou-se do líder de Temer no Congresso o deputado André Moura, e dai em diante foram carreados recursos para a Prefeitura de Aracaju. Edvaldo foi mais longe: tendo no Planejamento a competência do técnico e previdenciário Augusto Fábio, entre outros, articulou financiamentos internacionais, fez, ao suceder João Alves, um extraordinário trabalho de enxugamento, e superou os rombos deixados pelo grupo esperto que se aproveitou do estado de quase demência mental em que se encontrava o grande administrador público três vezes governador bem sucedido, para, à sorrelfa, devastar os cofres. Na ocasião, é bom lembrar que o amigo e parceiro de João na maioria das suas essenciais obras o engenheiro José Carlos Machado, denunciou a existência de uma quadrilha, agindo e traindo a confiança do então prefeito.

Edvaldo organizou a prefeitura, deu-lhe operacionalidade e sustentação financeira, e vai surfando agora no êxito da terceira administração, recepcionado positivamente pelos sergipanos, como demonstram as pesquisas sobre as preferências dos votantes.

Amigos e companheiros de jornada, mais íntimos, estimulam Edvaldo a rever a sua posição anterior de não afastar-se ainda no meio do mandato para concorrer no próximo ano ao governo do estado. Isso causou uma surpresa e até constrangimentos no grupo ao qual o prefeito de Aracaju pertence, e do qual sempre teve o apoio.

O deputado Fábio Mitidieri, jovem e já experimentado político, com ótima atuação na Câmara Federal e posições políticas que o diferenciam da manada extremista, tão intolerante quanto avessa aos rituais democráticos, ganhou, por isso, um espaço largo de simpatias, entre lideranças, e nas diversas camadas da sociedade, que nada mais querem do que um clima de paz, para que se possa trabalhar e retirar o país da rota de colisão com o imprevisível.

Fábio, na sua atividade parlamentar, dedica-se desde o primeiro mandato a articular-se com lideranças e intensificar o diálogo coloquial e direto com o povo, e daí surgem as suas emendas, direcionadas sempre às principais demandas populares.

Nesse rumo, encontrou-se com um outro jovem, o ex-deputado federal André Moura, que formou um sólido grupo de apoiadores, e tem presença marcante em quase todos os municípios, pelas emendas que tornaram possível um vigoroso trem de obras por todo o estado.

André é fortíssimo candidato ao Senado, numa disputa com apenas uma vaga.

Ao governador Belivaldo Chagas, o grupo, que tem um cabedal vistoso de vitórias eleitorais, delegou a prerrogativa de ser o coordenador do seu processo sucessório, o que ele agora faz com a autoridade acrescida, por não ser candidato, já decidido a cumprir até o fim o seu mandato. Com esse handicap, e mais o reconhecimento público de ter recuperado as finanças estaduais, modernizado o sistema arrecadador, enfrentado com pleno êxito a pandemia, sem tirar de vista a gravidade da questão social, e a necessidade de realizar obras e gerar empregos, Belivaldo tem nas mãos a chave que abrirá o caminho ao candidato que vier a figurar como o centro de convergência das lideranças politicas, para que ele possa, então, começar a tarefa ainda mais árdua de conquistar o apoio popular, em última instância o essencial. E definidor.

Não parece haver maiores resistências ao nome de Mitidieri entre os “caciques da tribo”, que aliás é numerosa. Laércio Oliveira, um deputado federal que dedicou seu mandato a um trabalho de preparação de Sergipe para a promissora e quase já consolidada era do gás, e das suas implicações no conjunto da economia do estado e do país, mostra-se disposto a um acordo que viabilize a manutenção do grupo. O mesmo ocorre com o Conselheiro do Tribunal de Contas e ex-deputado estadual Ulices Andrade. Ele teria de afastar-se já no início do próximo ano definitivamente do TC, para tornar possível a sua candidatura ao governo, e isso quando tem pela frente mais de dez anos até a aposentadoria compulsória. Ulices desfruta da boa fama de articulador engenhoso, lastreado no crédito amplo que merece a sua palavra.

Restaria, no caso, a adesão imprescindível de Edvaldo, que teria, parodiando o Príncipe Regente Dom Pedro, de propalar em viva e sonora voz: “Como é para o bem do candidato Mitidieri e felicidade geral de todos os meus aliados, que desejo manter para o futuro, digo a Belivaldo que fico na Prefeitura”.

Edvaldo, até em homenagem à nossa história, poderia fazer isso no dia 9 de janeiro de 2022, quando se comemora o bicentenário do dia do FICO.

Com isso, todos os caminhos estariam abertos para Fábio Mitidieri, que começaria a conversar muito em busca de um nome consensual para candidato a vice. No páreo já está em movimento o deputado Luciano Bispo. Talvez seja ele o articulador político com maior dose de proatividade entre todos os poderes, e a ele se deve o soerguimento da imagem institucional do nosso Legislativo. Luciano, na condição de presidente da Assembleia, estabeleceu uma sintonia fina com os grandes temas de interesse público, notadamente, as estratégias para o desenvolvimento de Sergipe.

Estaria agora, crescendo a ideia de abrir vaga para um nome feminino, e isso é uma homenagem, ou melhor, o reconhecimento do papel exercido hoje pelas mulheres em todos os setores da vida pública, iniciado quando João Alves convidou Marília Mandarino, para ser a sua vice; depois, Belivaldo convidou Eliane Aquino, viúva de Marcelo Déda, atual vice governadora de Sergipe.

Muito comentado o nome da deputada estadual e empresária Janier Mota Santos Primo, que soma ao seu nome o prestígio e a visão empreendedora e social da sua irmã Jânia Mota, líder do grupo Natville, que move grande parte da cadeia de produção leiteira em Sergipe.

Mas, enfim, não é sensato avaliar depreciativamente a candidatura do petista Rogério Carvalho, senador que tem usado o seu mandato para ampliar bases politicas, e ocupará o palanque do candidato inegavelmente mais cotado: o velho Lula, tanto de guerra como de paz. E, aliás, existe a sensação de que os possíveis adversários de Rogério gostariam de ocupar o mesmo palanque, ou, torná-lo neutro no que se refere a Sergipe, onde tudo converge a favor do ex-presidente.

Recentemente, Rogério teve uma longa e, ao que dizem seus assessores, muito produtiva conversa. Exatamente com o ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Franscisquinho, cuja prisão parece que o tornou ainda mais forte eleitoralmente. Disse Rogério para acabar de conquista-lo: “Franscisquinho, você sabe que eu sou um trator, quando entro numa campanha passo por cima de tudo (ele não explicitou se passaria a sua máquina “turbinada” também por cima da ética) que estiver na minha frente, e assim ganhei todas as eleições, e sou senador, quando diziam que eu seria o azarão na disputa. Você é outro trator, e demonstra isso todo dia. Se esses “dois tratores” ficarem juntos, nós vamos ter por muito tempo o poder em Sergipe”.

Nas eleições de 1958 e 1962 o candidato a deputado federal Euvaldo Diniz, dizia nos comícios: “Eu sou um trator descendo sem freios a ladeira do Santo Antônio, e para defender o povo, passo por cima de tudo”.

Ganhou nas duas eleições. Naquela época o “trator” ainda não tinha um significado dúbio, e era apenas uma até ingênua figura da retórica populista.

Dizem que Franscisquinho não respondeu a esse convite para “tratorarem Sergipe”, mas, balançou muito a cabeça em sinal de aprovação.

Fez igualzinho ao papagaio mudo.

LEIA MAIS:

O MILHO NA ECONOMIA SERGIPANA E OS NOSSOS PERÍMETROS IRRIGADOS

(Sergipe, seus milharais e o que eles rendem)

O milho, antes cultivado em pequenas roças de subsistência, ou, destinado às fogueiras juninas, há vinte anos não tinha maior expressão no conjunto da economia sergipana. Quase 80 % daquele cereal consumido em Sergipe, provinha de outros estados.

Tínhamos muito apego às culturas tradicionais: a cana para as usinas, o pasto para o gado, o coco e a laranja, ambos, sinalizando a decadência.

Plantar intensivamente o milho nas áreas irrigadas tornou-se difícil. A planta consome muita água, e não há fartura do “precioso líquido” para sustentar a produção em escala.

Optou-se pelo plantio em sequeiro, no agreste, e até no semiárido, aproveitando-se os recursos da tecnologia então disponíveis: a genética das espécies de ciclo curto, fertilizantes adequados, e a eficácia dos agrotóxicos ainda indispensáveis.

Ao longo de uns vinte anos se deu a grande transformação. Agora, os resultados saltam à vista. Nos milharais a mão de obra intensiva vai sumindo, todavia, a renda gerada traz benefícios, que se fazem claramente visíveis no progresso de polos como Nossa Senhora da Glória, Carira, Frei Paulo, Nossa Senhora Aparecida, Simão Dias, Poço Verde. Nos rastros das camionetes reluzentes, das máquinas de última geração, nas lojas, nos bares, nos hotéis que se multiplicam, na frota cada vez maior de motos, as oportunidades de emprego vão surgindo, e os filhos de agricultores já nem sabem mais o que é trabalho braçal, imaginam-se pilotando uma daquelas máquinas que preparam a terra, plantam, colhem, beneficiam os produtos. O perigo, agora, é o fascínio das grandes cidades atraindo todos aqueles que, faz tempo, trocaram a enxada pelo computador.

Este ano o custeio do plantio de milho cresceu mais de 50%. Ao Banco do Nordeste corresponde a maior parcela de financiamentos com recursos do Fundo Constitucional do Nordeste. O BNB aplicou 231 milhões de reais em cerca de duas mil operações de custeio, o que corresponde a 32% do valor global dos seus contratos.

O BANESE, na proporção dos seus recursos disponíveis também se fez presente. Com a anunciada venda de ações, o banco terá no próximo ano mais recursos para aplicar em Sergipe.

O Superintendente do BNB em Sergipe, Cezar Santana, que incentiva uma espécie de busca ativa do produtor para levar-lhe a possibilidade do crédito, baseia-se nos números do IBGE projetando um crescimento da safra deste ano superior a 4%, um excelente resultado , levando-se em conta que as chuvas foram irregulares em diversos municípios produtores, mas, a elevada produtividade alcançada, aproximando-se de seis toneladas por hectare, aponta para uma produção em torno de 890 mil toneladas.

Seis toneladas por hectare correspondem a 100 sacos de 60 quilos; estimando-se um preço médio de 90 reais por saco, chega-se a uma soma de 9 mil reais por hectare; considerando-se 77 mil hectares de área plantada, surge a soma de quase 700 milhões de reais, uma quantia que não deixa de ser expressiva.

Diante do alto preço alcançado pelo milho, há quem defenda a intensificação do plantio nos perímetros irrigados, neles, ainda se está em busca de um cultivo que lhes assegure maior renda, como é o caso do Califórnia em Canindé do São Francisco, e do Jacaré-Curituba entre Poço Redondo e Canindé, este, gerenciado pela CODEVASF. O ex-deputado Jose Carlos Machado, que extravasa seu entusiasmo pelo milho, tem cálculos demonstrando a possibilidade nas áreas irrigadas de serem colhidas duas safras por ano. Assim, quase dobraríamos a produção sergipana.

Todavia, existe o obstáculo representado pela redução no fornecimento de água. Uma adutora começa no topo da barragem da hidrelétrica de Xingó, adiante se bifurca, direcionando-se aos dois perímetros. O problema da água terá, então, de ser tratado em conjunto: pela COHIDRO, estatal sergipana, e a CODEVASF, empresa federal. Essa necessidade de mais água é uma deficiência que se agrava com o passar do tempo. Houve a obsolência do sistema de bombeamento, os canais que cortam o perímetro precisam de urgentes reparos, da mesma forma os reservatórios onde se acumula a água. Foi posto em operação novo sistema de bombas, mas, os motores antigos e com rendimento baixo, necessitam ser substituídos, ou recondicionados. Pelos canais, com rachaduras, perde-se uma grande quantidade de água, em Canindé há diversos “gatos”, inclusive nos serviços da Prefeitura, que permanecem impunemente “ativos”.

Há uma premente necessidade de equacionamento do tempo necessário de bombeamento, para suprir plenamente a demanda dos perímetros, inclusive, visando assegurar o cultivo mais rentável de espécies que exigem maior suprimento de água, como é o caso do milho. Considerando-se o preço da energia em face da imprevidência do governo federal, e o agravamento da crise hídrica, impõe-se uma decisão conjunta das duas estatais sobre um indispensável investimento numa fotovoltaica, capaz de alimentar todo o sistema, e a médio prazo reduzir custos.

A COHIDRO é uma empresa emperrada por uma estrutura que nasceu e deteriorou-se ao lado da influência deletéria de interesses eleitorais, estimulando o empreguismo e as facilitações. Em função da visão pessoal de cada gestor, ocorreram alguns avanços; mais recentemente, durante os períodos de Felizola e Carlos Melo. Todavia, o que se observa rotineiramente, é a improvisação e os desacertos, na ausência de planejamento e metas a serem alcançadas.

Preenchendo as lacunas de gestões medíocres e enfatuadas, o empreendedorismo da gente de Itabaiana e dos entornos, como Areia Branca, nos perímetros ali existentes, faz surgirem prodígios na produção de verduras e grãos, e se vai criando uma sólida classe média rural. O Balde Cheio, programa lançado há uns oito anos no perímetro Jabeberi, em Tobias Barreto, utilizando o método de pastagem Voisin, vem dando resultados apreciáveis. Mas, apesar das determinações do governador Belivaldo Chagas não se conseguiu, na COHIDRO, dar sequência ao projeto de privatização do perímetro Platô de Neópolis, onde há empresários eficientes, e para lá se voltam, também, os olhares de um grupo chinês interessado na compra.

O desenho geopolítico que se forma no mundo, agora com os Estados Unidos e Inglaterra oferecendo tecnologia de submarinos nucleares à Austrália, para contrabalançar a influência chinesa no Pacífico, faz supor que o governo chinês comece uma retaliação econômica contra a Austrália, reduzindo as compras dos seus principais produtos, dos quais o Brasil é o mais forte concorrente; por outro lado, a França, também derrotada pelos Estados Unidos na venda dos seus submarinos à Austrália, poderá adotar represálias que abrem mais janelas para o Brasil, se tivermos inteligência para enxergá-las. É exatamente na agricultura que estão essas principais “janelas”, e Sergipe, miudinho, poderá enxergar nelas uma pequena fresta. Assim, teremos de sair do improviso, e fortalecer o nosso agronegócio, como é por exemplo o caso do milho, e, por via de consequência, surge a necessidade de modernizar os perímetros irrigados, hoje, apresentando cifras bem abaixo daquilo que podem render.

A chegada de Zeca Silva ao espaço estatal da agropecuária é um alento em favor das mudanças de rumo, que, em caráter de urgência Belivaldo demonstra querer.

Mais Notícias de Luiz Eduardo Costa
 TEXTOS ANTIVIRAIS (76)
14/10/2021  08h35 TEXTOS ANTIVIRAIS (76)
TEXTOS ANTIVIRAIS (75)
04/10/2021  18h13 TEXTOS ANTIVIRAIS (75)
TEXTOS ANTIVIRAIS (73)
20/09/2021  16h26 TEXTOS ANTIVIRAIS (73)
TEXTOS ANTIVIRAIS (72)
03/09/2021  13h54 TEXTOS ANTIVIRAIS (72)
TEXTOS ANTIVIRAIS (71)
20/08/2021  13h43 TEXTOS ANTIVIRAIS (71)