TEXTOS ANTIVIRAIS (78) | Luiz Eduardo Costa | F5 News - Sergipe Atualizado

TEXTOS ANTIVIRAIS (78)
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 31/10/2021 16h05 - Atualizado em 14/01/2022 11h16

“TIRAR O LEITE DA PEDRA” AS VACAS E A INDÚSTRIA



Quem pode dizer por quanto vai comprar.


No semiárido sergipano a expressão “tirar leite de pedra” não é uma metáfora, com figuras da linguagem popular, ou até, às vezes,  ornamentos dos quais se utilizam os literatos. No chão adusto e cristalino, onde, segundo Euclides   “a terra se inapropriou à vida” “tirar leite de pedra” é a tarefa diuturna, ingente e repetida, à qual segundo o “veterinário sertanejo” Wolney Britto, muita gente se dedica, pastorando e ordenhando um rebanho que produz algo em torno de quatrocentos mil litros diários; isso, somente na região sergipana de uma parte da bacia do São Francisco, compreendendo os municípios de Poço Redondo, Porto da Folha, Gararu, Canindé, Nossa Senhora da Glória, Itabi, Gracho Cardoso, Lourdes e Aparecida. Nesse território, regurgitam e enchem os úberes, algo em torno de 60 mil vacas. Daí, se deduz que a produtividade é ainda baixa, sobretudo desigual, porque, em áreas como Santa Rosa do Ermírio, - Poço Redondo -, em pontos isolados de Nossa Senhora da Glória e Canindé, os índices já se aproximam dos 30 litros dia, em duas ordenhas.    

Quase literalmente tirando o “leite da pedra”,  sertanejos, todos despossuídos , ou de “ pés no chão “formaram, ali, uma das maiores bacias leiteiras do nordeste”.

Exatamente no início do tempo da estiagem, quando as agruras mais crescem, veio, do maior laticínio sergipano o surpreendente comunicado, que reproduzimos no início desta matéria.

Estando a lembrar de metáforas, destaquemos mais uma: “Um banho de água fria” sobre o ânimo dos produtores, aquela informação unilateral de uma redução no preço do leite, partida do Natville, maior laticínio sergipano que, ao lado do outro grande, o Betânia, formam algo assim como um blindado duopólio, capaz de manipular à vontade os preços da sua essencial e única matéria prima.

A industrialização do leite pode ser comparada ao aproveitamento do petróleo bruto. Uma refinaria desdobra um litro de óleo em diversos outros produtos “mais leves”, “frações” ou derivados. São os combustíveis, os lubrificantes, o gás, o asfalto, os etanos,  que, por sua vez, multiplicam-se numa infinidade de outros materiais derivados. Dizia, o mais importante dos Rockefeller, que, o melhor negócio do mundo era uma refinaria de petróleo, bem, ou mesmo pessimamente administrada.

Um laticínio, da mesma forma que uma refinaria de petróleo, transforma o litro de leite numa variedade de outros produtos: manteiga, queijo, iogurtes. Do soro, quase rejeito, faz o leite em pó, ou o oferece como excelente ração para engordar porcos. Pequenos laticínios quase sempre fazem isso, até porque não têm capacidade para imitar os grandes produzindo o leite em pó.

Assim, o litro saído do úbere da vaca quando chega ao laticínio é que começa a ganhar valor agregado. Lá no seu curral fica o produtor enfrentando a dificuldade enorme de “tirar leite de pedra” em região árida, onde falta água e mais ainda ração, e agora, mais sacrificado ainda, pela disparada nos preços dos insumos básicos que utiliza.

Numa conjuntura tão adversa como a que o país enfrenta, os sacrifícios teriam de ser equanimemente repartidos.

Mas não é isso o que acontece, diante do desequilíbrio de forças entre os parceiros da cadeia de produção leiteira.

Um ex-produtor de leite, o agrônomo José Dias, conhecedor atualizado do mercado leiteiro, reconhecendo o papel essencial e transformador dos laticínios (basta que se veja o dinamismo que hoje caracteriza Nossa Senhora da Glória, onde estão o Natville e o Betânia) lembra, contudo, que a insegurança relacionada ao preço do leite vem fazendo vários produtores desistirem da tarefa de “ordenhar pedras”, e faz o alerta sobre o enfraquecimento do primeiro elo da corrente, podendo vir a afetar os demais, e, dessa forma, comprometendo a base indispensável de uma confiança recíproca entre os  insubstituíveis parceiros.

De um lado não pode ficar o  vaqueiro, do outro o industrial, como se fossem antagonistas.

O “veterinário sertanejo”, Wolney Britto, cuja competência o laticínio SABE, agora fechado, desprezou, aponta roteiros para a cadeia produtiva do leite no semiárido. Destacando e entendendo como essencial o protagonismo dos dois grandes, o Natville, e o Betânia, e ainda o surgimento, agora, de um terceiro de menor porte, também em Glória, Wolney lembra que existem na região cerca de 200 laticínios, fabriquetas, voltadas para a produção de queijo e manteiga, e, em grande parte abastecendo os mercados pernambucano e alagoano.

Essas miniempresas estariam processando algo em torno de 400 mil litros diários. Trabalham na informalidade, mas, são muito importantes,    fortalecem o produtor, geram emprego e renda,  mas precisam de um programa realista que possa conduzi-las à economia formal. O caminho todavia não é fácil, pelos obstáculos burocráticos que Wolney enumera um a um, enquanto oferece sugestões para facilitar o processo, entre eles, a obtenção de um Selo Social, idêntico ao simplificado que existe em Minas Gerais, e proporciona a formalização de centenas de queijarias, com seus produtos listados entre os de melhor qualidade no Brasil.

Wolney destaca programas já iniciados pelo governo do estado, entre eles a inseminação, a Bolsa Leite. Ele apoia integralmente a ideia que aqui temos defendido, da “Adutora do Leite”, captando a água no São Francisco, levando-a até Santa Rosa do Ermírio, obra de baixo custo, se comparada ao extremamente duvidoso Canal de Xingó, projeto agora ressurgindo, seguindo a trilha desandada de ambições eleitoreiras.

A adutora, mais simples e exequível a curto  prazo, teria impacto imediato na produção do leite em Sergipe, hoje, na faixa de um milhão de litros diários.

O ex-deputado Heleno Silva e o prefeito de Poço Redondo Junior Chagas, que tanta familiaridade têm com o sertão, além de outros, entendem que essa adutora poderia ser o marco inicial de um projeto abrangendo toda a extensão sertaneja do São Francisco, direcionado à cadeia produtiva do leite.

Há soluções mais realistas e práticas para o fortalecimento da promissora economia do leite em Sergipe. Belivaldo demonstra estar integrado a essa revisão de paradigmas. E essas soluções começam a ser elaboradas em ritmo acelerado   pelo secretário da agricultura Zeca Silva.


LEIA MAIS



UMA OFENSA À MEDICINA E O SILÊNCIO DOS MÉDICOS

 


O episódio vivido pelo Dr. Ricardo Gurgel sugere uma releitura do livro O Médico e o Monstro.

 

Não foi apenas uma desatenção, uma atitude deseducada e grosseira. Foi mais, muito mais do que uma descortesia. Na ignomínia cometida, revelou-se o aparato que representa e traduz um sentimento bilioso de um grupo intolerante e fanatizado, ou seja: a essência mal cheirosa de um governo odiento.

O que fizeram com o Dr. Ricardo Gurgel, não atinge somente o cidadão respeitado, o médico, que errou apenas ao imaginar ser possível no atual clima da nossa espezinhada República, conduzir um processo de vacinação na linha do que sugere a ciência e o bom senso. O Dr. Ricardo, jovem, inspirado pela vontade de servir, aceitou o convite que lhe fora feito para coordenar o sistema nacional de vacinação. Foi nomeado, afastou–se da cátedra na Universidade Federal de Sergipe, do seu consultório, e ficou a esperar a anunciada posse. Cansou, e foi a Brasília saber o que acontecia. Foi informado por assessor do ministro da saúde, o oportunista acovardado e destituído de personalidade Dr. Queiroga, que a posse não ocorreria, porque o nomeado não se enquadrava ao modelo “cloroquinado” do capitão charlatão.

Qual seria este modelo? A negação da vacina, o deboche com a pandemia e com as mortes que ela causa? A absoluta indiferença diante da montanha de cadáveres, e a insinuação cavilosa de que os mortos não tomaram cloroquina?

Não somente isso, a coisa é muito pior.

O saudoso Dr. Hyder Gurgel, é personagem reverenciado da pediatria sergipana, que unia seu humanismo à prática das boas ações da sua companheira, Dona Rosa.

O Dr. Ricardo é filho do casal. A sua herança e a sua formação fazem dele um ser humano que respeita a vida.

E o respeito à vida não é uma característica desse governo desconexo, sem rumo, sobretudo destituído de sentimento.

A ofensa que o Dr. Ricardo sofreu, recai sobre a medicina, recai sobre cada um dos médicos deste país. Recai, especialmente, sobre os médicos sergipanos, colegas mais próximos do Dr. Ricardo.

Irão todos permanecer surdos e mudos diante desse processo insidioso de avacalhação do humanismo, de desrespeito aos que morreram, de negação dos valores da vida, que é o sentimento essencial da profissão que exercem?

O Dr. Ricardo daria prosseguimento às ações fundamentais do SUS, o inigualável sistema de saúde brasileiro que, pela sua característica humana e eficácia social, nos transforma agora no país com maior abrangência na imunização.

Mas o "mito", no caso um “semideus” trágico e devastador, espantou agora mais uma vez o mundo: entre os chefes de Estado integrantes da reunião do G-20 em Roma, ele era o único a não ter sido vacinado.

A sociedade médica consideraria essa atitude um bom exemplo?

O Dr. Ricardo iria estimular uma campanha de esclarecimento para diminuir a rejeição surgida entre milhões de brasileiros, que acreditam no que faz, no que diz, e seguem os exemplos do desbocado “mito”.

Na mitologia grega é renitente a crônica dos mitos decaídos.



LEIA MAIS



UM NOVO PANORAMA PARA ANDRÉ MOURA

 

Com a nova lei André Moura  está próximo de tornar-se candidato 


O ex-deputado André Moura, segundo os seus advogados, já poderia reafirmar com plena convicção que será candidato, se desejar, ao Senado ou à Câmara.

A nova lei de improbidade retira do Supremo a possibilidade de manter os argumentos que embasaram a inusitada condenação. Registrou-se o apertado placar de um voto de diferença, e num outro processo com a mesma origem, um empate ainda irresolvido. Tudo se baseou na delação de um prefeito, que se tornara inimigo de André, após deslumbrar-se com um cargo para o qual não revelou aptidão, competência ou bom senso para exercê-lo. Tanto assim que foi afastado e preso.

O governador Belivaldo que interrompeu as suas démarches visando a definição do quadro eleitoral do próximo ano, aguardaria a definição de André para retomar as conversas, que,   na ausência dele, alimentou um clima de expectativas.



LEIA MAIS



UM ACENO  PARA JOÃO DANIEL SERIA UM “ MORDE E ASSOPRA?

 


Belivaldo e Daniel: Amigos para sempre?

 

Entre alguns os políticos que estiveram presentes, na COHIDRO, ao ato de entrega de equipamentos, os afagos feitos pelo governador Belivaldo ao deputado federal petista João Daniel, foram entendidos como um gesto de “morde e assopra”. Depois do forçado desembarque da turma do senador Rogério Carvalho, que estava no governo, e Belivaldo a exonerou, o clima entre o governador e o deputado João Daniel parece conservar a mesma afinidade de quando o PT ocupava pontos chaves no governo.

Quando houve a afirmação feita por Rogério que deixaria o governo para ser candidato ao governo do estado pelo PT, sem o apoio do governo onde sempre encontrou largo espaço, Belivaldo entendeu que o gesto político imediato, a ser tomado por ele, seria o preenchimento desses espaços com indicações do grupo majoritário que permanecia no mesmo rumo. Os cortes atingiram Rogério na Saúde e Previdência, e a João Daniel na Agricultura. Belivaldo teve antes uma conversa amistosa com Daniel, que, depois de ouví-lo, respondeu tranquilo: “Belivaldo, no seu lugar eu faria o mesmo”.

João Daniel não desembarcou por inteiro do governo. Mantém alguns cargos em outras áreas, como a sua esposa na chefia da Educação no Campo. A professora Acácia Daniel faz um bom trabalho de aproximação da Escola com o pessoal dos Assentamentos e do Movimento dos Pequenos Produtores.

Tudo “continuaria como d`antes no Quartel de  Abrantes”? Aqui, relembrando uma frase muito repetida pelo jornalista Orlando Dantas, para conceituar o embolorado conservadorismo sergipano, mas, com a ressalva de que muita coisa vai mudando, e, politicamente mudando agora, porque há entre o bloco do governo e o PT dois caminhos diversos a percorrer.

Mas, no caso específico, restrito à área político-partidária, há que diferenciar a posição assumida por Daniel, não se tornando de repente oposicionista crítico, ou até “cuspindo no próprio prato”, a forma que preferiu Rogério para afirmar-se como neo-oposicionista.

No ato da COHIDRO, os equipamentos e obras anunciadas resultavam de emendas direcionadas pelo petista João Daniel. Ou seja: ele era uma das “estrelas da festa”.



LEIA MAIS




O PACHECO DE MINAS E  A LEMBRANÇA DE JUSCELINO




O senador Rodrigo Pacheco, mineiro poderia ser um novo Juscelino?


Rodrigo Pacheco, o presidente do Senado e mineiro, fez a sua filiação partidária ao PSD. E escolheu um local emblemático para a assinatura: o Memorial JK. Trata-se de um dos maiores monumentos cívicos da nossa República, exaltando o político, o cidadão, o Estadista, Juscelino Kubitscheck de Oliveira. Filho de uma professora e um caixeiro-viajante, JK tornou-se a maior e melhor referência na lista não muito alongada de chefes de Estado brasileiros, que desempenharam exemplarmente a sua missão. Entre todos esses, sem ressalvas, além de Juscelino, se poderia acrescentar Itamar Franco; com ressalvas, Getúlio Vargas e Ernesto Geisel, por terem sido ditadores, ainda, nesse rol de autoritários, Floriano Peixoto; os demais, ressalvados por outros motivos, poderiam ser: Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, talvez Epitácio Pessoa, e mais uns minguados dois ou três.

O Brasil sempre foi carente de Estadistas. E agora muito pior, mergulhados como estamos no vácuo de governança e de senso moral.

Nunca estivemos tão necessitados de “mineirices”, entendendo-se o substantivo quase adjetivado, como a peculiar forma mineira de fazer política com a elegância da civilidade, e a respeitosa adesão àquelas conversas ao “pé do fogo”, práticas nas quais foi exímio mestre o sempre evocado Tancredo.

Juscelino fazendo “50 anos em 5” como prometera, demonstrou que o Brasil pode progredir e mudar,  com pleno respeito aos postulados da democracia. Mas, teve de enfrentar duas rebeliões militares, alguns atentados, e uma tentativa de impeachment. A tudo sobreviveu, e manteve íntegras as instituições, transmitindo, em festa, a presidência ao seu sucessor oposicionista Jânio Quadros, que, por desatinos mentais e etílicos, felizmente durou pouco. Mas logo o Brasil se incendiara, e ainda somos afetados agora pelas fagulhas daquele crepitar do fogo dos descaminhos políticos.

Para a eleição que se aproxima, quanto mais nomes apareçam sinalizando a superação do radicalismo, melhor será para que se alcance outra vez um clima de normalidade.

Rodrigo Pacheco parece ser um desses nomes. Se conseguir alcançar um discurso que o aproxime dos desesperançados brasileiros, e a eles transmita alguma confiança, poderia significar um trânsito seguro para a civilidade. E isso já seria um excelente começo.

Pacheco se abriga num partido com fortes ramificações nacionais, apesar disso, a sua filiação não conseguiu a repercussão que se esperava.

O ex-deputado Jorge Araújo, ainda em recuperação dos males terríveis de uma pesada covid, se diz de certa forma surpreso, porque o PSD, o seu partido, aqui em Sergipe tendo fortes lideranças, não aproveitou o evento, dando-lhe a dimensão de importância que mereceria.

Mais Notícias de Luiz Eduardo Costa
TEXTOS ANTIVIRAIS (87)
19/01/2022  14h06 TEXTOS ANTIVIRAIS (87)
TEXTOS ANTIVIRAIS (86)
30/12/2021  19h21 TEXTOS ANTIVIRAIS (86)
TEXTOS ANTIVIRAIS (85)
27/12/2021  21h03 TEXTOS ANTIVIRAIS (85)
TEXTOS ANTIVIRAIS (84)
18/12/2021  22h03 TEXTOS ANTIVIRAIS (84)
TEXTOS ANTIVIRAIS (83)
10/12/2021  21h13 TEXTOS ANTIVIRAIS (83)