TEXTOS ANTIVIRAIS (81) | Luiz Eduardo Costa | F5 News - Sergipe Atualizado

TEXTOS ANTIVIRAIS (81)
Blogs e Colunas | Luiz Eduardo Costa 26/11/2021 16h21 - Atualizado em 26/11/2021 17h17

 

DOIS PLACARES:  6X 1 – 6 x 1 IGUAIZINHOS E ANTAGÔNICOS

A Justiça pode ser cega, mas precisa ver e enxergar.

As duas decisões, uma do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe, outra, do Superior Tribunal Eleitoral em Brasília, foram coincidentemente idênticas: seis a um e seis a um.

Na primeira, como se sabe, foram seis votos pela cassação da chapa Belivaldo – Eliane, na segunda, como também se sabe, foi o mesmo placar contra a referida cassação.

Tudo o que envolve política, quase sempre desperta na sociedade reações diversas, entendimentos conflitantes, visões antagônicas. Isso é um bom sintoma. Expressa vitalidade democrática, aquela seiva fortificando as instituições e a cidadania; a dialética pedagógica da divergência, sempre pacificada pela obtenção do consenso, também, com a aceitação tácita das decisões judiciais, ou, da manifestação democrática das maiorias.

Nesse jogo que é complexo, os seus jogadores, ou protagonistas, sendo humanos são falíveis, assim, estão sujeitos aos contágios gerados pelas circunstâncias, e, naturalmente, podendo ter causas outras de natureza psicológica, patrimonial, ideológica, mais ainda, por afeições e ojerizas, até idiossincrasias que podem ser definidas também como excentricidades.

Um magistrado que participou da votação em Aracaju, e o seu voto é um, entre os que decidiram pela cassação, após transcorridos alguns meses, dizia, a uma pessoa amiga, que o tempo o levou a fazer avaliação mais pragmática, entendendo, agora, que o esperado exemplo   da punição, não compensaria os graves prejuízos materiais, passíveis de sofrer o estado diante da balbúrdia política causada pela interrupção brusca de um mandato, na época, quase apenas começando.

E dizia mais ainda o magistrado: ele torcia para que, em Brasília, a decisão fosse pela recusa da cassação, considerando que, mesmo tendo a faca colocada no seu pescoço, Belivaldo não se deixou abater pelo desânimo e continuou o trabalho, buscando refazer o equilíbrio das finanças, retomando, para Sergipe, a capacidade de pagar em dia os salários e de investir.

Essa constatação o magistrado fez, antes que fosse anunciado o pagamento do décimo terceiro e do salário de novembro, no último dia deste mês, fato inédito na história administrativa de Sergipe. Isso, certamente, mais ainda reforçaria a tendência do magistrado a uma autocrítica, feita com a perspectiva do tempo e da realidade que atravessamos.

Mas, apesar da resiliência de Belivaldo, e da sua convicção firme de que em Brasília seria absolvido, para os investidores interessados por Sergipe, o panorama de incerteza provocou o adiamento de decisões, ou o cancelamento nas suas agendas, daquele estado onde poderia a qualquer momento haver a cassação do governador, sem que se soubesse, exatamente, qual o nível de segurança jurídica das decisões bilaterais entre empresários e governo, tomadas nesse período anômalo, onde poderia acontecer uma nova eleição direta ou a escolha de novos governantes por via indireta na Assembleia Legislativa.

E tudo isso agravado pela pandemia que devastou vidas, tumultuou a economia, gerou mais incertezas. E era nesse clima que um governador, “com a faca no pescoço” tinha de agir e tomar decisões graves, e enfrentando as turbulências de um ambiente político extremamente radicalizado, que contaminou o país tanto quanto o devastador vírus.

Hoje, o clima de normalidade está restabelecido, e de tudo isso a Justiça sai fortalecida, exatamente porque a sua divisão em instâncias hierarquicamente sobrepostas, torna possível, até em sentido inverso, uma devolução de  placares.

Mas, houve que se percorrer para isso mais da metade do tempo de um mandato.

Imaginemos que, acossado por essas adversidades, estivesse no governo de Sergipe, alguém susceptível a sofrer depressões, e deixasse o barco à deriva. Nessa hipótese, seria possível convocar os integrantes do  Tribunal Eleitoral para segurar o leme?

É por isso que, frequentemente, em meio ao calor dos julgamentos, há quem sempre levante a voz para acentuar a indispensável sensibilidade à questão fulcral da dosimetria da pena.

 

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DA NICARÁGUA DE DANIEL ORTEGA À  ALEMANHA DE ÂNGELA MERKEL

 

Entre Merkel e Ortega, Lula não vê diferenças?

Em Aracaju, lá pelos idos de 1980, um jovem universitário, saído recentemente da Faculdade de Psicologia, trocava a militância estudantil pela vida pública, e se fazia candidato a vereador. Era Bosco Mendonça. Político de esquerda, tendo se colocado contra a ditadura brasileira então na sua fase final e quase amenizada, foi seduzido pela chamada Revolução Sandinista. À frente do movimento armado que depôs o sinistro Anastácio Somoza estava Daniel Ortega. Hoje, vítima da mesma esclerose que ataca todos os longevos “donos” do poder, ele comanda um regime truculento e corrupto, que é a antítese do que imaginavam jovens que empunhavam as bandeiras da esquerda, como símbolos de libertação de povos oprimidos e países espoliados.

E talvez nenhum país latino-americano tenha sido mais espoliado do que a infelicitada Nicarágua, que era, efetivamente, uma espécie de quintal norte-americano, onde um aventureiro, no começo do século passado,  apossou-se de uma imensa extensão de terras férteis, e começou a plantar banana, muita banana. Nascia a United Fruit, que, daí por diante, escolheria e derrubaria ditadores, tanto na Nicarágua como em vários outros países caribenhos.

Os americanos não tinham o hábito de comer banana. Então, a empresa  contratou um especialista em marketing publicitário e político, e aos poucos o aventureiro era um dos homens mais influentes na elite do poder, enquanto o povão aderia à banana, como alimento repleto de virtudes nutritivas. A banana invadiu o cinema, as emissoras de rádio, à nascente televisão, ocupou os espaços do show-business, fazendo de Carmen Miranda , estrela brasileira em Hollywood a sua propagandista maior. Era uma “tropicaliente” pré-fabricada, usada, intensamente, tanto para popularizar a banana como dar suporte à politica da boa vizinhança, instrumento de contenção do ameaçador avanço da Alemanha nazista na região.

Voltando a Bosco Mendonça.

Ele foi visitar a Nicarágua sandinista, nos eflúvios contagiantes de uma revolução que prometia, tanto como a cubana no seu início, criar um mundo novo, repleto de esperanças nas transformações sociais.

Depois disso Bosco quase organizou uma espécie de   “Sandino – Tour”, organizando grupos de jovens para irem ver de perto os resultados da revolução sandinista na Nicarágua.

Se hoje perguntarem a Bosco Mendonça o que ele pensa a respeito da situação na Nicarágua, ele, por certo, não tendo perdido o elo de idealismo que o ligava a uma causa aparentemente justa, dirá, certamente, que tudo teria sido mais uma desses equívocos que se transformam cedo em desilusões.

No seu tour pela Europa Lula mostrou, a plateias qualificadas, que no Brasil ainda existem esperanças de um reencontro com a normalidade institucional e o bom senso, ajudando, de certa forma, a refazer a nossa imagem desgastada pelos extremismos, que aproximam-se da total insanidade.

Mas, ao comparar a trajetória de Daniel Ortega na Nicarágua, perpetuando-se no poder, Lula derrapou num daqueles equívocos fatais que a envelhecida esquerda ainda comete, tais como o de incensar ditaduras, desde que tenham um discurso aproximado com aquele que se praticava quando barbudos, com fuzis na mão, derrubaram ditadores, e instalaram o que denominariam como “democracias populares”. Excrescências idênticas ao que agora preconiza a extrema direita com suas práticas populistas autoritárias.

Para piorar ainda mais o tropeço, Lula perguntou por que Ortega não pode ficar muito tempo no poder, mas, Angela Merkel pode. Acontece que na Alemanha não existem presos políticos, e as instituições funcionam plenamente. Assim, Ângela Merkel completou, num regime parlamentarista e numa sólida e exemplar democracia –social dezesseis anos como chefe de governo.

A pergunta além de impertinente, escancara uma  confusão mental inadmissível num homem que transita por vários países, inteligentemente, tratando dos temas que mais atraem as atenções do mundo. E onde bem se sabe qual a diferença fundamental entre um Ortega nicaraguense que herdou e absorveu nas suas práticas, os mesmos comportamentos do seu antecessor e inimigo Anastácio Somoza, e o legado politico de Ângela Merkel, uma cientista que se fez política e  ajudou a fazer da Alemanha outrora nazista e belicosa, um país que avança na modernidade e adota as mais civilizadas práticas de convivência social, abrindo as sendas do futuro com a economia verde.

Com deslizes assim, Lula anula o seu próprio discurso democrático, da mesma forma como fazem os seus correligionários, estacionados ainda no começo da vida do Partido dos Trabalhadores, ao fazerem cara feia diante da possibilidade de uma aliança política pluralista e pragmática com o ex-governador Geraldo Alckmin, muito diversa daquela que faz Bolsonaro com o notório Valdemar Costa Neto, e a sua legião de peculatários incorrigíveis.

 

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AMAZÔNIA, UMA TERRA DE NINGUÉM?

 

O que imagina o mundo vendo uma imagem dessa?

Aquela imagem das duzentas ou trezentas dragas e balsas de garimpeiros clandestinos e criminosos, espalhadas pelo rio Madeira, assustou os brasileiros, e, no exterior, fez consolidar a ideia de que, neste governo, a Amazônia  acabou por tornar-se uma terra de ninguém.

Aquele amontoado de embarcações, está à distância inferior a duzentos quilômetros de Manaus. Para o gigantismo amazônico essa distância é um nada, ainda mais, quando existe a ligação fácil pela vastidão dos rios.

A verdade é que a Marinha do Brasil não tem capacidade operacional para patrulhar os rios amazônicos, que são estratégicos, por serem próximos ou cruzarem fronteiras, e são, em alguns casos, os únicos meios possíveis de ligação entre polos urbanos e instalações militares.

Descuramos da Amazônia, embora estejamos cansados de ouvir aquele discurso babosamente ufanista de “Amazônia brasileira”, “Soberania na Amazônia”, “fora gringos e ONGS”, e por ai vai, nessa toada inconclusiva e inútil. 

Não temos uma politica efetiva para a Amazônia, seja no tocante ao desenvolvimento da região com absoluta preservação, como também em termos de defesa, levando em conta que a área hoje está contaminada pela presença do narcotráfico, agora, ao que tudo indica, associado à atividade ilegal, predadora e criminosa do garimpo.

É indispensável trocar as prioridades estratégicas do Brasil, para redirecioná-las às nossas fronteiras do norte, com a criação de bases navais, aéreas, e o reforço das tropas do Exército, e mais efetivos da Polícia Federal e do pessoal do IBAMA e ICM-BIO.

O vice-presidente Mourão, sendo um general do exército e hoje presidindo o Conselho da Amazônia precisaria ter sob seu comando, um complexo de defesa e fiscalização, coisa que não tem conseguido, e daí suas falas cada vez mais a traduzirem uma contida decepção.

A riqueza da Amazônia é absurdamente gigantesca, para ser assim tão negligenciada. Essas centenas de dragas e balsas ancoradas ao longo do rio formando ao que parece barreiras para a defesa, resultam de investimentos vultosos de grupos econômicos ou de narcotráfico poderosos, estão sugando o leito do rio e extraindo  toneladas de ouro. Isso não faz parte do país, não é patrimônio público? E este país negligenciado, Brasil, não é apenas uma “terra de leite e mel”, como a Bíblia classifica a abundância de recursos, é muito mais: É a terra de onde sai ouro do fundo dos rios.

Garimpeiros ilegais não pagam impostos, destroem o meio ambiente, contaminam os rios com mercúrio, matam peixes e pessoas. E onde eles agora se concentraram, havia uma base do IBAMA que, faz 3 anos, foi destruída e queimada por eles mesmos.

Deveriam ser reprimidos com a rapidez e a energia que se fazem indispensáveis, do contrário, estarão cada vez mais ousados e sempre confiantes na promessa que lhes fez o próprio presidente Bolsonaro, que disse querer  milhares de garimpeiros operando na Amazônia, e a eles subrepticiamente protege. Não é totalmente descartável a hipótese de que amigos seus, e familiares também seus, estejam associados ao negócio rendoso da garimpagem ilegal.

Só assim se poderá entender a lentidão em agir, em mostrar aos garimpeiros que, ali, o poder do Estado brasileiro não estaria ausente. Se alguns aviões, os notáveis Tucanos, por exemplo, baseados em Manaus,  estivessem fazendo sobrevoos, disparando como advertência suas metralhadoras, já estaria criado um clima de receio entre os garimpeiros. Com o retardamento, muitos deles poderão se retirar incólumes e irem” baixar em outro terreiro,” sabendo que têm um  “santo forte” em Brasília, lhes estendendo a mão amiga.

As nossas vulnerabilidades, com a demora, estão sendo claramente expostas aos estrangeiros, e, entre eles, haverá alguns que até imaginarão usar dessas fragilidades para fincar um pé na “nossa” Amazônia.

O presidente Bolsonaro estimulou, com seu discurso, essa invasão da garimpagem, tanto quando a sanha dos devastadores madeireiros, e os resultados disso, dessa insanidade, estão expostos nas cifras, sobre desmatamento, na mais cinematográfica maneira de revelação que é a própria imagem do festim dos garimpeiros nas águas do rio Madeira, de onde avistam à noite, as luzes da cidade de Manaus.

Bolsonaro entre as suas fixações, talvez patológicas, tem uma que talvez explique o que hoje acontece na Amazônia: ele é vidrado em garimpagem.

Quando tenente, revelam os registros públicos do extinto SNI - Serviço Nacional de Informações, Bolsonaro, em férias, fez um pequeno grupo de colegas tenentes dois ou três, e foram garimpar ouro nos arredores da cidadezinha de Saúde, sertão baiano. Na ocasião, o seu comandante coronel Carlos Alberto Pelegrini, fez o assentamento que consta na folha de serviço: “O oficial em desvio de função, deu excessivas demonstrações da ambição de realizar-se economicamente. Necessita ser designado para funções  que exijam esforços e dedicação afim de ser reorientado em sua carreira”.

Isso ocorreu em 1983, quando também, ainda segundo os informes do SNI, o tenente Bolsonaro foi suspeito de fazer contrabando na fronteira do Paraguai com o Paraná.

O garimpo, como se sabe, é também associado ao contrabando, que, por não ter formato legal, sonega impostos e desconhece fronteiras.

Já em 1987, o mesmo coronel Pelegrini, serviu como testemunha de acusação no caso do julgamento do  tenente, desta vez terrorista, que planejava explodir bombas num quartel, como protesto pelos baixos salários recebidos.

Não é sem motivos ou sem razão que a “nossa” Amazônia está sendo devastada pela ousadia impune de garimpeiros, madeireiros e traficantes.

Diremos então: “Pátria Amada Brasil” ?

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