O que fazer em Veneza em três dias
Diferente de tudo que você já viu, é experiência única a agregar história e puro encantamento
Blogs e Colunas | Passos Pelo Mundo 12/09/2020 22h25 - Atualizado em 20/09/2020 23h43

A primeira vez que avistei Veneza foi ao sair da estação de trem de Santa Lucia. Nem o mais experiente viajante está preparado para Veneza. É diferente de tudo que você já viu! Eu tinha planejado um tour pelo Norte da Itália e iria passar apenas um dia em Veneza já que eu havia priorizado a Toscana. Naquele momento, decidi que iria voltar a cidade...

Um pouco mais de um ano depois, em outra viagem para a Europa fazendo meu roteiro, que incluía um intercâmbio em Malta, acrescentei Veneza, mas dessa vez hospedada em um hotel multicentenário na beira de um canal, para mergulhar na atmosfera daquele lugar. Fiquei três noites. Nessa segunda estada posso dizer que conheci a cidade, que só se revela a quem não tem pressa.

Resolvi escolher um hotel perto da estação de trem para não ter que sair arrastando a mala por um longo percurso, lembrando que a cidade é cheia de pontes e elas têm escadas. Mas uma opção para quem estiver longe não quiser caminhar, é pegar uma embarcação chamada vaporetto, que substitui os táxis.

A História
Já instalada, era hora de procurar um lugar para comer e me perder pelas vielas de uma cidade super diferente construída em ilhas, entre canais há mais de mil anos. A história da construção de Veneza é realmente impressionante! Tudo começou no ano 452, quando habitantes do nordeste italiano se refugiaram nas ilhas de uma grande lagoa de água doce, à beira do Mar Adriático, para escapar das invasões bárbaras que puseram fim ao Império Romano. 

Nessa região chamada Veneto, havia 120 ilhotas, cortadas por 177 canais. Os moradores foram ocupando a região e fazendo os aterros, tornando os canais cada vez mais estreitos. O crescimento desordenado em aterros revelou-se, inclusive, responsável pelo maior problema que a cidade enfrenta hoje: as enchentes, o fenômeno da “Aqua Alta”, que acontece em dias chuvosos e que eu conheci na primeira vez que estive na cidade. Para circular em alguns lugares, somente por cima de tablados, mas a cidade é preparada. Não desista de ir se o fenômeno acontecer às vésperas da sua chegada.

Ponte do Rialto
Para conhecer os principais recantos da cidade, basta seguir o fluxo caminhando com os turistas porque todo mundo vai para os principais pontos turísticos da cidade. Uma das paradas obrigatórias é a ponte do Rialto, a mais antiga das quatro pontes que cruzam o Grand Canal de Veneza e era o único ponto de travessia entre os dois lados do canal até a construção das outras pontes.

A evolução e importância do mercado de Rialto na margem oriental do canal aumentou o tráfego fluvial consideravelmente perto da ponte flutuante. Por isso, foi substituída por volta de 1250 por uma ponte de madeira, que desabou duas vezes. A ideia de uma reconstrução em pedra foi pela primeira vez proposta em 1503. Vários projetos sucederam-se nas décadas. Em 1551, as autoridades venezianas pediram propostas para renovar a Ponte de Rialto. Arquitetos famosos ofereceram ideias. Sua construção foi finalizada em 1591.

Para continuar a rota até a Praça San Marco com certeza você vai se perder, mas isso também é divertido porque você vai encontrar diversos recantos ao dobrar cada esquina. No terceiro dia em Veneza, você já começa a se localizar. Use o aplicativo Google Map, marque seu hotel como ponto de interesse para não se perder. Em alguns momentos ele não funciona 100% em Veneza, mas sabendo a direção você se encontra depois.

Praça San Marco
Continue segundo o fluxo até a Praça San Marco, que é de uma beleza extraordinária e com a maior concentração de pontos turísticos de Veneza. Não deixe de fazer um tour na Basílica San Marco e no Palácio Ducal.

A Basílica foi edificada no ano 828, tem cinco cúpulas que misturam estilos bizantinos, românicos e renascentistas. Serve de abrigo para os restos mortais do santo que a batiza, padroeiro de Veneza. A estrutura superdecorada recebia objetos de cada navio mercante que retornava à cidade durante o próspero período da República Veneziana. Entre eles estão os cavalos de bronze em tamanho natural trazidos do Hipódromo de Constantinopla, atual Istambul. Os que hoje adornam a fachada da igreja são réplicas. Os originais estão em seu interior. A entrada na igreja é gratuita.

Já o Palácio Ducal foi construído entre os séculos X e XI, é uma obra-prima do gótico veneziano. No início ele era uma fortaleza, mas depois da primeira restauração com o Doge Sebastiano Ziani, foi transformado em um elegante palácio, onde 120 doges dirigiram Veneza por mais de mil anos.

Siga para a Ponte dos Suspiros. Ela tem esse nome porque liga o palácio à Prigioni Nove, prédio construído para abrigar a prisão. Os réus eram julgados no Palácio e se condenados, atravessavam a Ponte onde os prisioneiros suspiravam e viam Veneza pela última vez. Ainda bem que nós turistas podemos fazer o mesmo caminho, mas para suspirar de amor por Veneza.

 

Despedida de Veneza

 

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Carla Passos é Jornalista, especializada em Turismo e apaixonada por história, flores, textos e coisas inspiradoras. Adora sol, mar, fotografia, doce da padaria, dançar, e sonhar… Na infância, ainda morando em Salvador, meu principal hobbie era ir ao aeroporto ver os aviões partirem. Eu sempre dizia que um dia eu estaria dentro daqueles aviões. Antes de completar 15 anos, eu dizia aos meus pais: não quero festa, quero viajar de avião para o Rio de Janeiro. Foi minha primeira viagem de avião! Trabalhei anos com essa editoria, mas atualmente estou na editoria de política, minha segunda paixão. Assim o turismo virou um hobbie. E de lá pra cá já conheci quase todos os estados do Brasil e 25 países.

E-mail: carla.jornalista@hotmail.com

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