Cânions de Xingó não têm risco de desabamento como o de Capitólio, avalia geólogo | F5 News - Sergipe Atualizado

Cânions de Xingó não têm risco de desabamento como o de Capitólio, avalia geólogo
Segundo especialista da Serhma, a estrutura das rochas é diferente nos dois locais
Cotidiano | Por Laís de Melo 10/01/2022 14h21


Qualquer semelhança é mera coincidência. Apesar de as estruturas entre os cânions de Capitólio, em Minas Gerais, e os cânions de Xingó, entre Sergipe e Alagoas, serem parecidas visualmente, são diferentes tecnicamente, conforme aponta o geólogo da Superintendência de Recursos Hídricos e Meio Ambiente de Sergipe (Serhma), Gustavo Nunes de Araújo.

Segundo o especialista, os Cânions de Xingó não apresentam risco de desabamento da forma como aconteceu em Capitólio no final de semana, com grande volume de rochas. Isso porque, enquanto na cidade mineira as rochas são metamórficas com fraturas verticais e horizontais, apresentando assim zonas de fraqueza, os cânions de Xingó são formados por rochas sedimentares, que surgem a partir da erosão que a água dos rios efetua lentamente na superfície, abrindo um “buraco” por onde passa. 

“As rochas sedimentares são, em comparação aos demais tipos de rochas, as menos resistentes e têm como uma de suas principais características a sua estruturação em camadas, ou seja, é um tipo de rocha estratificada. Essas camadas são resultantes da interposição lenta e gradual, que leva milhares e milhares de anos, das diferentes camadas de sedimentos. Portanto sua erosão é de forma de dendritos, diferentemente das rochas metamórficas, as quais têm sua erosão através de fraturas, tendo essas o desprendimento de grande volume de rochas”, explica o especialista. 

Conforme Gustavo de Araújo reitera, o desabamento visto em Capitólio não é possível de acontecer em Xingó, no entanto, não se descarta a possibilidade de um colapso da estrutura, ou movimentação de massa. Por isso, o especialista ressalta a importância de laudos geológicos e geotécnicos das áreas. 

“Ter um desabamento da forma que teve em Capitólio é descartado, pois as estruturas rochosas são completamente diferentes" reforça. "Mas é importante ressaltar que, na última década, dados oficiais mostram o Brasil em 5º lugar entre os países do mundo em número de vítimas associadas a eventos geológicos/geotécnicos, com mais de 41 milhões de pessoas afetadas, com 42 eventos de grande magnitude registrados”, destaca o profissional. 

Ainda segundo Gustavo, a tragédia em Capitólio é um alerta e expõe a problemática existente com relação à gestão territorial em regiões de geoturismo no Brasil, e aponta a “ausência de laudos para identificar e tipificar os riscos dos locais a serem visitados, bem como determinar as restrições de uso e os procedimentos de segurança” das áreas. 

“Os laudos geólogicos e geotécnicos, que caracterizam se um local é ou não de risco iminente, devem ser realizados e as recomendações devem ser executadas pelos órgãos competentes para que não coloquem em risco a vida de visitantes e condutores que atuam com o geoturismo. É fundamental ter um efetivo de profissionais, em todas as esferas, que tenham treinamento e capacitação para mapear e elaborar laudos para a liberação/restrição dessas áreas, assim como é de vital importância o contínuo monitoramento de risco existente”, aponta. 

Em entrevista ao telejornal da GloboNews, o prefeito de Capitólio,  Cristiano Silva, chegou a afirmar que a prefeitura nunca fez análise de risco geológico nos cânions. A justificativa do gestor foi de que nunca antes tinha ocorrido algo parecido. 

Em Sergipe, de acordo com o coordenador de Defesa Civil do município de Canindé de São Francisco, cidade de onde saem embarcações para visitação aos cânions de Xingó, Adilson Lima, as primeiras análises das estruturas serão realizadas em breve. Segundo ele, o acidente em Capitólio trouxe à tona a necessidade de uma avaliação técnica da área, apesar de pontuar que não há risco de desabamento na região.

Edição de texto: Monica Pinto
Mais Notícias de Cotidiano
Anvisa recebeu mais de 300 ameaças: “Preço a ser pago será terrível”
22/01/2022  14h30 Anvisa recebeu mais de 300 ameaças: “Preço a ser pago será terrível”
Ministério da Saúde/Divulgação
22/01/2022  14h25 Ministro destaca importância do ciclo vacinal completo contra covid-19
Trânsito na avenida Beira Mar será parcialmente interditado no domingo
22/01/2022  12h55 Trânsito na avenida Beira Mar será parcialmente interditado no domingo
SMTT
22/01/2022  09h53 Problema na rede de energia deixa semáforos sem funcionar em Aracaju
Instagram/Reprodução
21/01/2022  21h10 Pelé segue na quimioterapia; Rei tem tumores espalhados pelo corpo