Chefe da ala feminina do PCC Sergipe é presa pelo Gaeco em Roraima
Sara Barbosa de Oliveira era conhecida como "Natasha" e foi presa em Boa Vista
Cotidiano | Por Saullo Hipolito* 02/12/2019 12h37

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apresentou detalhes da prisão da suposta chefe do  Primeiro Comando da Capital (PCC) de Sergipe. Identificada como Sara Barbosa de Oliveira, de 22 anos, ela estava em Boa Vista, capital de Roraima, onde tinha um salão de beleza há quase dois meses. 

Conforme o promotor de Justiça Jarbas Adelino Júnior, a líder da facção foi para a capital de Roraima, pois estaria esperando seu parceiro sair do sistema prisional para retornar ao estado onde comandava o tráfico. Sara tinha residência em Japoatã, onde era muito conhecida e havia disputado em 2015 um concurso de miss teen da cidade, e conquistado o título de miss model Japoatã 2015. Mas havia saído da cidade há certo tempo. Quando morava no estado, Sara ainda respondeu a um processo de roubo.

Para o tráfico, o nome que ela utilizava era Natasha. "Ela comandava a ala feminina da facção criminosa, principalmente execuções no estado", afirmou o coordenador do Gaeco do MPSE, Fábio Mangueira.

De acordo com os investigadores, ela gerenciava todas as  movimentações da facção no estado sergipano por meio das redes sociais e dispositivos móveis. "Ela comandava tudo de Sergipe diretamente de Roraima. A Sara era considerada centralizadora. Se houvesse chefes, era a mais alta da hierarquia. Uma das características dela é ser muito violenta. Era quem administrava o PCC, seção feminina de Sergipe, já algum tempo e quem articulava mortes", relatou um dos investigadores da Operação. 

"O PCC tem vários focos, tráfico, drogas, vários delitos comuns, a facção tem um modus operandi gigante, ela tem que capilarizar e adquirir recursos, então as atuações são as mais diversas, agindo a todo tempo e o tempo todo", afirmou o promotor de Justiça Jarbas Adelino Júnior .

Com a prisão de Sara em Roraima, aumenta o número de pessoas presas durante a Operação "Flashback", passando a 83 no total. Ao todo, agora são nove estados participantes da organização, com cinco prisões de sergipanos; um homem morreu ao receber a ordem de prisão.

"A investigação continua, por isso a gente não pode dar mais detalhes sobre o caso. Continuamos atuando em conjunto com o Gaeco de Alagoas, as medidas cautelares têm sido expedidas pela 17ª Vara Criminal do Estado e a gente continua em apoio a ele, porque a gente quer identificar o líder da ala masculina da facção no estado", disse Fábio Mangueira.

Operação "Flashback" - balanço

- Deflagrada na quarta-feira (27);
- Coordenada nacionalmente pelo Grupo Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) do Ministério Público de Alagoas;
- Participação do Gaecos dos MPs de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, São Paulo, Tocantins, Sergipe e Roraima;
- Foram expedidos 110 mandados, entre eles busca, apreensão e prisão. Deste total, 66 mandados de prisão só no Estado de Alagoas; - 83 pessoas presas.

Em Sergipe

- Operação foi deflagrada nos municípios: Simão Dias, Itabaiana, Aracaju, Malhada dos Bois e no Complexo Penitenciário Dr. Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão;
- Foram expedidos cinco mandados de prisão;
- quatro pessoas presas;
- Um dos alvos – conhecido como “Coringa” – resistiu à ação policial, foi atingido em confronto, levado ao Hospital do município de Lagarto, mas morreu. 
- Foram apreendidos sete aparelhos celulares e duas balanças para pesagem de drogas no Copemcan.

* Com informações do MP/SE.

Edição de texto: Monica Pinto
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