Lú Spinelli: os passos da baiana que enalteceu Sergipe através da dança
Cotidiano 12/11/2015 09h30

Da Redação

A cultura sergipana está de luto. A morte da bailarina Lú Spinelli pegou todos de surpresa e comoveu o estado que acolheu a baiana ainda em 1971. Prestes a completar 65 anos no próximo dia 25, a coreógrafa já tinha encerrado as atividades de sua escola de dança, mas atualmente dava aulas particulares e se dedicava a preparação do espetáculo “As Mil e Uma Noites” para ser apresentado na próxima semana como uma das programações de final de ano do Ballet Célia Duarte, no Teatro Tobias Barreto, em Aracaju. Também planejava a realização de um aulão em comemoração ao seu aniversário. Considerada a precursora da dança contemporânea no estado, Lú dedicou 43 dos 56 anos de carreira à formação de profissionais da dança em Sergipe, perseguindo com vivacidade o seu desejo de transformar o estado em uma vitrine para oportunizar a classe.  

Em sua última entrevista à imprensa, a “operária da dança”, como ela se classificava, falou do fechamento do Studium Danças, mas ressaltou que continuaria a respirar arte. A professora passou a se dedicar ao estudo científico da dança e deixou claro seu anseio por conhecer mais. “A dança é muito fugaz, de manhã a gente sabe e à tarde a coisa muda, afinal é movimento e temos que estar sempre nos renovando e acompanhando os movimentos mundiais da área”.

Com um estilo inovador, Spinelli também foi responsável por transformar o modo como a dança era encarada em Sergipe. O seu trabalho incansável ajudou a desconstruir preconceitos e a incluir pessoas de todas as classes em um mesmo palco, num só compasso. Tia Lú, como seus alunos a chamavam carinhosamente, exportou talentos para outros estados brasileiros e além-fronteiras. Nas redes sociais, amigos, alunos e admiradores enalteceram a contribuição da artista para a cultura sergipana.

“Lu trouxe consigo o talento e a arte da dança. Bela, disposta, muito antenada, logo chamou a atenção e posso dizer que foi o maior nome da dança sergipana, um dos maiores do nordeste e tinha respeito nacional na área da arte de dançar. Já no primeiro Festival de Arte de São Cristóvão, em 1972 trouxe o americano Clayde Morgan. Depois outros nomes como Flexa, Firmino Pitanga e até o ator glauberiano Mario Gusmão (O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro). Buscou na dança associar as raízes sergipanas, seus espetáculos eram autorais. "Feira dus Aracajus" foi um espetáculo antológico que tive a felicidade de acompanhar de perto”, escreve o advogado Luis Eduardo Oliva.

Spinelli também foi responsável pelo primeiro Festival de Dança Moderna, Contemporânea e Afro e por Festivais Anuais que se tornaram a marca do trabalho desenvolvido na capital sergipana e no interior. “Os tempos eram difíceis, a cidade pequena e conservadora. Estávamos no auge do regime militar e a dança acadêmica não tinha espaço, nem patrocínio, tampouco público. Com Lú Spinelli tivemos pela primeira vez em Sergipe, a possibilidade de artistas homens e negros frequentarem aulas e serem reconhecidos na cena da dança no estado de Sergipe e fora dele. Através da dança, soube tão bem interpretar e expor, aqui e no Brasil, a grandeza e a beleza das cores e sabores da cultura sergipana”, destaca o professor mestre Mário Resende, do Núcleo de Dança/UFS, em um texto homenageando os 40 anos de carreira da artista.

A professora de dança integrou os conselhos Estadual de Cultura e o Brasileiro de Dança. Deste último recebeu a medalha de Honra ao Mérito Artístico. Regina Lúcia Spinelli deixa dois filhos e um legado de incentivo à disseminação da cultura do estado que ela aprendeu a amar, cuja recíproca é verdadeira.

Foto principal: Fabiana Costa/Secult

Fotos 2 e 3: Arquivo Pessoal

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