Mais de 1,2 mil trabalhadores já se afastaram por doenças mentais em SE
Entenda como a pandemia do coronavírus pode influenciar a saúde mental no trabalho
Cotidiano | Por Emerson Esteves* 22/09/2020 10h00 - Atualizado em 23/09/2020 09h19

O adoecimento mental, há alguns anos, está entre as principais causas de afastamento do trabalho.  De acordo com o INSS, de janeiro a agosto de 2020 foram concedidos 173.336 benefícios por incapacidade decorrente de doenças e transtornos mentais no trabalho em todo o país. Em Sergipe, 1.265 benefícios foram liberados no mesmo período.

No Brasil, transtornos mentais e comportamentais foram a terceira causa de incapacidade para o trabalho, correspondendo a 9% da concessão de auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, de acordo com dados do 1º Boletim Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade fornecido pela Secretaria de Previdência/Ministério da Fazenda/2017. 

O mesmo levantamento ainda aponta que os episódios depressivos são a principal causa de pagamento de auxílio-doença não relacionado a acidentes de trabalho, correspondendo a 30,67% do total, seguido de outros transtornos, como ansiedade (17,9%). Quando se olha para o quadro de auxílios pagos relacionado ao trabalho, os números são ainda mais expressivos.

Reações ao estresse grave e problemas de adaptação, episódios depressivos e outros transtornos ansiosos causaram 79% dos afastamentos no período de 2012 a 2016. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), os transtornos mentais mais comuns em ambiente de trabalho são depressão, estresse, transtorno afetivo bipolar, ansiedade e síndrome de burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional. 

De acordo com a psicóloga, pós-graduanda em Neurociência Organizacional e analista de Recursos Humanos no ramo industrial, Bianca de Souza Bastos, os impactos da pandemia do novo coronavírus têm intensificado transtornos mentais já existentes no ambiente de trabalho. 

“O medo do desemprego, as incertezas com a estabilidade do trabalho, da permanência dos benefícios, remuneração, a insegurança para sair de casa, a dificuldade de conciliar a quarentena em família em home office só aumentaram os níveis de estresse e ansiedade nos profissionais e com isso percebeu-me uma maior frequência dos sintomas físicos e emocionais”, afirma Bianca de Souza Bastos. 

Os principais sintomas físicos e emocionais que podem ser verificados neste contexto são irritabilidade, medo, insônia, falta de concentração, tédio, desesperança, frustração, raiva,  problemas gástricos, dor de cabeça e fadiga.

Desafios da saúde mental nas empresas

A psicóloga afirma ainda que, diante deste cenário pandêmico, todos foram afetados em algum grau, seja individualmente, seja coletivamente, e que enquanto umas pessoas desenvolveram transtornos mentais, outras que já tinham algum ou mais deles sofreram um agravamento no quadro.

Bianca ressalta que os desafios impostos para a sociedade por conta do novo coronavírus a médio e longo prazos não será exclusividade do âmbito social, político e educacional, por exemplo, mas que a saúde mental também enfrentará dificuldades. 

“Acredito que nós, profissionais da saúde, teremos um grande desafio para além dessa pandemia, os efeitos repercutirão em todos âmbitos, sejam eles econômicos, sociais, educacionais, e na área da saúde não será diferente. Uma reportagem da CBN Saúde destaca que apenas 18% das empresas mantêm um programa para cuidar de saúde mental dos trabalhadores”, diz a profissional pós-graduanda em Neurociência Organizacional.

Segundo ela, engajamento de empresas para com a saúde mental de seus funcionários e colaboradores é fundamental para se pensar um futuro pós pandemia, que assegure o  bem-estar mental e psicológico das pessoas. 

“Poucas empresas estão engajadas com essa causa, e nesse pós-pandemia precisaremos dessas organizações, sejam elas públicas ou privadas, como cadeia de  ajuda no auxílio da promoção de ambientes de trabalho mais seguros para todos os trabalhadores e, além do ambiente seguro, a busca constante pela proteção da segurança física dos trabalhadores, se estendendo ao seu bem estar mental e psicológico”, avalia Bianca de Souza Bastos.

Cuidados e hábitos saudáveis 

Diante dessa nova realidade, a psicóloga e especialista no ambiente de trabalho dá algumas sugestões para lidar com o trabalho remoto de uma forma mais saudável e sustentável.

“Ter um horário certo para começar e terminar o trabalho, além de ter uma pausa para almoço bem definida e se permitir a pequenos intervalos ao longo do dia para tomar um chá, comer uma fruta, se alongar e bater um papo, estabelecer horários fixos para verificar os e-mails e atender demandas de trabalho; planejar e organizar a rotina; realizar as atividades laborais de acordo com a prioridade e urgência; ter um propósito profissional; manter atividades físicas e de lazer em casa; construir e manter redes de apoio social; praticar o autocuidado diariamente; fazer psicoterapia, meditação, pedir e dar feedbacks ao chefe de trabalho e aos demais colegas estimulando um diálogo franco, reinventar-se como profissional”, sugere Bianca.

*Estagiário sobre a supervisão do jornalista Will Rodriguez
 

Edição de texto: Monica Pinto
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