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Pré-Caju: relembre os 23 anos de história da prévia carnavalesca
Festa chegou a levar 300 mil pessoas por dia à pipoca e ao Corredor da Folia
Cotidiano | Por Letícia Mendonça e Emerson Esteves* 30/01/2020 18h00

Os blocos, o abadá, o banho de espuma e a famosa pipoca foram por 23 anos uma tradição sergipana no saudoso Pré-Caju. Com o anúncio da possibilidade de retorno da micareta, F5 News preparou um #TBT para lembrar momentos marcantes dessa trajetória.

A festa teve sua origem em 1992, pensada pelo empresário Fabiano Oliveira, que se inspirou no axé music e no carnaval de Salvador; o evento antecedia as festividades momescas. E assim ficou conhecido, com o passar dos anos, como a principal prévia carnavalesca do Brasil.

O Pré-Caju fez parte do Calendário de Verão do Estado de Sergipe e, em seu auge de popularidade, chegou a levar 300 mil foliões por dia à avenida Beira Mar, percurso principal em que os trios elétricos guiavam a multidão.

Depois de seis anos sem nenhuma edição, a festa pode retornar ao calendário aracajuano, como já apontou o idealizador do evento, Fabiano Oliveira. Diferente das últimas edições, a folia está prevista para acontecer nos dias 10 e 11 de outubro. O percurso começará na Passarela do Caranguejo até a praça de Eventos da Orla da Atalaia, com cortejo de blocos das 14h às 22h.

Não é a primeira vez que a prévia carnavalesca acontece após o carnaval. A sua primeira edição foi no dia 19 de julho de 1992, mas ainda não levava o nome de ‘Pré-Caju’. O ‘Suas Férias Com Amor’ - esse evento embrionário - ocorreu com apenas um bloco, o Com Amor, animado pela banda Asa de Águia, que inspirou o nome dele por uma música de sucesso na época.

Esse lançamento reuniu cerca de 20 mil pessoas no percurso de 7km, da Orla de Atalaia até a antiga Casa de Show Augustu’s, no bairro Coroa do Meio. Fabiano Oliveira diz que a ideia surgiu quando assistiu a performance da banda Asa de Águia no bloco Crocodilo, no carnaval de Salvador.

O ano de 1993 pode ser considerado o do pontapé do Pré-Caju, já carregando o nome oficial. Nesta edição, o evento teve três blocos: Com Amor, de novo com a banda Asa de Águia; bloco Papagaios (com a banda Cheiro de Amor) e o bloco Brilho (com a Banda Brilho). O trajeto também foi modificado, começando pela avenida Barão de Maruim, passando pelo bairro Treze de Julho e finalizando na Casa de Show Augustu’s, onde acontecia o chamado encontro de trios.

O operador de rádio Yrlandsson Ribeiro aproveitou a festa desde a sua primeira edição. “O evento era sensacional. Existia muita azaração, muita gente bonita, muitos turistas, a cidade ficava em uma vibe show. Quando o bloco chegava no ‘corredor da folia’ rolava banho de espuma, era o ponto alto da festa”, lembra.

Em 1994, o evento se expandiu, novos blocos foram adicionados ao percurso do Pré-Caju, entre eles o Bora Bora, Fascinação, Dino, Gula e Eva. A festa tinha abertura no domingo, com os blocos destinados a crianças e continuava de quarta-feira até o domingo seguinte, com os desfiles dos blocos alternativos e oficiais, totalizando nove trios por noite, além dos trios e bandas que puxavam a pipoca. 1995 foi o ano de estreia do famoso Bloco Nana Banana no circuito pré-carnavalesco, puxado pela banda Chiclete com Banana.

Em 1996, a organizadora e gestora do Pré-Caju, a Associação Sergipana de Blocos de Trio (ASBT) foi reconhecida legalmente através da Lei Municipal nº 2.465 de 25 de novembro. E este foi o ano da estreia como foliã da professora Joseilze Andrade, grávida de quatro meses do seu primeiro filho no bloco Bora Bora do cantor Netinho.

“Participei do Pré-Caju em três situações diferentes: como foliã nos blocos, foliã na pipoca e também como trabalhadora (enfermeira dos carros de apoio dos blocos). A festa chegou a ser conhecida nacionalmente como uma das melhores prévias carnavalescas. Era a época do ano que muitas pessoas aproveitavam para ganhar um dinheiro extra, por meio de vendas de comidas, bebidas, reformas de abadás, motoristas de táxi, dentre outros serviços informais”, afirma Joseilze.

Porém, como nem tudo são flores, a professora questiona que, como o Pré-Caju era uma festa particular que usufruía de recursos públicos, não se sabia ao certo os resultados reinvestidos na cidade, para além do turismo.

“Não se pode deixar de mencionar que se tratava de festa particular que utilizava de recursos públicos (polícia, ruas que muitas vezes eram danificadas, trânsito interrompido, aumento na demanda de saúde, inclusive com a utilização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência [SAMU]). O que questiono é sobre o retorno que os resultados traziam para o crescimento da cidade, além do incremento do turismo”, ressalta.

Em 2002, no terceiro dia de festa (sábado), o camarote oficial ameaçou desabar e cedeu 15cm. Foi necessário que a Defesa Civil fizesse uma evacuação dos camarotes do primeiro andar, um deles recebendo o prefeito da época, Marcelo Déda, e o camarote oficial. No domingo já tinham sido feitos os reparos, mas a entrada foi controlada. No anos de 2004 e 2005, o local da festa foi mudado para os Mercados Municipais de Aracaju; em 2006 passou a ser na avenida Beira Mar.

A assistente social Fernanda Silva começou a aproveitar a festa nessa mudança para os mercados. “A folia contagiava a todos. Conhecíamos pessoas de todas as partes do Brasil e fazíamos várias amizades. Ao reencontrar essas pessoas, recordamos com muitas gargalhadas de todos os momentos felizes que vivemos no Pré-Caju”, contou ao F5News.

O Pré-Caju, em 2010, aumentou o tempo de festa, acontecendo por quatro noites, uma a mais em relação ao ano anterior. Uma segunda novidade foi o trajeto, que agora era de quatro quilômetros ao longo da avenida Beira Mar.

Em sua última edição, no ano de 2014, contou com a presença de grandes nomes da música brasileira puxando os trios elétricos: Asa de Águia e Ivete Sangalo (Bloco Cerveja & Coco), Chiclete com Banana (Bloco Nana Banana), Harmonia do Samba (Bloco Meu & Seu), É O Tchan (Bloco Cajuranas), Claudia Leitte (Bloco Largadinho), entre outros.

O evento além de movimentar o turismo de Aracaju proporcionava uma injeção na economia da capital, já que movimentava mais de 70 setores da economia. Por cinco anos consecutivos, o Pré-Caju foi eleito pela crítica especializada e pelos foliões em geral como maior e melhor prévia carnavalesca do Brasil.

Em 2015, a festa foi cancelada por falta de patrocínios. E 2020 traz a esperança de um possível retorno da festa em Aracaju, e a foliã Elisângela Sousa, que curtiu a festa por quase 10 anos, disse ao F5 News que a sensação é nostálgica. “Lá eu vivi as melhores histórias da minha vida. Já avisando que estou dentro, com muita alegria de reviver uma das melhores fases da minha vida”, antecipa.

O bombeiro militar, tenente Márcio Souza, concorda que era bom para a cidade, movimentava o turismo e favorecia para os ambulantes. Ele trabalhou os primeiros anos na festa como policial militar e disse que não era tão vantajoso quanto para quem ia curtir. “Espero que, com a volta do Pré-Caju, o Ministério Público fiscalize bem na parte da segurança dos foliões (quantidade de militares que necessita) e fiscalizar também a carga horária dos militares e o direito de receber a Retribuição Financeira Transitória pelo Exercício Eventual de Atividade de Plantão (Retae), antes de começar o evento”, opina.

 

*Estagiários sob orientação do jornalista Will Rodriguez

Edição de texto: Monica Pinto
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