Grupos de Rodoviários em protesto param ônibus em regiões de Aracaju
Sindicato da categoria diz que "dissidentes" não tinham autorização para o ato
Cotidiano | Por Laís de Melo 19/02/2021 12h14

Um grupo de motoristas e cobradores do sistema de transporte público coletivo de Aracaju paralisou suas atividades na manhã desta sexta-feira (19). Por volta das 10h, cerca de 20 ônibus se emparelharam na avenida Barão de Maruim como uma forma de protesto. Também houve paralisação do transporte na região do Centro de Aracaju e nas avenidas Ivo do Prado e Adélia Franco. A categoria reivindica melhores condições de trabalho, retorno do ticket alimentação e pagamento das horas extras. 

O trânsito foi prejudicado, assim como os usuários que dependem do transporte público em seus deslocamentos. Durante o ato, a Polícia Militar chegou para intervir e impedir o trancamento da via. Uma aglomeração de trabalhadores se formou na esquina da avenida Barão de Maruim com Gonçalo Prado Rollemberg. De repente, som de estouros começaram a acontecer: eram os pneus dos ônibus sendo furados. Não foi possível identificar de onde partiu o ato de vandalismo. Segundo os motoristas no local, quando foram conferir, o prejuízo já estava feito

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Público de Aracaju (Sinttra), Miguel Belarmino, o indicativo de greve foi definido durante Assembleia Geral da categoria, realizada às 9h30 da manhã de hoje, contudo, não foi autorizada pelo sindicato a realização do manifesto na Barão de Maruim. 

“Eles não têm autorização do sindicato para fazer movimento paredista. Aquele é um grupo de divergentes, que foi para a avenida parar. Eu mantenho minha posição que qualquer paralisação só deve ser realizada a partir do dia 1º de março. Eu encerrei a assembleia dizendo que o indicativo de greve estaria aprovado e agora aguardaremos até o dia 28 um posicionamento da classe patronal. Caso não aconteça até lá, a partir do dia 1º,  enviaremos os grupos para cada empresa, para não deixar sair carro. Essa galera que se antecipou não é sindicalizada, são divergentes”, disse ao F5 News.

Ainda conforme Belarmino, apesar do indicativo de greve, a categoria só pode iniciar a paralisação do serviço após comunicar oficialmente aos órgãos competentes, como Ministérios Públicos, Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Município de Aracaju (Setransp), e toda a sociedade aracajuana. 

Trabalhadores que não quiseram se identificar disseram ao F5 News, durante o ato, que não se tratam de divergentes os que realizaram a manifestação na avenida Barão de Maruim, e sim de pessoas que já estão passando fome. “Está bem difícil, e a situação está assim há mais de ano. Falta pagamento das horas extras e também há uma sobrecarga de função. Não aguentamos mais”, disse um dos rodoviários ao portal. 

Segundo Belarmino, a reclamação do acúmulo de função vem sendo discutida desde o início da pandemia, em 2020. “Tem 16 ações na justiça trabalhista tentando resolver esse conflito. Estamos esperando que a justiça seja favorável a nós, porque a maioria dos ônibus na Grande Aracaju está circulando sem cobrador. Isso é perigoso porque é motorista para dirigir, cobrar e ainda tem o elevador para dificiente físico. Apesar de o Supremo Tribunal Federal reconhecer esse acúmulo como legal, o Sinttra não reconhece e vai lutar para acabar com isso”, disse. 

A categoria também reivindica a volta do pagamento de ticket alimentação e a permanência do plano de saúde, mas, até o momento, não recebeu nenhuma contraproposta da classe patronal, conforme o sindicato. 

Para quem aguardava por transporte público na Barão de Maruim na manhã de hoje (19) não restou alternativa a não ser caminhar. “Quando a gente ia pegar o ônibus, paralisaram. Estamos sem transporte, todo mundo. Vamos sair caminhando aqui para ver o que acontece. Estávamos indo para o Mercado”, conta dona Valdira de Jesus, que estava acompanhada de Givaldo Souza. 

Para os dois usuários do sistema, apesar de ter sido prejudicado naquele momento, a greve é um ato compreensível. “Está atrapalhando a sociedade? Está. Mas, a população tem que entender que eles estão reivindicando por um direito deles. Eles só deveriam ter avisado antes, para que a gente pudesse se programar”, acrescentou Givaldo. 

Setransp 

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp) informou, por meio de nota, que “todos os esforços estão sendo movidos para que o serviço de transporte público coletivo de Aracaju e da região metropolitana não seja ainda mais afetado nesta sexta-feira (19) após a ação de manifestantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Aracaju (Sinttra) impedindo a circulação de alguns ônibus”. 

Segundo o Setransp, foram os próprios manifestantes que furaram os pneus dos ônibus que estavam circulando entre as avenidas Barão de Maruim, Rio Branco, Adélia Franco e Terminal do Mercado. “Contudo, apesar do serviço ter sido desfalcado com os veículos paralisados, as empresas de ônibus estão providenciando suporte com o uso da frota reserva e, neste momento, as linhas do transporte público coletivo seguem circulando com bastante dificuldade”, disse o sindicato. 

Ainda na nota, o Setransp lamenta o prejuízo na interrupção do deslocamento dos passageiros e os danos causados à frota de ônibus. “As empresas de ônibus  permanecem com o diálogo aberto com o Sinttra no intuito de buscar as melhores alternativas para as demandas dos rodoviários, do mesmo modo que tem priorizado mover todos os esforços para garantir a manutenção dos postos de trabalho”, disse.

Segundo o sindicato da classe patronal, não existem pendências com a categoria. "A data base da Convenção Coletiva é 1º de março, então essa manifestação, sem qualquer prévio aviso, não tem respaldo legal. Desta forma, o sindicato está avaliando a possibilidade de acionar judicialmente os responsáveis por esse transtorno causado à população. O setor de transporte tem lidado com um grande déficit econômico há alguns anos, agravado pela pandemia da Covid-19. Só em 2020, o setor sofreu uma queda no número de passageiros de aproximadamente 45,9% resultando em uma perda de quase R$ 100 milhões. Somado a isso, ainda há o novo aumento nos custos do serviço com a alta do preço do diesel superior a 15%", afirma o Setransp. 

Edição de texto: Monica Pinto
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