Aracaju
Volume maior de chuva expõe problemas da urbanização na zona de expansão
Consequências também atingem região central e zona oeste da capital sergipana
Cotidiano | Por Fernanda Araujo e Will Rodriguez 01/08/2020 07h09

Os aracajuanos têm vivenciado, ultimamente, uma quadra chuvosa com níveis acima da média histórica e com uma condição climática de ventos fortes e ressaca. Isso tem refletido principalmente em algumas áreas da Zona de Expansão, como também na região central e oeste da capital sergipana, onde houve uma percepção de aumento no volume de chuvas.

O acumulado de chuva neste ano, em Aracaju, até o presente momento foi de 1534,8mm. Só no mês de julho, houve um acumulado de 218 milímetros. Esse volume de chuvas acima da média, que tem refletido em todos os meses, foi previsto pelo Centro de Meteorologia de Sergipe e segundo a Defesa Civil de Aracaju tem demandado cada vez mais, para toda a equipe técnica municipal, o monitoramento das áreas afetadas por alagamentos, por exemplo, para a diminuição dos impactos da chuva.

Nesta semana, a Prefeitura lançou a ClimAju, uma plataforma desenvolvida para o monitoramento das chuvas de forma online. Acesse aqui.

Segundo o major Sílvio Prado, coordenador da Defesa Civil da capital, na Zona de Expansão, através de dois pluviômetros (instrumento que mede a quantidade de chuva que cai em determinado lugar ou época) instalados nos bairros Aruana e Mosqueiro, foi possível verificar que naquela região chove muito mais do que era previsto e os impactos têm se agravado. Essa quantidade de chuvas também foi verificada no centro da cidade e na região oeste, no bairro Jardim Centenário.

"Está tendo uma quantidade de chuvas que a gente verifica que é o que ocasiona o transbordamento do canal da avenida Airton Teles, do canal do conjunto Bugio. Então a todas essas regiões, a partir desse mês que a gente já vem acompanhando e observando a precipitação, temos dado uma atenção muito grande, principalmente na Zona de Expansão", afirma o coordenador. 

No entanto, não só o alto volume de chuvas é a razão para os problemas enfrentados na área de expansão da capital, que corresponde a 35% do território aracajuano. O especialista em desenvolvimento urbano Waldson Costa aponta que existe uma especificidade ecológica e geomorfológica na região,  que comprova que ali - em eras geológicas anteriores - havia a presença do mar, além de um ecossistema específico de plantas e animais.

"A gente sabe que nesses locais onde se tem esse tipo de sedimento: areia e consequentemente solo argiloso, arenoso [característico da cidade de Aracaju], há uma proximidade muito grande dos lençóis de águas subterrâneas com o que chamamos de 'pele' da terra. A capacidade de absorção e de acumulação dessa característica geológica é alta e então, quando chove, alaga rápido", explica Costa.

A ocupação da área favoreceu uma necessidade de impermeabilização do solo em razão das residências, com pavimentação etc, conforme o especialista, levando à alteração na dinâmica de absorção de água proveniente da característica ambiental do local; essa água vai precisar ser escoada para algum lugar, caso contrário, ocorrem os alagamentos.

Segundo Waldson Costa, a ausência de um processo de escoamento para rios, córregos, ou também de manter espaços de captação da água, como as lagoas, contribui para agravar os transtornos.

"O que torna essa área propícia a problemas com relação à quantidade de chuva é justamente porque é feita a impermeabilização, mas não é feito um processo equilibrado e bem feito de macrodrenagem. Tem todo um processo de ocupação desordenada que causa essa possibilidade de que, havendo precipitações acima da média nesses locais, vai ter uma possibilidade grande de alagamentos e de problemas ambientais, econômicos e de saúde pública porque o desequilíbrio ecológico naquele local está cada vez mais forte", analisa.

Outro ponto citado pelo especialista é ainda a necessidade de um esgotamento sanitário adequado para o local, o qual também interfere nos alagamentos e, consequentemente, no surgimento de problemas de saúde para os moradores.

"O tipo de esgotamento que se é muitas vezes colocado naquele local são os de fossa séptica - o dejeto vai para um quadrado enterrado ao chão e as fezes, junto à água, vão passando pelo processo de decomposição e tendo a percolação ao solo. A partir do momento que tem chuva, essa água percola, a água começa a escorrer pela quantidade excessiva, uma água que está misturada com esgoto, junto com outros contaminantes", ressalta Waldson.
 

Edição de texto: Monica Pinto
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