Guarda-roupa compartilhado chega a Aracaju e propõe consumo consciente
Serviço funciona através da partilha de peças, em sua maioria artigos de luxo
Economia | Por Victória Valverde* 02/06/2019 08h00 - Atualizado em 01/06/2019 11h06

Independente da quantidade de roupas que se tem no armário, a sensação de não ter nada para vestir é universal. Como resposta, muitos vão às compras na caça daquela peça para usar em uma ocasião especial. Mas e se fosse possível ter acesso a um guarda-roupa compartilhado, com várias roupas importadas, sem ter que comprá-las?

Essa nova forma de consumir moda vem sendo disseminada em várias partes do Brasil e do mundo. Diferente do brechó, o guarda-roupa compartilhado não é um espaço de compras, mas sim de partilha de itens, em sua maioria de grifes e artigos de luxo que, caso comprados, poderiam ficar parados no armário.

Nos guarda-roupas compartilhados, a “loja” cobra uma mensalidade e o usuário pode pegar emprestado um número limitado de peças. Também é possível pagar o valor de aluguel individual de cada peça. O movimento faz parte do slow fashion (moda lenta), que incentiva as pessoas a consumirem de forma consciente e sustentável.

Iniciativa aracajuana

Em Aracaju, a moda do guarda-roupa compartilhado só chegou em abril deste ano, através do Clube La Madeleine, um serviço proposto pela startup La Madeleine, criada na Europa pelo cientista de dados aracajuano Wilame Vallantin, especialista em Fashion Hacking, que hoje reside em Viena.

O nome La Madeleine faz referência a um bairro artístico de Paris que reflete a paixão pela França de Wilame, casado com um francês. Para cuidar da sede da loja em Aracaju, o empresário conta com sua sócia, Lisandra Katriny, e a ajuda de sua mãe, Adelice Amorim.  

Algumas das marcas importadas encontradas no serviço são Armani, BCBG, Max Azria, Céline, Daslu e Tufi Duek. As peças funcionam para diversas ocasiões, como casamentos, festas de 15 anos, baladas, formaturas e reuniões de negócios. O serviço só oferece peças femininas. No site, também há um espaço para que a visitante venda alguma roupa sua, reforçando a filosofia do reaproveitamento de peças.

Por enquanto, o Clube La Madeleine só funciona online, já que a sede do serviço está em processo de construção. O acesso ao Clube encontra-se fechado no momento. As interessadas podem deixar o nome em uma lista de espera disponível na página. A ideia de limitar o número de vagas é exatamente para melhor controlar o uso dos itens e evitar o desgaste das peças. Após o pedido, as roupas são entregues via motoboy.

“Para nós, cada peça é uma obra de arte e merece respeito. Queremos em nosso Clube pessoas com essa mentalidade, que entendam que a única saída para os problemas que estamos vivendo é a colaboração e o respeito à natureza. Nenhum ser humano é descartável e nenhum recurso natural é tão abundante que não possa acabar”, alerta Wilame.

Impacto ambiental e social

A indústria da moda é a segunda mais poluente do mundo, perdendo apenas para a automobilística. Um dos maiores problemas desta indústria é a quantidade de resíduos que gera.

No Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Indústria Têxtil (ABIT), são produzidas cerca de 180 mil toneladas de resíduos têxteis por ano. Deste total, apenas 36 mil toneladas são reutilizadas.

Segundo a Forbes, 10% das emissões de carbono mundial vêm do setor de vestuário. Além disso, aproximadamente 70 milhões de barris de petróleo são usados a cada ano para produzir poliéster, a fibra mais utilizada em roupas e que demora cerca de 200 anos para se decompor.

Outro grande impacto dessa indústria é o social. A grande maioria das roupas produzidas no mundo é fabricada em países do Sudeste asiático, como Camboja e Bangladesh onde, para produzir peças de baixo custo e em grande quantidade, os trabalhadores, em sua maioria mulheres, são expostos a condições de trabalho desumanas.

De acordo com a Organização Mundial do Comércio (OMC), muitos funcionários chegam a trabalhar dez horas durante seis dias da semana, por um salário em torno de três dólares diários. O mundo passou a se atentar para essas péssimas condições de trabalho depois do desabamento de um prédio de três andares onde funcionava uma fábrica de tecidos em Bangladesh, em 2013. O acidente matou 377 trabalhadores.

Apesar do susto, fábricas como essa continuam a pleno vapor, produzindo grande parte das vestimentas das lojas fast fashion. Bangladesh, por exemplo, é o segundo maior exportador de vestuário do mundo, com um volume em torno de US$ 28 bilhões em transações por ano.

 

*estagiária sob a orientação do jornalista Will Rodriguez.

 

Foto: Assessoria de imprensa. 

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