Influenciadores digitais de Sergipe se profissionalizam e impulsionam negócios | F5 News - Sergipe Atualizado

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Influenciadores digitais de Sergipe se profissionalizam e impulsionam negócios
Alguns vivem somente da renda que ganham como produtores de conteúdo digital
Economia | Por Laís de Melo 18/06/2021 10h35

A ‘profissão do futuro’ chegou e está no auge no mundo todo. Se você tem redes sociais, provavelmente já deve ter visto a hashtag ‘publipost’, porque os influenciadores digitais marcam forte presença nessas plataformas e é assim que movimentam bilhões de reais por ano. Muitos criadores de conteúdo, inclusive, se tornaram grandes celebridades no Brasil, e teve até quem deixasse a casa humilde onde morava antes da fama, para viver em mansões após faturar tanto no ramo. 

O mercado e as empresas vêm cada vez mais aderindo ao marketing de influência, investindo em conteúdos patrocinados, em parceria com donos de perfis de redes sociais que geram grande engajamento com os seguidores e impulsionam ao consumo. Mas, para quem pensa que esse tipo de trabalho exige pouco, se engana. Muitos influenciadores precisam se profissionalizar e contam até mesmo com assessoria jurídica, financeira e de comunicação.

Em Sergipe, algumas pessoas têm como principal fonte de renda o que ganham como digital influencer, como é o caso das jornalistas Iana Queirós e Anna Paula Aquino, fundadoras do perfil Vem tem Dica, no Instagram, e também influenciadoras em seus perfis pessoais. Juntas, elas começaram no ramo muito antes de o termo “digital influencer” surgir. 

“Quando começamos com o Vem tem Dica, nem existia Instagram. Nós fizemos um blog para compartilhar dicas de maquiagem, de promoções, de esmalte e look. O intuito foi muito genuíno, de dar dicas. Quando o Instagram surgiu para aparelhos Android, eu criei o perfil lá, para continuar com essa mesma divulgação. Mas nem existia o nome influenciador digital, nem publipost e esse universo todo da profissão”, relembra Iana falando ao F5News

A ideia surgiu no ano de 2012, mas foi em 2016 que aconteceu o grande boom da internet, quando os criadores de conteúdo começaram a se apresentar como influenciadores digitais e a trabalhar especificamente com isso. Atualmente, o Vem Tem Dica conta com mais de 90 mil seguidores no Instagram. 

“As empresas começaram a ver o potencial na rede social e começaram a dar os primeiros passos nesse universo, e então começamos a fazer as parcerias. No início era tudo muito incerto, não tinha isso de cobrar pelo trabalho de divulgação, era só a permuta. Com o passar do tempo é que o mercado foi crescendo muito”, disse a jornalista. 

Atualmente Iana trabalha como digital influencer e também atua como jornalista, mas passou um tempo vivendo apenas da renda como produtora de conteúdo na internet. Para ela, a influência existe e é por isso que o mercado para essa área está crescendo.

“São 10 anos de trajetória e todas as empresas que trabalhamos, sempre temos resultados extremamente positivos. Nós sempre levamos muito a sério esse trabalho e divulgamos somente as empresas que a gente acredita e conhece. As vantagens são inúmeras, como o fato de poder trabalhar de qualquer lugar, seja viajando ou de casa”, avalia.

Além disso, Iana reforça a importância do trabalho de influência, pois está diretamente ligado ao impulsionamento do comércio. “Nós geramos movimento na economia e falamos disso com propriedade, porque ouvidos dos proprietários de loja que estavam sem vender e depois que fazemos a divulgação, eles voltam a vender e até a esgotar estoques. Isso é muito satisfatório, saber que, de certa forma, estamos ajudando os empresários. Já recebemos muitos feedbacks de empreendedores que estavam praticamente falidos e esse universo fez movimentar isso, para que pudessem se recuperar”,  revela a influencer. 

A jornalista e consultora de imagem Anna Paula Aquino, co-fundadora do Vem Tem Dica, também trabalha como digital influencer e tem 28,9 mil seguidores no seu perfil pessoal, onde trabalha com a divulgação de pequenos negócios sergipanos e grandes empresas e marcas, incluindo lojas de departamento. Para ela, a faceta negativa da profissão é a exposição. 

“O lado bom da influência digital é que eu coloco a comunicação em prática. Amo ser comunicadora. Mas, hoje em dia eu percebo que tem muita gente doente com relação às redes sociais. Estamos acompanhando alguns casos, como o da ex-bbb Juliette, como os fãs dela estão se comportando. Também o caso do comediante Whindersson Nunes. Também vejo que o cancelamento está muito forte. A influência existe, mas a gente tem que saber muito bem nosso propósito para executar diariamente. Se cuidar muito mentalmente, porque a internet é muito cruel”, avalia a jornalista, em entrevista ao F5News.

Ainda segundo Aquino, algumas situações difíceis já foram vivenciadas durante o caminho enquanto influencer, a exemplo de ataques de ‘haters’ e até mesmo ameaças. “Eu fiquei um pouco desconfiada com o tempo, mas hoje em dia eu tenho muito bem o meu propósito, então, diariamente tenho cuidado para executar. Criei uma rotina que ficou confortável para mim, não me cobro tanto e busco entender os dias que estou bem e aqueles que não estou bem, para me respeitar e dar o meu melhor para os meus seguidores”, disse ao portal. 

Anna Paula conta ainda que o trabalho é dividido por horários no dia a dia. Além de produzir conteúdo, gravar vídeos, editar, visitar lojas e participar de eventos, ainda é preciso tempo para dar atenção aos seguidores. “Tem a parte que não é divulgada, que é responder às pessoas, os directs, interagir, porque sempre tem muita dúvida, comentário, e os seguidores gostam de receber as respostas, e dessa interação”, relata. 

Em Sergipe, um perfil que gera muita movimentação nas redes sociais é o Traz a Conta. Antes de fazer parte do Instagram, o TAC, como também é conhecido, começou pelo Twitter em 2010, quando a rede social estava no auge.

“Nessa época eu trabalhava no comercial do jornal Cinform e quase sempre comia fora de casa. Eu ficava observando, querendo entender ou dar uma utilidade para além do ‘partiu Academia’. E essa reflexão aconteceu sentado no Parmegiano ali do Cajueiros, enquanto esperava meu almoço. Daí veio a ideia de ficar dando dica dos lugares que passava diariamente. Nem foto tinha, eram 140 caracteres pra dar o recado. Depois de uns anos a gente foi para o Facebook. E em seguida para o jornal impresso, uma coluna, que depois evoluiu para uma página, até virar um caderno. Nesse ínterim, lá em 2014, o grande amigo e publicitário João Carlos Lima me chamou no canto e disse ‘entre no Instagram agora’. E aí é a nossa plataforma principal hoje”, contou o influenciador Adriano Bonfim ao F5 News

Na visão dele, o digital influencer precisa se manter sempre atento ao que move a audiência. No caso do TAC, o foco é a gastronomia e, por esse motivo, os responsáveis pelo perfil sentem dificuldades em se manter na dieta. 

“Como um perfil tem um dos braços voltados a passar dicas de comidas e lugares, a gente acaba colocando nossa saúde no pacote. Isso precisa ser levado em consideração. Em outra tela, o que muitos enxergam como vantagem no ‘ah, deve ser massa todo dia almoçar ou jantar fora’, por um tempo até é, mas depois de 11 anos fazendo isso é barra. Tem horas que você só quer ir pra casa comer seu cuscuz”, avalia Adriano sobre as desvantagens do trabalho online. 

Questionado sobre o cancelamento que tem acontecido com bastante frequência nas redes sociais, com celebridades e famosos que acabam se posicionando de maneira equivocada ou quando, simplesmente, são interpretados mal, Adriano revela que já teve a casa onde morava atingida por tiros de arma de fogo por causa de pautas e denúncias que fazia em linha investigativa para o jornal Cinform, mas, ainda assim, ele entende que não se deve trabalhar com medo do cancelamento. 

“Numa pesquisa recente que fizemos no TAC com a ajuda da Iara, da Confeitaria Siriguela e do Eron, então presidente da CasAmor, sobre empregabilidade trans, no momento em que o convite para as pessoas responderem a pesquisa saiu, o TAC começou a tomar porrada. A gente queria levantar dados sobre a percepção das pessoas e o que elas achariam de ser atendidas num restaurante por uma pessoa trans, ou como elas reagiriam ao saber que quem fez aquele prato que ela tava comendo era uma pessoa trans. O resultado da abordagem foi muito positivo, e entregamos esse relatório aos restaurantes locais como um ‘pode empregar que seu público não vai deixar de ir’. Infelizmente a pandemia veio logo depois e muitos entraram em crise e não puderam avançar em contratações, mas o recado foi dado”, relembra Adriano Bonfim. 

F5 News também conversou com as gerenciadoras do perfil Meninas do Supermercado - a empresária e estudante de Administração Nana Boto e a economista e pós-graduanda em Marketing e Estratégia de Comunicação Digital, Kyu Matos. Segundo elas, a capacidade de influência não se limita ao ambiente digital. 

“Entendemos que todos, em algum momento, somos influenciadores. Todos nós inspiramos e seguimos algo que entendemos ser positivo. E nem é preciso estar nas redes sociais para entender essa influência. O rótulo influencer tem sido usado de maneira pejorativa por muitos e os profissionais dessa área são vistos, muitas vezes, como pessoas que induzem sem pudores ou limites. Não vemos dessa forma. A influência está em tudo, ao enxergarmos nos veículos de comunicação, nas relações interpessoais, profissionais... As redes sociais vieram para intensificar e destacar o que já acontecia antes delas”, acreditam Nana e Kyu. 

Entre implicações e vantagens de trabalhar com esse tipo de negócio, elas analisam como positivas a mobilidade e as possibilidades ilimitadas de trabalho. “É possível moldar o negócio e fazê-lo girar independente de onde estejamos fisicamente. Há um alcance bem maior e mais efetivo também”, dizem. Por outro lado, o trabalho muitas vezes acaba sendo mais exigente e cansativo, e muitos podem ficar sem saber como separar o profissional da pessoa física. “Às vezes isso pesa. Saber dosar e estabelecer limites, dentro do que se quer alcançar, é o grande segredo”, orientam. 

O perfil das Meninas dos Supermercados surgiu em 2016, quando juntamente com outras amigas, elas costumavam passear nos supermercados da cidade, batendo papo e ‘desopilando’ da rotina de mãe, esposa e profissional. 

“Lógico que aproveitávamos as ofertas! Com o tempo, os horários livres não batiam mais, mas seguimos trocando dicas de ofertas entre as quatro em um grupo no WhatsApp, até que fomos incentivadas pelos maridos a expandir essas informações através das redes. Dia 3 de junho de 2016, após definir nome, marca e perfil, Kyu mandou uma mensagem perguntando se topariam fazer a página. Nana aceitou de primeira, as outras duas amigas também toparam e para surpresa geral, imediatamente já tínhamos página e a primeira oferta postada.  Começamos anônimas, revelando nossas identidades após três meses e alguns milhares de seguidores”, contam.

Com o passar dos anos o perfil de Instagram só cresceu e as outras duas participantes decidiram sair para seguir com outros projetos, e o negócio ficou nas mãos de Kyu e Nana. Ainda conforme as administradoras da página, não é possível viver apenas da renda do MS, pois há um custo fixo alto. 

“Principalmente pelo fato de fazermos as pesquisas pessoalmente, de segunda a sexta-feira, in loco. Antes da pandemia saíamos diariamente, com exceção dos domingos, e visitávamos pelo menos quatro supermercados. Hoje, revezamos as visitas e buscamos otimizar as saídas , por segurança e cuidado com nossa saúde, dos familiares e até mesmo dos seguidores, pois entendemos o quanto a divulgação da oferta é um gatilho para saídas às vezes desnecessárias”, explicam. 
 

Edição de texto: Monica Pinto
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