Na pandemia, homens ganharam mais empregos do que mulheres em Sergipe
Desigualdade pode estar ligada aos setores que reagiram à crise mais rapidamente
Economia | Por Laís de Melo 23/02/2021 08h30

Conforme dados do Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia, as mulheres continuam sendo as menos inseridas no mercado de trabalho em Sergipe. No recorte por gênero entre admissões e desligamentos durante 2020 no estado, o saldo foi positivo para homens e mulheres, no entanto, enquanto o gênero masculino acumulou saldo de 418 novas vagas de emprego no decorrer do ano passado todo, as mulheres ocuparam 289 vagas no mesmo período.  Em percentual, das 707 novas vagas no mercado formal em Sergipe, 60% foram preenchidas por homens.

Por outro lado, apesar de terem sido mais contratados, os homens também foram mais demitidos - 4.048 admissões durante o ano passado, e 3.630 demissões. Entre as mulheres, foram 2.233 contratadas formalmente, com 1.944 demissões foram registradas durante o ano passado no Estado. No contexto nacional, o panorama é diferente, sendo os homens os mais prejudicados em 2020, com saldo negativo de -68.948. Já as mulheres encerraram o ano com saldo positivo de 1.042 entre admissões e demissões.

Para o professor de Economia e economista, Neidásio Rabelo, a maior contratação dos homens pode estar ligada ao fato de os setores que reagiram mais rápido à retomada da economia terem sido Construção Civil e Agronegócio. 

“Essa primeira leva de contratações teve como maioria os homens porque coincidiu que essas duas áreas reagiram mais rápido à volta do crescimento, e são dois setores em que predominantemente os homens são maioria. Além disso, também teve um número considerável de pessoas contratadas com a escolaridade de no mínimo o ensino médio completo. Como tem muita gente desempregada, pessoas até com nível superior se submetem a receber salários menores para poder se recolocar no mercado até conseguir alguma coisa melhor”, avalia. 

Ainda assim, para o economista, as mulheres, por terem mais especialização e maior grau de instrução do que os homens, têm tendência a voltarem a ser contratadas com maior frequência com o reaquecimento da economia. 

No que se refere ao nível de escolaridade dos sergipanos empregados e desempregados em 2020, conforme aponta o Caged, aqueles com ensino médio completo foram os mais admitidos (4.419). Somente 456 trabalhadores com superior completo foram contratados com carteira assinada no ano passado. No entanto, a quantidade de demissões deste perfil superou as admissões, com 560 desligamentos, sendo o saldo negativo de -104. 

“Numa crise, os extremos sempre serão prejudicados. Teremos um desemprego maior nas pessoas que ganham mais, porque o raciocínio do empresário na hora de demitir é enxugar custos, então se ele tem um trabalhador que está ganhando acima da média do mercado, e o mercado está restritivo, ele vai demitir para contratar um trabalhador mais barato, com custo menor”, afirma o economista Luís Moura, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

A maioria dos contratados era da faixa etária entre 18 e 24 anos, com 1.929 admissões. A segunda faixa etária de maior contratação foi entre 30 e 39 anos, com 1.801 novas vagas de emprego em 2020. Essa faixa etária também foi a mais demitida, com 1.660 desligamentos, enquanto 1.523 jovens entre 18 a 24 anos foram demitidos. Já a faixa etária de 40 a 49 anos encerrou o ano com saldo positivo de 91 novas vagas, enquanto aqueles de 50 a 64 anos tiveram saldo negativo de -81. 

Na análise de Moura, pessoas acima de 40 anos de idade são mais prejudicadas no mercado de trabalho brasileiro. 

“Dificilmente essas pessoas retornam ao mercado, e se retornam, não é na mesma profissão de antes. Ao mesmo tempo, tem uma oferta muito grande de pessoas na faixa etária de 18 a 24 anos, porque o empresário busca nessas pessoas uma qualificação para exigir dela, no mínimo, o segundo grau completo ou não, e até mesmo nivel superior, pagando até no máximo dois salários mínimos, e exigindo habilidades que não necessariamente vão utilizar no trabalho que ela vai executar”, aponta o economista. 

Esse mesmo perfil de contratação acontece no recorte por gênero, onde, segundo Moura, há uma discriminação com mulheres, sobretudo negras. 

“Como existe abundância de mão de obra, o empresário vai olhar essa questão de custo. Vai olhar a questão de fazer o treinamento ou não para uma mulher, o fato dela ir para alguma eventualidade, ou ter que sair de licença para uma gestação, por exemplo", analisa o economista.

Assim, o que ele chama de "opção discriminatória" também contribuiu para que o  mercado de trabalho contratasse mais homens do que mulheres. "Não apenas porque os empregos gerados foram em setores onde se contrata mais homens, como construção civil, de equipamentos, ou serviços de condomínio, porteiro, vigia", disse.
 

Edição de texto: Monica Pinto
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