Do critério científico às crenças pessoais | F5 News - Sergipe Atualizado

Do critério científico às crenças pessoais
Cúpula do Clima da ONU amanhã vai levantar reflexões importantes
Editorial | Por Monica Pinto 22/09/2019 16h45 - Atualizado em 23/09/2019 14h41

A Cúpula do Clima – evento que a Organização das Nações Unidas (ONU) promove amanhã em Nova York – seguramente vai nutrir o noticiário mundial de referências incômodas para o Brasil, ainda não totalmente livre da ameaça de sanções comerciais em razão do recente aumento de queimadas sobretudo na Amazônia. Destaque-se que ficou comprovada a ação criminosa de grileiros e outros tipos de bandidagem, sem que fosse atribuída participação do setor agrícola legalmente constituido. Assim, se no que concerne às mudanças climáticas deveria valer o critério científico, o mesmo ocorre em relação a outros aspectos. Por um lado, é consenso que esse fenômeno já está ocorrendo, saiu do futuro, das projeções, para o presente. Por outro lado, o Brasil continua tendo uma legislação ambiental das mais rigorosas do mundo e uma dimensão de áreas protegidas que igualmente não encontra equivalência em escala global. Essas vozes não são dissonantes, são complementares. 

Ainda assim, criou-se assim uma visão maniqueísta, segundo a qual quem acredita na ação humana como causadora do fenômeno – leia-se: 99% da comunidade científica – corre o risco de ser colocado como potencial inimigo do desenvolvimento. Destaque-se, porém, que os cientistas a apontarem os impactos já verificados das mudanças climáticas não se colocam contra o setor agrícola que atua dentro da legalidade. O que fazem – e muito – é estimular a adoção de meios produtivos cada vez mais amigáveis ao meio ambiente, o que vale também para todos os demais segmentos da economia. Um movimento que cresce no Brasil por força do próprio entendimento de que tal esforço resulta em ganhos de imagem e, consequentemente, em acesso aos mercados mais exigentes. 

Operar de modo a diminuir a chamada “pegada de carbono” – em alusão ao dióxido de carbono, o mais famoso gás causador de aquecimento da temperatura – é uma tarefa de todas as pessoas de bom senso. Começa em cada casa, com economia de água e energia; com disposição correta dos resíduos – de preferência separando os recicláveis -; com a diminuição do uso do carro, trocando-o eventualmente pela bicicleta ou pelos próprios pés. 

Desdenhar do que prega a Ciência em relação às mudanças climáticas ou achar que o agronegócio, por exemplo, está na raiz de todos os males são os dois extremos de uma mesma moeda, equivocada por completo. E isso não nos levará a lugar algum. Em escala muito mais ampla, nossa chance está em estabelecer uma sinergia entre a manutenção do patrimônio natural brasileiro e os interesses da produção que aprenda a não ser predatória. Esse é o desafio para concretizar o famoso desenvolvimento sustentável.

 

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