Editorial
As festas como oportunidades de renovação... e trégua
É interessante lembrar que certezas absolutas do presente podem não ser as mesmas do futuro
Editorial | Por Monica Pinto 09/12/2018 08:30 - Atualizado em 09/12/2018 16:30

O Natal vai se aproximando e muita gente se vê diante de um desafio insólito: aparar as arestas resultantes das eleições mais polarizadas desde que o Brasil se despediu da ditadura militar e voltou ao caminho da democracia. Posições passionais expressas nas redes sociais – por vezes sem qualquer esforço de diplomacia ou compromisso com os fatos – plantaram ressentimentos no seio de várias famílias pelo país afora. E mesmo amizades de mérito inquestionável para ambas as partes esmoreceram sob o calor de um antagonismo que, não raro, transcendeu a política partidária, adentrando no terreno polêmico de quais são os valores intrínsecos à boa convivência social, respeitadas, em paralelo, as liberdades individuais.

A discórdia se avolumou de tal maneira que, no transcurso da campanha, muitos veículos de comunicação se debruçaram sobre o tema, buscando especialistas incumbidos de fornecer a seus respectivos públicos estratégias para “não brigar por causa de política”.

Ao mesmo tempo, como é habitual na vida brasileira, esse cenário alimentou uma profusão de memes, piadas, charges e outras formas criativas de imprimir humor às divergências que iam ganhando corpo nas redes sociais. Mas pouco ou nada soou cômico a quem sofreu extremos como ofensas e outros tipos de agressões, cuja superação sequer gera interesse entre os envolvidos. Assim, o saldo negativo ainda machuca, feridas seguem abertas – e as confraternizações alegres do passado aparentemente têm escassas chances de se repetir.

Sem nenhuma pretensão de julgar o comportamento das pessoas ainda magoadas, por razões que só a elas cabem, a proposta aqui é apenas sugerir uma trégua nesse período que tradicionalmente evoca renovação. Que, de comum acordo, amigos e familiares aproveitem as festas para focar naquilo que os une, os marcos existenciais de amor e beleza, deixando de lado – mesmo que momentaneamente – as diferenças capazes de os separar em definitivo, se tal esforço for negligenciado. É interessante lembrar, por fim, que certezas absolutas do presente  podem não ser as mesmas do futuro, entendimento que Raul Seixas imortalizou na canção Metamorfose ambulante: “Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes”.

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