“Não dá para tratar a Segurança Pública com demagogia”, diz Gualberto | F5 News - Sergipe Atualizado

“Não dá para tratar a Segurança Pública com demagogia”, diz Gualberto
“Não basta polícia para resolver violência. Não vem de um aspecto só”
Política 19/12/2011 10h07


Por Joedson Telles

F5 News - Qual o balanço que o senhor faz não apenas do seu mandato, mas também da sua liderança, ao final de mais um ano de trabalho na Assembleia Legislativa?

Francisco Gualberto- Sobre a minha liderança, eu prefiro ouvir outras pessoas. Prefiro que as pessoas façam uma análise e tirem suas conclusões. O que posso dizer sobre a minha liderança é que procurei fazer o melhor. Logicamente, compreendo os limites do ser humano que erra. Que não é capaz de fazer tudo com perfeição. Muitas vezes tem açodamento. Muitas vezes pode ter precipitação. Muitas vezes pode ter falhas de condução. O que eu posso garantir que não tem má intenção. No que acertei, acertei querendo oferecer melhor. No que errei, errei porque não decidi que estava errando. Então, as pessoas, com certeza, compreendem quando você erra sem a intenção de errar. Então, nesse aspecto, eu prefiro ouvir a avaliação das pessoas que acompanham a TV Alese, a Assembleia Legislativa e que acompanham a vida deste parlamento. Agora, com relação à Assembleia Legislativa, eu posso garantir que foi um ano de muita produção de legislação, de debates, um ano de muita aprovação de projetos que já estão trazendo benefícios para o povo sergipano, me refiro aos projetos não só do executivo, mas também de deputados de autoria dos deputados. Foi um ano que, quem acompanha como você acompanha aqui esta casa,  onde a TV Alese não deixa de fazer transparecer a realidade da Assembleia Legislativa. É, sem dúvida nenhuma, uma das mais competentes Assembleias Legislativas do Brasil. Digo isso porque hoje, através da internet você tem acesso ao trabalho de outras assembleias e a nossa é muito boa. Está isenta de denúncias de escândalos, está isenta de notícias que maculam a imagem da Assembleia Legislativa. Portanto, é um balanço positivo para este ano. Aliás, deste que cheguei nessa Casa, tenho observado outras assembleias e a nossa, repito que ninguém é perfeito, nada é perfeito, mas dentro dos limites da atuação na Assembleia Legislativa observe que a nossa se coloca muito bem a nível nacional. Às vezes escuto algumas pessoas dizendo que utiliza mais a tribuna o líder da oposição, o líder do governo, dois ou três deputados, mas isso não é um defeito. É preciso que as pessoas compreendam que cada parlamentar é como cada pessoa. Tem o profissional que na área do jornalismo se expressa de um jeito. O mesmo profissional se expressa de outro. Tem radialista que tem uma característica e outro tem outra. Também tem o deputado que tem uma característica e o que tem outra. Não significa que um é melhor que o outro. Apenas a atuação que é diferente. E nesta casa a gente sabe que todos s deputados atuam, cada um com seu estilo, cada um com sua forma, e não decepciona o povo de Sergipe.

F5.- Esse primeiro ano do novo mandato do governador Marcelo Déda foi positivo?

F.G.- Muito positivo porque nós saímos de uma crise 2009-2010 onde as perspectivas de problemas para 2011 seriam muito grande em todo Brasil, em alguns estados se configurou. Principalmente em alguns estados do Nordeste como Piauí e Maranhão, que estão literalmente arrasados. Fora da Lei de Responsabilidade Fiscal, um desmantelo absoluto.  O governo de Sergipe não. Olhou para dificuldades e buscou fazer um planejamento humilde, mas de forma que o Estado atravessou o ano com o reflexo da crise inteiro, iniciando e inaugurando obras, honrando todos os compromissos com os servidores, alguns questionam alguns atrasos com os fornecedores, mas é natural em qualquer situação em qualquer estado do Brasil atrasar uma parcela do pagamento que não significa descumprir um compromisso. Isso acontece no cotidiano de muitas pessoas. Muitas vezes você tem um débito de 12 prestações, atrasa uma, mas na frente recupera e paga as 12. Não tem problema nenhum. Nós enxergamos este problema como sendo grave, e quando o governo Marcelo Déda percebeu declínio de arrecadações daquelas como  fundo de participação, poderia ter de ICMS que não teve, mas o governo foi buscar recursos via convênios, via capacidade de endividamento do Estado e não permitiu que o Estado parasse. E pode ter certeza: o ano de 2012 vai ser melhor do quem 2011 nesse ponto de vista porque muitas obras estão sendo trabalhadas e em breve serão construídas e importantes obras. Inclusive na aera de saúde. E muitas outras vão ser lançadas em 2012 em função desse planejamento que o governo teve a sabedoria de fazer para atravessar a crise de Sergipe. Pode ver que os dados são positivos. O PIB de Sergipe é o maior do Nordeste, um dos maiores do Brasil. O índice de geração de emprego de Sergipe foi o segundo maior do Nordeste e um dos maiores do Brasil. Portanto o Estado andou bem apesar dos problemas que enfrentamos.

F5-Apesar dessa analise, os números da Segurança Pública ainda são preocupantes. O secretário João Eloy disse, outro dia, que a luta maior é contra o crack. O senhor pediria mais envolvimento da sociedade na causa?

F.G.- Eu vou dizer uma coisa que pode até parecer arrogância, porque não sou especialista em Segurança Pública: não conheço polícia no mundo que possa exterminar uma epidemia de droga, porque não depende da polícia. Vai ter o que: um policial tomando conta de cada viciado? Não existe. O que a polícia pode fazer é a repressão e o Estado tomar medidas de prevenção que nem sempre fazem efeito a curto prazo. Eu vou dar um exemplo. Na semana passada aqui (Alese) fiz um pronunciamento mostrando a inauguração de ginásios de esporte no interior de Sergipe, mais precisamente nos povoados. Um ginásio de esporte deste ao ser construído é uma medida também de prevenção às drogas porque, no momento que os adolescentes dessa cidade se envolvem com o voleibol, o basquete, o futsal ou qualquer modalidade esportiva da sua cidade, naturalmente, ele vai estar se afastando do vazio que leva ele a ir para droga. Então, uma ação desta do governo também é uma prevenção contra as drogas. Então, não é papel de polícia. É um papel de governo. Quando o governo incentiva as crianças a irem à escola e lá receberem o amparo social e educativo muito bom também está combatendo a ida dessas pessoas para as drogas. Quando o Estado distribui renda, como é o caso do Bolsa Família estadual e municipal que faz com que aquela família que vivia na miséria absoluta e seus filhos que viviam nos sinas de trânsito e envolvidos com drogas, está fazendo prevenção. Agora, a prevenção é algo que você não sabe o tamanho do resultado, mas o importante é que se faça. E as medidas de médio prazo é como o nome diz. Só com médio prazo se tem um resultado. Então, eu não acredito em uma medida só. Tipo: vamos fortalecer a polícia e acabar com a violência. Eu não acredito nessa tese e tenho certeza que qualquer especialista sabe que a Segurança Pública não é composta por um item só. Acho que nós temos muito ainda para fazer pela segurança, o governador do Estado quer fazer a ampliação dos quadros da Polícia Militar e Civil em termos de concurso público, não fez ainda por falta de condições financeiras. Já está anunciado que terá o concurso próximo ano para os peritos, para aqueles trabalhadores que trabalham no Instituto Médico Legal para fortalecer essa área e no momento adequado virão esses concursos, mas não com a expectativa falsa de que vamos aumentar o contingente de policiais e agora vamos acabar com o crack, com a maconha, não terá mais violência. Não é assim. O Estado tem obrigação de combater a violência, mas na sociedade, por várias razões, surge a violência. Nós não temos um remédio para que não surja mais violência. Qual é a forma técnica para se evitar que em uma briga conjugal o marido mate a mulher ou a mulher mate o marido? É impossível você pensar que é a polícia que irá fazer isso. Como se evitar os distúrbios das pessoas que agridem filhos ou que matam a mãe dentro da sua própria casa? Então, é muita complexa essa questão da segurança e não dá para tratar com demagogia. Tem que tratar com seriedade, cada um tem sua posição sobre o tema, mas a minha, o que eu consigo dizer a você é que não basta a polícia para resolver a violência porque ela não vem de um aspecto só, mas sim de vários da sociedade.

F5- Uma prova disso seria o aumento histórico que este governo concedeu às polícias?

F.G.- Se dependesse  tão somente de um governo prestar atenção aos instrumentos de repressão, nós não teríamos violência em Sergipe. A Polícia Militar e a Civil de Sergipe têm o segundo maior salário do Brasil. A Defensoria Pública saiu de R$ 3,7 mil, em 2006, para R$ 12 mil nesse último, um Projeto de Lei que aprovamos aqui nessa Casa. Armamentos foram comprados, carros foram comprados, aeronaves existem. Quer dizer, o serviço de inteligência recebeu investimento. Isso prova que não basta isso para que a violência possa diminuir. É preciso a Secretaria de Direitos Humanos atuar como está atuando agora no governo Marcelo Déda com políticas de orientações, educativas, principalmente com inclusão social. Tudo isso faz parte de um contexto e aí sim significa o combate à violência e às drogas.

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