Histórias do Agro Sergipano (Capítulo VI) | Haroldo Araújo Filho | F5 News - Sergipe Atualizado

Histórias do Agro Sergipano (Capítulo VI)
Fazenda Mangabeira, de nome do Santa Gertrudis em Sergipe à presidência nacional da associação.
Blogs e Colunas | Haroldo Araújo Filho 13/12/2021 07h30

A raça Santa Gertrudis foi criada no King Ranch, uma fazenda localizada no Estado do Texas/EUA, com objetivo de se obter um gado de corte rústico e adaptado as condições climáticas do Sul dos Estados Unidos.

No Brasil, a raça foi introduzida na década de 1950 no estado de São Paulo.

Em Sergipe, os primeiros bovinos Santa Gertrudis chegaram no ano de 1979 através do criador Eduardo Rodrigues Porto da Cruz, da Fazenda Mangabeira, localizada no munícipio de Japaratuba.

Nas décadas seguintes a Fazenda Mangabeira participou de diversas exposições agropecuárias, com objetivo de divulgar a potencialidade e a qualidade do seu plantel tão zelosamente criado e, por consequência, premiado.

Com a morte do senhor Eduardo no ano de 2009, a viúva Dona Gilza Cruz e seus três filhos: Adriana, Paulo Eduardo e Gustavo se depararam com a dúvida do que fazer com o rebanho. Por decisão de Dona Gilza e do filho Gustavo decidiram que não poderiam deixar se perder o que foi feito com muito amor e dedicação. Como eles mesmos gostam de falar – não podíamos deixar se apagar a chama do Santa Gertrudis.

A partir de então, o rebanho passa ser capitaneado por Gustavo Barretto da Cruz, um profissional de Administração e Marketing, apaixonado pela pecuária e, em especial, pelo Santa Gertrudis.

Gustavo, como um excelente profissional de marketing que é, passa a intensificar o trabalho na valorização da precocidade, rusticidade, qualidade de carne e na capacidade de adaptação às diversidades climáticas, quesitos característicos do gado Santa Gertrudis que precisavam ser maciçamente propagados.

Nesse toar, que em 2012 compra o touro Apelo, 2º lugar no ranking da raça. Em 2016 se torna a primeira fazenda sergipana a fazer Ultrassom de carcaça, onde são descobertos excelentes animais na qualidade de carne, consequência do exitoso trabalho de melhoramento genético.

Pelo reconhecimento alcançado, a Fazenda possui touros contratados por algumas centrais de inseminação, dentre eles, o touro Choice da Mangabeira contratado pelo Genex; o Justus pela CRV Lagoa e o Fogo da Mangabeira pela Alta Genetics.

No decurso desses anos o trabalho comandado por Gustavo tem conseguido relevantes resultados, os quais destacamos: o Justus é um dos touros que mais vende sêmen na CRV Lagoa; na prova de ganho de peso da CRV Lagoa de 2018, o touro, Fogo da Mangabeira, foi o grande campeão. Ademais, são destacáveis os retumbantes sucessos dos seus animais em diversos leilões, em especial, no seu leilão solo, realizado no último mês de setembro, onde exemplares da raça foram vendidos para 10 (dez) estados diferentes, com específica ênfase para uma novilha vendida por 126 mil reais.

Como bom selecionador da raça Santa Gertrudis, Gustavo não se acomoda com os bons resultados, pois entende que melhoramento genético é um processo inesgotável na busca do melhor.

Por isso, além de importar sêmen de touros estrangeiros e instituir o projeto Fertilização in vitro (FIV) – Fazenda Mangabeira, Gustavo tem participado ativamente dos últimos congressos mundiais da raça, realizados no Paraguai, na África do Sul e nos Estados Unidos.

O ápice do reconhecimento desse trabalho acabou de acontecer, após 4 (quatro) sucessivos mandatos como diretor de Marketing da Associação Brasileira de Santa Gertrudis (ABSG), Gustavo foi eleito presidente, o primeiro fora do estado de São Paulo.

Para coroar o período vindouro frente a ABSG, em 2023, o novo presidente terá a honrosa missão de recepcionar delegações de mais de 10 (dez) países que participarão do congresso mundial da raça no Brasil, onde uma de suas etapas ocorrerá aqui em Sergipe.

Por fim, reconhecer o competente e inovador trabalho realizado por Gustavo não só valoriza as Histórias do Agro Sergipano, como também corrobora com que foi escrito por este colunista no artigo: “Minha vaca Estrela e meu boi Fubá, meu lucro!”

Minha vaca Estrela e meu boi Fubá, meu lucro! | Haroldo Araújo Filho | F5 News - Sergipe Atualizado

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Engenheiro Agrônomo do Incra/Ministério da Agricultura, formado pela Universidade Federal de Sergipe, pós-graduado em Irrigação (UFS). Secretário de agricultura de Riachão do Dantas (2005-2007); Superintendente regional do Incra em Sergipe ( 2016-2017); Delegado da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário em Sergipe (2017). Antes de ingressar no serviço público atuou em empresas comerciais do ramo agropecuário.

E-mail: hafaraujo@yahoo.com.br

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