Sergipe
Sergas pretende aumentar competitividade do preço do gás natural
Custo é apontado como entrave para ambiente de negócios no estado
Economia | Por Fernanda Araujo 31/05/2019 15h30 - Atualizado em 31/05/2019 16h14

Com a repercussão sobre o custo do gás natural em Sergipe sendo apontado como um dos motivos para a saída de empresas e fábricas no estado, entidades, economistas e políticos sergipanos têm questionado a política de preços da Sergipe Gás (Sergas), companhia de direito privado e sociedade de economia mista.

Recentemente, a Cerâmica Sergipe, conhecida como Escurial, no Distrito Industrial de Nossa Senhora do Socorro, determinou a hibernação da fábrica. Segundo a empresa, além dos fatores de ordem econômica, um dos principais motivos apontados para a hibernação foi o alto custo do gás natural. Mas a Sergas contestou a declaração e negou que tenha sido a responsável pela medida.

Nessa ótica, acredita-se que é preciso rever a política de preços de modo que o produto se torne mais competitivo e deixe de afastar as empresas de Sergipe. Para o economista Rodrigo Rocha, da Federação das Indústrias do estado (Fies), é preciso haver um maior diálogo entre a Sergas, Estado e série industrial - “para entender porque o gás em Sergipe é tão caro e quais os caminhos necessários para as empresas terem acesso ao gás por um custo mais baixo”, considera.

O deputado federal Laércio Oliveira também tem questionado o alto preço do gás no estado, como no país, e defende a quebra do monopólio para baixar o custo. Durante uma audiência pública realizada no último dia 22 na Câmara dos Deputados - quando se discutiu o projeto que trata de medidas para fomentar a indústria do gás - o parlamentar declarou que o assunto é de interesse para Sergipe, visto que a termelétrica em construção no estado será a maior do Brasil.

A Fies, por meio de nota publicada na semana passada, entendeu que é primordial que o Governo do Estado se alie ao Governo Federal na busca pela reindustrialização do Brasil, através de um choque de energia barata, já que o preço da energia tem forte impacto sobre o custo operacional da empresa e sobre a produtividade.

"Em especial, o custo do gás teve crescimento real de 1.200%, entre 2000 e 2018, enquanto que a inflação oficial, medida pelo IPCA, aumentou 209%, segundo dados da Abrace”, disse o presidente da Fies, Eduardo Prado de Oliveira.

Para a Fies, embora Sergipe seja um dos três maiores produtores de gás natural do Nordeste, perdendo apenas para Maranhão e Bahia, as empresas enfrentam custos altíssimos pelo uso do gás, enquanto que em Alagoas os preços são bem mais competitivos. 

Em contraponto, a Sergas nega que a entidade pratique a maior tarifa de gás natural do Brasil. Ao F5 News, a empresa disponibilizou dados, ilustrados em gráfico, com informações da diferença das tarifas praticadas (sem impostos) por tradicionais concessionárias brasileiras para um cliente industrial que consuma 52.000 m³/dia.

Com base nos dados, o Rio de Janeiro (capital e interior), e o estado de São Paulo, com preços praticados por duas companhias, tem valores consideráveis e superiores em comparação ao de Sergipe, colocando o estado em sexto lugar em relação ao preço. No entanto, em relação aos competidores da região Nordeste, como Paraíba, Alagoas e Bahia, o estado sergipano está em segundo lugar com tarifa média de R$ 1,7683.


Gráfico: Sergas

Segundo a Sergas, no caso específico do segmento industrial, a tarifa é reduzida gradualmente à medida que o consumo aumenta. A diferença tarifária entre as concessionárias, conforme a empresa, está associada ao volume de gás comercializado, à remuneração dos custos operacionais das concessionárias e aos investimentos realizados na expansão das redes de distribuição em cada concessão. 

Ainda conforme a Sergas, considerando que o custo de aquisição do gás, somado aos tributos, representa 87% do preço final do produto, a concessionária esclarece que busca alternativas de suprimento visando a redução deste custo por meio da Chamada Pública Coordenada que está em andamento. "Com isso, a expectativa é que Sergipe tenha tarifas ainda mais competitivas em relação aos outros estados, refletindo na atratividade de investimentos futuros no setor industrial", completa. 

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