Manguezais: degradação reflete nos oceanos e em todas as espécies vivas | Consciência Limpa | F5 News - Sergipe Atualizado

Manguezais: degradação reflete nos oceanos e em todas as espécies vivas
Entenda sobre a importância de preservação desse ecossistema
Blogs e Colunas | Consciência Limpa 20/06/2021 13h02 - Atualizado em 20/06/2021 13h22

Quando criança eu brincava no manguezal que tinha em frente à casa da minha avó, e todas as vezes que estou próximo a uma área com mangue, essa memória vem com força. Tinha dias de voltar para casa coberta de lodo do mangue dos pés à cabeça, e era tudo muito saudável e divertido.

Sergipe tem mais de 200 km de área de manguezal, segundo dados do Crea-Se de 2014. Aracaju, não é à toa, é a capital do caranguejo, afinal, já foi um dia cercada por manguezais até a urbanização acabar com boa parte da extensão deles. Para quem não sabe, manguezais são ecossistemas costeiros de transição entre os ambientes terrestres e marinho, onde peixes, moluscos, crustáceos, passam para se reproduzirem e se alimentarem. É um verdadeiro berçário de espécies e por isso são tão importantes para o equilíbrio e manutenção da vida marinha. Portanto, os mangues, uma vez ameaçados, podem afetar toda uma cadeia com perdas, inclusive, para os oceanos e as espécies de vivas, como os próprios seres humanos.

Além disso, eles também são responsáveis por reter dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, amenizando o efeito estufa. E também são fontes de atividades pesqueiras com grande valor socioeconômico para comunidades ribeirinhas.

Esse manguezal exposto nas imagens margeia o Rio Paramopama, no município de São Cristóvão, em Sergipe. Rio que já foi abundante para pesca da região, com vários mariscos que se criavam nesses mangues, como os robalos, carapebas, piaus, tainhas e curimãs. Isso quando a cidade ainda era a capital do estado de Sergipe, até 1855. Inclusive, foi neste rio onde encontraram a imagem do Senhor dos Passos, este que representa a secular procissão que é celebrada entre fevereiro e março.

Infelizmente, esse reduto simbólico da culinária e cultura sergipanas vem sofrendo ameaças há bastante tempo, diante da degradação ambiental, o que inclui problemas graves causados pela urbanização próxima aos rios e mangues, além da poluição por agrotóxicos, retirada de areia, lixo e esgotos sem tratamento. O crescimento desordenado na cidade de São Cristóvão, por exemplo, também atingiu em cheio o rio Paramopama, que teve as margens ocupadas por residências.

Para piorar, parece que o governo do Estado não tem tanto interesse na preservação dos manguezais. O Consciência Limpa tenta respostas desde janeiro deste ano da Administração do Meio Ambiente (Adema) sobre a situação das áreas de mangue no Estado, mas, parece que não há sequer monitoramento. O presidente da pasta, Gilvan Dias, informou que o último levantamento dos manguezais sergipanos foi feito em 2012 e os resultados estão compilados num CD e deve ser essa a dificuldade para ter acesso ao material. Quem ainda usa CD hoje em dia? Ainda mais para guardar um material tão importante? O risco de perder é grande.

É essa a nossa realidade ambiental no estado. Cruel e triste. Os governantes, que são os principais responsáveis, não estão nem um pouco interessados no assunto.

Na capital são quatro Áreas de Preservação Permanente (APP): rio Poxim, rio Sergipe, rio do Sal e Zona de Expansão. Em todas essas áreas ainda é possível encontrar mangue, mas, grande parte foi tomada por invasões ou por construções.

No bairro Jardins, por exemplo, construções foram erguidas sob aterros, porém, até hoje sofrem com enchentes em períodos de chuva. As áreas dos bairros 13 de Julho e Coroa do Meio possuem atualmente poucas porções de mangue, já que a maior extensão foi antropizada.

Segundo informações do secretário municipal do Meio Ambiente, Alan Lemos, existe uma unidade de conservação do Rio Poxim, atualmente no Parque Poxim construído pela Energisa em concessão com o município de Aracaju, criada para proteger os manguezais.

“A cidade inteira é coberta por manguezais, o que ocorre é que estamos numa situação consolidada. A cidade cresceu nas áreas de manguezais anterior às legislações que protegem esses ecossistemas. O bairro Coroa do Meio avançou há muitas décadas atrás, e agora nós temos empreendimentos que estão em áreas de manguezais”, disse Lemos ao Consciência Limpa.

Ainda conforme o secretário, a Prefeitura de Aracaju realiza a recuperação de áreas degradadas com plantio, no entanto, em menor escala. “Muitas dessas áreas já estão ocupadas, em situações que não conseguimos mais reverter”, revela.

O secretário diz ainda que não existem números estatísticos sobre as áreas de manguezais afetadas em Aracaju, pois envolve múltiplos dados. No entanto, ele garante que a Secretaria acompanha e recebe denúncias a todo momento de ações ilegais nessas áreas. “O número de fiscalizações feitas é muito significativo. Ano passado (2020) foram mais de mil. É uma cidade inteira que pode estar cometendo danos”, reitera.

Lemos aponta que está sendo planejada uma nova Unidade de Conservação, no bairro Lamarão. “A Prefeitura tem um convênio de contrato que prevê obras na zona norte da cidade e, como vai fazer obras e abrir estrada, prevê a Unidade de Conservação. A cidade tem que crescer, abrir novos espaços, mas, quando intervir, já compensa”, disse.

 

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Lais Oliveira de Melo, jornalista diplomada, pós-graduanda de MBA em Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, atualmente repórter do Jornal da Cidade e blogueira em Consciência Limpa. Premiada em 2018 no Prêmio Setransp com a terceira melhor reportagem de veículo impresso. Trabalhou por cinco anos no marketing digital de uma empresa de turismo e participou de um programa de estágio no F5 News.

E-mail: demelo.lais@gmail.com

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