Os preços dispararam ou nosso dinheiro que não vale mais nada? | Marcio Rocha | F5 News - Sergipe Atualizado

Os preços dispararam ou nosso dinheiro que não vale mais nada?
Blogs e Colunas | Marcio Rocha 04/09/2021 04h07

Hoje em dia, a população reclama bastante dos preços de combustíveis, alimentos, de tudo, e com razão. Nunca estivemos durante a existência do Plano Real, com os preços de bens e serviços tão altos em termos proporcionais ao valor nominal da nossa moeda. Provocado por uma grande quantidade de leitores nas redes sociais, por e-mail e conversando pessoalmente, me senti na obrigação de tentar descomplicar isso para vocês. Não é tarefa fácil porque a explicação às vezes não é convincente nem mesmo para mim, que estudo a ciência econômica para compreender melhor o cenário em que estamos vivendo, pois eu como consumidor estou percebendo que o poder de compra está se reduzindo a cada dia. Entretanto, ao contrário do que se diz por todo lado, vamos simplificar esse entendimento.

Usando os combustíveis como exemplo, temos que compreender que o regulador do mercado de combustíveis é o preço internacional do barril do petróleo. Em 2008, a medida Brent esteve oscilando na maior alta dos últimos 20 anos, se aproximando da casa dos 150 dólares e isso bagunçou a vida do mundo inteiro, inclusive sendo fator para provocar uma crise econômica internacional que levou muitos países à bancarrota completa, com suas economias obliteradas. 

O preço do petróleo no mercado internacional está muito longe da máxima histórica de 2008, hoje está nos níveis de 2005, custando cerca de 70 dólares o Brent. A regra básica da economia é a escassez do bem a ser consumido. Ou seja, havia pouca oferta na época e isso levou o preço a níveis astronômicos. Com o preço atual, já sabemos que não há escassez do petróleo. Então o preço do petróleo em nosso país está elevado por outro fator que nem sempre é fácil de aceitar, o valor do real como moeda corrente. 

Se levarmos a conversão do valor internacional do barril de dólares para reais, temos o maior valor da história que nós estamos pagando. No câmbio de quinta-feira, quando parei para escrever a coluna desta semana, o barril do petróleo estava em 362 reais, na conversão direta moeda de mercado / moeda nacional. Ou seja, o real perdeu muito valor, haja vista que a moeda norte-americana está oscilando na casa dos 5 reais, passando por valores mais altos há poucos meses. Conclui-se então que o preço dos combustíveis está alto no Brasil porque nossa moeda não está com competitividade diante do mercado internacional. 

Ironicamente, o valor do litro da gasolina naquela época era de aproximadamente R$ 2,50, e o dólar em setembro de 2008 custava R$ 1,80. Então a gasolina custava USD 1,38. Hoje, o principal combustível do país está custando se convertermos para a moeda guia do mercado mundial, USD 1,18. O combustível está caro? Não está. O preço que pagamos é o mesmo. Todavia, nossa moeda não está valendo muita coisa, perdendo seu poder de compra a cada dia que se passa. 

Nosso suado dinheiro está valendo menos, nossos salários estão valendo menos. Isso é o que precisa ser entendido pelas pessoas, mas não quer dizer que devamos aceitar. Porque isso influi diretamente no preço de todos os bens e serviços que consumidor em nosso cotidiano, já que o Brasil é um país essencialmente dedicado ao transporte rodoviário para quase a totalidade de nossa produção. A condução econômica do país possui acertos e erros e um deles, foi justamente manter nossa taxa básica de juros muito baixa, que promoveu fuga de capitais e investimentos do Brasil. Se for considerar fatores como a injeção de moeda corrente nas mãos da população, que também implodiram o valor nominal do real. 

O Banco Central errou feio na administração da política monetária, pois com a Selic muito baixa, a oferta monetária elevou demais. Juros baixos, com inflação elevada, deu no que deu. O real não vale nada. Hoje, o real é a sexta moeda com maior desvalorização do mundo, sendo melhor que apenas Angola, Zâmbia, Venezuela, Seychelles, e los hermanos de la Argentina, que estão com a economia destroçada.  
 

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Marcio Rocha é jornalista formado pela UNIT e radialista formado pela UFS, especialista em jornalismo econômico e empresarial, MBA em Assessoria Executiva pela Uninter, com experiência de 20 anos na comunicação sergipana, em rádio, impresso, televisão, online e assessoria de imprensa. 

E-mail: jornalistamarciorocha@live.com

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