Um passeio pela cultura marroquina
Dupla Marrakesh e Casablanca são destinos ideiais para quem quer conhecer o país
Blogs e Colunas | Passos Pelo Mundo 25/10/2020 08h00 - Atualizado em 28/11/2020 15h45

Se você estiver disposto a fazer turismo em um lugar diferente, eu recomendo muitíssimo a cidade de Marrakesh. Lá você encontra outra arquitetura, outra cultura, outro idioma, outra moeda. A cidade impacta e encanta!

Então vamos começar pelo impacto. A chegada mais traumática que tive em todas as minhas viagens foi em Marrakesh. Depois de dois voos e uma viagem de trem, chegamos na cidade para pegar um táxi para o nosso Riad (hospedagem típica dentro da Medina). O valor do táxi era mais alto do que a quantidade de dirham marroquino que tínhamos e eles não aceitavam Euro. Para o nosso azar, não tinha casa de câmbio aberta. A negociação era em mímica porque os taxistas só falavam árabe. Acabamos entrando em um táxi e entreguei o papel da reserva do Riad que serviria de guia para nos deixar no destino final. Eram umas 11h da noite e ele começou a falar no telefone em árabe, olhava pra trás e parecia que estava bravo, gritando conosco.

Começamos a suspeitar que a raiva dele era porque o valor que pagamos não era suficiente. E cada vez mais ele entrava por vielas bem escuras e desertas. Começamos a ficar com medo. E se ele roubar nossas malas? E se na verdade estiver nos sequestrando para o tráfico internacional de mulheres? Quando o carro parou em uma rua muito escura, dois homens chegaram rapidamente e colocaram nossas malas em um carrinho. Eles conversavam em árabe e entramos em desespero dizendo que pagaríamos o resto que estava faltando, mas por favor, devolvam nossas malas! Vimos que um dos rapazes deu dinheiro para o taxista e começamos a correr atrás do carrinho por ruas cada vez mais estreitas para resgatar nossas malas e com medo de que aquilo fosse uma emboscada.

Gritávamos: “help, help” e ninguém aparecia… até que encontramos uma espécie de restaurante com uma pessoa na porta que falava inglês. Ele nos disse que a pessoa que carregava nossas malas era o dono do Riad Timel e que estávamos indo em direção a hospedaria. Chegamos morrendo de rir e ao encontrar a Beatrisse, esposa do “carregador” e também dona do Riad, que falava inglês, contamos nosso filme de terror e todos riram a noite inteira. Ah, o dinheiro que ele deu foi porque o taxista mentiu dizendo que a gente não tinha pagado nada da corrida e acabamos pagando duas vezes!

A Beatrisse havia me mandado um e-mail me perguntando a hora de chegada para enviar o transfer, mas como não conseguimos comprar a passagem de trem de Casablanca para Marrakesh pela internet eu não soube informar. Aprendemos na prática quem em Marrakesh vc tem que combinar o transfer antes de chegar. Os hotéis sempre oferecem esse serviço.

Do impacto para o encantamento

Quando entramos no Riad fomos recebidas com um delicioso chá de menta e surpreendidas por uma decoração belíssima.  Quem vê de fora não dá nada pelo lugar. É cultural. Os marroquinos gostam de decorar as suas casas somente por dentro para não ostentar. E os riads são antigas casas transformadas em hotéis. Elas têm sempre um lindo pátio interno e um terraço, de onde avistamos os terraços de outras casas. Depois de uma longa viagem, beber vinho e observar a arquitetura da cidade do Terraço foi um ótimo programa.

De manhã acordamos e a nossa mesa estava toda arrumada com ovos, pães marroquinos, café, diferentes geleias como a tradicional de damasco e um suco de laranja bem mais escuro do que o que a gente está acostumado. E muitíssimo saboroso!

Tomamos o nosso café calmamente se saímos para desbravar a cidade. Com quase mil anos de existência, a “cidade vermelha”, como é chamada, devido à cor predominante das construções é diferente de tudo que você já viu. Quem assistiu a novela “O Clone” vai lembrar daquelas imagens de ruas estreitas e lojinhas para todos os lados, que eles chamam de souks e onde você pode comprar de tudo: especiarias, artigos de couro, peças de cerâmica, prataria e até produtos chineses.

Já a medina que mencionei no início do texto são as muralhas. A maioria das cidades árabes são cercadas de muros, que foram construídos para sua proteção. Com o passar do tempo e o estabelecimento da paz, a área urbana se expandiu para fora. Então a Medina é a área antiga e mais tradicional, onde se concentram mercadinhos, mesquitas, jardins e restaurantes em torno de ruas bem estreitas, pelas quais não passam carros.

O ponto turístico principal dentro da Medina é a Praça Jemaa El Fna. De dia, a Praça reúne vendedores, encantadores de serpentes, adestradores de macacos, dentistas a céu aberto e entre outros personagens típicos da cidade. Eu fui abordada por uma mulher que faz tatuagem de hena nas mãos. Só pelo fato de eu ter sido educada, ela já aproveitou a oportunidade para começar a fazer sem me dizer o preço. O melhor é ignorar. Quando quiser realmente comprar algo, negocie. Faz parte da cultura marroquina. Com certeza vc conseguirá comprar pela metade do preço.

Outro ponto turístico é a mesquita da Koutoubia que faz os chamados para oração  5 vezes ao dia: antes do sol nascer, ao meio-dia, durante a tarde, depois do pôr do sol e à noite. Nesses momentos, você sentirá, ao menos um pouco, como é a vida cotidiana em Marrakech.

No dia seguinte resolvemos pegar um hop on hop off bus para conhecer os principais pontos turísticos mais afastados como o Jardim Majorelle, obra mais famosa do pintor francês Jacques Majorelle, que passou 40 anos trabalhando nas pinturas e na jardinagem. Reúne espécies de diversos lugares do mundo, mas a estética remete ao estilo tradicional dos jardins marroquinos.

Na década de 1980, o designer de moda Yves Saint Laurent adquiriu o jardim onde ele passou a morar. Hoje você encontra por lá o museu de Yves Saint Laurent, onde conhecerá um pouco da sua história. Ele é criador do smoking feminino, que permitiria que as mulheres passassem a trabalhar de calças compridas. Grande ícone da moda mundial, ele Marrakesh como cidade para passar os últimos anos da sua vida.

À noite foi hora de experimentar uma comida típica marroquina. A dona do Riad Beatrice reservou para a gente e jantamos no terraço de um restaurante típico. É claro que pedimos cuscuz marroquino, que estava delicioso. Na noite seguinte, resolvemos experimentar outro prato típico da cidade, o tajine.

Em Marrakesh é proibido beber álcool, mas nos hotéis e em apenas 5 restaurantes as bebidas são servidas. Resolvemos separar uma noite para ir a um deles com música e dança típica. Foi uma noite muito divertida, também indicação da dona do Riad. Recomendo sempre buscar sugestões no seu hotel.

Vídeo de uma noite típica marroquina com música e dança:

Casablanca

Muitas pessoas aproveitam a oportunidade para passar uma ou mais noites no deserto do Saara dormindo nas exóticas tendas , mas nós resolvemos retornar para Casablanca. Como uma apaixonada pelo filme Casablanca tinha que ir ao Rick’s Café, que no filme era lugar de encontro dos foragidos da guerra e que passavam uma temporada na cidade antes de irem para os Estados Unidos. No Rick´s fizemos amizade com uma brasileira chamada Ana, que mora no Marrocos, acompanhada do seu namorado holandês e seu amigo marroquino. Foi uma noite maravilhosa!

Para o dia seguinte, combinamos uma manhã de chá, salgados típicos marroquinos e entrevista com um jornalista da cidade. Na pauta, política brasileira. Em seguida, Ana nos levou para nos despedimos de Casablanca na belíssima mesquita Hassan II, a mais alta do mundo e a única a beira mar.

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Carla Passos é Jornalista, especializada em Turismo e apaixonada por história, flores, textos e coisas inspiradoras. Adora sol, mar, fotografia, doce da padaria, dançar, e sonhar… Na infância, ainda morando em Salvador, meu principal hobbie era ir ao aeroporto ver os aviões partirem. Eu sempre dizia que um dia eu estaria dentro daqueles aviões. Antes de completar 15 anos, eu dizia aos meus pais: não quero festa, quero viajar de avião para o Rio de Janeiro. Foi minha primeira viagem de avião! Trabalhei anos com essa editoria, mas atualmente estou na editoria de política, minha segunda paixão. Assim o turismo virou um hobbie. E de lá pra cá já conheci quase todos os estados do Brasil e 25 países.

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E-mail: carla.jornalista@hotmail.com

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