"Não é preciso que eu fique no governo", afirma Robson Viana
Blogs e Colunas | Joedson Telles 02/06/2019 09h33 - Atualizado em 03/06/2019 08h20

O ex-deputado estadual Robson Viana (PSD) comenta a nova fase do PROS, tendo seu irmão, César Viana, como presidente em Sergipe, afirma que a injusta acusação contra seu outro irmão, Sérgio Viana, e o seu afastamento de Aracaju tiveram peso em sua derrota, em 2018, ratifica a intenção de estar no palanque do prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B), em 2020, e explica que, mesmo sem ocupar espaços no Governo do Estado, não tem problema algum com o governador Belivaldo Chagas (PSD). "Às vezes, as pessoas dizem que eu não fui contemplado no segundo escalão. Não é preciso que eu fique no governo. Não tenho necessariamente de assumir algum cargo. O PSD já tem o governador do Estado, tem duas secretarias e a gente tem que trabalhar de acordo com o relógio do governador. Eu estou tranquilo. Trabalhei pela eleição do governador no estado inteiro", diz. 

O que esperar desta nova fase do PROS sob o comando do seu irmão, César Viana?

Estou muito feliz. É um novo trabalho que a gente vai desempenhar aqui em Sergipe. Quero reafirmar que continuo no PSD, mas, agora,  com esse novo desafio do PROS. Darei minha contribuição. Vou ajudar muito a fortalecer o partido em Sergipe, e estou feliz porque meu irmão aceitou. Dirigir um partido, hoje, requer uma grande responsabilidade, e nem todo mundo quer ter essa responsabilidade por ter sua vida pessoal. A gente conseguiu, com objetivo do partido, com a história do partido, apesar de o partido ter só seis anos de criação, mas tem uma proposta muito boa e tem a bandeira da redução de impostos, vem batalhando para que a gente possa ter a Reforma Tributária, já que a gente não pode viver em um país pagando 39% de imposto. É um partido que vai somar - e é mais uma sigla para que o povo de Sergipe e de Aracaju possa avaliar na eleição de 2020.

A grande injustiça que sua família sofreu está sendo superada?

Graças a Deus. Eu acho que nada melhor do que a Justiça. Eu acho que cada órgão que estava envolvido nesse caso, que foi bem próximo a eleição, contribuiu de sua forma. Um fato que acabou abalando a família e amigos que estiveram juntos com meu irmão naquele momento. Tudo foi esclarecido, Sérgio Viana não teve culpa nenhuma.

Há como desvincular o episódio da sua não eleição?

Não. A imagem da gente foi abalada. Muita gente que viu aquilo na televisão acabou desistindo de votar na gente. Tanto que a gente reduziu a votação em Aracaju, e eu tenho certeza que foi por conta dessa situação. Mas, o importante é que Sérgio foi absolvido. O povo de Aracaju conhece a nossa família, nossa história política e de família, e o mais importante foi essa absolvição dele.

Mesmo sem mandato, o trabalho continua junto à população?

A gente não deixa de trabalhar. Temos o escritório, sempre estamos dialogando com o povo de Aracaju, entendendo onde erramos nesse diálogo. A vitória é uma alegria, mas a derrota nos ensina a olhar melhor tudo que a gente já fez até aqui. É o momento da gente arrumar a casa e seguir em frente com esse novo desafio de ajudar o PROS e aos novos companheiros que estão chegando em Aracaju, que são pré-candidatos a vereadores e outros que estão se colocando à disposição para ser candidato a prefeito ou vice-prefeito. A gente já tem um bom tempo na vida pública e estou muito feliz com esse novo caminho.

Então conseguiu identificar que estava pecando no diálogo com o eleitor?

Eu fiz essa reflexão e acho que cada um tem que fazer sua autocrítica. Nosso eleitorado é em Aracaju. Isso não quer dizer que o povo do interior não mereça a nossa presença, mas a gente andou muito no interior e deixou Aracaju um pouco descoberto. Quando deixa descoberto outros candidatos vão se apresentando. A gente tem que voltar às bases, muita gente que a gente visitava mais nas casas quando era vereador. Quando se tem uma eleição estadual você acaba ampliando. A gente tinha voto em quase todos os municípios de Sergipe. Foi uma eleição muito ativa e acho que isso contribuiu para que a gente perdesse os votos. As pessoas querem a presença da gente, querem dialogar com o candidato, quer saber qual é a proposta. Eu tive quase 10 dias para fazer minha campanha em Aracaju. É o momento da gente olhar onde errou, o que tem que melhorar.

O seu foco é 2020 ou 2022?

Vamos trabalhar. A gente vai construir um projeto novo. Essa eleição de Aracaju está muito aberta. Terão vários pré-candidatos a prefeito em Aracaju, o que é bom para a democracia, e a gente com esse novo desafio que é o PROS ajudando, são pessoas novas que vão ajudar o partido a caminhar. O partido que eu faço parte já está de corpo e alma na reeleição de Edvaldo Nogueira. O PROs vai discutir com os outros partidos qual o melhor caminho para traçar em 2020. Eu acho importante que o presidente do partido e os filiados tenham posição em relação às eleições 2020. A gente está se organizando, se fortalecendo.

Como está sua situação no PSD?

O nosso líder maior do PSD é o governador Belivaldo Chagas. É o condutor desse novo projeto político do grupo. A gente tem que aguardar a definição dele. O PSD já está com sua estrutura montada em todo estado. Os deputados Fábio Mitidieri e Jéferson Andrade têm organizado bem o partido. Jéferson disse que vai ter 60 candidatos a prefeito no estado. Eu acho que o partido não vai ter nenhuma dificuldade e, pensando já nessa estrutura que o PSD tem, por isso que pensamos em outro caminho. Existem pessoas que eram do PEN, que hoje é Patriota, aguardando ir para outro partido. Como a gente não tinha como indicar para o PSD, porque já está com sua estrutura montada em alguns municípios, houve a incompatibilidade. A gente vai aproveitar o PROS para migrar essa turma da gente e fazer um trabalho em parceria com o PSD.

Essa mega estrutura do PSD em Sergipe leva a uma possível pré-candidatura de Fábio Mitidieri ao Governo do Estado?

Eu acho que Fábio tem feito um grande trabalho e tem mostrado isso no Congresso Nacional. Ele está procurando o espaço que deixaram. Tem uma lacuna e Fábio, sabidamente, está preenchendo esse espaço. Ele já vem construindo isso e está certo. Política é espaço. O PSD já está com sua estrutura montada, até porque temos um agrupamento muito grande em Aracaju e em Sergipe. Temos vários companheiros que a gente vem trabalhando, desde 2014. Nosso caminho será migrar para o PROS em parceira com alguns companheiros do PSD. Eu acho que o importante é estar todo mundo junto e permanecer em 2020.

Como está sua relação com o governador Belivaldo Chagas?

Tranquila. As pessoas me perguntam isso. Eu acho que o PSD tem sido contemplado no Governo do Estado e eu sou do PSD. Às vezes, as pessoas dizem que eu não fui contemplado no segundo escalão. Não é preciso que eu fique no governo. Não tenho necessariamente de assumir algum cargo. O PSD já tem o governador do Estado, tem duas secretarias e a gente tem que trabalhar de acordo com o relógio do governador. Ele está preocupado com a parte financeira do Governo do Estado, que não é muito boa. Esteve em Recife com o presidente Jair Bolsonaro e governadores do Nordeste, e agora esteve em um fórum muito importante que tratou das PPPs. É isso que o governador tem feito diariamente, fazendo investimentos para Sergipe. Existem quase 180 mil desempregados em Sergipe. O papel do governador é fazer que o Estado cresça, tenha obras para que possa atrair empresas e empregar o povo sergipano. Claro que o governador está preocupado com saúde e educação, mas se não tiver investimento não é possível desenvolver o estado. O governador está fazendo o seu papel. Essa questão de estar ou no governo não quer dizer que a gente tenha problemas com o governador.

Houve e há quem tente afastar Robson de Belivaldo?

Essas coisas não me incomodam. Eu estou tranquilo porque eu tenho o meu papel, trabalhei pela eleição do governador no estado inteiro. Eu acho que eu cheguei a atingir 72 municípios com essas caravanas pedindo voto pra mim e para o governador. Eu acho que a gente não precisa mostrar nada. O governador precisa se preocupar com o governo dele, e, no momento que ele achar que devemos ter um espaço ou não, ele vai decidir. Torço muito, gosto muito do governador e acho que ele tem que correr atrás para resolver essa parte financeira e que a gente consiga mais na frente ter uma perspectiva que as coisas melhorem. Eu estou aqui para contribuir.

Robson Viana trabalha pensando em voltar à Assembleia Legislativa ou cogita uma vaga na Câmara Federal?

A gente tem discutido isso com o grupo. A gente pode, em 2022, dar um voo maior, mas a gente tem que trabalhar para que isso aconteça. Vamos ver o que a gente vai fazer até 2022, um trabalho em Aracaju e em todo Sergipe, para que a gente possa dar esse voo maior. A gente pensa também, em 2022, ser candidato a federal. Tenho discutido isso com nosso agrupamento político.

Até porque, muitos prefeitos são seus amigos...

Essa parceria com o PSD pode crescer muito. Eu não sei se Fábio, em 2022, vai ser mais candidato a federal porque tem essa possibilidade dele ser candidato a governador ou a senador. O importante é essa parceria para que em 2020 e 2022 o partido saia forte e a gente construa um partido grande em Sergipe. Eu tenho certeza absoluta que teremos muitas coisas boas também em relação ao PROS.

Robson vem conversando com o ex-governador Jackson Barreto?

Tenho conversado muito em relação ao partido. Jackson é uma pessoa que pensa política 24 horas. Mesmo fora da política (sem mandato) Jackson tem feito um trabalho e tenho certeza absoluta que ele pode contribuir muito ainda com a eleição de 2020 e 2022. Agora, com esse novo partido, a gente pode avançar mais ainda com esse diálogo com Jackson e vamos ver o que iremos decidir para as eleições. Jackson tem feito um bom trabalho e agora com a presidência municipal do MDB ele vai trabalhar mais ainda.

Ele pensa em disputar eleição?

Eu vi uma entrevista dele dizendo que, em 2020, vai participar ativamente da eleição. Jackson é uma pessoa inquieta. Vamos aguardar o que vai acontecer. Ele está trabalhando muito, tem andado bastante em Aracaju e em todo estado. Ele agora à frentes da municipal vai fazer um trabalho muito importante para o MDB, que está inovando seus quadros. Isso é muito importante. Tem pessoas que já deram sua contribuição e era preciso dar um oxigênio no partido. Dar vida ao partido. O MDB vem diminuindo sua votação em nível nacional de forma muito grande. O MDB era o maior partido do Brasil e hoje talvez seja o quarto ou quinto. O partido perdeu muito na última eleição e precisa renovar seus quadros para que a população veja o MDB com outros olhos. A gente tem que acompanhar essa mudança.

Como Robson tem acompanhando esse possível racha entre o PT e Edvaldo Nogueira?

Tenho acompanhado pelos jornais. O PT é um aliado de primeira hora, esteve conosco em todas as eleições. Eu acho que é normal. Esse processo já vimos em Aracaju. Existe muita especulação, mas temos visto algumas declarações de integrantes do PT sobre o interesse em ter uma candidata própria. Eu acho que é o momento da gente aguardar. O importante é estar todo mundo junto. Vamos aguardar até setembro, como João Daniel disse em uma entrevista, pra ter uma definição se fica com Edvaldo Nogueira ou não. O importante é a gente ter maturidade e muita coisa até a eleição de 2020 vai acontecer. O importante é a gente ter um projeto consolidado, coeso para que a gente possa mostrar ao povo de Aracaju porque continuar na gestão. O povo de Aracaju vai avaliar os quatro anos de Edvaldo na prefeitura. É preciso que a gente tenha paciência que, no momento certo, todo o grupo vai sente para tomar uma decisão.

Robson está fechado com Edvaldo?

O PSD já está de corpo e alma. O PROS vai iniciar uma conversa com o prefeito de Aracaju, Cesar que vai ter esse diálogo em relação à eleição. Os integrantes devem saber o que Edvaldo está pensando para 2020. É importante o partido ter essa liberdade.

Se o PROS não fechar com Edvaldo, como fica sua posição?

Essa avaliação a gente vai ter paciência, muito diálogo. Eu acho que Edvaldo tem sido um grande prefeito, tem feito muita coisa em Aracaju. Com um bom diálogo, e a gente conversando com os integrantes, eu tenho certeza absoluta que a gente não vai ter nenhum problema em caminhar com Edvaldo Nogueira. 

Há muita crítica injusta à gestão Edvaldo?

A gente tem andado em Aracaju e muita coisa está sendo feita e vai ser mais ainda porque ainda tem as emendas que irão chegar do Governo Federal. Edvaldo tem feito um bom trabalho.

Robson deixou algum projeto na Assembleia Legislativa e, neste caso, já conversou com algum deputado para dar prosseguimento?

Ficaram alguns projetos lá. Eu fiquei de ir lá porque, às vezes, passam cinco anos para a comissão avaliar. Vou ver se a gente consegue dar andamento e pelo menos passa nas comissões e colocar em plenário para votação. O presidente Luciano Bispo, Zezinho Sobral ou Garibalde, com quem tenho muita amizade também, podem apresentar o projeto. Não tenho nenhuma dificuldade. Qualquer um que tiver à frente será bem vindo.

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Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: joedsontelles@gmail.com

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