"O PT se acostumou a viver pendurado em cargos", afirma Laércio Oliveira
Blogs e Colunas | Joedson Telles 20/05/2019 07:17

O deputado federal Laércio Oliveira (Progressista), ao ser provocado sobre a posição externada pelo presidente do PT de Aracaju, Jéferson Lima, que entende que o partido não pode apoiar um possível projeto de reeleição do prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B), caso  ele esteja no palanque, avaliou que para ser um político íntegro na sua fala, coerente, o presidente do PT, se, de fato, comanda a legenda, precisa entregar os cargos comissionados que o partido ocupa na Prefeitura de Aracaju. "Mas isso não vai acontecer nunca. O PT, na sua natureza, se acostumou a viver pendurado em cargos, como existem muitos petistas pendurados em cargos no Governo Federal ainda, e o governo Bolsonaro ainda não fez a limpeza que deveria ser feita. Já que a pessoa declara que não quer aliança onde Laércio Oliveira estiver, entregue os cargos", sugere Laércio Oliveira.

Como é esse grande evento que o Sistema Fecomércio realiza, o “Razão Social”?

É uma ação do Sesc com todo o Sistema engajado. A Fecomércio, por meio dos seus diretores, dos seus conselheiros e o Sesc-Senac também, com todos os seus diretores, estamos envolvidos no projeto. É uma ação dentro de um projeto que já é um projeto nacional que foi trazido como um projeto piloto para Sergipe e é chamado “Comunidade”. O formato dele é projeto “Com-unidade”. É a gente unir todas as forças em prol de uma comunidade. Há mais de dois anos foi trazido para seguir, e eu tenho a felicidade de realizá-lo no Bairro 17 de Março, numa praça que tem o nome de minha filha, que faleceu em 2012 a(Mariana Moura). Um dos embriões que nasceu dentro desse projeto foi um projeto chamado “Razão Social”, que foi idealizado dentro do Sesc de Sergipe e leva diversas ações à comunidade nas áreas de saúde, educação, cultura, esporte, lazer, prestação de serviço por meio de Defensoria Pública, Secretaria de Segurança Pública... Conseguimos convidar alguns parceiros para somar forças e desenvolver essa ação. A gente está muito feliz por isso. Todos estão empolgados com esse projeto porque o Sesc também tem essa característica e faz uma ação pública volta para a população. A razão de ser do Sesc e do Senac são os comerciários, mas existem alguns programas voltados para a população de modo geral. Eu tenho muito cuidado com essas ações ao realizá-las e faço questão de destacar todas as vezes que essa é uma ação pública e não é uma ação política. As pessoas podem misturar e dizer que é o deputado que está fazendo. Eu sou parte do Sistema Fecomércio Sesc-Senac. Eu apenas sou presidente do sistema como um todo e procuro deixar isso bem separado porque tem a maldade das pessoas e muitas vezes elas desvirtuam a verdadeira intenção do projeto. Tem gente do outro lado da rua precisando da gente e precisamos saber superar esses momentos e atravessar a rua e levar às pessoas um momento que elas se sintam valorizadas e respeitadas. Estamos indo exatamente onde elas moram. Eu já ouvi pessoas perguntando se eu iria levar minhas unidades móveis para lá porque é perigoso. Aquelas pessoas precisam, merecem e serão vistas, pelo menos por nós, de uma maneira totalmente diferente. E já temos experiências muito positivas ali dentro. Tem dois anos que o Sesc está lá. O Sesc foi abraçado pela comunidade do 17 de Março e temos tido experiências maravilhosas. Tivemos um começo difícil, passamos alguns sustos, mas hoje a comunidade entende que não estamos ali para mudar a maneira de ser de cada um, mas com a disposição de conviver com eles da forma que eles são e tentar mostrar que existem outros bons caminhos. Eles têm absolvido isso. Eu mesmo sou um frequentador assíduo de lá, porque minha esposa, toda semana, vai pra lá levar uma ação, conversar com as mães e eu fico muito feliz por ser parte disso.

É uma forma de não ficar na zona de conforto, só cobrando ações dos governos?

Essa é uma característica marcante que nós temos. Eu escuto muita perseguição ao Sistema S, inclusive neste novo governo que fala em meter a faca no Sistema S sem nem conhece como funciona porque se conhecesse não diria uma coisa desta. As políticas desenvolvidas dentro do Sistema S transformam o Brasil todos os dias e em todas as áreas, com uma capilaridade que o governo, certamente, não tem condições de estar onde nós estamos. O alcance que o Sistema S exerce em favor da população brasileira é um alcance que tem muita qualidade e muita boa vontade de querer fazer. Todos os empregados do Sistema S são pessoas que, antes de tudo, não têm emprego. Têm uma paixão. Digo isso porque, ao entrar em uma dessas entidades do Sistema S, as pessoas se apaixonam pelo que fazem, em todas as áreas. Isso torna o trabalho muito mais prazeroso do que outros. Você vê vidas transformadas pela ação de um projeto. Aqui temos o exemplo da BiblioSesc, a caravana da cidadania, os cortejos culturais que a gente realiza, a alfabetização que a gente leva a tanta gente. Só o Sesc em Sergipe tem mais de dois mil alunos. Só fala mal do Sistema S quem está atrás de outros interesses e não de ajudar os brasileiros.

Em janeiro, houve mudança no governo, assumindo a Presidência da República Jair Bolsonaro. Já é possível fazer um balanço deste primeiro semestre, no que diz respeito ao comércio?

O governo está enfrentando muita dificuldade para destravar os investimentos, muita dificuldade para fazer a economia rodar. O desemprego aumenta a cada dia que passa, porque a economia não responde. Criou-se uma expectativa muito grande nas reformas que precisam vir, e muita gente só fala na Reforma da Previdência porque foi a primeira que o Poder Executivo levou para a Câmara dos Deputados. Tem muito dever de casa que precisa ser feito e o Governo Federal precisa deslanchar nessas ações. Paralelo a isso, dentro do Poder Executivo poucos são os programas em favor da população. Temos um compromisso muito grande em fazer política social de qualidade, porque muitos brasileiros precisam das políticas sociais e o governo ainda não conseguiu tabular muito bem que programas precisam ser alavancados para que promovam pelo menos um ambiente de sobrevivência para a população. Isso frustra todos nós que acreditamos, como eu, num novo governo. Não perdi a esperança, mas acho que o governo já está atrasado. Precisa apresentar os programas. A população apostou as suas fichas, acreditando que muita coisa iria mudar. Aquilo que foi da competência do Poder Legislativo foi feito, e o novo governo recebeu o país com regras trabalhistas destravadas, com um ambiente confortável para empregabilidade, moderno e eficiente. Mas, se não tem resposta da economia, se a gente atravessa um momento de crise muito forte, como esse que estamos vivendo, não tem emprego. Não é a Reforma Trabalhista que não foi bem feita. O emprego é consequência de um ambiente econômico confortável, e esse a gente não tem no momento. É preciso começar, de fato, a trabalhar com planejamento. Muitas vezes, percebo que tem muita gente falando em nome do governo, mas não aparece nenhum programa que seja palatável para a população, que traga esperança para as pessoas.

O governo está muito focado na Reforma da Previdência e isso pode está atrapalhando outras áreas?

Sim. A Reforma da Previdência é como se fosse a bala de prata. Eu acho que é um passo gigante que o Brasil precisa dar, sou um defensor dessa reforma, mas há outras reformas que precisam caminhar e não têm que esperar pela Reforma da Previdência. A Reforma Tributária e a Reforma Fiscal precisam começar a rodar também. Eu tenho muita preocupação com o colapso fiscal e o colapso social no nosso país - e as coisas não podem demorar muito. O colapso é muito trágico para os brasileiros.

Há muita distorção sobre o tema Reforma da Previdência, sobretudo por parte de quem é contra?

Todos os dias se fala em Reforma da Previdência. Muitos argumentos que não condizem com o texto são utilizados. Muitos comentários totalmente equivocados. Há muita gente falando daquilo que não conhece, querendo convencer a população que o pobre vai perder com a reforma, mas, na verdade, não é assim. Mais de 50% dos beneficiários recebem um salário mínimo, e esse grupo não vai ter alteração. Mas existe um grupo extremamente favorecido com as aposentadorias, que não pagou para tê-las, e consegue manipular as pessoas. O texto que foi apresentado não é o ideal. Por isso que vai para o parlamento pra gente discutir. A gente precisa entender que cabe um sacrifício de cada um. Quem ganha muito e quem ganha pouco vai precisar fazer um sacrifício, e aqueles que recebem um valor exorbitante, longe do que contribuiu, esse vai perder, e tem muita gente nesse guarda-chuva. A gente não tem condição nenhuma de destravar o país pela retomada do desenvolvimento, se a gente não conseguir fechar o ralo daquilo que se desvia dessa finalidade para cobrir aposentadorias e pensões. Aquilo que o Brasil transfere todos os meses tira de muita coisa. A gente vê uma educação sofrível, além dessa novidade das Universidades (contingenciamento), a gente tem uma saúde que todo mundo sabe como é, além da segurança que deixa o brasileiro inseguro. Esse dever de casa precisa ser feito e não tem chancela de governo nenhum não. É o Brasil, independente de ideologia partidária. É uma necessidade que o país tem para que a geração futura, e até nós mesmos, possamos ter dias melhores. Se nada foi feito esse colapso que eu falei vai chegar a qualquer momento. Eu vou lutar com todas as minhas forças e tentar convencer quem for possível de que a gente só tem esse caminho.

O que está travando?

O governo que é refém das suas próprias palavras. A democracia brasileira se instala por meio da política. É a política que pulveriza o pomar de ideias necessárias para que as coisas caminhem. É a partir do diálogo frequente que a gente conduz o que promove os encaminhamentos necessários para que, de fato, os projetos sejam aprovados da melhor maneira possível, dentro de uma realidade que o colegiado enxergue boa para o país. Criou-se uma cultura de que político só visa seus interesses, que qualquer coisa que queira se construir no Congresso, e que precise de um entendimento, o próprio governo começa a recuar porque entende que está se barganhando alguma coisa. A democracia brasileira sempre existiu, é louvável e sempre foi construída em um ambiente de entendimento. O governo, ao ser eleito, disse o presidente que não queria construir aliança com frentes parlamentares e com bancadas, mas esqueceu os partidos. A grande pergunta que fica é: por que ele não vai construir alianças com os partidos? Você pode sentar com os partidos, como o governo tem tentado fazer, e construir alianças sérias e responsáveis porque isso é um processo natural. É assim que fazemos política. No começo, o governo disse que não iria leiloar os ministérios porque a corrupção que se instalou nos governos anteriores foi somente em função dessa coalizão feita de porteira fechada. Porém, existem novas regras que podem ser definidas entre as partes. Qual o mal que existe em um partido aliado do governo fazer a indicação de um ministro? O presidente tem a prerrogativa de falar que não quer determinado nome e solicitar que o partido indique outro com o qual concorde. O partido vai ter que voltar e trazer outro. A partir do momento que essa formatação for concluída, além dele ter um plano de governo para apresentar, ele terá um leque de partidos que darão sustentação ao governo dentro do Congresso. Mas o governo pouco fez isso. O ministro da Saúde é um deputado federal do Democratas. É um ministro excelente, íntegro, que tem conduzido muito bem a pasta. O governo convidou uma colega deputada que tem feito um excelente trabalho no Ministério da Agricultura e todos são colegas e não são corruptos. Resistir à participação dos partidos no governo é dificultar cada vez mais a votação de projetos importantes porque a dinâmica da política é essa. Não tem como ser diferente. Os partidos buscam seus espaços que são concebidos dentro de critérios definidos pelo Poder Executivo. Quando o presidente diz que não vai fazer aliança com nenhum partido se torna refém do seu próprio discurso, porque o eleitorado para quem ele disse isso olha pra ele e diz que ele acabou fazendo. Ou ele se liberta da palavra que ele deu lá atrás ou a gente vai conseguir avançar muito pouco. Os partidos que fazem parte do arco de aliança do governo têm opinião própria. O partido não tem obrigação de votar em tudo porque ocupa um ministério. A gente tem a liberdade suficiente de fazer uma discussão qualificada e chegar a um bom termo. É assim que a política se instala. A harmonia dos poderes precisa prevalecer acima de qualquer coisa, mas, infelizmente, neste momento, entre o Poder Legislativo e o Poder Executivo não existe harmonia.

Outros governos também fizeram contingenciamento na área da educação. Por que só no governo Bolsonaro explodiu dessa forma?

É porque o governo comunicou mal. Tem muita gente falando pelo governo sem autoridade para fazer isso. O presidente deveria, já que é o grande líder dessa mudança que o Brasil viveu, ele mesmo comunicar. No Ministério da Educação, um ministro já saiu e o que aí está não vai durar muito tempo. A audiência pública com a Comissão Especial da Câmara foi um negócio trágico. O governo não tem base por não ter construído essa aliança com os partidos e não tem estrutura legislativa para sustentar uma Comissão Geral com a oposição. A oposição tem doutrina, ideologia, experiência de plenário e estratégia. A base do governo é muito frágil. O partido do presidente é muito frágil. O tamanho da capacidade de argumentação é muito pequena. Leva um olé da oposição. Todos os governos, pelo menos os últimos, fizeram contingenciamento. No primeiro anúncio que cortou 40%, alguém com autoridade no governo deveria ir aos meios de comunicação explicar o que estavam fazendo. Mas foi feito de uma forma muito intempestiva e criou esse mal-estar. Os brasileiros começam a se acostumar com esse vai e volta - o que é muito ruim. Ele diz que vai fazer uma coisa, depois faz outra. Isso trás insegurança para toda população. O mito, como se cantou em prosa e verso, no Brasil inteiro, precisa ter o controle das coisas. Muitas vezes, eu percebi que ele evita fazer o enfrentamento com a população para dizer, de fato, o que acontece. Prefere mandar um porta-voz para falar. Um presidente que recebeu mais de 57 milhões de votos, 57.797.847, tem que ir à frente da televisão e dizer aos brasileiros o que está fazendo. Ele que disse, e, a partir dali, não tem duas conversas. Mas vem o ministro da Casa Civil diz uma coisa, vem o porta-voz e diz outra, os filhos dele dizem outra coisa... Isso vai criando uma insegurança muito grande, e a oposição, que não é surda, começa a pegar os fragmentos de conversasse mal conduzidas e faz o espetáculo, como foi feito na Comissão Geral.

O presidente Jair Bolsonaro recebeu, na semana passada, o governador Belivaldo Chagas. Mas entre receber e chegar dinheiro para Sergipe há uma distância considerável, não?

O governador Belivaldo Chagas começou a ouvir comentários que Bolsonaro o chamou para uma reunião e ele não foi. Foi criticado e disse na imprensa que nunca foi convocado para uma reunião com o presidente. A primeira foi uma reunião com Bolsonaro, mas quem organizou não foi o governo. Foi o governador de São Paulo que montou um grupo de governadores para se encontrar com Bolsonaro. O segundo encontro foi uma reunião no Ministério da Justiça, convocada pelo ministro Sérgio Moro, e não era com Bolsonaro. Belivaldo mandou representantes para as reuniões. Quando ele recebeu o convite do presidente da República para um encontro ele foi. Em dois dias, ele participou de três reuniões. Eu já tive o privilégio de acompanhar o governador em algumas audiências nos ministérios e as conversas têm sido de auto nível pelo desenvolvimento do Estado, pela necessidade que o Estado tem, pela participação do Estado nos projetos que estão sendo postos, colocando Sergipe como um atrativo para as políticas que o Governo Federal pensa em desenvolver, principalmente para a questão do óleo e gás. Nos próximos cinco anos, eu tenho a impressão que teremos a redenção do nosso Estado, repetindo o que aconteceu na década de 60 com a Petrobrás. Mas, para acontecer daqui a quatro ou cinco anos, o governador já está trabalhando de hoje para prospectar todos os encaminhamentos necessários para que isso, de fato, aconteça. Belivaldo tem tido uma porta larga de acesso ao Ministério de Minas e Energia, tem feito um diálogo grande na Petrobrás. Isso não quer dizer nada, mas a apresentação já foi feita, e o presidente já sabe quem é o governador de Sergipe. A partir daí, agente começa a fazer uma peregrinação, e, se preciso for, o governador fará toda semana porque ele é incansável em ver a situação de Sergipe melhorar no menor espaço de tempo possível. O caminho já começou a ser pavimentado e eu acho que com a perspectiva de negócios para nosso Estado eu acho que essa relação será muito afinada a cada dia que passar.

Como avalia a crítica do presidente municipal do PT, no sentido de não querer a legenda no mesmo palanque que Laércio Oliveira, em 2020, no caso o projeto Edvaldo Nogueira?

São as coisas da política que a gente fica surpreso ao ouvir. É muito interessante e a gente precisa entender nas entrelinhas o que o PT busca com isso. O PT quer desgastar o deputado federal Laércio Oliveira ou o próprio PT? Isso pode ser o PT querendo se fazer de vítima para ser o “coitadinho” e alcançar os seus interesses. Eu gosto muito das falas do prefeito Edvaldo Nogueira e do governador Belivaldo Chagas, quando se começa a discutir essas coisas. Existe um ranço na política que os bons políticos não digerem. Tem tempo pra tudo. Tem tempo para fazer articulação política eleitoral, para fazer a articulação política em prol do mandato que o povo lhe deu. É tempo da gente cumprir o nosso papel de buscar espaço para nosso Estado, para quem está na Câmara Municipal buscar os interesses do seu município. Precisamos unir as nossas forças e nossa inteligência para pensar o que o partido pode fazer para ajudar o Estado - claro que dentro do viés da atuação nas diretrizes definidas pelo Diretório Estadual do meu partido. É assim que eu faço política. No meu partido, a gente sabe exatamente qual é nossa missão, mas jamais o Progressista vai apontar ninguém dizendo que, se na eleição de 2020 alguém tiver na aliança do prefeito, o partido não vai. Primeiro que a eleição não é do Progressista, o que já desmonta uma grande barreira. Quando a gente é aliado, a gente faz a nossa parte. A gente joga claro, com honestidade, sem desqualificar as pessoas. Eu fiquei na aliança e eu, deputado federal, com as diretrizes que sempre pautei no meu trabalho, relator da terceirização, votei a favor do impeachment da presidente Dilma, uma das oito mãos que ajudaram a aprovar a Reforma. Esqueceram de dizer que eu ajudei a favor da denúncia contra o presidente Temer. Lembraram de coisa que eu nem lembravam mais. Mas mesmo, assim eu tinha interesse na eleição do governador Belivaldo Chagas. O PT, nesse quesito, não me incomodava sob hipótese alguma porque não era o PT que estava disputando, apesar de ter uma vice que sempre teve muito respeito por mim e eu por ela. Se eu estava num projeto era justamente pela cabeça do projeto que era o candidato Belivaldo Chagas. Eu convivia muito bem e estive em vários palanques onde a Reforma Trabalhista foi criticada. Falavam até de golpista em relação ao impeachment da presidente Dilma. Eu não fui golpista. Apenas exerci a minha consciência. Aquilo não me afetava sob hipótese alguma. Eu olhava o meu candidato. Eu cheguei para o governador e comuniquei que seguiria outro candidato a presidente da República, porque não iria votar no candidato do PT. Eu comuniquei porque, se algum dia, alguém fizer um comentário a respeito disso ele seria o primeiro a falar que eu comuniquei a ele. A partir daquele momento me descolei do grupo e fui fazer campanha para Bolsonaro com toda a estrutura que eu tinha. Nunca fiz nenhuma crítica a nenhum petista e eles, na minha campanha de deputado federal, foram várias vezes fizeram banner e boneco e levaram para os centros comerciais dizendo para não votar em mim, porque eu votei contra os trabalhadores. Quem tem que convencer o povo sou eu, e, felizmente, a política caminha por esse viés. As pessoas querem conhecer o caráter dos seus representados. Esse rapaz aí que fez esses comentários comigo, eu acho que ele pode pegar uma referência minha com os próprios colegas dele de sigla. Existem petistas que eu me dou muito bem, que tenho um enorme carinho e respeito. Sílvio Santos, que foi vice-prefeito de Aracaju, é um petista convicto e eu tenho uma grande e admiração por ele e tenho certeza absoluta que ele tem um grande respeito por mim. Quando a gente não está confortável com uma situação política partidária de coalizão, que me parece que é isso que esse rapaz quis expressar, se ele tiver comando no PT, de fato, eu acho que ele não tem, já que ele diz que com Laércio Oliveira na coalizão com Edvaldo Nogueira o PT não caminhará, ele devia aproveitar, para ser um político íntegro na sua fala, coerente, chegar perante Edvaldo e entregar todos os cargos que o PT tem na Prefeitura de Aracaju. Mas isso não vai acontecer nunca. O PT, na sua natureza, se acostumou a viver pendurado em cargos, como existem muitos petistas pendurados em cargos no Governo Federal ainda, e o governo Bolsonaro ainda não fez a limpeza que deveria ser feita. Já que a pessoa declara que não quer aliança onde Laércio Oliveira estiver, entregue os cargos. Esse blá blá blá se instalou para formar um palanque e eu não dou palanque para ninguém porque tenho mais o que fazer. De repente, a gente se encontre em 2020.

Se Jéferson Lima não comanda o PT, mesmo sendo presidente da legenda, pode estar querendo aparecer às custas do seu nome ou está dando um recado de alguém que tem cacife, mas não tem coragem de dizer o que pensa diretamente?

Eu não me sinto com esse cacife grande a tal ponto de outra pessoa não ter coragem de me dizer o que queira... Eu só peço que ao dizer diga com educação, da mesma forma que eu trato a todos. Eu prefiro não acreditar que seja um recado porque os líderes do PT hoje em Sergipe, na minha concepção, são Silvio Santos, Eliane Aquino, Márcio Macedo e Rogério Carvalho. Essas pessoas têm um diálogo aberto comigo e recebe de mim na mesma moeda em termos de tratamento. Qualquer um deles pode fazer um pronunciamento nesse sentido. Eu compreenderia e daria a mesma resposta que dei a esse rapaz que não sei nem o nome. Não acredito que seja um recado de um cacique do PT. Acho que seria muita covardia mandar um representante fazer um pronunciamento desse. É lamentável. Acho que o PT precisa reconstruir e fortalecer mais a sua base. É um partido que tem história no Brasil e precisa de bons quadros. Os tem, mas precisa ampliar esses quadros e não é com esse tipo de política que vai avançar.

Esse tipo de juízo, paradoxalmente, fortalece Laércio apoiar o projeto Edvaldo Nogueira?

O Progressista tem disposição de estar à frente das eleições 2020 em um arco de aliança que traga o bem-estar e o desenvolvimento para nossa cidade. Certamente, estaremos juntos e unidos pensando em uma Aracaju melhor para todos. Estarei nas ruas, nos palanques ajudando para essa conquista. Como tem sido dito pelo governador e pelo prefeito, na hora certa daremos nosso encaminhamento e nossa forma de trabalhar. Eu acho que vai dar certo.

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Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo
Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: joedsontelles@gmail.com


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