Os garotos do Flamengo e os responsáveis pela dor
Blogs e Colunas | Joedson Telles 09/02/2019 12:24

A morte dos garotos do Flamengo… Opa! Espere aí: o que tem a ver este espaço político com futebol ou assuntos policiais? Tudo. Explico. As leis não são feitas pelos nossos representantes? Pois bem, as brechas de algumas e a ausência de outras regras alimentam a cultura danosa de nem sempre a penitência pelo pecado cair no colo do pecador. Foi assim em outras tragédias. Esperemos nova desfaçatez?

Neste momento, a dor das perdas, de mais que os sonhos, das vidas terem sido violentamente interrompidas precocemente anestesiam. Comovem. Provocam lágrimas e revolta, sobretudo aqueles que têm laços familiares com os garotos. Tudo devidamente nutrido pela mídia e pelas redes sociais – não sem o descartável sensacionalismo de praxe nas tragédias.

Todavia, não tarda o momento oportuno para este clima de comoção ceder lugar às consequências jurídicas do absurdo fato. Em outras palavras: quando vamos conhecer aqueles que serão responsabilizados pelo que já está conhecido como mais uma tragédia anunciada. Aí entram as questões das leis. Sacou?

Quem acompanha o caso pela imprensa já deve estar cansado de ouvir: Flamengo pra cá, Flamengo pra lá… E tem que arcar com o ônus, sim senhor. Não abriu as portas para os garotos, apostando em títulos e milhões de euros? Não esperava lapidar novos Vinícius? Então? Nada mais justo que, dos funerais às indenizações financeiras que jamais trarão de volta o verdadeiro valor, a conta ser do Flamengo.

E vale registrar que o presidente do time, Rodolfo Landim, não tem sido omisso. Determinou de pronto ser proibido “dizer não” às famílias dos garotos.

“O mais importantes agora é a gente se dedicar a tentar minimizar o sofrimento e a dor dessas famílias que, certamente, estão sofrendo muito e fiquem certos que o Flamengo está cuidando disso e não vai poupar esforços para que isso seja minimizado ao máximo”, falou o que tinha que falar.

Com a deixa do presidente, é imprescindível não deixar escapar nenhum detalhe. Não é só abrir os cofres do Flamengo e pronto. Tudo resolvido. As memórias dos garotos merecem bem mais que dinheiro que eles, obviamente, sequer vão gastar. Distribuir responsabilidades para que a punição seja justa é cogente. Pedagógica a ajudar a inibir novos casos afins.

O Flamengo em si não existe. Obviamente é um símbolo. Quem assinou documentos em nome do Flamengo se responsabilizando pelos garotos? Quem determinou que dormissem ali na gigante lata de sardinhas que não tinha o aval da Prefeitura do Rio de Janeiro? Quem comandava a bodega quando o cenário foi criado?

Quando se mexe nas finanças do Flamengo – e é o mínimo do que precisa ser feito para minimizar o estrago -, perceba internauta, a punição é imposta, exclusivamente, à torcida rubro-negra. Menos dinheiro em caixa, menos estrutura para o time ser forte dentro de campo. Mas e os verdadeiros responsáveis? Gente de carne e osso? Óbvio que precisa pagar pela negligência. Caso contrário, não haverá justiça.

Do mesmo jeito, com o respeito a dor, é preciso uma investigação minuciosa e, óbvio, isenta sobre como se dava a relação clube de futebol x familiares e empresários dos garotos. Se por um lado o Flamengo não proveu um ambiente confortável e seguro para os atletas, por outro, familiares e empresários se procuraram averiguar as condições de alojamento dos garotos fecharam os olhos para o absurdo. E se sequer sabiam como eles viviam longe de casa dá no mesmo. Eram meninos.

E não vale a desculpa furada que se trata de famílias pobres e sem estrutura financeira para acompanhar de perto a situação dos garotos. Se os empresários não se deram ao luxo de custear a ida de familiares ao Rio de Janeiro, possibilitando, assim, conhecer, in loco, a real situação, caberiam a estes vetar a ida dos meninos para o Flamengo. O que não é admissível é, em nome de um sonho, colocar vidas em xeque.

Do mesmo modo, órgãos fiscalizadores, a exemplo da Prefeitura e do Ministério Público do Rio, deveriam estar amarrados a leis que obrigassem fiscalizações com mais rigor e medidas providenciais junto a outros órgãos públicos com poder de punição e até de prisão. Apenas não dá o aval e multar se mostraram medidas falidas.

Encerro com perguntas óbvias: os nossos políticos legisladores criaram leis para alcançar toda esta gente? Todos os responsáveis serão, de fato, punidos? O desfecho servirá de exemplo para que novas tragédias anunciadas sejam evitadas?

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Joedson Telles
Joedson Telles é um jornalista sergipano formado pela Universidade Federal de Sergipe e especializado em política. Exerceu a função de repórter nos jornais Cinform, Correio de Sergipe e Jornal da Cidade. Fundou e edita, há nove anos, o site Universo
Político e é colunista político do site F5 News.

E-mail: joedsontelles@gmail.com


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